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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

JESUS-NATAL

Editorial da

Revista Internacional de Espiritismo

Matão, SP, Dezembro 2011


Site de O Clarim: www.oclarim.com.br


Adoração dos pastores por Caravaggio

Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Caravaggio_-_Adorazione_dei_pastori.jpg

File:Bellini maria1.jpg

Apresentação de Jesus ao Templo. Bellini

Imagem: http://it.wikipedia.org/wiki/File:Bellini_maria1.jpg

Ficheiro:Sir John Everett Millais 002.jpg

Jesus na casa de seus pais. John Everett Millais, 1850

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sir_John_Everett_Millais_002.jpg

Ficheiro:Bloch-SermonOnTheMount.jpg

Jesus no Sermão da Montanha. Pintura de Carl Heinrich Bloch, 1890.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bloch-SermonOnTheMount.jpg

Mar da Galiléia em Cafarnaum. Foto Ismael Gobbo



NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 09-12-2011

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PÁ PARA VOCÊ

Richard Simonetti

richardsimonetti@uol.com.br


Observando pessoas no Centro Espírita, a procura de lenitivo para seus males, Chico comentava:

– Muitos desses nossos irmãos não precisam de tanto passe. Precisam mesmo de uma pá.

Traduzindo: precisam de serviço, algo para ocupar o tempo de forma produtiva.

Há algumas observações interessantes sobre a ociosidade:

A ociosidade é como a ferrugem, gasta mais do que o trabalho: – a chave de que nos servimos está sempre limpa.

Benjamin Franklin

Um ocioso é um relógio sem os dois ponteiros, inútil quando anda e quando parado.

Cowper

O homem ocioso é como água estagnada – corrompe-se.

Latena

A ociosidade é o anzol do demônio.

Tomás de Aquino

Um homem perfeitamente ocioso é um pecado ambulante.

Colecchi

Há um consenso, como vemos, em torno da necessidade de nos mantermos ativos, superando a tendência à indolência que caracteriza o ser humano.

Note, amigo leitor, que essa maneira de ser é tão arraigada no espírito humano que os teólogos da Idade Média consideravam o Céu um local de beatitude, onde as almas se desvaneceriam na contemplação do Criador, em absoluto repouso.

Daí falar-se diante da morte de pessoas que enfrentaram atribulações ou tiveram doença de longo curso.

– Finalmente descansou!

Ah! Esse terrível Céu de beatitude vazia, de descanso sem remissão, de ociosidade perene, de monótonos arpejos!…

Está muito mais para inferno!

***

Bem, amigo leitor, se você está consciente de que deve manter-se ativo, evitando a ociosidade, deve conhecer o que nos diz Sócrates:

Não é ocioso apenas o que nada faz, mas é ocioso quem poderia empregar melhor o seu tempo.

Exemplo ilustrativo: o lazer ocioso.

Multidões elegem o fim de semana para viajar, ir à praia, ao cinema, ao shopping; ao futebol...

Nada disso é mau em princípio – um espairecimento, diria o leitor, indispensável ao nosso bem-estar.

Concordo com você.

Mas, se reconhecermos que não estamos em estação de férias na Terra, e sim para evoluir, tudo o que não represente empenho de aprendizado e exercício do Bem, com exceção das atividades relacionadas com a subsistência, será, em última instância, mera perda de tempo.

E, não raro, ensejo à perturbação. Comprometimentos morais, desvios de comportamento, vícios, adultério chegam sempre pela porta do lazer ocioso.

***

Quando Chico lembra a pá, não se refere apenas ao trabalho pela subsistência, envolvendo profissão, cuidados do lar…

Há que se considerar esforço do Bem, substituindo lazeres no mínimo inconseqüentes por iniciativas que nos enriqueçam espiritualmente, valorizando o tempo que Deus nos concede para as experiências humanas.

Há lazeres maravilhosos: visitar enfermos no hospital, preparar refeições para famílias carentes, distribuir cestas básicas, ler livros de caráter edificante, participar de seminários e conferências…

São lazeres que nos colocam em sintonia com as Fontes da Vida.

Sustentam o bom ânimo, alegram o coração e enriquecem a alma.

Por isso, se nas nossas saudações aos confrades desejamos–lhes paz, seria interessante, em favor deles, eliminar a letra z.

Assim, amigo leitor, concluo, dizendo-lhe, à maneira de Chico:

Pá pra você!


Chico Xavier em 1939

Foto do arquivo de Geraldo Leão, Pedro Leopoldo, MG

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 08-12-2011

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ADEMIR RETORNA PARA A PÁTRIA ESPIRITUAL. BARRETOS, SP

Texto de Orson Peter Carrara


Na foto de 19/11/2011, o presidente da Federação Espírita do Paraguai,

Divaldo Pereira Franco, Ademir Paulo Dias - diretor do DOD da USE Barretos e sua esposa Inês


Nosso querido ADEMIR PAULO DIAS, ou simplesmente Ademir, da USE BARRETOS, retornou na madrugada desta terça-feira. Enfermo e cuidando da saúde com dedicação, costumava dizer que ele estava com o corpo doente, mas ele não era doente.

Quem não o conhecia? Seu dinamismo e intenso trabalho pelo movimento espírita foram as marcas de sua presença entre nós.

Durante o período da enfermidade e tratamento, Ademir demonstrou toda sua força e coragem, ignorando ameaças físicas e entregando-se ao trabalho com muita confiança e determinação. É o exemplo que fica,

do trabalhador que não se intimida e reconhece a importância de prosseguir.

Partindo quase em seguida a outro grande exemplo de trabalhador espírita na cidade, nosso valoroso Milton Ferreira, ambos formaram nomes de referência no movimento espírita de Barretos.

A gratidão da região e de todos nós que o conhecemos, falam bem dos laços que despertou nos vínculos saudáveis que construiu ao logo do tempo, assim como nosso valoroso Milton.

A partida, apesar da enfermidade, causa surpresa. Acostumamo-nos todos com a presença dos amigos nos contatos telefônicos, virtuais ou nos encontros físicos reais. Ele próprio esteve na recente reunião da

USE no último domingo, com sua costumeira dinâmica atuação.

Deixa saudades e reconhecimento, mas especialmente exemplo de trabalho assíduo e consistente.

Obrigado Ademir!

Deus sempre com todos nós!!

RESPINGOS HISTÓRICOS

A história da Palestina é, antes de tudo, a história de um povo sofredor em luta angustiante pela sobrevivência e a paz.

Escravo por longos séculos de egípcios, babilônios e outros povos, mais de uma vez, após esforços ingentes e sanguinolentos, conseguiu a reorganização comunitária em regime teocrático, experimentando quase sempre aflições inomináveis para perder a liberdade logo depois.

Fazendo da defesa da fé espiritual a sua política e da religião o alicerce da vida nacional, viveu sempre em comunidade fechada sob a inspiração do monoteísmo, qual ilha num convulso oceano politeísta.

Aproximadamente no ano 143 a.C., experimentando o jugo do império selêucida (1), que se encontrava, então, em lutas desenfreadas com partos, romanos, egípcios e outros povos. Simão Macabeu libertou a Judéia, fazendo-se eleger, de imediato, em assembléia popular, general e Sumo-Sacerdote, função esta que ficaria retida por hereditariedade na sua família: os asmoneus. (2)

Mais tarde, em 78 a.C., foram conquistadas e adicionadas à Judéia, a Samaria, a Galiléia, a Iduméia, a Transjordânia e outras terras, recuperando a Palestina os seus primitivos limites.

À medida, porém, que aumentavam as dimensões territoriais, diminuía o fervor religioso, enquanto o progresso grego era absorvido pela Casa Asmoniana que, então, passou a sofrer a mais severa restrição e desprezo da classe dos fariseus.

Em 63 a.C., como Pompeu se encontrasse com as legiões no Oriente, vitoriosamente às portas de Damasco, foi convidado pelos Israelitas para um arbitramento entre Hircano II e Aristóbulo II, (3) que disputavam a coroa. O arbitramento foi favorável a Hircano II. Esse fato deu origem à célebre campanha do apaixonado triúnviro contra Aristóbulo II que, inconformado com o resultado do arbitramento, o enfrentou. Perdendo a batalha na Cidade Baixa, refugiou-se o rebelde no Templo, na parte Alta de Jerusalém onde, 3 meses depois, foi vencido.

A vitória de Pompeu custou 12.000 judeus sacrificados e todas as terras dos macabeus, que passaram a pertencer ao Império Romano.

Depois da morte de Crasso, que saqueara a cidade em 54 a.C., novo levante foi afogado em sangue por Longino, que lhe sucedeu no governo da Síria, deportando cerca de 30.000 judeus, que ficaram reduzidos a hilotas (43 a.C). Com a morte de Antipáter, os partos vitoriosos invadiram Jerusalém e fizeram seu títere a Antígono, o último dos macabeus.

Ao mesmo tempo, em Roma, o 2º. Triunvirato se estabelecia, e Marco Antonio e Otávio, tendo nas mãos os destinos do Império, nomearam Herodes, filho de Antipáter, para cingir, então, a coroa de Davi (40 a.C.).

Herodes, com mão de ferro, expulsou os partos, aprisionou Antígono e o entregou a Antônio para ser executado. Logo depois, para fazer-se temido e respeitado, mandou matar todos os judeus que haviam apoiado os invasores.

O esplendor helenista atingiu, em Israel, o período áureo, com Herodes.

Surgiram cidades deslumbrantes; a escultura encontrou guarida em toda parte; Jerusalém se enriqueceu de monumentos e edifícios pomposos; foram erguidos teatros e circo. Introduziram-se as competições de atletismo, os concursos musicais e as lutas de gladiadores.

Em Cesaréia foi construído um porto de mar e valiosas doações foram feitas a Biblo, Rodes, Esparta, Atenas...

Considerando o Templo de Jerusalém construído por Zerubabel, sem o esplendor digno de Israel, mandou Herodes derrubá-lo e no seu lugar fez erguer outro maior e mais imponente.

Dissoluto e ambicioso quanto inclemente, mandou matar quantos projetavam sua sombra sobre a coroa, não poupando a Aristóbulo (acidentalmente morto num banho, e herdeiro legal do trono), nem Mariamne, sua segunda esposa e neta de Hircano II, irmã, portanto, de Aristóbulo. Alguns dos próprios filhos, como Alexandre, pereceram nas mãos dos seus sicários, sendo que a Antipáter, considerado suspeito de conspiração, mandou prender indefinidamente.

Afogou em sangue quantas conspirações foram ensaiadas e o cerco de espiões se fez tão severo que, certo dia, disfarçado, no meio do povo, teria inquirido a um homem sobre o que pensava de Herodes, ao que este respondera: - “Em Jerusalém até os corvos são da polícia”.

II

No ano 4 da nossa era, vitimado por hidropisia, febres e úlcera, desencarnou Herodes, ficando a Casa de Israel, por testamento, dividida entre os 3 filhos: Herodes-Filipe II, Herodes-Ântipas e Arquelau.

Antes mesmo que se consumassem as exéquias fúnebres, no Herodium, já Arquelau, moço ambicioso, com 18 anos apenas, subjugava uma sedição, procurando, logo depois, em Roma, o apoio de Augusto, para um governo soberano.

Ântipas, após algumas providências, igualmente viajou à Itália.

Herodes-Filipe II demandou a região norte e ali se estabeleceu com segurança.

Roma, como sempre, através do Imperador, escolheu a melhor política de que se utilizava entre os povos conquistados: as próprias disputas e lutas intestinas que os enfraqueciam. Arquelau foi feito Etnarca da Judéia, Herodes-Ântipas e Herodes-Filipe II, Tetrarcas, cabendo ao primeiro as cidades da Gaulanítida, Traconítida, Batanéia e Panéias, e, ao segundo, a Galiléia, a Peréia, onde ficavam as cidades de Nazaré, Esdrela...

Herodes-Filipe I, o primogênito, neto do Sumo-Sacerdote pelo lado materno, fora radical e definitivamente deserdado. Tentou conseguir a “Mitra branca” e o “peitoral sagrado”, demorando-se, no entanto, como simples sacerdote, enquanto a função ficou retida entre os seus tios-avós.

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O lago de Genesaré era nomeado pelos rabinos como o lugar que “Elohim reservou para a sua exclusiva satisfação”, graças aos encantos de suas margens e às aragens frescas que espalhava. Era natural, pois, que os dois Tetrarcas aí disputassem a primazia para a cidade-capital dos seus domínios. Mais poderoso em armas e dinheiro do que o seu irmão, Ântipas ai mandou levantar a célebre Tiberíades, em homenagem ao Imperador, num sítio onde existira anteriormente um cemitério, o que granjeou dos judeus a animosidade, que a tachavam de “impura”.

Filipe transformou, da mesma forma, a antiga Pânias, aformoseando-a e enriquecendo-a, e denominou-a de “Cesaréia de Filipe”, situada na foz do Jordão com o lago, quase debruçada sobre as águas.

Em Roma, depois de entrevistar-se com o Imperador, Arquelau conseguiu a Samaria, a Iduméia e a Judéia, tendo Jerusalém como capital dos seus domínios, ficando melhormente aquinhoado. Como semelhasse ao genitor em crueldade e astúcia, aumentou os impostos, reconstruiu cidades com o suor e as lágrimas dos súditos. Não atendendo às reiteradas solicitações do povo para que diminuísse a opressão, arrebentou uma insurreição que foi afogada em sangue, crescendo o movimento interno, que passou a objetivar a dominação romana. Notificado o Imperador por uma comissão de judeus prestigiosos, em Roma, da situação calamitosa, em Jerusalém, caiu Arquelau em desgraça, sendo deposto por Augusto, que o obrigou a transferir residência para as Gálias (em Viena) sem ordem de afastar-se dali (ano 6 da nossa era).

Para Jerusalém, foi nomeado, então, um procurador romano.

Como, porém, continuasse a rebelião, os romanos agiram com impiedade, mandando crucificar 2.000 judeus, como coroamento das vitórias alcançadas.

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Jesus viveu a sua infância como súdito de Herodes-Ântipas.

Ao inicio do seu ministério público, a Palestina se encontrava sob a fiscalização da Síria, cujo legado era Pompônio Flaco e o procurador da Judéia era Pôncio Pilatos, o quinto na série de sucessão.

Do seu palácio em Cesaréia Marítima, o procurador tudo dominava desde “Don a Bethsabé”. (4)

Sob a opressão, Israel apresentava três classes sociais distintas, que se diferenciavam social, política e religiosamente, admitindo diversas seitas outras, entre as quais distinguiu-se pela austeridade dos costumes dos seus membros, cordura e fraternidade, a dos essênios, que tinha por norma o preceito: “o que é meu é teu”.

Governado pelo Conselho de Anciãos que, constituído por 72 membros, entre os quais o Sumo-Sacerdote, legislava sobre a vida e a morte dos súditos.

Os saduceus (zadokim – nome derivado de Zadok, seu líder e fundador da classe), constituíam a aristocracia feudal, encarregada dos ministérios religiosos, e zelosos observadores da aplicação rigorosa dos códigos da Torah ou Lei,. Invariavelmente ricos, fruíam de consideração e destaque.

Os fariseus (perushim- separados) eram considerados independentes economicamente, constituindo a classe média; criam-se mais “judeus que os judeus”, sendo os continuadores da severa exigência ortodoxa, na prática religiosa, inicialmente instituída pelos macabeus.

O povo, (Am Há-aretz – “pessoas da terra”) resultado da fusão entre mendigos, tecelões, trabalhadores braçais, artesãos de todas as procedências e pequenos agricultores, reduzidos à extrema miséria pelos impostos exagerados, constituía o denominado “proletariado” (Como em Roma eram chamados os proletários). Este, o povo, era odiado pelas outras classes, sendo que o Am Ha-aretz, detestado, era mesmo perseguido e desdenhado.

Sem qualquer direito, estigmatizado pelo ódio generalizado, os Am Ha-aretz que enchiam os campos e as cidades (Jerusalém rivalizava com Roma, no que diz respeito aos sem trabalho, com a agravante de que em Roma estes recebiam o pão e circo propiciados pelo Imperador, que assim os entretinha e alimentava), se uniram num partido: o dos fanáticos, que mais tarde se dividiu em zelotes e sicários que, insurretos perseguiam os próprios judeus simpatizantes dos romanos, aos quais apunhalavam, ás vezes, na praça pública. Espalhando o terror, conclamavam à rebelião, destruindo, em conseqüência, aldeias e povoados que se negavam segui-los.

Os fariseus, por comodidade, procuravam unir-se aparentemente aos romanos, embora os detestassem, e, por sua vez, fossem detestados.

Roma, através dos seus diversos procuradores, insistia em colocar no Templo de Jerusalém os símbolos do seu poder: a águia dominadora ou a estátua do Imperador, motivando reações sangrentas.

Nesse ínterim, as lutas perderam a aparência política e assumiram caráter religioso, quando Teudas, um misto de Messias e libertador, conduziu o povo ao Jordão e procurou repetir a façanha de Moisés, no Mar Vermelho, gerando uma chacina violenta por parte dos opressores que, inclusive, mataram o pseudo Messias...

Em 66 d.C., irrompeu nova onde de libertação, com poucos resultados, para os judeus. Novamente batidos e derrotados, a paz foi comprada pelo rabino fariseu Jochanan ben Sakkai, ensejando a muitos ricos a salvação. Os pequenos comerciantes, artesãos e “homens da Terra”, porém, inconformados, refugiaram-se no palácio real, que foi saqueado, e lutaram até a destruição total do Templo, em 70, quando Tito mandou matar mais de 600.000 rebeldes em toda a Palestina.

Pelos fins de 132 da nossa era, sob o comando de Simeão Bar Cocheba, que se dizia o Redentor, os judeus tentaram novo levante e foram definitivamente destruídos, morrendo Cocheba, em Bithar. Os romanos mataram mais de 500.000 judeus, destruindo mais de 900 aldeias, descendo o “preço de um israelita, como escravo, a menos do valor de um cavalo”.

Adriano, em todo o Império , proibiu qualquer ato religioso ou civil judeu, e o “povo eleito” sofreu a dispersão dolorosa, passando séculos sem poder recuperar-se do desastre de Bar Cocheba.

Nos sítios de Jerusalém, foi levantada a cidade pagã de Aélia Capitolina, onde predominavam os hábitos e costumes romanos...

Jamais um povo sofreu tão longo e cruel exílio!

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Nesse clima de ódios de toda a espécie, entre os sofrimentos mais diversos, Jesus disseminou o amor, a liberdade, a paz, conclamando ao Reino de Deus e pregando a “não-violência” até o próprio sacrifício. Sintetizando os objetivos da vida no “amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, fez esse legado de amor, em torrentes luminosas e soberanas.

(1) A dinastia dos Selêucidas foi fundada por Seleuco I, na Pérsia, em 312 a.C. Por volta do ano 200 a.C., os selêucidas conquistaram a Síria e os povos circunjacentes quando, então, a Palestina lhe caiu sob o domínio. (Nota da Autora Espiritual)

(2) Esse período foi denominado de 2ª. República Judaica que abrange de 142 a.C. a 70 da nossa era.

(3) Filhos de Salomé Alexandra, que restabeleceu a paz com os fariseus. Mesmo antes da sua morte, seus filhos Hircano II e Aristóbulo II se puseram em renhidas disputas pela sucessão. (Nota da Autora Espiritual)

(4) Para governar esse povo de 2.000.000 de habitantes à época (calculava-se que em Jerusalém viviam 100.000 judeus), Roma mantinha 3.000 homens divididos em 3 coortes de infantaria, 1 ala de cavalaria e auxiliares diversos recrutados entre sírios, samaritanos, gregos e árabes. (Nota da Autora Espiritual)

Muro Ocidental ou Muro das Lamentações, a única parede que restou do Templo de Jerusalém.

Principal local de peregrinação dos judeus. Foto Ismael Gobbo

Domo da Rocha ou Mesquita de Omar, que fica no quarteirão Muçulmano na Cidade Velha de Jerusalém. No local estava fincado o Templo de Jerusalém. Foto Ismael Gobbo

Cascata de En Gedi, nas proximidades do Mar Morto, um oásis em pleno Deserto da Judéia. O Velho Testamento registra que aqui Davi se escondeu de Saul. Foto Ismael Gobbo

Cabeça em mármore do Imperador romano César Augusto. Durante seu reinado nasceu Jesus. Originária de Antióquia da Psídia a peça está exposta no Museu Arqueológico de Istambul. Foto Ismael Gobbo

Cabeça em mármore do Imperador romano Tibério que governava quando Jesus foi crucificado. Peça originária de Pérgamo se encontra no Museu Arqueológico de Istambul. Foto Ismael Gobbo

Ruínas do Palácio de Herodes chamado “Herodium” no topo de um monte (758 m acima do nível do mar), distante 12 kms de Jerusalém. Foto Ismael Gobbo

Jerusalém vista do Monte das Oliveiras. Foto Ismael Gobbo

Lago de Tiberíades, também conhecido como Mar da Galiléia, Israel. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 07-12-2011

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

“EVANGELHO DE JESUS PRECISA SER EXEMPLIFICADO"

PUBLICADO NO JORNAL FOLHA ESPIRITA

SÃO PAULO, DEZEMBRO DE 2011

Fuga para o Egito. Gruta do Leite, Belém, Palestina. Foto Ismael Gobbo

Ismael Gobbo / Cláudia Santos

É indiscutível a importância que Jesus tem para a humanidade. Com seus ensinamentos e exemplo, Ele se fez para todos nós o caminho da verdade e da vida. Recordou-nos nossa filiação divina e irmandade humana, e nos abriu perspectivas de, por meio da união com Ele, por seguirmos seus ensinos e exemplos, alcançarmos a união com o Pai. Por ter vindo, pregado e exemplificado a Boa Nova, seu Evangelho está bem difundido e conhecido em todo o mundo. Sua mensagem é universal e possui uma aceitação plena por todos aqueles que tomam conhecimentos dela.

“Sua presença física foi fundamental para implantar os ensinos da sua Doutrina. Encarnando entre nós, Jesus tornou evidente que, mesmo habitando este mundo, corporeamente, é possível viver o ideal, manter a virtude e a tudo e a todos amar e beneficiar. Se Ele não houvesse vivido entre nós e exemplificado o bem, continuaríamos a achar impossível estar na Terra e agir como um Filho de Deus”, analisa Therezinha Oliveira, coordenadora de Estudos e Divulgação Doutrinária do Centro Espírita Allan Kardec (Ceak), de Campinas (SP).

Mas, mesmo assim, com seus ensinamentos perpetuados, sabemos que, de uma maneira geral, o homem perdeu a referência de sua mensagem. Seus exemplos foram esquecidos e estão perdidos para muitos dos que se dizem cristãos. “A história nos tem demonstrado como estamos longe do que Jesus nos recomenda no Evangelho de Mateus, capítulo 10: 7-10: ‘Ide, proclamai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, conduzi os espíritos inferiores; de graça recebestes, de graça dai. Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o operário é digno do seu sustento’”, lembra Severino Celestino, presidente do Núcleo de Estudos Espíritas Bom Samaritano, em João Pessoa (PB), e autor de vários livros de natureza espírita, buscando integrar Espiritismo e Bíblia, e de natureza didático-religiosa.

“O Evangelho de Jesus não está definitivamente implantado entre os homens. Se estivesse, saberíamos implantar ao nosso redor um mundo de justiça, paz e bondade. O que falta? A exemplificação de todos nós, que lhe reconhecemos a excelência da orientação moral para que o reino ideal se concretize na Terra”, avalia Therezinha.

Presente em cada coração que ama

Marlene Nobre

Hoje em dia, em muitos países de largo desenvolvimento intelectual, a tendência é deixar de lado a vida e os ensinamentos de Jesus, com a justificativa de que trouxeram muitos enganos e decepções à vida comunitária. Detestam seitas e a “lavagem cerebral” que provocam. Descartam as religiões de maneira geral. Entram para a carapaça, cultivando o modo materialista de viver.

Por outro lado, é notório o aspecto consumista em que se transformou a comemoração do Natal entre a maioria dos cristãos, que se inspira no estilo de vida do modelo materialista, voltada para o cultivo do que é descartável e perecível, sem conexão com as comemorações dos primeiros tempos do Cristianismo.

Entre os que descartam as religiões e igualmente a vida e a obra do Mestre Jesus, a justificativa está centrada nos crimes e enganos cometidos em nome do Cristianismo. Realmente a humanidade tem muito do que se lamentar quanto às interpretações errôneas das lições do Mestre Jesus, que redundaram nos crimes da Inquisição, no apoio a tiranos e invasores impiedosos, no fomento às guerras religiosas, nas perseguições cruéis aos cientistas, na sexualidade malconduzida, na preferência por riquezas perecíveis em detrimento da defesa dos pobres, fracos e injustiçados. Sem dúvida, são ações lamentáveis, mas que tiveram origem nos erros das interpretações humanas, sem conexão com o real significado das lições do Cristo.

Mas por que os milhões de revoltados contra as religiões não raciocinam dessa forma? Cremos que a análise simplista que fazem, na verdade, disfarça uma atitude comodista das almas que se apegam à lei do menor esforço, desejosas de prosseguir na porta larga do materialismo.

Desde o nascimento da imprensa escrita, há cerca de seis séculos, as criaturas humanas têm à sua disposição a vida e a obra de Nosso Mestre Jesus. Principalmente nas culturas bem sedimentadas, que têm mais de 3 mil anos de história, elas teriam condições de estudar em O Novo Testamento, em toda a sua pureza, os exemplos e as lições do Cristo. Como julgá-lo e descartá-lo, sem consideração, se os seus ensinamentos não se confundem, de modo algum, com os atos de seus pretensos seguidores?

Testemunha

No livro Boa Nova, Humberto de Campos, através da psicografia de Chico Xavier, reafirma o engano em que viveu, quando encarnado, e testemunha a mudança do seu padrão mental, relembrando-nos lições inesquecíveis do Evangelho. Nele, ressalta o seu tributo ao Mestre dos Mestres: “Hoje, não mais cogito de crer, porque sei. E aquele Mestre de Nazaré polariza igualmente as minhas esperanças. Lembro-me de que, um dia, palestrando com alguns amigos protestantes, notei que classificavam Jesus como ‘rocha dos séculos’. Sorri e passei, como os pretensos espíritos fortes de nossa época, aí no mundo. Hoje, porém, já não posso sorrir, nem passar. Sinto a ‘rocha’ milenária , luminosa e sublime, que nos sustenta o coração atolado no pântano de misérias seculares.”

O sentimento do grande escritor foi lapidado pela dor e descortinou-lhe a verdadeira personalidade de Jesus. Fica-nos a certeza de que somente descobriremos a verdadeira essência dos ensinamentos do Cristo quando a humildade florescer em nossos corações. Descobriremos, então, que o Mestre dos Mestres optou por ajudar os pobres, cegos, coxos, paralíticos, perturbados do sexo, hansenianos, loucos, enfim, os descartados da sociedade, que não tinham vez, nem voz. Apontou-nos o caminho: “O que fizerdes a um desses pequeninos é a mim mesmo que o fazeis”, quando recomendou que os seus seguidores vestissem os nus, dessem alimento aos que têm fome, visitassem os encarcerados. Ele mesmo não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça. Suas túnicas eram simples e toscas, feitas por sua mãe.

Ensinou nas praças públicas, nos montes, nas estradas, junto ao Lago de Genesaré, distribuindo pães e peixes às multidões. Curou doentes de toda sorte. Privilegiou a caridade. Ao longo de sua existência, demonstrou sabedoria muito acima da média, não se deteve, porém, nas academias de ciência, nem nos templos suntuosos, asseverando que Deus deve ser adorado em toda parte, mas, sobretudo, no interior do próprio coração humano.

Combateu a violência, exemplificou a paz. Recolocou a orelha de Malco, decepada por Pedro, pedindo ao discípulo que guardasse a espada porque “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. E do alto do Gólgota, na cruz injusta, perdoou os ofensores.

A verdade é que Jesus não fundou religião nenhuma. São de falha humana os erros acoplados às suas lições. Para reconhecer isso, porém, é preciso ter “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”. Felizmente, uma minoria existe que, ao longo dos milênios, exemplificou suas lições, tornando este mundo melhor. Isso é possível porque Jesus está presente em cada coração que ama.

Sobre o Mestre

Therezinha Oliveira, coordenadora de Estudos e Divulgação Doutrinária do Centro Espírita Allan Kardec (Ceak), de Campinas (SP), e Severino Celestino, presidente do Núcleo de Estudos Espíritas Bom Samaritano, em João Pessoa (PB), responderam a algumas perguntas sobre Jesus:

Folha Espírita – Sob o ponto de vista físico, Jesus foi uma pessoa normal como qualquer um de nós?

Therezinha – Allan Kardec nos diz, em A Gênese (cap. XV, itens 65-66): “Desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias habituais da vida” e que “Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico”. Na literatura histórica de muitos povos, lê-se a notícia de virgens dando à luz homens que, gerados por deuses e em situação especial, vieram a ser grandes figuras no cenário dos povos antigos. Para Jesus, também se criou a ideia de uma geração virginal, mas Ele não precisa que o queiram engrandecer assim falsamente.

FE – Seria Ele, como nos dizem os espíritos, o governador do planeta Terra?

Therezinha – Sabendo-se que, na Terra e no além, sempre há o fenômeno da liderança e do comando nos agrupamentos dos seres, podemos aceitar que Jesus represente para nós, a humanidade terrena, o seu governador espiritual, conquanto devam existir, nesse outro lado da vida, entidades igualmente sublimes e mesmo superiores a Ele, na regência de mundos e seres, em nome de Deus.

FE – Teria Jesus conhecido ou mesmo participado da seita dos essênios?

Therezinha – Certamente terá conhecido essa seita, que ensinava o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma, e cujos membros eram celibatários, mantinham bens em comum e costumes brandos, condenando a guerra e a escravidão. Mas não fez parte dela, apesar de suporem isso, porque nada se fala de sua vida entre os 12 e os 30 anos. As ideias e comportamento de Jesus superam os dos essênios e correspondem ao conhecimento e capacidade de seu próprio espírito, altamente evoluído e em perfeita sintonia com a vontade de Deus (ver as Notícias Históricas, na Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, e o Cap. XII de A Caminho da Luz – Emmanuel/Chico Xavier).

FE – Você considera apócrifa a carta de Públio Lentulus com a descrição física de Jesus?

Severino É uma carta* muito interessante que não pode ser desconsiderada. Seu conteúdo apresenta um caráter descritivo da figura de Jesus. Públio Lentulus teve a ímpar oportunidade de um encontro como nosso Mestre e não foi egoísta, pois nos legou de uma forma particular tudo que pôde colher do caráter físico da pessoa de Jesus. Não acho que seja uma carta apócrifa, pois seu conteúdo é muito rico e minucioso de detalhes a ponto de nos sentirmos mais fisicamente próximos de Jesus.

*Foi encontrada uma carta do senador Publius Lentulus Cornelius (personagem de Há Dois Mil Anos, por Chico Xavier/Emmanuel) nos arquivos do Duque de Cesadini, na cidade de Roma, enviada pelo senador em Jerusalém, na época de Jesus, que havia sido endereçada ao imperador romano Tibério César. Nela, há uma descrição física e moral de Jesus feita pelo senador.

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Revelações por Chico Xavier (*)

A Estrela de Belém – A Estrela de Belém era o séquito que acompanhava a descida do Cristo, tendo à frente Ele próprio. E o séquito parou sobre a Manjedoura.

Calendário – O espírito Humberto de Campos, em uma de suas mensagens através do médium, fez uma revelação importante, a de que o nosso calendário ocidental está atrasado em torno de cinco anos. Pode-se consultar em qualquer tempo o seu livro, Crônicas de Além-Túmulo, editado pela FEB, desde 1937, e ler a mensagem A Ordem do Mestre. Nela, o escritor destaca um diálogo do Apóstolo João com o Mestre Jesus, no qual o discípulo afirma que, por uma ordem arbitrária e destituída de sentido de Frei Dionísio, ficou estabelecido o nascimento do Cristo no ano 754 da Era Romana, quando na verdade foi em 749. Assim, neste mês de dezembro de 2011, já estaríamos vivendo o ano 2016 da Era Cristã.

Esse erro básico do novo calendário implantado por Dionísio foi confirmado por historiadores e estudiosos, que apontaram inúmeras falhas a partir dele, como, por exemplo, a fixação da data da morte do rei Herodes cinco anos antes do nascimento do Cristo, o que, evidentemente, não corresponde à verdade histórica. No relato de O Novo Testamentoficamos sabendo que Herodes enfureceu-se com o nascimento de Jesus e tentou matar a criança de forma cruel, tendo sido responsável pela fuga dos pais e do menino para o Egito. Como sabemos, o rei morreu alguns meses depois do nascimento do Cristo. O nosso calendário está, dessa forma, atrasado em cinco anos.

(*) Não incluídas na publicação da FE.


Quadro na Igreja da Dormição em Jerusalém. Foto Ismael Gobbo

Estrada de Jerusalém a Belém. Foto Ismael Gobbo

Esta estrela de prata situada em um nicho da Basílica da Natividade simboliza o local do nascimento de Jesus. Belém, Palestina. Foto Ismael Gobbo

Afresco do Santuário do Campo dos Pastores localizado em Bet Sahur (Casa dos vigias) a cerca de 3 km do centro de Belém. É um Bairro com cerca de 6.000 habitantes árabes, a maioria cristãos, que vivem do artesanato e do pastoreio de ovelhas. Foto: Ismael Gobbo

Campo dos Pastores em Bet Sahur a cerca de 3 km do centro de Belém, Palestina. Foto Ismael Gobbo

Praça da Manjedoura em Belém, Palestina. Foto Ismael Gobbo

Basilica da Natividade, na praça da Manjedoura, em Belém, Palestina.

Construída pelo Imperador Justiniano (527-565), sobre o local da basílica anterior do século IV), erigida por Constantino, que havia sido muito danificada em 529 durante a revolta dos samaritanos.

Foto Ismael Gobbo

Nazaré, Galiléia, Israel. Foto Ismael Gobbo

Mosaico com a representação de Jesus

no museu de Óstia Antica (Roma) Itália

Final do século IV. Imagem arquivo Ismael Gobbo

Deserto da Judéia na região de Massada. Israel. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPÍRITA. 06-12-2011

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