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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um pouco da história Dados Biográficos de Francisco Velloso (1882- 1962)

(Por Maria Aparecida Bergman, nascida Velloso de Aguiar)

Francisco Velloso em 1952



FRANCISCO VELLOSO, inspirado nos ensinamentos da Doutrina Consoladora, foi um dos grandes pioneiros anônimos da Causa Espírita em terras brasileiras.
No jornalismo, escreveu em jornais dele próprio e de outros; nas tribunas de todo o Estado de São Paulo, proferiu tocantes palestras, quando lotavam os salões dos Centros Espíritas para ouvi-lo, pois foi possuidor de belíssimo dom de oratória.
Muito lutou em defesa dos hansenianos ou leprosos, dos “loucos”, dos oprimidos e perseguidos, dos prisioneiros dos cárceres no plano físico e das obsessões, dos animais, e do meio-ambiente.
Atuou na sociedade de várias cidades paulistas, como dentista, escrivão de polícia, jornalista, escritor, tradutor, orador e polemista espírita, fundador e diretor de Centros Espíritas, doutrinador, amigo, tio, pai, marido e depois avô devotado, e exerceu ainda, muitas outras funções. Sobretudo foi fiel seguidor da Doutrina do Divino Mestre Jesus.
Por volta de 1913 a 1916, ia ele, juntamente com alguns seus companheiros espíritas e cristãos intrépidos como ele mesmo, para os arredores da cidade onde viviam (Bebedouro – S. Paulo) em Busca dos hansenianos, que apodreciam em vida, esmolando, escorraçados para os arrabaldes como seres impuros e ameaçadores.
Levavam-lhes medicamentos, curativos, comida, roupas confeccionadas em sua casa, etc.. Recebiam dos doentes cartas que esses escreviam para serem postadas, pois eram proibidos de entrarem nas cidades. Francisco Velloso e esposa com as mãos enluvadas e com extremos cuidados higiênicos colocavam essas cartas em novos envelopes, subscritavam-nas e levavam para serem postadas. Com o tempo, depois de realizarem muitas campanhas nos Centros Espíritas e entre a população pobre da cidade, conseguiram levantar um abrigo, que aos poucos foi se transformando em hospital para aqueles seres banidos da sociedade de então.
Muitas vezes Francisco Velloso levou leprosos, como também, grandes criminosos, depois de cumprirem pena, para viverem em sua casa, junto de sua família, onde com o apoio incondicional de sua esposa, Dna. Mariquinhas, (Maria Carneiro Rangel Velloso – 15.04.1887 – 28.09.1933) médium, detentora de diferentes tipos de mediunidades, tratava e cuidava deles, até que ficassem curados ou melhorassem, ajudando-os a reintegrar-se na sociedade, e por outras vezes fazendo-lhes, piedosamente o sepultamento dos restos mortais.
Alguns jovens, filhos de infelizes socorridos por ele, cresceram em sua casa, como filhos adotivos seus, e, tanto quanto seus filhos legítimos (que foram quinze, sendo que somente sete cresceram e procriaram) os sobrinhos, os cunhados, o amavam como pai, mestre e benfeitor, todos venerando e bendizendo seu nome.
Muitos anos depois da desencarnação de Francisco Velloso, possivelmente na década de 1970, seus filhos receberam um convite, vindo de autoridades legislativas da cidade de Bebedouro, convidando-os a participar de uma cerimônia solene, que seria prestada em homenagem àquele que fora ali ilustre e benemérito cidadão. Seria inaugurada, naquela cidade, uma rua em sua memória, a Rua Francisco Velloso.
Atendendo ao convite estava presente naquela solenidade, acompanhada por seu tio José Carneiro Rangel e alguns de seus irmãos, a filha mais velha de Francisco Velloso: Irene Rangel Velloso de Aguiar (1909-2002).  Ela era alí a única pessoa que vivenciara e que retinha na memória os fatos ocorridos naqueles idos tempos do começo do século XX, em que seu pai, sua mãe, ela própria, e a comunidade dos espíritas de Bebedouro e cidades próximas, dedicaram-se aos nobres trabalhos filantrópicos.
Foi então que, chorando de sentida emoção e fazendo chorar a quantos tomaram conhecimento do fato, Irene reconheceu que, naquele exato lugar onde se situa a rua com o nome de seu pai, antes arrabaldes da cidade, havia sido antigamente o local onde Francisco Velloso e outros companheiros haviam levantado o primeiro abrigo da cidade, para socorro dos  hansenianos, “casualidade” esta, da qual nenhuma outra pessoa tinha conhecimento.
Irene afirmava que seu pai, Francisco Velloso, fundara em 1908, juntamente com Miguel Stamato, José Garcia, João Gagliardi e outros companheiros, o “Centro Espírita do Calvário ao Céu”, na cidade de Bebedouro.
Francisco Velloso foi amigo íntimo e colaborador nos labores espiritistas de grandes vultos do Espiritismo no Brasil, como Cairbar Schutel, Pedro de Camargo e muitos outros, amigo e companheiro nas atividades espíritas das  famílias Stamato, Garcia, Gagliardi, Volp e outras de Bebedouro e arredores.
Um de seus filhos, Kardec Rangel Velloso, casou-se com a filha de João Leão Pitta, que tornou-se a Sra. Eugenia Pitta Velloso, professora e diretora de escolas, na cidade de Itanhaém – S.P., onde o casal muito trabalhou também, na seara espírita.
Francisco Velloso desencarnou em 16.10.1962, na cidade de Lorena-S.P., quando faltavam apenas dois meses para completar seus 80 anos de vida utilíssima. Era natural da cidade de Rio Pardo do Norte (atualmente Rio Pardo de Minas) no Estado de Minas Gerais, nascido a 26 de dezembro de 1882. Teve como genitores José Antonio Velloso e Epiphania Ambrozina Caldeira Velloso.


(Texto e fotos recebidos de Maria Aparecida Bergman, Estocolmo, Suécia)

Espíritas de Bebedouro - ano  1913 ou 14  (no alto Cairbar Schutel com uma criança ao colo.)
A família Velloso no ano de 1926 ou 1927
Francisco Velloso, Cairbar Schutel e José Maria Gonçalves-foto do livro Uma Grande 
Vida, pág.49, de Leopoldo Machado-Ed.O Clarim.
Maria Carneiro Rangel Velloso e Francisco Velloso (1930 ou 1932) e
Francisco Velloso aos 25 de dezembro de 1952
Irene Velloso e João Aguiar, mãe e pai de Cidinha Bergman, em Aparecida 
do Norte-SP., no ano de 1931
1948 ou 1949.  Eugenia Pitta Velloso, filha de João Leão Pitta e esposa de 
Kardec Rangel Velloso, um dos irmãos de Irene.
1992-Irene Rangel Velloso de Aguiar, mãe de Cidinha Bergman.
Rua Francisco Velloso na Vila Nunes em Lorena, SP.
Na foto irmãos de Irene Velloso e um tio

Focalizando o Trabalhador Espírita (151) Wilton Teles Pontes


Wilton Teles Pontes


O entrevistado deste sábado é o pernambucano Wilton Teles Pontes, residente em Olinda. Além
das diversas atividades que desenvolve na casa espírita que freqüenta, o Grupo Espírita “Vinha  de Luz”, Wilton aplica seus conhecimentos profissionais, que é na área de Design, para divulgar a Doutrina Espírita através das suas “espitirinhas”, que são curtas histórias em quadrinhos onde, de forma interessante e agradável,  transmite importantes conceitos morais à  luz do Espiritismo. 


Wilton pode nos fazer sua auto apresentação?

Meu nome é Wilton Teles Pontes, nasci em 1967 no Recife, PE,  mas desde pequeno moro em Olinda, PE. Meu paise chama Hilton de Araújo Pontes (desencarnado) e minha mãe se chama Deosinete Teles Pontes. Tenho umirmão mais novo chamado Wendel, Doutor em Biologia e uma irmã chamada Roseane (desencarnada). Casei comMyrna Guedes com a qual tive um filho que se chama Mylton. Desde pequeno gosto de desenhar e sempre meinteressou fazer histórias em quadrinhos.


Wilton qual a sua formação acadêmica e profissional?

Me formei em Design de produtos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e trabalho na área deprogramação visual, webdesign e ilustração. 
Como você conheceu o Espiritismo e desde quando é espírita?

Vim de uma família católica. Infelizmente um acidente fez com que minha irmã mais velha desencarnasse e, assim, minha mãe começou a frequentar reuniões espíritas. Eu era pequeno na época. Aos poucos fui me interessando pelo tema e passei a frequentar com ela. Ela nunca tentou me convencer a frequentar as reuniões ou ser espírita. Foi uma vontade natural de saber sobre o mundo espiritual.

Qual casa espírita você freqüenta presentemente?

Desde jovem que frequento o Grupo Espírita Vinha de Luz localizado em Rio Doce, Olinda, PE., perto de casa. É umGrupo não muito grande onde me identifiquei de imediato.  faz mais de vinte anos. Comecei a frequentar a casanas reuniões da Mocidade e hoje estamos como Diretor do Departamento de Infância e Juventude.


Pode nos fazer uma resenha de sua participação no Movimento Espírita durante esses anos?

Como disse antes comecei no movimento de mocidades. Frequentava diversos Centros e Grupos de jovens e de arte. Participei de  peças teatrais, encontros de arte e colaborei na criação do NACE (Núcleo de Arte e Cultura Espírita aqui de Pernambuco. Gostaria de salientar que participar disso tudo nunca me afastou das atividades no Grupo Vinha de Luz. Depois da mocidade fomos assumindo outras atividades da casa participando, inclusive, da diretoria.

Tem algum livro escrito espirita e não espirita?

Infelizmente, não. A pesar de que já me falaram se não poderia reunir as Espitirinhas em um livrinho. É uma idéia a ser pensada.

O caminho para o desenho e artes visuais foi em atendimento a uma vocação?

Sempre gostei de desenho e de desenhar. Fui colecionador de quadrinhos. Meu sonho (e de muita gente desta área) era desenhar para editoras americanas; criar histórias, o que  antigamente era muito difícil. Hoje já temos grandes desenhistas brasileiros nesse mercado. Aprendi as noções teóricas de desenho através de um curso por correspondência. Depois fiz o segundo grau em uma escola técnica no curso de Desenho de Artes Gráficas. O primeiro vestibular que fiz foi para Biomedicina, mas não passei. Na segunda vez resolvi fazer para a área que gostava mais e tentei o curso de Desenho Industrial, hoje Design e passei. Acho que foi vocação mesmo.

No que consiste o seu trabalho nessa área?

Basicamente faço elaboração de material para divulgação: cartazes, folders, diagramação de revistas, jornais e livros. As técnicas variam. Uso o computador mas crio muitas coisas com lápis, pastel seco, naquim, etc.

Como você tem aplicado esses seus conhecimentos técnicos e artísticos no movimento espirita?

Sempre procurei pensar numa forma para usar meus conhecimentos na divulgação da Doutrina. Ajudei a divulgar diversos eventos espíritas, principalmente através de elaboração de cartazes. Como trabalho com evangelização sempre estou desenhando alguma coisa pra ajudar nas aulas. E agora faço também as Espitirinhas.


Wilton fale-nos por favor  sobre as tirinhas que você nominou de  “espitirinhas”.

A idéia das Espitirinhas surgiu com a leitura de alguns livros que abordavam alguns problemas existentes no movimento espírita. Daí eu pude perceber que poderia fazer as pessoas refletirem através de meus desenhos e de forma bem humorada. O nome foi idéia de meu irmão, Wendel, quando falei para ele desse meu projeto. Começo sempre desenhando um rascunho da história. Depois desenho o definitivo no papel e digitalizo. A cor e os textos são inseridos no computador. Fiz até um vídeo para mostrar como surge uma Espitirinha, que está disponível no blog. Graças a internet as Espitirinhas estão sendo vistas por mais pessoas do que eu imaginava.

Há muita gente fazendo esse tipo de divulgação espirita?

Existem várias pessoas que utilizam o desenho para ajudar na divulgação da doutrina. Podemos ver isso nos vários livros espíritas infanto-juvenis publicados. São bons profissionais de ilustração e mostram sua arte nessas publicações. E existem também pessoas que fazem tirinhas, como eu. É só dar uma busca na internet.

Uma sólida base doutrinária espirita seria o primeiro passo a quem pretenda desenvolver essa divulgação que alia texto e imagem?

Certamente. Como o espaço de uma tirinha é muito pequeno, formatar a idéia com essa limitação é um desafio interessante. Conhecer a doutrina espírita e observar bastante seria minha dica para quem quer colaborar na divulgação desta forma. Procuro sempre ter cuidado para não criar nada que possa dar alguma interpretação errada da doutrina.

Há alguma manifestação contrária de leitores que não concordam sobre algum tirinha publicada?

Se tem alguém que não gostou, essa pessoa ainda não me disse. Recebo também sugestões de temas. Procuro utilizar essas sugestões mas tem muitas que ficam difícil de sintetizar em alguns quadrinhos.

Acredito que também receba muitos elogios

Muitas pessoas publicam seus comentários no blog e também no facebook, onde mantenho uma página das Espitirinhas, parabenizando pela ideia. Várias pessoas dizem que as utilizam em suas aulas da evangelização. Eu fico feliz em poder ajudar. E é um incentivo para que eu continue a produzir mais.

Quais as suas perspectivas futuras? Algum projeto novo?

Gostaria de dedicar mais tempo para manter as Espitirinhas com uma periodicidade mais regular, mas o tempo é uma coisa que preciso aprender a administrar melhor. Tenho planos de fazer histórias em quadrinhos com temática espírita. Fiz duas histórias que estão com o link no blog das Espitirinhas. Uma se chama “Companhias” que fala sobre obsessão e como espíritos amigos trabalham para nos ajudar. A outra é “A Doutrina” sobre a origem do Espiritismo que fiz baseado no livro Obras Póstumas, de Alan Kardec. É um trabalho mais elaborado que requer um tempo maior. Mas a ideia continua firme.

Esse seu trabalho poderia ser incentivado entre os divulgadores e evangelizadores espíritas através da realização de algum curso ou seminário sobre “A Arte na divulgação do Espiritismo?

O movimento espírita já está bem representado pelos artistas das diferentes formas de expressão. Tem muita gente trabalhando com arte dentro do Espiritismo, Graças a Deus. Um Seminário sobre diferentes formas de divulgação através da arte seria um evento interessante que serviria para ampliar os horizontes, principalmente de pessoas que ainda pensam que arte espírita é somente pintura mediúnica ou teatro na evangelização. A expressão gráfica é um excelente meio para isso. Podemos ver essa preocupação na qualidade dos cartazes e capas de livros feitos hoje em dia. Devemos incluir também as ilustrações para camisetas, trabalhos com reciclagem, produtos produzidos por pessoas do Centro Espírita que são vendidos em bazares e eventos onde a mensagem espírita está presente.
Penso que um evento interessante seria um grande encontro sobre divulgação nas mais diferentes formas. Nele poderíamos ver muitas ideias novas e criativas nessa área.

Como os interessados poderão contatá-lo para esses eventos?

A melhor forma é através do meu e-mail: wiltonjtp@gmail.com

Algo mais que queira acrescentar?

As vezes as pessoas pensam que não podem colaborar com a doutrina em sua área de trabalho profissional. Quase todas as instituições que conheço funcionariam bem melhor se tivessem profissionais voluntários nas áreas de recepção, secretaria, contabilidade, edificações, enfermagem, educação, etc. Muitas pessoas assumem, nos centros,  algumas dessas funções que citei por que o trabalho precisa ser feito mas não tem conhecimento técnico. Fazem um trabalho bom mas que poderia ser melhor realizado por um profissional. Foi isso que procurei fazer.

As suas despedidas dos nossos leitores

Agradeço a oportunidade. Espero estar ajudando com meus desenhos simples mas que são de coração. Obrigado

Wilton Pontes editando as Espitirinhas
Wilton, o filho, a mãe e o irmão; Wilton com o filho e a mãe; Participando com o filho do SIMESPE 2010 e no VI SIMESPE  em 2011
Caricaturas de Wilton Pontes criadas por ele mesmo.
Duas espitirinhas elaboradas por Wilton Teles Pontes
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.


NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 21-07-2012

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 20-07-2012

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um pouco da história

O Antigo Egito (Ismael Gobbo)
II–  O Mestre Champollion



A divulgação do encontro da Pedra de Roseta foi feita por Lancret, membro do Instituto do Cairo, no dia 19 de julho de 1799.
     Dizia-se que a lápide continha inscrições dispostas em três faixas horizontais, separadas entre si; a inferior trazia várias linhas de caracteres gregos; a do meio, caracteres desconhecidos; e a superior, hieróglifos.
     O “Currier de l”Egypte”, jornal do corpo expedicionário, de 15 de setembro de 1799, anunciou que o achado seria utilizado para a leitura dos hieróglifos.
     Muitas cópias foram extraídas e enviadas para a França com tal finalidade.

O momento oportuno

     O desvendar da antiga escrita egípcia foi possibilitado pela somatória de pelos menos três grandes fatores concorrentes que se articularam espetacularmente: o primeiro, pela existência da própria Pedra de Roseta, que trazia o texto de grafia tríplice passível de comparação; o segundo, porque já encarnara entre os homens aquela que seria a maior autoridade em egiptologia de todos os tempos, o obstinado Jean François Champollion; terceiro, pela vontade política de Napoleão Bonaparte, que, não obstante o espírito belicista, era culto, nunca escondera  seu fascínio pelo Egito e estava decidido a estudá-lo com todo o rigor científico.
     A essas gratas “coincidências”, juntaram-se  uma plêiade de sábios precursores e contemporâneos, além de alguns mecenas que possibilitaram a arrancada decisiva à elucidação do milenar enigma.

A formação do sábio Champollion

      Para uma grande causa, um grande mestre. Jean François Champollion viveu apenas 42 anos, quase todos dedicados ao estudo das civilizações orientais, em geral, e ao Egito, em particular.
     Nasceu em Figeac, França, em 1790, filho de pai livreiro e mãe que pertencia à pequena burguesia local.
     Recebeu as primeiras lições do irmão mais velho, Jacques Joseph, que o acompanharia por toda a existência, muitas vezes abrindo-lhe caminhos junto aos especialistas e políticos.
     Após breve passagem pela escola primária, foi confiado a Dom Calmels, que o acompanhou em seus estudos de línguas.
     De inicio, estudou o latim, o grego e o hebreu. Em 1801, com dez anos, parte para Grenoble, onde, na escola de Dussert, aprendeu o árabe, o siríaco e o caldeu.
     Em 1804, entre para o Liceu Imperial, atual Liceu Stendhal, no qual permaneceu por três anos. O menino hipersensível, de saúde frágil, suportou com dificuldades o regime quase militar do estabelecimento.
     Em 1806, à frente de Fourier, prefeito de Isére e presidente da Comissão do Egito, faz um comentário das sagradas escrituras em hebreu.
     Inicia-se no copta e, optando pelo estudo da civilização egípcia, promete decifrar os hieróglifos.
     Em 1807, com 16 anos, chega a Paris para aperfeiçoar seus conhecimentos das línguas orientais mortas e vivas no Collége de France. Seu irmão o apresenta a vários cientistas, como Millin, conservador do Gabinete das Medalhas e da Biblioteca Imperial, onde fez um curso de Arqueologia; a B.J. Dacier, Secretário Perpétuo da Academia das Inscrições e Belas Artes; ao famoso arqueólogo L.J.J. Dubois; a E. Jomard, Secretário da Comissão do Egito e aos mais renomados professores orientalistas.
     Em 1809, retorna a Grenoble e, com dezoito anos, torna-se professor de história adjunto da faculdade criada por Napoleão Bonaparte, recebendo, por decreto imperial, o doutorado. Junto a Jacques Joseph, é igualmente ligado à biblioteca da cidade, que comportava um museu e, coincidentemente, possuía uma Múmia em seu acervo.
     É também jornalista junto ao “Annales de l”Isere”.
     Em 1811, aos vinte anos, publica a introdução de sua primeira obra: “L”Egypte sous Le pharaons”, estudo geográfico do antigo Egito, calcado na comparação dos topônimos em copta e em árabe. A obra completa sairia em 1814.
     Quando Napoleão retorna da ilha de Elba, muito promete aos irmãos Jacques Joseph e Jean François.
     O primeiro torna-se secretário particular do imperador, que acena com a possibilidade de fazer publicar as obras do segundo.
     Porém, em 1815, com as conturbações políticas, surgem as tenazes apurações, nas quais, sendo os irmãos considerados suspeitos, ficam exilados em Figeac.
     Em 1817, Jacques Joseph retorna a Paris e Jean François se fixa em Grenoble, onde cria escolas, como já fizera em Figeac, e retoma suas pesquisas em egiptologia.
Em 1820, novos problemas políticos surgem e os dois irmãos retornam a Paris. Na capital, Jean François mergulha de vez em suas pesquisas. Ele vale-se de toda a documentação existente, objetos com inscrições, desenhos elaborados pelos viajantes, como Caillaud e o arquiteto Huyot, que se faziam acompanhar da comitiva de Forbin ao Oriente e faz análises comparativas com os conhecimentos que já havia somado em todos os anos de extenuantes estudos.
Enfim, o ano de 1822 prenuncia grandes avanços e promete ser o marco de uma nova era da egiptologia. 
       
Próximo artigo, na próxima semana: III – Os Hieróglifos Decifrados
Ficheiro:Napoleon y sus Generales en Egipto.jpg
Napoleão Bonaparte em sua campanha ao Egito. Quadro de Jean Léon Gérôme(1824–1904)
Arquivo: Fourier2.jpg
Joseph Fourier (1768- 1830). Presidente da Comissão do Egito
Inscrições em hieróglifos no
Obelisco de Luxor que se encontra
na Praça da Concórdia, em Paris, França.
Foto Ismael Gobbo
Pedra de Roseta. Um  texto em três grafias diferentes. Museu Britânico, Londres. Foto Ismael Gobbo 
Coluna em forma de Papiro aberto  (Papiriforme) com figuras e
escritos hieróglifos no Templo de Carnac, Egito.
Foto Ismael Gobbo






Estátua de Champollion no pátio interno do Collége de France, Paris.
Obra executada em mármore por Frédéric Auguste Bartholdi
File:Place des ecritures Figeac.jpg
Replica gigante da Pedra de Rosetta em Figeac, cidade natal de Champollion.


Explicação

Conforme noticiamos, estamos dando inicio à publicação de 22 textos ilustrados, às segundas feiras, contando um pouco da história do Egito. Esses artigos, já publicados em jornais,  não são  Espíritas, todavia, algumas informações sobre a extraordinária civilização egípcia podem suscitar aos caros leitores estudos mais aprofundados e fazerem essa correlação do Egito com o Espiritismo. Desde já, convidamos os leitores que tenham artigos fazendo esse paralelo que  nos facultem as  publicações.  Também quem possua álbuns fotográficos documentando suas viagens ao Egito e queiram que publiquemos as imagens podem nos enviar  em JPG,  uma a uma, como anexos,  com a respectiva legenda, crédito das fotos, data da viagem, etc. Será uma forma de realizarmos um trabalho de ampla participação, com conteúdo cultural, religioso, etc, O nosso objetivo é para que venhamos realizar uma atividade interessante  e proveitosa para a qual muitos poderão contribuir. Ismael Gobbo


Máscara mortuária do faraó Tutancâmon
Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo


Um pouco da história
O Antigo Egito (Ismael Gobbo)
I – A Redescoberta

O Egito abrigou na antiguidade uma das mais avançadas e admiradas civilizações que a humanidade conheceu.
     Sua técnica construtiva; a curiosa grafia dos hieróglifos; a religião pautada na crença da imortalidade; as artes retratadas nos papiros, murais, sarcófagos, estátuas e jóias; as tradições; a forma de vida; os governantes; o Nilo; enfim, tudo o que diz respeito ao território dos faraós fascinou os estudiosos antigos e continua sendo objeto de reiteradas pesquisas pelos especialistas modernos, seja pelas escavações naquele território, como pelo estudo dos acervos espalhados pelo mundo nos grandes museus, galerias de arte e coleções particulares.

O grande enigma

     Durante séculos, historiadores procuraram conhecer o “modus vivendi” dos egípcios e alguns aspectos do dia a dia foram transmitidos à posteridade por testemunhas oculares. Heródoto (século V a.C),  autor da célebre legenda – “O Egito é uma dádiva do Nilo” – é o mais famoso.
     Essas informações, embora de grande valor, infelizmente não ofereceram nenhum referencial que permitisse decifrar a mais antiga escrita dos egípcios, hieróglifa, abandonada em passado remoto e que grafava os seus antigos textos.
     Com a falta de parâmetros com outras línguas antigas conhecidas, todas aquelas informações passariam á posteridade como incógnitas.
     A descoberta sempre foi um desafio aos historiadores e arqueólogos, que viam nos hieróglifos interpretados a chave do conhecimento da precisa cronologia da história dos faraós e suas dinastias; o aclaramento das concepções religiosas e informações mais completas da literatura, direito, astronomia, matemática e medicina.
     Caso contrário, as obras faraônicas, ainda que belas, continuariam mudas.
     Felizmente ao século XIX estaria reservada a resposta para tais indagações.

As Expedições Napoleônicas  

     Em 1798, Napoleão Bonaparte (1769 – 1821) empreende campanha ao Egito. Parte de Toulon, em março daquele ano, à frente de 38.000 homens conduzidos por 48 navios de guerra e 280 de transporte.
     O objetivo da expedição era acabar com o poderio inglês no Oriente, substituindo-o pela influência francesa.
     Além do aparato bélico, Napoleão impressionou por organizar uma extraordinária missão científica de 175 componentes, tendo  como uma das metas o estudo das ruínas arqueológicas.
     Fez-se acompanhar de especialistas em arqueologia, astronomia, química, física, historiadores, geógrafos e artistas.
     Tudo deveria ser registrado e, quem sabe, os mais recônditos segredos da milenar civilização seriam revelados.
     Atestando inegável interesse pela cultura egípcia, em agosto de 1798, funda, no Cairo, o Instituto do Egito, que começa a publicar os primeiros resultados dos trabalhos levados a efeito por aqueles sábios.
     Em julho de 1799, na pequena cidade de Roseta, situada na embocadura do Nilo com o Mediterrâneo, o capitão de artilharia Bouchard recebe das mãos de operários que trabalhavam na edificação de um forte um fragmento de basalto negro, medindo aproximadamente 1 metro de comprimento por 70 centímetros de largura, coberto por inscrições que denotavam três textos de grafias diferentes, separados por espaços horizontais entre si. O achado foi amplamente comemorado.
     Ainda que, de momento não pudessem  aquilatar exatamente o integral conteúdo da curiosa lápide, os especialistas não tiveram dúvidas de que se encontravam diante de um importante tesouro.
     A partir daquele instante, a batizada “Pedra de Roseta” viria aguçar ainda mais o espírito dos especialistas que, durante três décadas, sobre ela se debruçaram a fim de descobrir seus segredos e darem por inaugurada a moderna egiptologia.

Próximo artigo, dia 16-07-2012:  II - O Mestre Champollion

File:Leon Cogniet - L Expedition D Egypte Sous Les Ordres De Bonaparte.jpg
Expedição ao Egito,  sob as ordens de Napoleão Bonaparte.
Pintura por  León Cogniet. Museu do  Louvre, Paris.
Ficheiro:Jean-Léon Gérôme 003.jpg
Napoleão diante da Esfinge (Gizé, Egito). Pintura de Jean-Léon Gérôme
Esfinge e Pirâmide de Quéfren. Gizé, Egito. Foto Ismael Gobbo





Papiro da tumba do arquiteto  Kha e da sua mulher Merit. Aqui cena do Livro dos Mortos com  ambos adorando ao  deus Osíris.  De Deir El-Medina XVIII Dinastia.  Foto gentilmente cedida pelo Museu Egípcio de Turim, Itália. Acervo de  Ismael Gobbo

Rio Nilo passando pela antiga Tebas,  atual Luxor, Egito. Foto Ismael Gobbo

Esfinge de Alabastro. Mênfis (Região do Cairo), Egito. Ismael Gobbo
Ficheiro:Egito pt.svg

Mapa do Antigo Egito
Museu do Louvre, Paris. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 19-07-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 16-07-2011

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 14-07-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 13-07-2012

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