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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Focalizando o Trabalhador Espírita (160). Julieta Marques


Julieta Marques


Temos a satisfação  de  ouvir nesta  entrevista a   nossa
confreira  Julieta Marques,  escritora  e   oradora   espí-
ta residente  em  Portugal.  Conhecedora do   movimen-
to  espírita  brasileiro, teve  oportunidade   de conhecer
de perto  o bras  importantes e  seus respectivos dirigen-
tes. Nesta oportunidade ela nos  conta um pouco dessas
suas experiências e também da história do Espiritismo
em Portugal.

Pode-nos falar um pouco de si?
Nasci na vila da Chamusca, na província do Ribatejo,  sou a filha primogénita pois que tenho mais dois irmãos. Quando eu nasci grassava o 2º conflito Mundial na Europa e as dificuldades eram imensas. Meu pai por razões políticas  ficou sem trabalho durante oito anos, fazia apenas trabalho sazonal, e sobrevivemos com o ordenado de minha Mãe, até que foi praticamente deportado para África, Angola, para onde um ano após seguiu o resto da família.

Como foi seu primeiro contacto com o Espiritismo? E quando se tornou Espírita?
Quando minha mãe desencarnou, tinha eu quinze anos, tive o primeiro contacto, mas a violência da dor que eu sentia, não me motivou a entender o que era o Espiritismo, só sete anos depois é que de regresso a Portugal, na cidade de Lagos tive então o meu verdadeiro encontro com a Doutrina Espirita.

Qual foi a sua trajetória no movimento espírita português?
Quando chego à casa espirita, era muito jovem, vinte e dois anos, e quase todos os elementos trabalhadores estava na casa dos cinquenta anos, não se estudava, todo trabalho assentava na prática mediúnica, e isso não me satisfazia. Quando os médiuns desencarnaram, a direcção deliberou encerrar a casa, mas eu me opus, então fizeram-me uma proposta que eu aceitei, começar a organizar grupos de estudo. A Direcção sorriu e entregou-me a chave da casa. Foi duro, mas consegui vencer e mostrar quão importante é o estudo. E a casa cresceu em trabalho, trabalhadores e até em espaço físico, graças a Deus.

Que cargos e que encargos teve e tem neste momento?
Durante trinta e oito anos fui Presidente da Associação Espirita de Lagos, há cinco anos pedi minha demissão por razões de saúde, hoje ocupo o lugar de Vice- Presidente por dois anos.

Que dificuldades enfrentou como dirigente do centro espírita?
A incompreensão dos mais velhos que não entendiam que Espiritismo sem estudo não é nada , e que a prática mediúnica por si só não é Doutrina Espirita.

Que espíritas Portugueses destaca na história do movimento nacional?
Drª Maria Amélia Cardia, Joaquim Freire, António Vilela, General Passaláqua, D. Maria O’Neill e tantos outros que ora não recordo o nome.

Sentiu a perseguição aos espíritas durante o regime ditatorial?
Não posso dizer que senti na pele, mas senti na alma, pois que não havia como nos comunicar, depois que a Federação e todas as casas espíritas foram convocadas a suspender suas actividades, o que nos deixava num grande vazio.

Como viveu esses momentos?
Com a esperança de que um dia tudo fosse diferente, e continuando a fazer o que era possível dentro das dificuldades impostas.

Houve episódios curiosos?
Sim houve, por exemplo quando Divaldo Franco veio a Portugal no ano de 1967,  alugámos uma sala, para o efeito e fizemos  a publicidade boca-a-boca. Na hora da palestra, colocámos uma pessoa à porta para no caso da Guarda Nacional Republicana aparecer podermos disfarçar a situação, pois que só tinhamos autorização de reunir quinze pessoas, e ali na sala estavamos sessenta. Mas tudo correu bem e em ordem sem sobressaltos.

E quando a Guarda Nacional Republicana veio buscar Francisco Rafael, médium e trabalhador na vossa casa espírita?
Aí a situação deixou-nos em suspense, pois que a Guarda entrou na casa espírita armada de espingarda em punho e não informaram porque vinham buscar nosso irmão. Ele foi, e nós ficámos orando, para que tudo se resolvesse em bem. Aguardámos até à uma hora da madrugada, de manhã fui a casa dele e perguntei à irmã com quem ele vivia que se tinha passado. O problema era que o sargento tinha um filho que estava com uma terrível obsessão, e alguém sugeriu ao senhor que mandasse buscar o médium espirita que talvez resolvesse o caso. Foi isso e nada mais, mas valeu a pena pois conquistámos um amigo e admirador da Doutrina.

Porque é que a vossa casa espírita foi a única a não ser encerrada pela ditadura?
Naquela ocasião a Província do Algarve, era totalmente esquecida do Governo e até do País, era como se ainda fossesmos mouros/árabes então tudo era esquecido, naturalmente que deve ter havido intervenção espiritual, a Associação Espírita de Lagos mantinha seu trabalho apostolar e social desde o início do século XX, pois que tudo começou no anos de 1913, toda a cidade conhecia a instituição, mas quis Deus que assim fosse. O documento que deveria ter seguido pelo correio, ficou esquecido na secretária do secretário do Ministro e no fundo duma rima de papéis.

Quais as personalidades internacionais mais marcantes no início da divulgação da doutrina espírita em Portugal?
Não podemos deixar de dizer que a vinda de Divaldo Pereira Franco no ano de 1967 , marcou bem forte o Movimento; outros se lhe seguiram, como Henrique Rodrigues, Francisco Thiessen, Newton Boechat, Maria Júlia Prieto Peres, Ariston Santana Teles, Marilusa Vasconcellos, e outros se seguiram até hoje, o intercâmbio não cessa o que é muito bom para todos.

Como foi preparar essa primeira vinda de Divaldo Franco a Portugal em 1967?
Foi simples, ele veio a convite de Eduardo de Matos que nos contactou e a alegria da visita era imensa e tudo aconteceu de forma natural e com muita expectativa também, pois que ninguém sabia quem era a visita, só se sabia que era espírita e médium, nada mais.

Os espíritas portugueses souberam da viagem de Chico Xavier e Waldo Vieira a Portugal em 1965?
Soubemos depois de já ter passado, não esqueçamos que era ainda o tempo da ditadura e tudo era muito em segredo que acontecia, infelizmente.

Que convite/desafio lhe fez a ex-Presidente da FEP, D. Maria Raquel Duarte Santos, na Primavera de 1978?
Depois da Revolução dos cravos em 1974 surgiu a nova Constituição com a liberdade religiosa, aí nossa presidente solicita-me que convoque os espiritas da região. Mas convocar como, senão sabia quem eram e onde estavam? Pedi então que me fornecesse o endereço dos assinantes da Revista Estudo Psíquicos que ainda circulava e mediante essa informação fiz a convocatória. Foi um êxito, uma alegria sem tamanho. Quando entro na sala alugada para o efeito eu vejo diante de mim uma pequena multidão sorrindo e expectante. Tudo começou aí de novo, num tempo novo.

Como se formou a União Espírita do Algarve?
A União Espírita do Algarve nasce desse entusiasmo e pela necessidade que tinha de não mais nos sentirmos isolados uns dos outros. Durou essa União mais de uma década, bem ativa e atuante no Movimento com Seminários, Simpósios, encontros fraternos, até que uma nova direção a atirou para a desmotivação e hoje nada mais resta a não ser um grande desencanto.

Participou no programa de rádio "Em Defesa da Vida"? Qual a importância dessa iniciativa? Que temas e problemas abordaram?
Não participei no programa, eu criei o programa, foi o primeiro programa de rádio em Portugal. Era o tempo das rádios livres e eu entrei nessa e até hoje temos nosso tempo de antena  aos sábados durante uma hora. Os temas são sempre relacionados sobre Doutrina Espíita e temas da actualidade analisados sob a óptica espírita, isto desde o anos de 1986.

Como conseguiu o respeito de entidades oficiais e o apoio das autarquias de Lagos para as iniciativas espíritas?
Sempre agindo de forma correcta, e organizada. Sempre que faziamos um evento lá ía um cartão com o convite e a programação, pelo Natal o cartão de boas festas, e nunca nada fazíamos sem a autorização devida.

Quais os principais objectivos da Associação Espírita de Lagos (AEL)?
A divulgação da Doutrina pela palavra e pelo exemplo de quantos nela se esforçam por manter a linha de diferença, pois que devemos primar pela diferença no comportamento ético-moral e também pelo trabalho assistencial que sempre fizemos.

Que tipo de tarefas de assistência social é que a AEL desenvolve?
Distribuição da cesta básica e  visita aos idosos.

Acha que as instituições espíritas devem ter tarefas de assistência social?
Sem esse trabalho  a casa espirita morre, pois que lhe falta o sustento do amor ao próximo.

Qual a sua importância, sobretudo em períodos de crise como atravessa Portugal?
Alimentar a esperança nas pessoas de que tudo passa, outras crises já aconteceram e vamos sobreviver também a esta, confiança no porvir, Jesus está ao leme desta nau, confiemos.

Quais as atividades doutrinárias que destaca na AEL?
Estudos da codificação e livros complementares, educação e estudo da mediunidade e educação infanto-juvenil.

A AEL tem alguma publicação regular?
Não tem neste momento nem se justifica, mas já teve, quando não havia ainda jornal espiritas publicados em Portugal que temos dois.

Acha importante a música na casa espírita?
A música é a linguagem dos anjos, não esqueçamos de que a música está no ar. Desde as águas, ao vento , aos pássaros tudo emite som até o ribombar do trovão à chuva , e que os anjos cantaram anunciando o nascimento do Menino. É muito importante sim!!!

Que obras publicou? O que a motivou a publicá-las?
Publiquei três livrinhos dedicados à garotada com histórias verdadeiras. A primeira vivida com uma gaivota, depois as vidas de Divaldo Franco e de nosso Chico Xavier.

O que a motivou a publicá-las?
Estes são os heróis que a nossa meninada precisa conhecer.

Sentiu-se inspirada?
Penso que sim, nada acontece sem a permissão de Deus

Pensa publicar mais obras?
Estou escrevendo minha experiência como espírita com os espíritos e com os espíritas.

Do tríplice aspecto da doutrina há algum que o sensibilize mais?
Os três são importantes e não posso dissociá-los, mas o Evangelho é o que mais me seduz.

Conhece o movimento espírita brasileiro?
Pouco, o suficiente para perceber a dinâmica que imprimem e como a Doutrina se expande. Com alguns desvios, mas é natural, não nos choquemos por isso.

Que vivências tem dessas suas viagens?
As mais gratificantes, desde o amigos que conquistei, aos exemplos dignificantes de solidariedade e fraternidade, tudo era belo para mim por isso estou grata ao Altíssimo pelo benção das viagens que tenho feito.

Esteve com Chico Xavier?
Estive com nosso Chico por três vezes e de todas guardo gratas lembranças.

Recebeu uma comunicação de Bezerra de Menezes?
Na primeira visita que fiz a Chico ele perguntou-me se eu não queria receber uma mensagem e eu respondi que para mim não, que podia eu pedir naquela hora, eu tinha tudo, nada me faltava e estava ali diante daquele homem todo Amor, só uma mensagem se houvesse oportunidade para a nossa casa espírita e aí veio  a mensagem que guardo religiosamente, mais tarde veio uma segunda também para nossa casa.

Conheceu Deolindo Amorim?
Conheci Deolindo Amorim, alma nobre e gentil junto dele sentia-me muito bem, conversando naquele seu jeito tão peculiar  e com o olhar tão franco, que sabia bem estar em sua presença sempre escutando, pois que tenho por hábito junto dos sábios escutar  e pouco falar. Só assim tenho aprendido alguma coisa.

E nos Encontros de Amigos de Chico Xavier no Brasil? O que tem sido mais gratificante?
Nos Encontros dos Amigos de Chico Xavier o que se torna notório é o trabalho da organização, para que tudo decorra como nosso Chico merece, e ele merece tudo e muito mais, não podemos deixar cair no esquecimento essa figura que fez parte de nosso tempo, de nosso século e de nosso milénio e que deixou uma obra ímpar para  a posteridade, para que todos possamos caminhar com mais segurança rumo à Eternidade.

Como avalia o 5º. Encontro dos Amigos de Chivo Xavier realizado neste setembro em Votuporanga?

O 5º Encontro dos Amigos de Chico Xavier realizado em Votuporanga, foi mais uma manifestação de respeito e carinho a Chico Xavier, que jamais deverá ser esquecido, não só por sua obra psicográfica, mas pelo exemplo de amor ao próximo. Nele participei a convite da organização, e pude observar como tudo decorreu na simplicidade, alegria e disciplina dentro do programa estabelecido.
A casa lotada demonstra, assim como a presença dos oradores que tão bem se expressaram sobre a nobre figura do homenageado, bem como o interesse, o carinho e o respeito que  Chico Xavier  merece de todos nós.
Que todos os outros Encontros que se possam realizar timbrem pela tónica desses dois elementos que tão bem identificam Chico Xavier, simplicidade e alegria.

Considera que a vida e obra de Chico Xavier são devidamente conhecidas na Europa?
Está nesta hora, havendo uma grande movimentação sobre as obras e quanto a quem foi Chico Xavier. Hoje não se ouve mais dizer que ele era apenas mais um médium, hoje o nome de Chico é falado com respeito e admiração, o povo enfim acordou para descobrir esse manancial de luz que é Chico Xavier.

Que outros momentos destaca da sua presença no movimento espírita internacional?
Nos Congressos Mundiais, num congresso em Aracaju, num outro em S. Paulo, e no Achamento do Brasil em Salvador.

Quais os eventos (congressos, seminários) em que participou que mais e melhor recorda?
Conforme o que acima disse, cada vez que sou convidada a participar num evento dessa natureza sinto-me revigorar para continuar para mais e melhor servir à Doutrina Espirita.

De que forma portugueses famosos no Brasil, como João de Deus, Guerra Junqueiro, Antero de Quental , Júlio Diniz e Camilo Castelo Branco, voltaram ao convívio na Terra através de médiuns espíritas brasileiros?
Naturalmente não encontraram  condições para exteriorizar seu saber em médiuns portugueses, por isso recorreram ao Brasil e lá encontraram Yvone Pereira e Chico Xavier e muito bem, melhor não podia ser!!!

Ainda sente alguma descriminação em relação aos espíritas na sociedade portuguesa actual?
Não, nesta hora ja tudo está bem, graças  a Deus, esse tempo já passou.

E desinformação? Os “mídia” portugueses falam de Espiritismo sem preconceitos?
Sempre existe alguma de quando me vez, mas logo os responsáveis pela ADEP saem a terreiro para defenderem a nossa posição de espíritas e do Espiritismo.

Que sentimento nutre em relação a João Xavier de Almeida, ex-presidente da FEP?
Um carinho e um respeito muito grande como amigo de muitos anos e como exemplo de espírita.

Como acha que está o movimento espírita em Portugal?
Crescendo e tentando acertar-se nas diretrizes deixadas pelos Espíritos da falange do Espírito da Verdade.

Que evolução nota? Quais os principais problemas com que se depara?
Evolução é pouca, muito embora os esforços que uns quantos estão fazendo, mas acredito que em breves anos tudo estará bem melhor.

O que é que a AEL tem feito para melhorar a situação?
Nosso papel é o dar exemplo pelo trabalho digno e organizado, sem vaidades, nem nos querermos sobrepor seja a quem for, cada um tem seu papel a realizar, desde que o faça bem feito tudo bem, o que nem sempre acontece…

Sente que há união entre os dirigentes e trabalhadores espíritas?
É muito subjectiva a pergunta, e a resposta não é fácil. Olhando o panorama nacional digo que não, eu por exemplo sou persona non grata em algumas casas espíritas, especialmente na nossa região, no restante do País sou requisitada constantemente.
Muitos dirigentes estão de costas voltadas uns para com os outros. Não entendo, mas deve haver uma causa. Seria bom conhecê-la talvez aí então o entendimento acontecesse.

Que novos projectos têm a AEL a breve prazo?
A programação para o seu centenário pois que este acontece no próximo ano e pensamos ter uma programação por todo o ano. Começamos logo por receber Carlos Baccelli no mês de Janeiro o que é muito gratificante para nós. Depois, bem depois ainda não está feito o programa, na totalidade.

Como perspectiva o futuro do movimento nacional e internacional?
Crescendo e muito e temos que os preparar pois nova propostas estão chegando. Novas descobertas que nos exigem muita acuidade para perceber tudo, sem os excessos da pureza doutrinária que deixa muita fumaça pelo caminho…

O que sentiu quando foi à Ucrânia e Rússia?
Alegria imensa, pois que iria ter oportunidade de conhecer pessoalmente a Drª Barbara Ivanova com quem me correspondia havia já alguns anos.

Acha que Portugal terá um papel importante na divulgação da doutrina na Europa e em África?
Naturalmente que o trabalho que nossa irmã Amélia Cazalma está fazendo juntamente com seu marido e grupo de trabalho, vai trazer uma nova luz para nossos irmãos  africanos. Bem como o trabalho que em Maputo nossa irmã Irene está fazendo, embora em menos escala. Mas está lá e isso é importante aquele pontinho de luz kardecista.

Que testemunhos teve em Angola e Moçambique?
Em Moçambique o duma vontade enorme de crescer e fazer mais, esse era o objectivo de nossa irmã Ângela, mas o anjo da morte veio buscá-la e ficou em seu lugar a Irene. Deus lhe dê a força e a coragem que é preciso para levar por diante a jornada de divulgar a Doutrina Espírita.

É verdade que muitos “espíritas” ingleses não adoptam a Reencarnação e a Lei de Causa e Efeito? Porque será?
Talvez preconceito, mas não adianta não aceitarem, eles vão mesmo reencarnar, não lhe adiantará nada a sua negação. A Lei sobrepõe-se à vontade dos homens.

Se tivesse que escolher 5 livros espíritas (ou não espíritas), quais levaria consigo ?
Os livros da codificação, depois a série André Luiz, depois o livro A Vida Viaja na Luz e por último, Chico Xavier - Páginas de Uma Vida.

Que livros espíritas está a ler?
Exactamente estes que frisei.

Acha que devemos ler livros contra a doutrina?
Eu o faço, pois que preciso saber quais as bases do autor para se opor à Doutrina.

Quais os palestrantes que mais a cativam?
Aqui em Portugal: Reinaldo Barros, Nuno Cruz, Fernando Santos, Maria Júlia Ramalho.  Óbvio que não conheço todos, mas dos que conheço estes são nota dez. Brasileiros não conheço tantos assim, mas  dentre eles se destaco: Haroldo Dutra Dias, Alberto Almeida, André Peixinho, Clóvis Nunes, Divaldinho Mattos, entre outros.

As suas considerações finais, por gentileza. Alguma mensagem que queira dirigir
Apenas e só que façamos a vontade do Pai que está nos céus, que nos amemos e que façamos por merecer a máxima: MEUS DISCIPULOS SE CONHECERÃO POR MUITO SE AMAREM. Meus votos de muita Paz para todos e meu abraço fraterno. Cumprimentos gratos.

Julieta Marques com Leonor Santos, na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo,  ladeados pelos extensos bambuzais; Julieta,  Arlete Marques e Leonor  na Fazenda Modelo, onde Chico Xavier trabalhou;  apreciando gado de raça na Fazenda Modelo e visita ao  Açude do Capão, onde Chico viu Emmanuel pela primeira vez.
Julieta Marques ladeada por Arlete e Leonor na Fundação Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, no ano de 2011; Julieta recebida por Tadeu em Araxá, MG; Heigorina Cunha (C) recebendo as irmãs Arlete e Julieta em sua casa na cidade de Sacramento, MG;
Julieta com jovens na Instituição Maria de Nazaré, em Votuporanga, SP.
Julieta Marques no Sitio dos Dinossauros em Sobradinho; Julieta Marques (C) na apresentação do Festival Internacional de Corais, em 2011; Movimento “Você e a Paz” em Coimbra, no ano de 2012; Julieta Marques com Luiz Carlos (Cacá de Uberaba, MG)  no IV Encontro dos Amigos de Chico Xavier e sua obra, realizado em Belo Horizonte no ano de 2011.
Julieta na Escola Jesus Cristo; idem; Julieta no programa TVI e capas de seus livros.

OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.


O Antigo Egito (Ismael Gobbo). XI– A Religião dos Egípcios




Alguns estudiosos contestam  a tese dos que afirmam terem os antigos egípcios professado o politeísmo puro.
     Para suporte desse entendimento, valem-se das informações que existem fazendo referência a uma entidade superior que reinaria sobre todas as demais.  Assim, inobstante a abundância dos chamados deuses que faziam parte do  panteão egípcio, na realidade estes não passariam de agentes daquele ao qual se subordinavam para realizar suas atribuições especificas.
     O costume de associar os acontecimentos do dia-a-dia aos objetos, animais, plantas, pessoas ou agentes da natureza foi uma marca indelével nos rituais religiosos dos egípcios.
     Assim, por exemplo, Osíris, um dos mais cultuados, é associado à figura de um rei, provavelmente legendário, que governara o Egito. Diz a tradição que Osíris, rei civilizador, assassinado pelo seu invejoso irmão Set, teria recebido da fiel esposa Ísis, com o concurso de Anúbis, as técnicas da mumificação com a finalidade precípua de ser mantido vivo e continuar reinando no mundo dos mortos.
     A vida pregressa do rei Osíris teria sido analisada e tida como exemplar, motivo pelo qual,  a partir de então,   os egípcios passaram a cultuá-lo como o mais popular dos deuses funerários, que presidiria o tribunal de julgamento de tantos quantos deixassem a Terra.
     Com isso, Osíris é visto frequentemente retratado no tribunal na condição de rei, e Anúbis, com sua cabeça de cachorro, guardando os sepulcros, uma das maiores preocupações dos egípcios.
     Da mesma forma que o cão foi associado à função de guardião, tarefa que esse animal desempenha com soberba eficiência, outros agentes, segundo suas potencialidades, foram obtendo correspondências que facilitassem a associação, ensejando, nos cultos, conforme pensavam, uma melhor concentração, fosse para louvar, pedir ou agradecer.
     O Sol é a representação mais freqüente daquele ser supremo em quem acreditavam, aparecendo em muitas cenas espargindo seus raios diretamente sobre a Terra; noutras, está postado entre os chifres das deusas Hathor ou Ísis. Essa fase está muito documentada no Novo Império, sobretudo sob o reinado de Aquenáton ou Amenhotep IV, considerado um faraó monoteísta.  O Sol, Áton,  inspirou belíssimos poemas que aparecem sob a forma de hinos ou orações, sempre lhes sendo externadas as mais expressivas reverências.
     Também por intermédio das informações que os egípcios legaram á posteridade é possível apreciar uma evolução nas suas concepções religiosas ao longo do tempo. Começaram com as cerimônias primitivas, de inicio marcadas por cultos restritos a objetos. Posteriormente, palmilharam pelas formas animais, humanas e híbridas; exercitaram o embalsamamento dos corpos e, como corolário, introduziram o chamado Livro dos Mortos, um belo repositório de informações ilustradas, verdadeira resenha a retratar o que os egípcios faziam no seu dia-a-dia e o que pensavam encontrar depois da morte.   
        
A Religião

     As práticas religiosas sempre foram objeto de grande preocupação por parte dos egípcios e eram constituídas de normas disciplinadoras e obrigatórias controlada pelo Estado. Nesse contexto a figura do faraó, difundido como verdadeiro deus e merecedor da  reverência irrestrita dos súditos, assumiu no campo religioso uma relevância tal que, provavelmente, essa tarefa exigisse do rei atenção maior que todas as outras atribuições do cargo, inclusive as dos campos político e econômico.
     Entre outras obrigações religiosas, o mandatário supremo devia fazer construir as suas moradas neste mundo e edificar os templos, para os quais devia canalizar atenção e zelo diários, através dos banquetes de ofertas, toalete, libação ou fumigação dos incensos. Na impossibilidade de estar simultaneamente em todos os templos que se espalhavam pelo país, se utilizava dos altos sacerdotes, que passaram a ser conhecidos como “servidores de deus”.
O faraó é muitas vezes retratado sozinho dialogando com os deuses, recebendo pelos seus bons préstimos as bênçãos da aprovação em forma de prosperidade, vida, força e saúde, condições indispensáveis para manter a segurança e boa ordem no mundo, sua responsabilidade principal.  Nos recônditos dos templos e nas cerimônias secretas cultuam a imagem do deus que não podiam  expor ao vulgo, senão nas grande cerimônias, quando, então, é puxada por um barco que desliza pela turba em regozijo.
Esse sentimento religioso de crença em um ser superior se difundiu pelo Egito. Em Mênfis era chamado de Ftá; em Heliópolis, de Rá; em Tebas, Amon; em Elefantina, Khnoum.  Outra constatação é a do agrupamento desses deuses em famílias, como se verifica nas famosas tríades: em Tebas, formada por Amon, a esposa Mut e o filho Khonsu; a de Abidos, considerada a principal, com Osíris, Ísis e Hórus; a de Mênfis com Ftá, Sekhmet e Nefertum. O costume foi adotado pelos gregos e romanos, povos que assimilaram muitas tradições religiosas do Egito e que acabaram por adotar suas tríades, em Roma cultuadas nas figuras de Júpiter, Juno e Minerva.  

Os dogmas dos egípcios

     O Livro dos Mortos e os rituais ligados à mumificação dão provas insofismáveis de que o dogma da ressurreição era um dos pilares sustentadores do arcabouço religioso dos egípcios. Acreditavam que a alma voltaria e, para tanto, deveria encontrar em ordem o corpo e seus pertences. Tinham perfeita noção de justiça,  das  penas e recompensas, motivo pelo qual pregavam a necessidade de uma vida pautada pela retidão.
     Nas cenas pictóricas da psicostasia, onde o coração do morto é pesado, deixam registradas a certeza de que todos haveriam de passar pelo tribunal de Osíris, que avaliaria as condutas e definiria os merecedores dos Campos Elíseos.
    Os egípcios acreditavam nos oráculos, ou seja, na possibilidade do recebimento de revelações dos mortos, prática freqüente também na Grécia e em Roma. Esse exercício era tão comum que o abuso teria ensejado a Moisés proibi-lo aos hebreus que se encontravam cativos no Egito. Admitiam que a Alma, comportando várias partes, uma delas o “Ba”, tinha como sair do túmulo para freqüentar os diversos locais da vida terrena, inclusive  rever o seu lar, na forma de um pássaro com cabeça humana.
     Não resta dúvida de que, embora as tradições egípcias mantivessem uma extensa lista de deuses, terem se utilizado sobejamente de cerimônias que não dispensavam comidas, bebidas, incensos, amuletos e suas fórmulas mágicas, as suas  manifestações mais sutis, sobejamente retratadas nos seus textos sagrados, levam  especialistas a esposarem a tese de que a crença monoteísta já era uma realidade na terra dos faraós.  

Próxima artigo: A Mumificação e os Funerais
 
Entrada de sepultura subterrânea no Vale dos Reis, região da antiga Tebas, Egito.
Foto Ismael Gobbo
O disco solar  entre os chifres da deusa Ísis, ou Hathor.
Templo de Isis em Filé, Egito. Foto Ismael Gobbo
Ficheiro:Egypte louvre 047 stele.jpg



Peça egípcia no Museu do Louvre mostra um humano servindo a Rá
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1 Acessada em 11/9/2012
Ficheiro:Hermitage Egyptian statuettes.jpg
Tríade Osíris, Ísis e Hórus
Coleção egícpia do Museu Hermitage. St. Petersburg, Rússia.
Ficheiro:BD Weighing of the Heart.jpg
Livro dos mortos de Ani, pesagem do coração
Ficheiro:Abu Simbel, Ramesses Temple, front, Egypt, Oct 2004.jpg
Templo de Ramsés em Abu Simbel. Egito.
Acessada em 11/9/2012


Ficheiro:GD-EG-Caire-Musée092.JPG 
Uma Mesa de oferendas do Antigo Egito. Museu do Cairo.
File:Egyptian funerary figurines louvre.jpg
Figuras funerárias do Antigo Egito. Museu do Louvre Paris.
Acessada em 11/9/2012 
A familia real com Aquenáton, Nefertiti e seus filhos. 
Novo Império, 18ª. Dinastia. Staatliche Museen zu Berlin   
O faraó Aquenáton e sua familia adorando a Áton.
 O famoso faraó da 18ª. dinastia é tido como cultuador do  monoteísmo
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Aten_disk.jpg acessada em 13/9/2012
A cidade de Luxor, à esquerda, vista da margem em cujas proximidades se encontra o Vale dos Reis
com as famosas necrópoles da época faraônica. Foto Ismael Gobbo
Howard Carter. Arqueólogo e egiptologista inglês que descobriu a tumba
do Faraó Tutancâmon, no Vale dos Reis, da antiga Tebas, no ano de 1922.
Cidadãos egipcios em uma rua de Luxor. Foto Ismael Gobbo










NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 17-09-2012

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domingo, 16 de setembro de 2012

Focalizando o Trabalhador Espírita (159) Miltes Apparecida Soares de Carvalho Bonna


Miltes Apparecida S. de Carvalho Bonna


Nossa  entrevistada  deste  sábado é Miltes
Apparecida  Soares  de  Carvalho   Bonna,
médium, escritora, oradora e  dirigente es-
pirita da cidade de São Bernardo do Campo.
   Miltes conheceu o Espiritismo ainda na in-
   fância, em Santa Adélia, cidade da Arara-
   quarense, e  está   vinculada  ao  CEOS –
   Centro Espírita Obreiros  do  Senhor, desde
   a sua fundação em 15 de novembro de 1962.

Estimada Miltes, pode nos fazer sua auto apresentação?

Ismael, nasci na cidade de Santa Adélia (SP), no dia 03 de março de 1939. Está localizada na Estrada de Ferro Araraquarense e na Rodovia Washington Luis. É uma cidade pequena, com a denominação de “Cidade Amizade”, tal é a forma carinhosa de serem recebidas todas as pessoas. Catanduva me recebeu na Escola Barão do Rio Branco, onde me formei professora. Depois transferi residência para a cidade de São Bernardo do Campo, no ano de 1957, permanecendo até hoje. Complementei o curso de Pedagogia Plena/ Magistério/Administração/ e Supervisão Escolar/Orientação Educacional, na Faculdade de Ciências e Letras de São Bernardo do Campo. Entre outras especializações para o terceiro setor, complementei recentemente dois cursos à distância pela SENAD -Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Universidade Federal de Santa Catarina/Universidade Federal de São Paulo), sendo o último, Fé na Prevenção, para líderes religiosos e movimentos afins (UNIFESP). Nossa casa espírita tem um trabalho especializado para dependentes psicoativos, há 36 anos. Daí a necessidade de uma especialização técnica científica para conhecer como auxiliar melhor.
Sou a quinta filha do casal querido: Izaura Custodio de Carvalho e Ezequiel Soares de Carvalho. Pais adorados que nos ofertaram um lar com muito amor e respeito. Papai era só doçura. Mamãe, amiga e amorosa, mas com uma energia que nos colocava na linha desde pequena. Na nossa casa ninguém falava palavras de baixo calão. Éramos pobres, mas nunca nos faltou o que comer. Mamãe muito trabalhadeira e dedicada. Sua devoção era total à família. Papai providenciava tudo com fartura, e repartia com todos, com muita alegria. Fraternidade foi contextualizada no nosso lar, para que a solidariedade fosse hábito no dia a dia.
Somos ao todo nove irmãos: Olavo, Osvaldo, Manoel, Alzira, eu, Otavio, Nilço, Nelson e Terezinha, que desencarnou com uma semana de vida na Terra. Fomos e somos muito unidos, apesar de sentir muita falta dos que nos antecederam na GRANDE VIAGEM À VIDA ALÉM DA VIDA (Olavo, Osvaldo, Manoel e Nilço)
A casinha simples que nos serviu de morada foi doada ao CEHA - Centro Espírita Humildade e Amor, da nossa querida Santa Adélia, pela nossa querida mãezinha Izaura, ainda em vida, para transformar-se no atendimento de irmãos carentes do corpo e da alma. Nela foi implantada a IASE - Instituição de Assistência Social Ezequiel.
Neste ano, no dia 31 de março, os meus queridos: filhos Siomara, Rosemara e Dario Junior, juntamente com meus genros Luis Carlos, Rubens, a norinha Francine e os adoráveis netos Bruno Luis, Gustavo, Danilo, Stephanie, Lucas, Rubinho e Kauan, ofertaram ao meu esposo querido Dario Bonna e a mim, uma homenagem especial, marcando as nossas BODAS de OURO. Foi uma verdadeira festa de casamento que marcou novamente a nossa perene união. Para surpresa de alguns corações ainda passeamos de mãos dadas pelas ruas do nosso bairro, nos raros momentos do tempo que nos sobra.
Minha vida profissional foi desempenhada como um verdadeiro sacerdócio. Aposentei-me como professora primária como era assim chamada quem se dedicasse ao ensino até a quarta serie. Meus alunos saiam para o antigo ginasial, com uma bagagem de conhecimento, que atualmente, não observo nos que completam o ensino fundamental. A qualidade do ensino era excelente na escola pública, onde fiz carreira, sempre em busca de especialização continuada para transmitir o melhor para os queridos alunos. Os que hoje revejo, e tenho a oportunidade de abraçar, o faço com a consciência tranquila de ter cumprido bem o meu dever. Educação com Espiritualidade Ecumênica sempre foi a minha proposta educacional. Infelizmente a conotação de escola laica é tida de forma equivocada. O Estado brasileiro deve ser laico, mas a educação deve ser baseada na espiritualização do ser humano, sem uma conotação religiosa. O desenvolvimento de valores éticos, morais e espirituais com liberdade e dignidade estão inseridos nas nossas leis, principalmente no artigo terceiro do ECA- Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente.
O Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita, coordenada pelo mestre lionês Allan Kardec, é responsável pela felicidade possível aqui na Terra. Em nosso lar ele foi o alicerce da nossa família. E nós podemos agradecer a Deus, pois somos imensamente felizes, pois assim decidimos, aceitando resignadamente aquilo que não podemos mudar. Sacrifício e renúncia de meu querido esposo e da família possibilitaram a minha dedicação à casa espírita CEOS - Centro Espírita Obreiros do Senhor, cujo braço social é a Ciranda de Amor da nossa querida Meimei, a IAM - Instituição Assistencial Meimei, que poderá ser conhecida nas atividades do esforço de mãos unidas, através dos sites: www.ceos.org.br e   www.iam.org.br
Meimei nos deu uma frase que é norma de conduta para todos os trabalhadores da nossa casa: ”MÃOS UNIDAS, SOLUÇÕES ENCONTRADAS.”.
Ela nos magnetiza sempre com suas mensagens semanais de gratidão a Deus e de convocação para o trabalho, conscientizando-nos de que ninguém realiza algo sem o apoio de alguém.
Tenho grande emoção de constatar no JUBILEU DE OURO DO CEOS, O QUANTO AS MÃOS ANÔNIMAS SÃO ABENÇOADAS POR NÓS, pois temos absoluta certeza que nada fizemos sozinhos. Com que carinho, envolvemos cada trabalhador, que mesmo vencendo suas angústias continuam a postos na semeadura da esperança aos corações sofridos.
Daí a nossa súplica a todos os agrupamentos espíritas que socorrem a dor sem perguntar a origem. Coloquem em primeiro lugar o atendimento aos companheiros de tarefa que, sofridos, continuam a postos, ou se afastaram por problemas de enfermidade, ou outros. A contextualização do amor começa com o próximo mais próximo, começando pela família consanguínea. A Espiritualidade Maior necessita de trabalhadores cujo amor é fortalecido pelo amor que se dá e pelo amor que recebe, para se fortalecerem também.
Como tive a felicidade de participar desde pequena das aulas de moral cristã, naquela época denominada de catecismo espírita, posso dizer que nasci espírita. Acompanhava mamãe às reuniões, e nos socorros que ela fazia, quando o médico da cidade mandava chamá-la. Quando os medicamentos fortíssimos não conseguiam afastar os desequilíbrios das pessoas, ele assim aconselhava à família... Eu orava a Deus suplicando ajuda para mamãe e a acompanhava na Prece de Cáritas que orava com muita devoção.
Passei por quatro convulsões: aos dez anos, aos catorze, aos dezoitos e aos vinte e três anos, diagnosticadas como epilepsia.
Numa orientação no Colegiado de Médiuns da FEESP - Federação Espírita do Estado de São Paulo, Dr. Bezerra de Menezes informou-me que a escolha era minha. Poderia continuar tomando os remédios fortíssimos a vida toda, seguindo a orientação dos médicos que me tratavam. Mas tinha a opção do contextualizar os ensinamentos de Jesus à luz da doutrina espírita, no exercício consciente da mediunidade, no socorro dos aflitos.
Como já amava esses ensinos com dedicação quase diária, não foi difícil descobrir que fé sem obras é morta. Consegui me libertar dos medicamentos, fazendo também opção pela alimentação vegetariana, sem sacrifício algum, o que me garantiu até hoje uma ótima saúde e excelente disposição para o trabalho aos setenta e três anos de idade, sob a proteção generosa de Jesus e dos mentores amigos, que jamais interferem nas decisões que a mim cabem.

 Como você conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?

Sou espírita desde pequena. Participei das aulas de moral cristã, no Centro Espírita Humildade e Amor, na cidade de Santa Adélia.

A qual casa espírita está vinculada presentemente?

Continuo vinculada ao CEOS - Centro Espírita Obreiros do Senhor, desde a sua fundação em 15 de novembro de 1962.

Poderia nos fazer uma descrição de sua trajetória pelo movimento espírita durante esses anos?

- Ao chegar na cidade de  São Bernardo do Campo, integrei a Mocidade Espírita, no Centro Espírita Emmanuel, com o direcionamento seguro do Sr. Manoel Romeiro, fundador daquele agrupamento.
 Tive o apoio do presidente do Centro Espírita Irmã Renata (Brás/São Paulo), Sr José Damore, que muito me orientou, estimulando-me ao estudo e direcionando-me às entrevistas com o Comandante Edgar Armond, para os testes mediúnicos na FEESP/SP.
O Sr José Damore, orientador amigo hoje na espiritualidade, esteve presente ao meu enlace matrimonial fazendo com muito enlevo uma prece para que Jesus abençoasse a nossa união. Naquele dia, informara que no momento da prece uma luz desceu do Alto nos abençoando. Para a nossa surpresa, essa luz saiu na foto tirada no momento da oração em família (foto anexada).
- No mesmo ano, fiz parte da equipe fundadora do CEOS- Centro Espírita Obreiros do Senhor. Desde então, dedico-me ininterruptamente participando da diretoria, das tarefas espirituais e assistenciais.
- Em 25 de agosto de 1979, fundamos a IAM- Instituição Assistencial MEIMEI, o braço social do CEOS, criado para dar continuidade ao socorro e ao amparo às famílias, crianças e adolescentes, realizados desde 1967.  Sua proposta educacional está alicerçada no Evangelho de Jesus à luz da doutrina espírita. Seus princípios e valores são baseados no respeito ao próximo, sem violentar consciências, visando sempre a construção de um mundo melhor começando no coração da pessoa. Tem, no mestre lionês Allan Kardec, a definição de educação como um conjunto de hábitos adquiridos; a que consiste na arte de formar caracteres, capaz de construir o homem de bem.
- Diante da problemática dolorosa da dependência, a partir de 2008 mãos se posicionaram na implantação de uma força tarefa, onde nos reunimos: Associação Médico Espírita do ABC (AME/ABC); Centro de Tratamento Bezerra de Menezes; Conselho Espírita de São Bernardo do Campo e CEOS/IAM – Centro Espírita Obreiros do Senhor e Instituição Assistencial Meimei. Com capacitação continuada das equipes de profissionais realizamos na IAM a culminância de nossas ações pela paz, por meio de encontros periódicos. Tem a denominação de PROGRAMA UM CONVITE À VIDA. SEM ARMAS. SEM VIOLÊNCIA. SEM ABORTO. SEM ALCOÓLICOS. SEM TABACO. SEM DROGAS.
Neste programa, estão inseridos projetos pontuais, com temáticas abrangentes, em várias etapas, onde se trabalha carinhosamente a família e a prevenção, por meio de oficinas psicopedagógicas. Na IAM estaremos realizando o X ENCONTRO UM CONVITE À VIDA / FÉ NA PREVENÇÃO ( DIA 29 DE SETEMBRO / das 8h às 13h) Vários encontros externos em Escolas da região também foram realizados, com mais duas programações agendadas.
- Participamos diariamente das atividades no CEOS/IAM
- Em tarefas espirituais. Como dirigente às segundas, quartas e sextas-feiras, à noite. Como diretora do Departamento de Desobsessão, acompanhamos com o apoio de Dr. Bezerra de Menezes e Yvonne os casos graves diretamente. Entre eles encaminhamos as fotos de um atendido, autorizado pela mãe, para análise, estudo e divulgação doutrinária.
- Existe uma programação de palestras ao público nas quais participo também. O CEOS possui 17 reuniões semanais para o público, além do Departamento de Escolas e Cursos; do Departamento de Infância e Juventude e do Departamento de Escola de Pais.
- Na manhã de terça–feira dedico-me à psicografia, na reunião denominada  Diálogo Fraterno, aos que perderam a presença material dos entes queridos. É um trabalho de equipe.
- Como integrante da diretoria da IAM, tenho os plantões na entidade às segundas, quartas e quintas-feiras, no período da manhã, e quando necessitarem de mim.
- Como palestrante empreendi algumas viagens, Congresso na Argentina (Buenos Ayres e Mar Del Plata); dentro e fora do Estado de São Paulo, em Congressos, Seminários, Semanas Espíritas etc.

Quantos livros você escreveu, espíritas e não espíritas e do que eles tratam?

A Espiritualidade amiga tem sido condescendente para comigo, espírito imperfeito, mas de boa vontade. Suplico sempre a Jesus que me direcione, mostrando caminhos através de corações que me alertam diante das fragilidades de espírito em aprendizado, mas desejoso de aprender e servir.
Meimei, patronesse espiritual da nossa IAM- Instituição Assistencial Meimei, nos brindou com os livros:
1-A vida futura - A historia de Sheillinha e Joaquim (infantil) - já esgotado.
2-Evangelho no Lar, Para Crianças de Oito a Oitenta anos - volume I - Petit Editora
3-Evangelho no Lar Para Crianças de Oito a Oitenta Anos - Volume II (gravado, a ser editado como áudio book)
4-Lindas Mensagens de Meimei – Petit Editora.
 Nosso orientador espiritual Rossi nos oferta mensagens semanais que esperamos colocá-las em livro, tal o teor evangélico que tem servido de base para as nossas tarefas.
De uma média de setecentas mensagens, já foram selecionadas as que comporão o futuro livro:-
5- De Rossi para você.
Da nossa querida Yvonne do Amaral Pereira: a serem lançados
6-Relato de Yvonne - Romance em revisão - Petit Editora
7-Yvonne Continua - Mensagens e Vivências na Desobsessão.
8-Nos rastros de um tropeiro / O amor é o caminho da redenção - Romance.

Pela Instituição Assistencial Meimei também foi editado em duas edições, já há algum tempo, visando à prevenção às drogas:
-Peripécias de Quatro Jovens - espíritos Walter Sílvio, Nivaldo, Bráulio e José.
Este livro traz na segunda edição um planejamento de trabalho como sugestão às casas espíritas que desejam implantar o atendimento especializado aos nossos irmãos dependentes de drogas psicoativos. Nele, duas mensagens de Dr. Bezerra de Menezes orientam a atividade realizada pelo CEOS, já há trinta e seis anos, baseada na doutrina espírita.

Os livros são mediúnicos?
Sim, todos são mediúnicos.

Pode nos falar um pouco de sua trajetória mediúnica, das faculdades de que é dotada e como elas se manifestam?

Na condição de médium posso afirmar que estou engatinhando. Tenho absoluta certeza de que escrevo direcionada pelos abnegados mensageiros, pois a rapidez é grande. Confesso que para eu conseguir escrever por mim mesma demoro muito mais tempo.
Posso dizer que a mediunidade desabrochou sem lágrimas, com muita alegria no meu coração.
Trabalho na desobsessão desde a fundação do CEOS.
Sou também médium de incorporação, psicofonia e passista.
Exercito a clarividência e às vezes vidência espontânea.

Miltes poderia nos falar um pouco da história do Espiritismo do seu tempo de Santa Adélia e Catanduva, os seus vultos e o que mais a marcou?

Época muito difícil. No ginásio éramos convidadas, eu e minha irmã Alzira, a deixar a sala na aula de religião. Os colegas saiam todos também, pois não se conformavam com a forma que se tratava o assunto religioso.
No centro Espírita Humildade e Amor a frequência era pequena. Havia uma médium inconsciente Dona Ana que ficava envolvida por um espírito que era sacerdote, que só aceitava se afastar após rezar a missa em Latim. Naquela época (nos meus doze, treze anos) estudávamos  muito o Latim e ficávamos embevecidos. Como uma humilde senhora analfabeta poderia falar uma língua desconhecida tão bem?
Ao estudar na Escola Barão do Rio Branco, em Catanduva, participava, aos domingos, de algumas aulas da Tia Aparecida, no centro Espírita Bezerra de Menezes, juntamente com Anadyr Custodio, meu primo. 
Passei pela Experiência de QUASE MORTE no ano de 1998, durante uma intervenção cirúrgica  de cateterismo, muito enriquecedora, pois  me trouxe a certeza, a plena convicção da continuidade da vida  além da vida, em nova dimensão.

Como vai o Espiritismo em São Bernardo do Campo?

Vai indo muito bem. Segundo uma pesquisa feita pela Área de Comunicação da Universidade Metodista é uma das cidades em que mais se estuda Espiritismo. O Conselho Espírita é muito atuante e já temos mais de sessenta Centros Espíritas, onde o carinho de Celina Bueno  lidera uma equipe muito consciente e dedicada, de trabalhadores.
Há respeito e valorização das entidades espíritas que realizam o atendimento social. O trabalho da  nossa IAM  tem sido reconhecido publicamente, através de títulos, troféus, medalhas, os quais endereçamos à Doutrina Espírita, à luz do Evangelho de Jesus.

E o movimento espírita em geral?

O Espírito Yvonne tem uma preocupação a respeito. O caminhar é muito lento, diante de tanto sofrimento ocasionado pela descrença da imortalidade. Nossa casa espírita está sempre lotada de necessitados. O amor cura a alma enferma, que reflete a saúde no corpo físico. Estudo e prática. Pensar no bem. Viver em função do bem, para que o bem permaneça em nossa vida. A contextualização da fé nas obras é ponto primordial para o trabalhador. Jesus aguarda trabalhadores diligentes com quem Ele possa contar sempre. Não apenas uma vez por semana. A dor não tem feriado, nem férias. As equipes podem revezar-se numa semana de descanso com a família, mas  o pronto socorro espiritual ter férias e emenda de feriados é algo que requer reflexão profunda.

Tem trabalhado muito na tribuna?

Sim, com muita alegria tenho me esforçado, estudado, pesquisando sempre para atualizar-me. É inesgotável o conhecimento espírita. Os que comentam que a doutrina espírita está superada não conhecem o Espiritismo. Somente colocando em prática os ensinamentos é que conseguimos perceber a grande mudança que se processa em nós e no nosso lar. A nossa maior responsabilidade é a nossa mudança individual e não a dos outros. Ela realiza verdadeira revolução interior e os valores éticos, morais e espirituais trazem equilíbrio e felicidade possível ainda na Terra. A calma que se conquista é um retrato dela. Aceitar resignadamente tudo aquilo que não se pode mudar. Procurar compreender os que caminham ao nosso lado sem  tentar transformá-los, valorizando sua presença e treinando a capacidade de esperar o resultado do nosso exemplo é excelente treinamento de evangelização em serviço prático.
Sem contar ainda o imenso carinho da Espiritualidade  que compadecendo da nossa pequenez se fazem adoráveis orientadores, pacientes e generosos,  sempre pronto a nos socorrer para que socorramos os necessitados.

Quais os temas mais requisitados?

Evangelho / Família e Doutrina Espírita.
O socorro divino às nossas necessidades.
A auto-obsessão / Como se livrar dos obsessores, nossos grandes reveladores.

Como fazer o agendamento?

Devido a saúde de meu esposo tenho restringido para palestras na nossa região. Uma vez por ano, nas minhas queridas  cidades  Santa  Adélia  e Catanduva.

As suas despedidas dos nossos leitores

Almas queridas, que Jesus nos abençoe para podermos abençoar em Seu nome. Que Ele pacifique o nosso coração para pacificarmos também. E que possamos ser a grande mudança que sonhamos para o mundo.
Vibrações de carinho, com o abraço fraterno da menor  de todos os aprendizes de mediunidade
Miltes
“AMA SEMPRE. E, QUANDO ESTIVERES A  PONTO DE DESCRER DO PODER DO AMOR, LEMBRA-TE DO CRISTO”. (CHICO XAVIER)


Casamento de Miltes com Dario Bonna (na foto o facho de luz); com José Damore, do Centro Espírita Irmã Renata (Brás/São Paulo) - orientador de Miltes no início de sua trajetória no movimento espírita em São Bernardo do Campo; Uberaba – 29/8/86 – Miltes na casa de Chico Xavier; Nos primórdios da Creche Meimei, em 1977.
Almoço com Divaldo, ladeado pela mãe de Miltes, Dona Izaura, e pela sua irmã Alzira; em  23/4/1989,  na Instituição Assistencial Meimei, com Dra. Marlene Rossi Severino Nobre; Araçatuba - 13/8/88 - Miltes e Antonio Cesar Perri de Carvalho – Entrevista na Radio de Araçatuba por Libero Bezerra de Lima (já desencarnado); em 2009, Miltes e o esposo Dario Bonna, ladeando a vice-presidente Adília do Carmo Nesi Latuff no Chá de Outono, um dos eventos mais tradicionais da Instituição Assistencial Meimei.
Em atividade, na sala da Diretoria da IAM – 2006. Em 03/12/2010 – com as crianças da Creche Meimei no aniversário do Projeto Vovó Hilária (recuperação de brinquedos). Em 16/8/2008 foi visitada na Bienal do Livro em São Paulo, no estande da Petit Editora, pela Prefeitura Mirim da Instituição Assistencial Meimei, no relançamento do livro Evangelho no Lar para Crianças de 8 a 80 - Volume I.     E com as crianças da Creche Meimei, em 2006.
Em 2008, em Santa Adélia, sua terra natal, Miltes pousa em frente à Instituição de Assistência Social Ezequiel
 (IASE), fundada em terreno doado ao Centro Espírita Humildade e Amor, pela sua mãe Izaura. Na frente do
 terreno foi preservada a casa em que ela viveu na infância. Em 2012, na IASE, Miltes foi homenageada  com o
 quadro de sua antiga residência.




Catanduva - 28/5/2009 - com a Tia Aparecida (já desencarnada), professora de moral cristã do Centro Espírita Bezerra de Menezes; Em 01/10/2011 – no lançamento do livro Lindas Mensagens de Meimei, em Jacareí. Miltes, ladeada à esquerda pelo Secretário de Educação de Jacarei, João Roberto Costa de Souza e, à direita, pelo Sr. Carlos Monteoliva, proprietário da Livraria Espírita Emmanuel;  Em 2012 Miltes e Afonso Moreira Jr., do programa Consciência Espírita, sendo entrevistados na Rádio Boa Nova por Adriano Marques; Miltes com Celina Galvão, presidente do Conselho Espírita de São Bernardo do Campo e  Pedro Camilo, do Núcleo Espírita Teles de Menezes – Salvador – Bahia

Com os amigos, no encerramento da Semana Espírita de 2012 em Santa Adélia, após palestra proferida no Centro Espírita Humildade e Amor; a partir da direita, Orson Peter Carrara e esposa, Miltes, Ismael Batista da Silva e outros amigos, na cidade de Matão, após palestra proferida no Centro Espírita Allan Kardec, em 01/6/2008, com o tema: Confia sempre! A Vida continua (relato de experiência da Reunião Diálogo Fraterno – Perda da presença material de entes queridos)

OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.

sábado, 15 de setembro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 15-09-2012

Clicar aqui: http://www.noticiasespiritas.com.br/2012/SETEMBRO/15-09-2012.htm