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Atenção
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
EXALTAÇÃO DO NATAL
Livro: Lampadário Espírita
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
Se já consegues perceber a sublime mensagem do Natal de Jesus, faze um exame dos benefícios que fruis com o conhecimento e dos resultados produzidos na tua vida.
Refaze, mentalmente, o caminho percorrido, desde que a sinfonia do Natal permeou teu espírito de alegrias, e considera as tuas atitudes.
Embalado pelo cântico da esperança cristã, rememora quantas lágrimas estancastes, quantos companheiros soerguestes da queda moral lastimável, quantos corações vitalizaste com a fé clara e pura, quantas vezes silenciaste se ultrajado, se perseguido, se instado ao revide, quanto desculpaste reatando liames de afeto com o ofensor, quanto confiaste embora aparentemente perdido, apesar das tentações de toda ordem!...
Tens elegido a serenidade como companheira nas horas difíceis, o amor como sustentáculo das tuas aspirações, a caridade como normativa fraternal e a fé como lâmpada sempre acesa no curso das tuas horas?!
O Natal evoca o Rei divino descendo à Terra para amar, como uma lição viva e inconfundível de como se devem conduzir os amados que conseguem amá-Lo.
Esses, os que ensaiam amá-Lo, experimentam gáudio pelo Seu nascimento, mas não convertem a alegria em estroinice nem a gratidão afetuosa em repasto exagerado, motivando desequilíbrios e abusos de variada contextura.
Buscam, à semelhança d'Ele, aqueles que não têm tido ensejo de ser amados nem socorridos e cujo leitos de dores se encontram à mercê das escuras tormentas da aflição em que eles se debatem, convertendo os sentimentos de que se encontram possuídos em alavancas de socorro e proteção.
Não se queixam, nem lamentam, pois que têm os olhos n'Aquele que tudo cedeu e todas as honras desdenhou para exaltar o amor e elevá-lo à condição de astro-rei no arquipélago das conquistas humanas.
Se ainda não consegues sentir a glória do Natal de Jesus vibrar nas íntimas fibras do teu ser, porque a tua coleta há sido de desencantos e tristezas, perversidades e incompreensões, ou porque as amarras do cepticismo cedo te enovelaram aos pélagos da indiferença pelas questões transcendentais do espírito, evoca a história daquele Homem que medrou como lírio imaculado em chavascal odiento e não se conspurcou, que vivei sitiado pelo sofrimento de todos e não desanimou, que sofreu zombaria e apodo de toda natureza e não descreu, que se viu a sós quando mais era convocado ao testemunho ímpar e não se fez amargo nem decepcionado.
Recorda-O, simples e majestoso, face crestada pelo sol, cabelos ao vento, pés sangrentos, esguio e nobre, misturado à plebe, enxugando suor e lavando feridas, limpando raízes morais, acolitado por mulheres mutiladas nos ideais da maternidade e reduzidas à condição mais dolorosas, e por homens vencidos por impostos exorbitantes ou dominados por misérias sem nome...
Elegeu esses, os sem-ninguém, à condição de amigos, sem se voltar contra aqueles outros, também infelizes, momentaneamente guindados ao poder ou enganados pela ilusão.
A cruz em que o cravejariam mais tarde, simbolizou-a sempre, de braços abertos, aconchegando ao peito afável quantos desejassem paz e, descrentes, necessitassem de luz e vida.
Evoca-O, e deixa que cheguem ao teu espírito e o penetrem, neste Natal, as vibrações d'Ele, o amigo por quase todos esquecido, que jamais se esqueceu de ninguém.
Aquieta o turbilhão que te atordoa, e, enquanto se espraiam no ar as sutis vibrações do Natal de Jesus, escuta a voz dos anjos e alça-te dos sítios sombrios onde te demoras para as culminâncias do amor clarificador de rotas em homenagem ao Governador da Terra, quando da sua visita, no passado, para que, agora, novamente Ele te possa visitar, sendo o conviva invisível e presente na formosa festa de paz em que se converterão tuas horas de agora em diante.
O Natal é mensagem perene que desceu do Céu para a Terra e que agora, em ti, se levanta da Terra na direção do Céu.
(Texto copiado de http://mensagens7.blogspot.com/2006/12/exaltao-do-natal.html)

Estrada vinda da alta Galiléia chegando ao Lago Tiberíades que se vê ao fundo.
A região plana à frente ladeando o lago é chamada Planície de Genesaré.
Foto Ismael Gobbo
Postado por Gislaine às 16:29 0 comentários
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
NATAL É VIDA

Eis o Natal que nos bafeja agora,
Trazendo bênçãos de Jesus ao mundo
A distribuir o seu amor fecundo,
Natal que em nós nova esperança aflora.
Quando é Natal o nosso ser se ancora
No amor fraterno, em sentido profundo;
Buscamos paz de segundo a segundo,
Para o nosso planeta que estertora.
Quando é Natal há sempre um canto novo
Que traz Jesus a socorrer o povo,
Povo que nunca Ele deixou a sós.
Natal é vida que abundante exprime
Lição do céu que transforma e redime,
Se Jesus renascer dentro de nós.
Sebastião Lasneau
(Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 12/11/2011, durante a reunião do Conselho Federativo
Nacional da FEB, em Brasília-DF) Distribuição da Federação Espírita Brasileira

Jesus pregando á beira do mar . Por James Tissot (1836-1902)
Postado por Gislaine às 16:56 0 comentários
sábado, 10 de dezembro de 2011
FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPIRITA CHARLES KEMPF

Charles Kempf
Entrevista para Ismael Gobbo ao Notícias do Movimento Espírita
Na entrevista deste sábado ouviremos o trabalhador espírita Charles Kempf, nascido e residente na França. Sua aproximação com a Doutrina Espírita é um dos casos, digamos emblemático, que mostra como a espiritualidade trabalha nesse processo de difusão do Espiritismo. Parece, como se diz, um tabuleiro de xadrez. Foi em Recife que Charles conheceu o Espiritismo quando buscou orientaçao e atendimento para um caso de obsessão no seio de sua familia. Dessa busca acabou travando contato com as obras de Kardec, se encontrou com Márcia com quem se casou e retornou para a França depois de oito anos de “estagio” no Brasil. A partir dai Charles Kempf não parou mais de trabalhar pela difusão do Espiritismo das mais variadas formas. Uma história de vida muito bonita e rica que vale a pena conhecermos.
Caro amigo e irmão Charles Kempf por favor faça-nos sua autoapresentação.
Nasci na França em 1960, na Alsácia, que é uma região historicamente impregnada de cultura francesa e alemã. Sou casado com uma brasileira de Recife-PE, Marcia, e temos um filho Jean-Pierre. Morei em Recife entre 1982 e 1990, ano em que retornei para a França na companhia de Márcia. Moramos atualmente em Belfort, no nordeste da França.
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Sou Engenheiro, formado na École Nationale Supérieure des Mines de Paris. Exercito minha profissão na área de centrais elétricas.
Como você conheceu o Espiritismo e desde quando o freqüenta?
Conheci o Espiritismo em 1986 na Federação Espírita Pernambucana - FEP, procurando ajuda para um caso de obsessão na família, que estava se agravando e que a psiquiatria convencional não conseguia resolver. O atendimento fraterno que recebemos nesta casa, em particular do Sr Holmes Vicenzi, do Sr Julio e do Sr Waldeck Atademo, foi um fator determinante para despertar em mim um maior interesse pelo ideal que estava motivando tal atitude. O caso de obsessão foi resolvido em poucos meses. Foi então que comecei a ler as obras de Kardec na língua portuguesa e assistir as reuniões e atividades da FEP.
De retorno para a França em 1990, eu e minha esposa sentíamos muita falta das reuniões no Centro Espírita. Decidimos procurar um Centro próximo da nossa região, infelizmente, sem sucesso. Visitando o cemitério Père Lachaise em Paris, achamos o endereço da Union Spirite Française et Francophone - USFF, localizada na cidade de Tours, num cartaz afixado atrás do Dolmen de Allan Kardec. Entramos em contato com o Sr Roger Perez, que presidia a USFF, mas Tours ficava a 650 km de nossa residência. Começamos a colaborar com traduções de artigos de jornais e revistas brasilieiras para a Revue Spirite. Paralelamente, continuei a ler as obras espíritas, dessa vez em língua francesa, nos poucos livros editados na época, e outros que encontrei nos sebos.
Participamos então mais intensamente dos eventos organizados pela USFF, que seguia uma linha bem fiel a Allan Kardec, e conhecemos outros espíritas na França, incluindo Michel Buffet e Cláudia Bonmartin.
Conheci também o Sr Nestor Masotti por volta de 1992, numa reunião da Comissão Regional Nordeste do CFN, numa visita que fizemos à FEP.
Em 1994, comecei a me implicar um pouco mais nas atividades da USFF a nível internacional, pelo fato de falar várias línguas, como o Português, Inglês e Alemão. Foi em 1995 que tive a oportunidade de conhecer os principais dirigentes dos Movimentos Espíritas Brasileiro e Internacional, na ocasião do 1° Congresso Espírita Mundial, promovido pelo Conselho Espírita Internacional (CEI, www.spiritist.org), que foi criado em 1992.
Qual a casa espirita que você freqüenta?
Dirijo o Centro de Estudos Espíritas Léon Denis, que foi fundado em 1997, na cidade de Thann, na Alsácia. Começamos a divulgar a doutrina espirita pela Internet (www.leon-denis.org). Fomos entre os primeiros a disponibilizar as obras de Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne em formato eletrônico. Organizamos também várias conferências na região.
Outro foco de trabalho foi o ESDE, baseado nos fascículos da FEB, que vertemos para a língua francesa.
O grupo também realiza trabalho de vibrações e de assistência espiritual para pessoas encarnadas e desencarnadas e realiza também, atendimento fraterno.
Poderia nos fazer uma descrição de sua vida espírita durante esses anos?
Como já disse, com minha esposa, contribuimos inicialmente com traduções de artigos e material para trabalhadores espíritas do Português para o Francês. Participamos também de encontros nacionais organizados pela USFF, dando palestras e conferências. Fui vice-presidente da USFF encarregado dos eventos internacionais até 2007, ano em que essa entidade começou a enfrentar algumas dificuldades de entendimento.
No mesmo ano, participei da criação de nova entidade federativa na França, o Conseil Spirite Français (CSF), cujos estatutos estão baseados nas orientações de Allan Kardec no seu projeto de 1868 (Obras Póstumas e Revue Spirite de Dezembro de 1868) onde ele ressalta a importância de uma direção coletiva. Faço parte da Comissão Executiva dessa entidade até hoje. O CSF já conta com mais de 30 membros, entre grupos formados e grupos em fase de formação; organiza encontros e seminários de formação de trabalhadores espíritas, e apoia a criação de novos grupos no país. Edita o boletim eletrônico Voie Spirite (www.spiritisme.org). Participa ativamente do Mouvement Spirite Francophone (LMSF www.lmsf.org), junto com a Bélgica, o Luxemburgo e o Quebec, na difusão da doutrina na língua francesa, e está se organizando para a edição da Revue Spirite em Francês.
O trabalho de digitalização das obras espíritas começou por volta de 1995 com os primeiros scanners e softwares de OCR, e tomou depois uma dimensão maior, com a participação de vários trabalhadores, para concretizar a Encyclopédie Spirite (www.spiritisme.net) disponibilizando hoje, várias centenas de livros, revistas e fotos espíritas antigas.
No âmbito internacional, participei dos Congressos Espíritas Mundias (CEM), primeiro traduzindo para o Português as palestras de Roger Perez, e depois fazendo palestras, a partir do 2° CEM em Lisboa até o 6° CEM de Valencia (Espanha) em 2010.
Depois do 1° CEM em Brasília em 1995, participei de quase todas as reuniões do CEI, como assessor ou como representante da França. Isso me permitiu conhecer o Movimento Espírita em vários países, bem como participar ativamente dos trabalhos do CEI. Em 1997 foram criadas as Coordenadorias do CEI, e participei ativamente da Coordenadoria da Europa (www.isc-europe.org), com trabalho operacional para ajudar na criação de novos grupos e novas entidades federativas em vários países do velho continente, onde o Movimento Espírita está em fase de estruturação e de crescimento.
Participei também de vários encontros internacionais, nos Estados Unidos, em Cuba, em vários países da Europa, e no Brasil (o Congresso Espírita Brasileiro que comemorou em 2010 o centenário do nascimento de Chico Xavier).
Tive também a oportunidade de participar da delegação do CEI que foi convidada para o Millenium World Peace Summit, organizado pela ONU no ano 2000 em Nova Iorque.
Em 2004, fui eleito membro da Comissão Executiva do CEI, em 2007, Coordenador da Coordenadoria da Europa do CEI, aumentando assim a minha responsabilidade de servir ao próximo.
Charles temos realizado entrevistas com vários companheiros espíritas do exterior que nos falam que em certos países, sobretudo europeus, o Espiritismo tem que ser divulgado a partir do seu aspecto cientifico. A que você atribui isto? Seria por conta do materialismo exacerbado?
Acho que o aspecto científico é importante e deve ser divulgado, sobretudo nos países de cultura anglo-saxônica, nos quais é necessário falar antes ao intelecto, e só depois ao coração. Mas isso não deve ser uma regra geral, pois muitas pessoas, com grandes dificuldades, mais de ordem moral do que de ordem material, procuram os Centros Espíritas a procura de ajuda. Essas pessoas precisam de atendimento fraterno, de serem ouvidas e beneficiadas com uma palavra de consolo. A confiança só se ganha com o tempo: as pessoas observam a atitude e o comportamento dos trabalhadores espíritas, verificando se é ou não de acordo com a doutrina que divulgam.
As taxas de suicídio estão altas nos países desenvolvidos, e as causas principais são a incredulidade e as idéias materialistas, como afirma Allan Kardec no capítulo 5 do Evangelho segundo o Espiritismo. Por isso, o LMSF lançou este ano uma campanha sobre a prevenção do suicídio, que vai ser seguida por outras campanhas nos temas de proteção da vida.
Do lado cientifico, existem ainda muitos grupos espiritualistas, parapsicólogos ou metapsíquicos, mas que continuam tendo grandes dificuldades para serem reconhecidos pela ciência acadêmica. A maioria desses grupos seguem um paradigma materialista, promovem noções e conceitos complexos, com terminologia específica, dificilmente compreensível por pessoas leigas, que preferem as explicações mais simples apresentadas pelo Espiritismo, baseadas na existência da alma e sua sobrevida à morte.
Nesta visão os eventos que vocês organizam como seminários e palestras tem que contemplar temas mais científicos?
A doutrina Espírita tendo um triplo aspecto – científico, filosófico e religioso, precisa abordar todos os três nos eventos e na divulgação, mostrando também a integração entre eles, sobretudo, fazendo ciência com ética, e estudando os aspectos religiosos e a existência da alma com método cientifico.
A propósito como foi o andamento do Congresso “Francophone” de Medicina e
Espiritualidade?
O LMSF promove a cada ano um Congresso sobre Medicina e Espiritualidade, em colaboração com a AME Internacional, dirigida pela Doutora Marlene Nobre. O 4° Congresso ocorreu em Paris nos dias 29 e 30 de Outubro 2011, com 110 participantes, incluindo muitos profissionais da área da saúde.
Recebemos um feedback muito positivo dos participantes ao evento.
Houve também um encontro visando a futura criação de uma entidade médico-espírita francofônica, e vários médicos da França, Bélgica e Suiça manifestaram interesse e vontade de organizar um trabalho nesta área.
O evento correspondeu ao que vocês esperavam?
Foi além das nossas expectativas, chamando também a atenção de um grupo de divulgação de fenômenos extraordinários (INREES), muito conhecido na França, e que fará uma reportagem no Brasil nos hospitais que associam medicina e espiritualidade.
Charles, embora o Espiritismo não tenha crescido tanto na França, deve ser uma satisfação muito grande viver no país berço de Allan Kardec e do Espiritismo, não?
Como se diz no Brasil: “Santo de casa não faz milagres”. Desde o início, o Espiritismo foi muito combatido na França, não somente pelos movimentos religiosos tradicionais, mas também pelas mídias e pela multidão de cépticos e materialistas.
Apesar disso, o nome de Allan Kardec é muito respeitado na França. Tanto é que a prefeitura de Lyon, cidade onde nasceu H. L. D. Rivail, aceitou e ajudou na instalação em 2005 de um monumento em homenagem ao codificador, no início da Rue Sala.
Mas o Espiritismo nos ensina a ser cidadãos do mundo. Percebi com grande satisfação, em todos os países que visitei, o carinho que as pessoas tem pelo codificador e pela doutrina espírita, mostrando assim a grandeza da terceira revelação, do consolador prometido por Jesus a humanidade.
Uma grande vantagem é que toda a codificação, bem como as obras complementares de Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano entre outros, foram elaboradas na língua francesa, que mudou muito pouco depois das reformas ortográficas promovidas por Napoleão no início do século XIX. Estas obras já estão livres de direitos autorais na sua maioria, permitindo assim uma intensa divulgação.
Graças ao esforço do CEI e a colaboração de pessoas nativas, já foi traduzida para o Francês a maioria das obras básicas de Chico Xavier, incluindo a série André Luiz, e os romances de Emanuel.
Sabemos que a França e Paris em particular acolheu em seu seio grandes vultos da humanidade em todos os campos do conhecimento. Especialmente em relação ao Espiritismo, embora possa não corresponder ao pensamento geral dos franceses da atualidade, você não acha que o futuro se encarregará em provar que Kardec e a doutrina que codificou foram as grandes novidades nos milênios que sucederam ao Cristo, correspondendo mesmo ao Consolador Prometido?
Sem dúvida, mesmo que isso ainda possa levar algum tempo. Sejamos confiantes, pois como dizia Kardec na Revue Spirite de dezembro de 1868 : “se estou certo, os outros acabarão pensando como eu ; se estou errado, acabarei pensando como os outros”.
A Terra entrou na fase de transição de um mundo de expiações e provas para um mundo de regeneração. Espíritos avançados estão se reencarnando no planeta, já preparados para aceitar os princípios da terceira revelação. Os paradigmas atuais da ciência estão sendo cada vez mais contrariados por certas observações tais como, a densidade da matéria negra nas galáxias, ou recentemente, neutrinos que parecem ultrapassar a velocidade da luz. Cada vez mais estudos no mundo inteiro tendem a provar a transmissão do pensamento ou telepatia, a eficácia das preces e dos tratamentos espirituais na recuperação e na cura de doentes. A resistência dos materialistas (encarnados e desencarnados) ainda vai continuar por bastante tempo, mas terão que aceitar mais cedo ou mais tarde as evidências do paradigma espiritualista, mesmo na França.
Não te chama atenção o fato de Allan Kardec ter executado essa obra monumental da codificação em espaço tão exíguo de tempo, organizando o Livro dos Espíritos em apenas dois anos?
Sem dúvida, se trata de um espírito de escol, um desses missionários que se revelam pelas suas obras e não pela auto-proclamação (EV, cap. XXI, n° 9). E na época não se tinha computadores, Internet, nem mesmo luz elétrica.
O que mais chama sua atenção ao analisar o perfil psicológico de Allan Kardec?
Ele adquiriu desde jovem uma grande erudição e abertura cultural no Instituto de Pestalozzi, em Yverdon (Suiça). Teve que lutar muito como educador na França, diante das circunstâncias desfavoráveis ao ensino livre e laico da época. Quando testemunhou os fatos espíritas, como ele mesmo relata nas Obras Póstumas, não teve dúvidas em trabalhar intensamente à procura das causas daqueles fenômenos, entrevendo ali a solução para as questões fundamentais que ele mesmo trazia no decorrer de sua existência. Ele levou adiante a tarefa, como mensageiro dos espíritos da codificação, com humildade e dedicação. Nunca deixou de passar tudo ao crivo do bom senso e da razão, conservando “os pés no chão” e aplicando o método científico, seguindo princípios que só muito depois foram identificados e reconhecidos pelos especialistas da epistemologia.
Acha que seria oportuno e possível difundir mais a imagem de Kardec na mídia francesa, tornando-o mais conhecido da sociedade francesa atual, inclusive mencionando o crescimento do Espiritismo a nível mundial?
Claro, é o que já vem sendo feito no trabalho de divulgação do Espiritismo na França.
Algo mais que queira acrescenta e suas palavras finais aos nossos leitores.
A Doutrina Espírita, codificada na França pelo nosso mestre Allan Kardec, se espalhou rapidamente pelo mundo. Foi no Brasil que encontrou terra mais fértil, propícia para o seu desenvolvimento, atravessando com sucesso as turbulências dos períodos difíceis no século XX, mas sempre se baseando na prática da caridade e na realização de obras assistenciais, que fizeram que ganhasse grande reconhecimento no Brasil. Esse reconhecimento está hoje se propagando pouco a pouco pelo mundo.
A codificação espírita tem um caráter universal, que lhe foi outorgado pelo Espírito de Verdade, coordenando os Espíritos Superiores da terceira revelação. Encontrou de início na Terra um eco mais forte em terras brasileiras, lusitanas e hispânicas, mas foi destinada a ganhar pouco a pouco todas as outras culturas : latina, germânica, anglo-saxônica, eslava... sem esquecer as culturas das outras regiões do mundo, na Africa, no Oriente Médio e no Oriente.
Este é o desafio do Movimento Espírita na atualidade, sob o impulso do CEI, que tem entre seus objetivos primordiais colocar a codificação ao alcance do maior número de pessoas. É necessário muito trabalho e colaboração de pessoas nativas em diversas línguas, seguindo os princípios de unificação, tão bem relembrados pelo eminente Espírito de Bezerra de Menezes através das mediunidades de Francisco Cândido Xavier e de Divaldo Pereira Franco. Devemos continuar seguindo essas diretrizes, conscientes que nos encontramos na Terra lutando para consertar os nossos erros do passado, diante da tarefa que o nosso Pai Maior nos confiou. O único modelo a seguir no Movimento espírita, é aquele que nos legou o Codificador : Fora da caridade, não ha salvação !

A partir da esquerda: Charles Kempf, Roger Perez, Juvanir Borges de Souza e esposa, Nestor João Masotti e
Evandro Noleto Bezerra. Foto realizada na FEB, Brasília, DF, no ano de 1995.

Charles Kempf na palestra de inauguração do Centre d'Etudes Spirites Léon Denis, em 1997.

Charles Kempf entre o filho e a esposa

Charles Kempf (d) com César Perri no
4º. Congresso Espírita Mundial, realizado em
Paris, França, de 2 a 5 de outubro de 2004

Charles, ao computador, na 13° reunião do CEI na Bélgica, em Junho de 2009

Charles na extrema direita, ao computador, durante a inauguração do Conselho Espírita Francês, em Denicé, no mês de junho de 2007

A fala de Charles Kempf durante o II Taller Espirita Internacional em Cuba, no ano de 2008

Conferência por Charles Kempf no castelo de Yverdon, Suiça, em 2007 (150 anos do Livre des Esprits). Neste local funcionou o Colégio de Pestalozzi onde estudou o menino Hippolyte Leon Denizard, que adotaria o pseudônimo de Allan Kardec.

Charles Kempf, o terceiro da foto, entre Divaldo Pereira Franco (e) e Nestor Masotti, no Millenium World Peace Summit na ONU em Nova Iorque em agosto de 2000

Charles Kempf, segundo a partir da esquerda, na 1ª. reunião da Coordenadoria da Europa do CEI, em Londres, 1998.

A cidade de Belfort, na França
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:France-90-Belfort-Belvedere_ouest.jpg
Postado por Gislaine às 20:25 0 comentários
RECORDANDO O DIVALDO

Campinas, SP
Foi na chamada “semana santa” de 1958, que, indo a São José do Rio Preto-SP, para participar da XIII Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e do Estado de São Paulo, conheci Divaldo Pereira Franco.
Essas Concentrações reuniam, anualmente, moços espíritas de quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Ao lado de Divaldo, originário da Bahia, orador então já de renome nacional, pela qualidade de suas inspiradas conferências, se apresentaram, também, Newton Boechat, do Rio de Janeiro, e Jacob Holzmann Neto, de Curitiba-PR.
Esses três confrades, por aquela época e durante alguns anos, eram os expositores esperados, que não podiam faltar, naquelas concentrações de jovens espíritas, e todos eles ofereciam aos jovens ali concentrados valiosa contribuição de conhecimento doutrinário, servindo, ainda, como exemplos motivadores do idealismo idealismo espírita e do sentimento cristão.
Newton e Jacob já retornaram ao plano espiritual, deixando cada qual lembranças imorredouras em quantos tiveram a felicidade de lhes recolher as palavras e as manifestações de amizade, como eu, que a ambos pude hospedar com minha família, em algumas ocasiões em que vieram a Campinas.
Divaldo se fez, ainda, mais querido por mim e meus familiares, alegrando-nos com sua presença em nosso lar, sempre que o seu roteiro o trazia por Campinas, o que, por muitos anos, costumava ser pelo menos duas vezes ao ano.
Naquele tempo, o salão do nosso C.E. Allan Kardec, que comporta quinhentas pessoas, era suficiente para acolher os espíritas da cidade e da região, que acorriam a ouvir o “baiano”, como era carinhosamente chamado.
Mas, ao longo dos anos, o Divaldo foi progredindo admiravelmente em seus labores, não somente na palavra, mas, também, pelo trabalho na psicografia de respeitáveis espíritos, que numerosos livros condensam, e nos vários serviços assistenciais e educacionais da “Mansão do Caminho”, em Salvador-BA.
Seu campo de ação se ampliou muito e o número de seus amigos e admiradores cresceu de tal maneira, que não mais pode ser comportado pelo salão do CEAK, exigindo ambientes maiores que acomodem os ouvintes sequiosos por sua palavra de luz e sua presença fraterna.
Agora, sua presença é reclamada, não apenas nos movimentos regionais de jovens espíritas, mas em todos os movimentos de maior repercussão e importância doutrinária no país e pelo mundo, tornando-se expressão máxima na divulgação em terras estrangeiras.
Incansável e operoso, prossegue o Divaldo em seus múltiplos labores, concretizando uma existência exitosa, toda dedicada à vivência e exemplificação do quanto pode realizar, superando as dificuldades naturais da vida terrena, aquele que se escuda no conhecimento espírita e se orienta pelos valores do evangelho.
Que Deus o abençoe e proteja sempre!


Palestra pública por Divaldo Pereira Franco no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, RS, no dia 22 de setembro de 1956.
Postado por Gislaine às 02:53 0 comentários
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
JESUS-NATAL
Editorial da
Revista Internacional de Espiritismo
Matão, SP, Dezembro 2011


Site de O Clarim: www.oclarim.com.br

Adoração dos pastores por Caravaggio
Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Caravaggio_-_Adorazione_dei_pastori.jpg

Apresentação de Jesus ao Templo. Bellini
Imagem: http://it.wikipedia.org/wiki/File:Bellini_maria1.jpg

Jesus na casa de seus pais. John Everett Millais, 1850
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sir_John_Everett_Millais_002.jpg

Jesus no Sermão da Montanha. Pintura de Carl Heinrich Bloch, 1890.
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bloch-SermonOnTheMount.jpg

Mar da Galiléia em Cafarnaum. Foto Ismael Gobbo
Postado por Gislaine às 12:38 0 comentários
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
PÁ PARA VOCÊ

Richard Simonetti
Observando pessoas no Centro Espírita, a procura de lenitivo para seus males, Chico comentava:
– Muitos desses nossos irmãos não precisam de tanto passe. Precisam mesmo de uma pá.
Traduzindo: precisam de serviço, algo para ocupar o tempo de forma produtiva.
Há algumas observações interessantes sobre a ociosidade:
A ociosidade é como a ferrugem, gasta mais do que o trabalho: – a chave de que nos servimos está sempre limpa.
Benjamin Franklin
Um ocioso é um relógio sem os dois ponteiros, inútil quando anda e quando parado.
Cowper
O homem ocioso é como água estagnada – corrompe-se.
Latena
A ociosidade é o anzol do demônio.
Tomás de Aquino
Um homem perfeitamente ocioso é um pecado ambulante.
Colecchi
Há um consenso, como vemos, em torno da necessidade de nos mantermos ativos, superando a tendência à indolência que caracteriza o ser humano.
Note, amigo leitor, que essa maneira de ser é tão arraigada no espírito humano que os teólogos da Idade Média consideravam o Céu um local de beatitude, onde as almas se desvaneceriam na contemplação do Criador, em absoluto repouso.
Daí falar-se diante da morte de pessoas que enfrentaram atribulações ou tiveram doença de longo curso.
– Finalmente descansou!
Ah! Esse terrível Céu de beatitude vazia, de descanso sem remissão, de ociosidade perene, de monótonos arpejos!…
Está muito mais para inferno!
***
Bem, amigo leitor, se você está consciente de que deve manter-se ativo, evitando a ociosidade, deve conhecer o que nos diz Sócrates:
Não é ocioso apenas o que nada faz, mas é ocioso quem poderia empregar melhor o seu tempo.
Exemplo ilustrativo: o lazer ocioso.
Multidões elegem o fim de semana para viajar, ir à praia, ao cinema, ao shopping; ao futebol...
Nada disso é mau em princípio – um espairecimento, diria o leitor, indispensável ao nosso bem-estar.
Concordo com você.
Mas, se reconhecermos que não estamos em estação de férias na Terra, e sim para evoluir, tudo o que não represente empenho de aprendizado e exercício do Bem, com exceção das atividades relacionadas com a subsistência, será, em última instância, mera perda de tempo.
E, não raro, ensejo à perturbação. Comprometimentos morais, desvios de comportamento, vícios, adultério chegam sempre pela porta do lazer ocioso.
***
Quando Chico lembra a pá, não se refere apenas ao trabalho pela subsistência, envolvendo profissão, cuidados do lar…
Há que se considerar esforço do Bem, substituindo lazeres no mínimo inconseqüentes por iniciativas que nos enriqueçam espiritualmente, valorizando o tempo que Deus nos concede para as experiências humanas.
Há lazeres maravilhosos: visitar enfermos no hospital, preparar refeições para famílias carentes, distribuir cestas básicas, ler livros de caráter edificante, participar de seminários e conferências…
São lazeres que nos colocam em sintonia com as Fontes da Vida.
Sustentam o bom ânimo, alegram o coração e enriquecem a alma.
Por isso, se nas nossas saudações aos confrades desejamos–lhes paz, seria interessante, em favor deles, eliminar a letra z.
Assim, amigo leitor, concluo, dizendo-lhe, à maneira de Chico:
Pá pra você!

Chico Xavier em 1939
Foto do arquivo de Geraldo Leão, Pedro Leopoldo, MG
Postado por Gislaine às 10:50 0 comentários
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
ADEMIR RETORNA PARA A PÁTRIA ESPIRITUAL. BARRETOS, SP
Texto de Orson Peter Carrara

Na foto de 19/11/2011, o presidente da Federação Espírita do Paraguai,
Divaldo Pereira Franco, Ademir Paulo Dias - diretor do DOD da USE Barretos e sua esposa Inês
Nosso querido ADEMIR PAULO DIAS, ou simplesmente Ademir, da USE BARRETOS, retornou na madrugada desta terça-feira. Enfermo e cuidando da saúde com dedicação, costumava dizer que ele estava com o corpo doente, mas ele não era doente.
Quem não o conhecia? Seu dinamismo e intenso trabalho pelo movimento espírita foram as marcas de sua presença entre nós.
Durante o período da enfermidade e tratamento, Ademir demonstrou toda sua força e coragem, ignorando ameaças físicas e entregando-se ao trabalho com muita confiança e determinação. É o exemplo que fica,
do trabalhador que não se intimida e reconhece a importância de prosseguir.
Partindo quase em seguida a outro grande exemplo de trabalhador espírita na cidade, nosso valoroso Milton Ferreira, ambos formaram nomes de referência no movimento espírita de Barretos.
A gratidão da região e de todos nós que o conhecemos, falam bem dos laços que despertou nos vínculos saudáveis que construiu ao logo do tempo, assim como nosso valoroso Milton.
A partida, apesar da enfermidade, causa surpresa. Acostumamo-nos todos com a presença dos amigos nos contatos telefônicos, virtuais ou nos encontros físicos reais. Ele próprio esteve na recente reunião da
USE no último domingo, com sua costumeira dinâmica atuação.
Deixa saudades e reconhecimento, mas especialmente exemplo de trabalho assíduo e consistente.
Obrigado Ademir!
Deus sempre com todos nós!!
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RESPINGOS HISTÓRICOS

A história da Palestina é, antes de tudo, a história de um povo sofredor em luta angustiante pela sobrevivência e a paz.
Escravo por longos séculos de egípcios, babilônios e outros povos, mais de uma vez, após esforços ingentes e sanguinolentos, conseguiu a reorganização comunitária em regime teocrático, experimentando quase sempre aflições inomináveis para perder a liberdade logo depois.
Fazendo da defesa da fé espiritual a sua política e da religião o alicerce da vida nacional, viveu sempre em comunidade fechada sob a inspiração do monoteísmo, qual ilha num convulso oceano politeísta.
Aproximadamente no ano 143 a.C., experimentando o jugo do império selêucida (1), que se encontrava, então, em lutas desenfreadas com partos, romanos, egípcios e outros povos. Simão Macabeu libertou a Judéia, fazendo-se eleger, de imediato, em assembléia popular, general e Sumo-Sacerdote, função esta que ficaria retida por hereditariedade na sua família: os asmoneus. (2)
Mais tarde, em 78 a.C., foram conquistadas e adicionadas à Judéia, a Samaria, a Galiléia, a Iduméia, a Transjordânia e outras terras, recuperando a Palestina os seus primitivos limites.
À medida, porém, que aumentavam as dimensões territoriais, diminuía o fervor religioso, enquanto o progresso grego era absorvido pela Casa Asmoniana que, então, passou a sofrer a mais severa restrição e desprezo da classe dos fariseus.
Em 63 a.C., como Pompeu se encontrasse com as legiões no Oriente, vitoriosamente às portas de Damasco, foi convidado pelos Israelitas para um arbitramento entre Hircano II e Aristóbulo II, (3) que disputavam a coroa. O arbitramento foi favorável a Hircano II. Esse fato deu origem à célebre campanha do apaixonado triúnviro contra Aristóbulo II que, inconformado com o resultado do arbitramento, o enfrentou. Perdendo a batalha na Cidade Baixa, refugiou-se o rebelde no Templo, na parte Alta de Jerusalém onde, 3 meses depois, foi vencido.
A vitória de Pompeu custou 12.000 judeus sacrificados e todas as terras dos macabeus, que passaram a pertencer ao Império Romano.
Depois da morte de Crasso, que saqueara a cidade em 54 a.C., novo levante foi afogado em sangue por Longino, que lhe sucedeu no governo da Síria, deportando cerca de 30.000 judeus, que ficaram reduzidos a hilotas (43 a.C). Com a morte de Antipáter, os partos vitoriosos invadiram Jerusalém e fizeram seu títere a Antígono, o último dos macabeus.
Ao mesmo tempo, em Roma, o 2º. Triunvirato se estabelecia, e Marco Antonio e Otávio, tendo nas mãos os destinos do Império, nomearam Herodes, filho de Antipáter, para cingir, então, a coroa de Davi (40 a.C.).
Herodes, com mão de ferro, expulsou os partos, aprisionou Antígono e o entregou a Antônio para ser executado. Logo depois, para fazer-se temido e respeitado, mandou matar todos os judeus que haviam apoiado os invasores.
O esplendor helenista atingiu, em Israel, o período áureo, com Herodes.
Surgiram cidades deslumbrantes; a escultura encontrou guarida em toda parte; Jerusalém se enriqueceu de monumentos e edifícios pomposos; foram erguidos teatros e circo. Introduziram-se as competições de atletismo, os concursos musicais e as lutas de gladiadores.
Em Cesaréia foi construído um porto de mar e valiosas doações foram feitas a Biblo, Rodes, Esparta, Atenas...
Considerando o Templo de Jerusalém construído por Zerubabel, sem o esplendor digno de Israel, mandou Herodes derrubá-lo e no seu lugar fez erguer outro maior e mais imponente.
Dissoluto e ambicioso quanto inclemente, mandou matar quantos projetavam sua sombra sobre a coroa, não poupando a Aristóbulo (acidentalmente morto num banho, e herdeiro legal do trono), nem Mariamne, sua segunda esposa e neta de Hircano II, irmã, portanto, de Aristóbulo. Alguns dos próprios filhos, como Alexandre, pereceram nas mãos dos seus sicários, sendo que a Antipáter, considerado suspeito de conspiração, mandou prender indefinidamente.
Afogou em sangue quantas conspirações foram ensaiadas e o cerco de espiões se fez tão severo que, certo dia, disfarçado, no meio do povo, teria inquirido a um homem sobre o que pensava de Herodes, ao que este respondera: - “Em Jerusalém até os corvos são da polícia”.
II
No ano 4 da nossa era, vitimado por hidropisia, febres e úlcera, desencarnou Herodes, ficando a Casa de Israel, por testamento, dividida entre os 3 filhos: Herodes-Filipe II, Herodes-Ântipas e Arquelau.
Antes mesmo que se consumassem as exéquias fúnebres, no Herodium, já Arquelau, moço ambicioso, com 18 anos apenas, subjugava uma sedição, procurando, logo depois, em Roma, o apoio de Augusto, para um governo soberano.
Ântipas, após algumas providências, igualmente viajou à Itália.
Herodes-Filipe II demandou a região norte e ali se estabeleceu com segurança.
Roma, como sempre, através do Imperador, escolheu a melhor política de que se utilizava entre os povos conquistados: as próprias disputas e lutas intestinas que os enfraqueciam. Arquelau foi feito Etnarca da Judéia, Herodes-Ântipas e Herodes-Filipe II, Tetrarcas, cabendo ao primeiro as cidades da Gaulanítida, Traconítida, Batanéia e Panéias, e, ao segundo, a Galiléia, a Peréia, onde ficavam as cidades de Nazaré, Esdrela...
Herodes-Filipe I, o primogênito, neto do Sumo-Sacerdote pelo lado materno, fora radical e definitivamente deserdado. Tentou conseguir a “Mitra branca” e o “peitoral sagrado”, demorando-se, no entanto, como simples sacerdote, enquanto a função ficou retida entre os seus tios-avós.
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O lago de Genesaré era nomeado pelos rabinos como o lugar que “Elohim reservou para a sua exclusiva satisfação”, graças aos encantos de suas margens e às aragens frescas que espalhava. Era natural, pois, que os dois Tetrarcas aí disputassem a primazia para a cidade-capital dos seus domínios. Mais poderoso em armas e dinheiro do que o seu irmão, Ântipas ai mandou levantar a célebre Tiberíades, em homenagem ao Imperador, num sítio onde existira anteriormente um cemitério, o que granjeou dos judeus a animosidade, que a tachavam de “impura”.
Filipe transformou, da mesma forma, a antiga Pânias, aformoseando-a e enriquecendo-a, e denominou-a de “Cesaréia de Filipe”, situada na foz do Jordão com o lago, quase debruçada sobre as águas.
Em Roma, depois de entrevistar-se com o Imperador, Arquelau conseguiu a Samaria, a Iduméia e a Judéia, tendo Jerusalém como capital dos seus domínios, ficando melhormente aquinhoado. Como semelhasse ao genitor em crueldade e astúcia, aumentou os impostos, reconstruiu cidades com o suor e as lágrimas dos súditos. Não atendendo às reiteradas solicitações do povo para que diminuísse a opressão, arrebentou uma insurreição que foi afogada em sangue, crescendo o movimento interno, que passou a objetivar a dominação romana. Notificado o Imperador por uma comissão de judeus prestigiosos, em Roma, da situação calamitosa, em Jerusalém, caiu Arquelau em desgraça, sendo deposto por Augusto, que o obrigou a transferir residência para as Gálias (em Viena) sem ordem de afastar-se dali (ano 6 da nossa era).
Para Jerusalém, foi nomeado, então, um procurador romano.
Como, porém, continuasse a rebelião, os romanos agiram com impiedade, mandando crucificar 2.000 judeus, como coroamento das vitórias alcançadas.
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Jesus viveu a sua infância como súdito de Herodes-Ântipas.
Ao inicio do seu ministério público, a Palestina se encontrava sob a fiscalização da Síria, cujo legado era Pompônio Flaco e o procurador da Judéia era Pôncio Pilatos, o quinto na série de sucessão.
Do seu palácio em Cesaréia Marítima, o procurador tudo dominava desde “Don a Bethsabé”. (4)
Sob a opressão, Israel apresentava três classes sociais distintas, que se diferenciavam social, política e religiosamente, admitindo diversas seitas outras, entre as quais distinguiu-se pela austeridade dos costumes dos seus membros, cordura e fraternidade, a dos essênios, que tinha por norma o preceito: “o que é meu é teu”.
Governado pelo Conselho de Anciãos que, constituído por 72 membros, entre os quais o Sumo-Sacerdote, legislava sobre a vida e a morte dos súditos.
Os saduceus (zadokim – nome derivado de Zadok, seu líder e fundador da classe), constituíam a aristocracia feudal, encarregada dos ministérios religiosos, e zelosos observadores da aplicação rigorosa dos códigos da Torah ou Lei,. Invariavelmente ricos, fruíam de consideração e destaque.
Os fariseus (perushim- separados) eram considerados independentes economicamente, constituindo a classe média; criam-se mais “judeus que os judeus”, sendo os continuadores da severa exigência ortodoxa, na prática religiosa, inicialmente instituída pelos macabeus.
O povo, (Am Há-aretz – “pessoas da terra”) resultado da fusão entre mendigos, tecelões, trabalhadores braçais, artesãos de todas as procedências e pequenos agricultores, reduzidos à extrema miséria pelos impostos exagerados, constituía o denominado “proletariado” (Como em Roma eram chamados os proletários). Este, o povo, era odiado pelas outras classes, sendo que o Am Ha-aretz, detestado, era mesmo perseguido e desdenhado.
Sem qualquer direito, estigmatizado pelo ódio generalizado, os Am Ha-aretz que enchiam os campos e as cidades (Jerusalém rivalizava com Roma, no que diz respeito aos sem trabalho, com a agravante de que em Roma estes recebiam o pão e circo propiciados pelo Imperador, que assim os entretinha e alimentava), se uniram num partido: o dos fanáticos, que mais tarde se dividiu em zelotes e sicários que, insurretos perseguiam os próprios judeus simpatizantes dos romanos, aos quais apunhalavam, ás vezes, na praça pública. Espalhando o terror, conclamavam à rebelião, destruindo, em conseqüência, aldeias e povoados que se negavam segui-los.
Os fariseus, por comodidade, procuravam unir-se aparentemente aos romanos, embora os detestassem, e, por sua vez, fossem detestados.
Roma, através dos seus diversos procuradores, insistia em colocar no Templo de Jerusalém os símbolos do seu poder: a águia dominadora ou a estátua do Imperador, motivando reações sangrentas.
Nesse ínterim, as lutas perderam a aparência política e assumiram caráter religioso, quando Teudas, um misto de Messias e libertador, conduziu o povo ao Jordão e procurou repetir a façanha de Moisés, no Mar Vermelho, gerando uma chacina violenta por parte dos opressores que, inclusive, mataram o pseudo Messias...
Em 66 d.C., irrompeu nova onde de libertação, com poucos resultados, para os judeus. Novamente batidos e derrotados, a paz foi comprada pelo rabino fariseu Jochanan ben Sakkai, ensejando a muitos ricos a salvação. Os pequenos comerciantes, artesãos e “homens da Terra”, porém, inconformados, refugiaram-se no palácio real, que foi saqueado, e lutaram até a destruição total do Templo, em 70, quando Tito mandou matar mais de 600.000 rebeldes em toda a Palestina.
Pelos fins de 132 da nossa era, sob o comando de Simeão Bar Cocheba, que se dizia o Redentor, os judeus tentaram novo levante e foram definitivamente destruídos, morrendo Cocheba, em Bithar. Os romanos mataram mais de 500.000 judeus, destruindo mais de 900 aldeias, descendo o “preço de um israelita, como escravo, a menos do valor de um cavalo”.
Adriano, em todo o Império , proibiu qualquer ato religioso ou civil judeu, e o “povo eleito” sofreu a dispersão dolorosa, passando séculos sem poder recuperar-se do desastre de Bar Cocheba.
Nos sítios de Jerusalém, foi levantada a cidade pagã de Aélia Capitolina, onde predominavam os hábitos e costumes romanos...
Jamais um povo sofreu tão longo e cruel exílio!
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Nesse clima de ódios de toda a espécie, entre os sofrimentos mais diversos, Jesus disseminou o amor, a liberdade, a paz, conclamando ao Reino de Deus e pregando a “não-violência” até o próprio sacrifício. Sintetizando os objetivos da vida no “amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, fez esse legado de amor, em torrentes luminosas e soberanas.
(1) A dinastia dos Selêucidas foi fundada por Seleuco I, na Pérsia, em 312 a.C. Por volta do ano 200 a.C., os selêucidas conquistaram a Síria e os povos circunjacentes quando, então, a Palestina lhe caiu sob o domínio. (Nota da Autora Espiritual)
(2) Esse período foi denominado de 2ª. República Judaica que abrange de 142 a.C. a 70 da nossa era.
(3) Filhos de Salomé Alexandra, que restabeleceu a paz com os fariseus. Mesmo antes da sua morte, seus filhos Hircano II e Aristóbulo II se puseram em renhidas disputas pela sucessão. (Nota da Autora Espiritual)
(4) Para governar esse povo de 2.000.000 de habitantes à época (calculava-se que em Jerusalém viviam 100.000 judeus), Roma mantinha 3.000 homens divididos em 3 coortes de infantaria, 1 ala de cavalaria e auxiliares diversos recrutados entre sírios, samaritanos, gregos e árabes. (Nota da Autora Espiritual)

Muro Ocidental ou Muro das Lamentações, a única parede que restou do Templo de Jerusalém.
Principal local de peregrinação dos judeus. Foto Ismael Gobbo

Domo da Rocha ou Mesquita de Omar, que fica no quarteirão Muçulmano na Cidade Velha de Jerusalém. No local estava fincado o Templo de Jerusalém. Foto Ismael Gobbo

Cascata de En Gedi, nas proximidades do Mar Morto, um oásis em pleno Deserto da Judéia. O Velho Testamento registra que aqui Davi se escondeu de Saul. Foto Ismael Gobbo

Cabeça em mármore do Imperador romano César Augusto. Durante seu reinado nasceu Jesus. Originária de Antióquia da Psídia a peça está exposta no Museu Arqueológico de Istambul. Foto Ismael Gobbo

Cabeça em mármore do Imperador romano Tibério que governava quando Jesus foi crucificado. Peça originária de Pérgamo se encontra no Museu Arqueológico de Istambul. Foto Ismael Gobbo

Ruínas do Palácio de Herodes chamado “Herodium” no topo de um monte (758 m acima do nível do mar), distante 12 kms de Jerusalém. Foto Ismael Gobbo

Jerusalém vista do Monte das Oliveiras. Foto Ismael Gobbo

Lago de Tiberíades, também conhecido como Mar da Galiléia, Israel. Foto Ismael Gobbo
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