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domingo, 28 de outubro de 2012

O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XVII – Os tesouros de Tutancâmon




  Os antecedentes biográficos do faraó Tutancâmon eram bem menos conhecidos até novembro de 1922, quando o arqueólogo inglês Howard Carter, que a tempo vinha escavando no Vale dos Reis, acabou por topar com sua tumba, praticamente intacta, junto à de Ramsés VI. O fabuloso tesouro do faraó, o único que passou praticamente ileso da  ação dos saqueadores da necrópole tebana, lançou novas luzes sobre sua breve existência de dezoito anos e seu reinado igualmente célere que não ultrapassou a nove.
     A história de sua sepultura é por demais fascinante, foi objeto de muitas obras especializadas e impossível seria, em poucas linhas, fazer uma descrição completa das emoções vividas por Carter em tão emocionante e bem sucedida empreitada. De qualquer forma, ainda que o sumário seja incompleto, serve de incentivo aos interessados a buscaram, nas obras que se ocupam dessa bela façanha, os lances que acabaram por trazer a lume o livro da vida do faraó menino, cuja fama, a partir da descoberta, pode ser medida pelos milhares de turistas que têm, no seu acervo, um dos  fortes motivos para visitar o Egito.

A descoberta
     Carter, que trabalhava para Lord Carnavon, vinha escavando há tempos no Vale dos Reis, onde já descobrira várias tumbas reais. Embora importantes, sobretudo pelas informações, todas haviam sido esvaziadas e em seus interiores só permaneceram objetos pelos quais os ladrões não se interessaram.
     O célebre arqueólogo, pelo seu conhecimento e até por intuição, era impelido a prosseguir na luta em busca de descoberta mais expressiva que lhe propiciasse, inclusive, continuar recebendo apoio financeiro de Carnavon.
     As sepulturas dos soberanos do Novo Império não haviam todas sido encontradas, e a de Tutancâmon, provavelmente, era uma das que figuravam na mente de Carter.
    A disposição dos escombros aos pés da sepultura de Ramsés VI intrigava Carter que ali encontrava uma pista para investigar.
     Em 28 de outubro de 1922, retornou a Luxor, após uma interrupção nas escavações durante o verão sufocante.
     Em 1º. de novembro, contrata trabalhadores e reinicia as escavações próximas á tumba de Ramsés VI.
     Em 4 de novembro, os operários encontram, um metro abaixo da entrada da tumba de Ramsés VI, uma espécie de escada de ingresso em sentido descendente.
     No dia 5 de novembro, Carter se convence de que estava na parte superior de uma escada. Escavando ininterruptamente, colocaram-na a descoberto e logo ficaram diante de uma porta selada com argamassa contendo as insígnias identificadoras de uma necrópole real “o Chacal e os nove prisioneiros”.

A entrada solene
     A 26 de novembro aparece uma segunda porta, igualmente selada e contendo os selos de Tutancâmon e da necrópole real.  É o próprio Carter quem  relata suas emoções: “Ante esta descoberta, estávamos tomados de um profundo respeito. Descobrimos a escada que descia, penetramos na ante-câmara e contemplamos, pela primeira vez, o esplendor subterrâneo do tempo da dominação mundial do Egito, 14 séculos antes de Cristo. Os tesouros resplandecentes assemelhavam-se aos mais suntuosos acessórios de um teatro moderno – uma realidade de tempos passados que prosseguia viva. É certo que suspeitávamos que a tumba de Tutancâmon se encontrava no Vale de Tebas. Porém, encontrá-la íntegra era algo que superava qualquer esperança”.
     Howard Carter teve como primeiras providências catalogar e recolher todo o conteúdo da antecâmara – centenas de objetos perigosamente próximos uns dos outros, tarefa estafante que se desenvolvia vagarosa e com extremos cuidados. Só depois do transporte de todo o material da antecâmara, agora vazia, é que se preparou para romper o selo da porta que adentrava a câmara do tesouro secreto.

Os sarcófagos
     São ainda de Carter as citações: “É bem verdade que pressentíamos o que poderia encontrar-se atrás da porta protegida por impressionantes guardiães vestidos de negro e dourado e armados com clava e bastão. Porém, o espetáculo deslumbrador como o que se nos apresentou aos olhos, quando a porta foi caindo pedra a pedra, era algo que não havíamos esperado. Com grande surpresa, o que primeiro vimos foi uma parede que parecia ser de ouro, cuja percepção não nos era clara até que a abertura se alargou. Só então compreendemos que o que impedia nossa visão era um imenso sarcófago de ouro e que realmente nos encontrávamos à entrada da câmara dos ataúdes do rei. É quase impossível descrever a emoção que de nós se apoderou, quando nossa poderosa luz elétrica iluminou, pela primeira vez, aquele aposento. Nossa luz iluminou as paredes com suas pinturas e imagens do reino dos mortos, a representação do féretro sobre um tríneo puxado por nobres do país, bem como ao Rei Ege, diante de Tutancâmon, convertido em Osíris e resplandeceu o sarcófago dourado adornado com incrustações de azul claro e brilhantes. O sarcófago tomava quase toda a câmara; entre ele e as paredes restava só um espaço de meio metro, e seu grande teto quase chegava ao teto do aposento. Recolhida a imensidão de objetos que estavam disseminados ao redor do sarcófago, era necessário desmontá-lo juntamente com os outros que se encontravam dentro dele, dentre os quais o mais interior, que albergava o sarcófago amarelo de cuarcita”.

Diante do faraó
     Assim prossegue Carter:
     “Quando a tampa do maravilhoso sarcófago de pedra se foi, levantando-se pouco a pouco, o magnífico ataúde exterior de madeira restou livre e nos vimos submergidos por completo sob o embevecimento e a emoção de um instante semelhante”.
      Todavia a impressão de Carter em relação à múmia real foi de desilusão: “Pensava que, como outras expostas no Museu do Cairo, todas vitimas de saques e em bom estado, a de Tutancâmon pudesse estar integra em seu maravilhoso e rico ataúde. Ao menos o bom estado exterior do ataúde fazia supor isso. Na realidade, o interior apresentava outra realidade”. A múmia do rei estava em estado lamentável, diz Carter. “Tudo evidenciava que o seu embalsamamento havia sido levado a cabo com extremo cuidado e havia sido envolto em uma grande quantidade de faixas de tecido muito fino. Quanto aos amuletos e jóias simbólicas, não havia restado nada, embora seu ataúde resplandecesse em ouro puro. Sem dúvida, as cerimônias rituais praticada durante o enterro foram fatais para sua conservação. Tanto a múmia como o ataúde de ouro não haviam resistido às grandes quantidades de ungüentos e azeites usados para o embalsamamento, compostos de graxa liquida, resina e, possivelmente, também alcatrão vegetal. Os restos desses ungüentos haviam se aglutinado em uma massa negra e betuminosa, que atingira tanto a múmia como a sua máscara no fundo do ataúde. Apesar de todos os esforços, não conseguimos separá-los, motivo pelo qual tivemos que estudá-los ali mesmo”.

No Museu do Cairo
     O tesouro de Tutancâmon é, sem dúvida, a maior atração do Museu do Cairo. Os imensos sarcófagos estão ali expostos. Destacam-se a máscara funerária em ouro e lápis-lazuli; o trono em cujo espaldar está o rei e a esposa Ankhesenpaaten, filha de Aquenáton, recebendo os raios do sol; o ataúde de ouro e o segundo ataúde, representando o deus Osíris; o sarcófago em ouro para os Canopos; a estátua de madeira dourada, em tamanho natural de Tutancâmon; o sarcófago de Anúbis com símbolos; o leito funerário em forma de vaca Hathor; as estátuas de ouro do rei com as coroas do Alto e Baixo Egito; uma grande quantidade de objetos em alabastro, jóias em ouro e pedras preciosas.
     A múmia de Tutancâmon, após os estudos, foi envolta e levada em um dos sarcófagos para a sua tumba do Vale dos Reis, onde até hoje permanece exposto à visitação. 

Próximo artigo: Os templos
File:Valley of the Kings panorama.jpg
Panorâmica do Vale dos Reis em Tebas, atual Luxor.
File:The Moment Carter Opens the Tomb.JPG
Howard Carter, agachado, um trabalhador egípcio e Arthur Callender
durante a abertura da tumba de Tutancâmon.



Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Trono de madeira revestido em ouro e outros materiais preciosos
pertencente ao faraó Tutancâmon. Exposto no Museu do Cairo, 
Egito. Foto Ismael Gobbo
Máscara mortuária do faraó Tutancâmon executada em  ouro maciço  
e  outros materiais preciosos como lápis-lazúli, Cornalina, Quartzo,
Obsidiana, Turquesa e vidro. Peso: 11 Kg
Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Um dos sarcófagos de Tutancâmon, o mais interno,  em formato de múmia exposto no Museu do Cairo. Executado em ouro pesa 110,4 kg. Foto Ismael Gobbo 
Vaso de Alabastro para perfume encontrado na tumba do faraó Tutancâmon
simbolizando a união do Baixo e Alto Egito.
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/KV62 acessada em 19/9/2012
File:Egypt.KV62.01.jpg
Pintura mural na sepultura do Faraó Tutancâmon no Vale dos Reis.O sarcófago de pedra permanece na sepultura. O tesouro ali encontrado por Howard Carter em 1922
está exposto no Museu do Cairo, Egito. Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Egypt.KV62.01.jpg
Jóia do faraó Tutancâmon com Escaravelho  e disco solar
File:Tutankhamun at Luxor temple.jpg
Estátua do jovem faraó Tutancâmon e sua consorte  no Templo de Luxor
File:Anuk.PNG
Tutancâmon recebendo flores da esposa. Cena na tampa de  uma caixa
encontrada na tumba de Tutancâmon..




NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 27-10-2012

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Pela preservação da boa prática do Espiritismo


Ismael Gobbo
Araçatuba, SP

Quando se fala em respeitar as crenças e as diversas orientações doutrinárias existentes, por sinal inumeráveis,  o Espiritismo pode ser inscrito como um dos  mais, ou possivelmente o mais incisivo nesse particular.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no seu capitulo XXVIII, item 1, FEB, encontramos precisa orientação a esse respeito: “O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não de lábios somente. Nenhuma impõe, nem reprova nenhuma. Deus, segundo ele, é sumamente grande para repelir a voz que suplica ou lhe entoa louvores, porque o faz de um modo e não de outro. Quem quer que lance anátema às preces que não estejam no seu formulário provará que desconhece a grandeza de Deus. Crer que Deus se atenha a uma fórmula é emprestar-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade”.
Não temos a menor dúvida que esse respeito às convicções de outrem, aliado ao labor incansável dos trabalhadores espíritas no permanente movimento de espiritualização da humanidade,  liderado por Jesus, ensejou ao Espiritismo granjear a simpatia, o respeito e admiração de outros segmentos religiosos, da sociedade em geral, da mídia e até de órgãos de governo.
Todavia, temos que convir que respeitar as convicções alheias não significa agir no sentido de incorporar práticas inerentes àqueles cultos ou mesmo técnicas que mais dizem respeito a profissões e profissionais especializados,  no rol das atividades cotidianas do  Centro Espírita. Mas, infelizmente,  é isto que estamos presenciando de forma avassaladora no meio espirita.
Casas espíritas tradicionais, dirigentes espíritas de reconhecido valor, expositores e oradores de grandes recursos,  vários escritores, parecem querer entronizar algumas dessas muitas práticas no seio do movimento espirita como se elas fossem imprescindíveis ao trabalhoque a Casa Espírita sempre desenvolveu de forma tranqüila, sem excentricidades e com absoluta segurança  sob orientação dos postulados da codificação assinada por  Allan Kardec. 
No modesto e despretensioso trabalho de divulgação que desenvolvemos diariamente,   temos enxergado essas distorções com muita clareza. Podemos relacionar desde  alguns livros com títulos chamativos, completamente fora do contexto e do bom senso espírita, cartazes com dizeres e imagens estranhas e atividades que envolvem de forma direta e quase exclusiva,  Apometria, Cromoterapia, Ufologia, Cursos de Magnetismo, TVP, Regressão de Memória, Musicoterapia, hidroterapia,  mediunidades de cura, de pintura, dentre outras.
Será que isto está correto? 
Além dessas práticas que parecem ganhar mais espaço que o estudo,  livros de baixíssimo nível, alguns com posicionamentos chocantes e absolutamente contrários aos princípios espíritas, são editados, divulgados e vendidos como  se espíritas fossem. E em livrarias de Centros Espíritas, de Clubes do Livro Espírita e Feiras de Livro Espírita.
Quem pode criticar as seitas e as práticas que arrolamos? Na nossa maneira de entender, ninguém. Mas, podemos,  em sã consciência,  admitir que essas práticas  adentrem  as casas espíritas sem a menor cerimônia e se tornem corriqueiras e até principais, fugindo a tudo aquilo que aprendemos com Kardec e nos ditados da espiritualidade superior?  Será que estamos honrando o compromisso que assumimos de preservar a pureza doutrinária no seu mais elevado sentido? Ou estamos querendo fazer um Espiritismo à moda da casa onde tudo vale, priorizando o fim sem a menor  preocupação com o meio, agradando todo mundo e fazendo de conta que tudo caminha às mil maravilhas?  
Tem cabimento aqueles que gostam das práticas da  Umbanda buscarem inserir as  práticas usuais da Umbanda no seio da  casa espírita?   Ou alguém que por ter feito cursos de Apometria, Cromoterapia, TVP, Magnetismo, etc, buscarem implantar aquilo que viram ou aprenderam no centro espirita que freqüentam e vendendo a idéia de que se trata de modernização, inovação ou renovação?
Que dizer de casas espíritas que começam a aplicar passes com os pés descalços, substituir a mesa habitual pelos colchões “tatami” e gastar mais tempo com algumas das práticas que acima arrolamos, do que com o efetivo e sistemático estudo do Espiritismo?
Será que o Espiritismo depois de mais de 150 anos de sucesso absoluto no seu esplendoroso trabalho em prol do movimento de espiritualização está precisando dessas  reformas e desses reformadores?  
Ou será que estamos enxergando a  Doutrina Espírita crescer cada vez mais, avançando para frente, sendo exaltada e respeitada pelo mundo todo e vendo um movimento espirita que caminha exatamente na contramão?
Onde está o senso critico que todo espirita deve buscar por inspiração no maior e melhor guia que Deus nos ofereceu, Jesus, e em Allan Kardec o grande codificador da doutrina do bom senso?
Acredito que seja uma boa e oportuna pergunta para buscarmos responder.

**********
Obras Póstumas, Allan Kardec, FEB,
Dos Cismas:

 “Uma questão que desde logo se apresenta é a dos cismas que poderão nascer no seio da Doutrina. Estará preservado deles o Espiritismo?
Não, certamente, porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as idéias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as idéias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer; dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam ou agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária.
Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais se tem de contar sempre, pode todavia neutralizar-lhes as conseqüências e isto é o essencial.
É de notar-se que os vários sistemas divergentes, surgidos na origem do Espiritismo, sobre a maneira de explicarem-se os fatos, foram desaparecendo à medida que a Doutrina se completou por meio da observação e de uma teoria racional. Hoje, raros partidários ainda contam esses primitivos sistemas. É este um fato notório, do qual se pode concluir que as últimas divergências se apagarão com a elucidação integral de todas as partes da Doutrina. Mas, haverá sempre os dissidentes, de ânimo prevenido e interessados, por um motivo ou outro, a constituir bando à parte. Contra a pretensão desses é que cumpre se premunam os demais”.
Jesus
Quadro da artista Maria Tereza Braga
Allan Kardec


sábado, 27 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 26-10-2012

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2012/OUTUBRO/26-10-2012.htm

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 25-10-2012

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2012/OUTUBRO/25-10-2012.htm

O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XVI– As Piramides



As Pirâmides do conjunto de Gizé são os maiores edifícios funerários construídos pelo homem. A maior delas, que ficou conhecida como “Grande Pirâmide”, foi inscrita como uma das “Sete Maravilhas do Mundo” e é a única que sobrevive daquela relação.
     O costume egípcio de construir pirâmides encimando sepulturas remonta aos primórdios da III dinastia, quando teve inicio o chamado período menfita. Atribui-se a Imhotepe, arquiteto do rei Djoser, faraó de 2.667 à 2.648 a.C, a construção do primeiro grande exemplar  -  a “pirâmide dos degraus” em Sacará.
     Os especialistas vêem nas variantes arquitetônicas das pirâmides uma evolução que, partindo das primeiras em forma de degraus, culminam com as “verdadeiras pirâmides”, de base quadrada, quatro triângulos e as faces lisas.
     Assim sendo, a obra de Djoser nada mais seria que uma superposição de seis Mastabas (túmulos quadrados com as paredes ligeiramente inclinadas) que propiciaram a superestrutura de sessenta metros de altura.
     Em passo seguinte, surgiram os dois primeiros exemplares próximos da configuração de verdadeiras pirâmides, edificados por Snefru, pais de Quéops, que governou de 2.613 a 2.589 a.C. Uma delas, a do Sul, ficou conhecida como “pirâmide romboidal”, em face da diferença de ângulos entre a base e a parte superior. A outra, ao Norte, denominada de “pirâmide vermelha”, foi progressivamente complementada com ângulo de 43º. e 22’.
     A partir desses remotos tempos de Snefru começa a pratica de atribuir nomes às pirâmides: a romboidal ficou conhecida como “Snefru do Sul aparece em glória”, e a outra, mais regular, intitulada “Snefru aparece em glória”.
     Contudo foi Quéops, governante de 2.589 a 2.566 a.C, que teve seu nome mais intimamente ligado à construção de pirâmides, sobretudo porque a sua, a “Grande Pirâmide”, é a maior e a mais famosa de todas.
     A solidez dessas obras fez surgir no Egito o refrão: “Todo o  mundo teme o tempo, porém o tempo teme as Pirâmides” e sua grandeza foi objeto de elogios por Heródoto (séc. V a.C.), Diodoro da Sicília (Séc. I a.C.) e ensejaram a Napoleão Bonaparte, bradar inflamado à tropa: “soldados, do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam”. 

Heródoto e a grande pirâmide

     Heródoto foi um historiador de renome que deixou informações preciosas sobre as pirâmides em suas viagens ocorridas mais de dois milênios após serem edificadas.
     Apesar de em diversas passagens lançar criticas contundentes contra os egípcios, Heródoto não deixou de admirar essas grandes obras de engenharia que desafiam o tempo. Falando sobre a de Quéops, oferece-nos alguns detalhes que possibilitam entender o método construtivo das pirâmides, como nestes que reproduzimos:
     “Quéops há deixado após si uma obra colossal – sua pirâmides. Dizia-se que até o reinado de Ramsinitos, o Egito era um país muito próspero e bem governado. Quéops, que é posterior a Ramsinitos, determinou a todos os egípcios que trabalhassem para ele. Alguns tiveram a tarefa de transportar até o Nilo a pedra extraída das pedreiras dos montes da Arábia e outros deviam carregá-la em barcos para cruzar o rio desde os montes da Líbia. Havia sempre cem mil homens trabalhando, cuja troca se efetuava a cada três meses”.  “...Houve, pois, que trabalhar dez anos para terminar a estrada e construir as câmaras subterrâneas que deviam servir de tumba.  Estas se fizeram na meseta em que se alçam as pirâmides, em uma ilha criada desviando em um canal as águas do Nilo. A construção da pirâmide mesmo necessitou vinte anos de trabalho. É quadrada. Cada uma das faces mede 8 pletros (246,26 metros) e tem a mesma medida na altura. As pedras são polidas e unidas com extremo cuidado, nenhuma delas medindo menos de 30 pés (9,24 metros). Esta pirâmide foi primeiramente construída em forma de grande escada, composta pelo que alguns chamam ameia e outros chamam degrau. Depois de lhe haver dado esta primeira forma, levantaram-se as outras pedras por meio de máquinas feitas de corta-vigas.  Uma vez levantada a pedra até o primeiro degrau, colocava-se em outra máquina que ali se encontrava, com a qual se levantava até a segunda, e assim sucessivamente de degrau em degrau, pois havia tantas máquinas quantos eram os degraus. Ou, também, era a máquina, fácil de ser transportada, que se mudava de um piso a outro, após serem concluídos. Indicamos ambos procedimento, pois assim nos relataram. De tal sorte que se terminavam primeiro o cume e logo passava-se aos pisos inferiores e, por fim, acabava-se a base da pirâmide”.
     Há outras teorias que buscam explicar a maneira como os egípcios construíram as pirâmides. Uma delas, bem coerente por sinal,  é a de que teriam se valido de  rampas concebidas artificialmente  com utilização de  areia e cascalho, pelas quais faziam o arrastamento dos pesados blocos que teriam rolos sob suas bases para facilitar a tarefa.  
  
O conjunto de Gizé

     As pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, ao lado da Esfinge, localizadas em Gizé, são as mais divulgadas atrações turísticas do Egito.
     A de Quéops, maior das três, media primitivamente 146 metros de altura. Perdeu os últimos 9 metros, provavelmente pela erosão dos ventos e hoje termina em uma plataforma de 10 metros de lado. Seu revestimento externo desapareceu por completo e suas pedras, atualmente em forma de degraus, permitem serem escaladas. Em sua construção foram gastos 3.000.000 de blocos de pedra e seu volume atingia 2.550.000 metros cúbicos.
     A pirâmide de Quéfren, com 136 metros de altura, é a única que preserva parte do revestimento na sua parte mais elevada. Ainda que mais baixa que a de Quéops, a pirâmide de Quéfren parece nivelada com a  primeira, tanto por estar com sua altura integral como por ter sido construída em uma elevação do terreno.
     A de Miquerinos é a menor das três com 66 metros de altura.
     Até o ano de 1.500, a pirâmide menor conservava seu revestimento externo em granito trazido de Assuã. Atualmente só restam algumas fiadas da base. Essa pirâmide encerra em sua câmara funerária um esplêndido sarcófago de basalto ornamentado com um motivo chamado “Fachada do Palácio”, muito comum à época do Antigo Império.
     O sarcófago de Miquerinos desapareceu em um naufrágio, nas costas de Portugal, quando estava sendo transportado para a Inglaterra, porém uma urna de madeira encontra-se exposta no Museu Britânico.
     As pedras para construção das pirâmides tanto eram extraídas nas adjacências, quanto percorriam centenas de quilômetros, Nilo abaixo, como no caso dos imensos blocos de granito de Assuã.
     Heródoto assinala que a pirâmide levava informes indicativos em caracteres egípcios de quantos rabanetes, quantas cebolas e quantas cabeças de alho se gastaram para os trabalhadores. O custo atingia a soma de seis mil talentos de prata, que equivalia a 41.884 quilos de metal.
     Napoleão Bonaparte calculou que as pedras das três pirâmides seriam suficientes para construir uma muralha de 3 metros de altura por 0,30m de largura circundando toda a França.

Próximo artigo: Os tesouros de Tutancâmon

Pirâmide dos degraus em Sacará. Foto Ismael Gobbo
Ficheiro:GD-EG-Saqqara004.JPG
Pirâmide romboidal em Sacará
Ficheiro:Dahshur - Red Pyramid - Tourist policemen on camel.JPG
Pirâmide Vermelha. Dahshur
Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, em Gizé, proximidades do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Na base da pirâmide de Miquerinos  se contempla  algumas fiadas de revestimento em
blocos de granito  trazidos da região de Assuã.  Foto Ismael Gobbo
File:ISS-32 Pyramids at Giza, Egypt.jpg
As pirâmides (Quéops, Quéfren e Miquerinos), no centro da foto, vista do espaço.
A cidade do Cairo que limita-se com aquele famoso sítio arqueológico aparece logo à esquerda.
A Esfinge e  pirâmide de Quéfren, em Gizé, região do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Ficheiro:Other ramps1b.jpg
Alguns modelos de rampas que podem ter sido utilizadas na construção de pirâmides
Ficheiro:Khufu.JPG
Pequena estátua do faraó Quéops exposta no Museu do Cairo.
 cabeça da esfinge de Gizé e divulgada como sendo a representação
da cabeça do faraó  Quéfren ou de seu irmão Djedefré.
 Foto Ismael Gobbo
Miquerinos, penúltimo rei da IV dinastia e construtor da terceira pirâmide em Gizé.
Aqui aparece entre a deusa Hathor e uma deusa regional. Museu do Cairo, Egito.









Focalizando o Trabalhador Espírita (165) José Passini


José Passini

Nesta  entrevista  ouviremos o  conhecido trabalhador espírita
José Passini,  paulista  de  Nova  Itapirema,   cidade da região
de  São José do Rio Preto  e  residente  em   Juiz de Fora,  no
estado de Minas Gerais. Culto, José Passini tem  formação em
letras,  com mestrado e doutorado; conhece profundamente  o
Esperanto e Italiano, matérias que lecionou na Universidade de
Juiz de Fora, da qual foi  reitor de 1990 à  1994. É coautor do
Atlas Lingüístico de  Minas Gerais. Espírita de berço, é orador, 
dirigente, muito dedicado ao trabalho de Evangelização Infantil,
articulista de vários  órgãos da imprensa espirita e   militante no
movimento de  unificação.  Além   dessas   atividades, que  não
são poucas, a que  vem dando  mais destaque a José Passini é
a que desenvolve  analisando as  obras  que  são divulgadas   e
comercializadas como  espíritas, emitindo  pareceres   preciosos
sempre  em consonância com  o Evangelho  de Jesus e as obras
da  Codificação  Espírita,  apontando  neles  incoerências  ou 
deturpações doutrinárias.



Caro confrade José Passini, pedimos que nos faça sua auto  apresentação.

Ismael, nasci em Nova Itapirema, no estado de São Paulo, em 1926. Resido em Minas desde 1950. Sou  casado com Norma de Mendonça Passini e tenho seis filhos consanguíneos e três não-consanguineos, dez netos e uma bisneta.

Qual a sua formação acadêmica e profissional?

Sou licenciado em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Doutorado em Lingüística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De que forma conheceu o Espiritismo e desde quando o frequenta?

Minha família já era espírita desde a minha infância.

A que casa espírita está vinculado presentemente?

Grupo de Estudos Espíritas Garcia. Colaboro no Departamento de Evangelização da Criança, da Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora

Por favor faça-nos uma resenha de sua participação  no movimento espírita.

Diretor da Escola Espírita de Evangelização Infantil do Centro Espírita União, humildade e Caridade.
Presidente da Aliança Municipal Espírita por duas vezes.
Presidente do Centro Espírita União humildade e Caridade.
Presidente do Instituto Jesus (Obra de amparo a menores carenciados)

Como tem visto a crescente divulgação do Espiritismo pelos mais diversos meios?

Com um misto de alegria e tristeza, diante de muitas pessoas doutrinariamente despreparadas e de outras oportunistas, que veiculam mensagens contrárias àquilo que aprendemos com Kardec e através da mediunidade equilibrada, principalmente de Francisco Cândido Xavier.

Quanto ao movimento espírita acha que vai bem?

O termo Movimento Espírita é muito amplo. Se focalizarmos a FEB e algumas entidades, sim. Mas há aquelas que se descuidam dos princípios básicos da Doutrina.

Temos visto vários trabalhos de sua lavra contendo analise critica de vários livros. Desde quando iniciou esse trabalho?

Há menos de dez anos, infelizmente. Digo infelizmente porque acho que se tivéssemos, nós espíritas, começado a analisar algumas obras que foram sendo publicadas, teríamos desencorajado aventureiros – encarnados e desencarnados – a publicarem verdadeiros atentados que vemos atualmente publicados, que não só atentam contra a parte doutrinária, mas também contra a ética, a nobreza e mesmo a dignidade da mensagem espírita.

O que o levou a essa atividade?

O estarrecimento de que fui tomado, quando vi certas obras serem passadas ao público em estabelecimentos espíritas dirigidos por pessoas inconscientes da responsabilidade inerente aos cargos que ocupavam.

Quantos livros já analisou?

Até agora, vinte e dois.

Como tem sido a resposta de suas criticas por parte dos autores?

Sempre remeto a crítica ao Autor. Quando não tenho seu endereço, o faço através da editora. Só uma vez recebi resposta do Autor, que me chamou de obsidiado, de inquisidor, etc.

E do público?

Já recebi – apenas algumas – mensagens de irmãos conclamando-me à observação da caridade, da benevolência, do amor ao próximo. Mas nem um – nem um mesmo – até hoje, mostrou-me um ponto sequer em que incorri em erro, ou em que fui injusto. Só manifestações de alto pieguismo. Afinal, é cômodo “deixar pra lá...”

As suas criticas literárias tem sido divulgadas de que forma?

É uma falha no Movimento Espírita a falta – em suas publicações – de uma coluna para análise. A crítica literária é comum no meio laico, mas os espíritas, de modo geral, acham que você discordar do trabalho ou da opinião de um autor é feri-lo moralmente, é faltar com a caridade, etc. Ainda não aprendemos a separar a obra do autor.
Envio minhas análises a irmãos cujos e-mails tenho. Alguns colocam-nas na internet. Eu mesmo não tenho blog ou coisa que o valha.

Antes de divulgá-las tem procurado conversar com os autores?

Sim, mas, como já disse, só obtive uma resposta, por sinal agressiva, sem responder aos questionamentos levantados. Acontece que minhas análises são feitas quando milhares de exemplares do livro já foram publicados. Os Autores deveriam – se realmente agissem com o intuito de colaborar – submeter seus originais a irmãos capazes de opinar, ajudando-os a verificar possíveis falhas em suas obras, mas não o fazem.

Algo mais que queira acrescentar?

Argumentando sobre a necessidade de análise, escrevi três artigos que foram publicados na imprensa espírita. Vou anexá-los a esta resposta.

José Passini com a esposa  e com esposa, irmãs e sobrinhos
Passini com a esposa, irmãs e sobrinhos
José Passini com esposa e filhos em foto de duas décadas atrás
Passini  na Confraternização das Mocidades Espíritas de Juiz de Fora, em  1995
Na extrema  direita,  José Passini e  à esquerda César Reis. Viagem aos EUA, onde proferiu palestras em Miami e Nova Iorque.  Passini em palestra na cidade do Porto em Portugal. 
José Passini em palestra

OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 24-10-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 23-10-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 22-10-2012

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sábado, 20 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 20-10-2012

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 19-10-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 18-10-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 16-10-2012

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 17-10-2012

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XV– As grandes necrópoles



A maneira de sepultar os mortos no antigo Egito foi quase sempre subterrânea e, neste sentido, os pesquisadores não registraram grandes avanços nos seis milênios que medearam a pré-dinastia e o final do período romano.
     Os sepultamentos ocorreram em covas simples, nas sepulturas escavadas nas encostas rochosas ou ainda, em câmaras construídas com tijolos de barros ou pedra.
     O método das covas, muito utilizado nos tempos pré-dinásticos, foi o mais persistente ao longo de toda história do Egito por ser acessível às classes mais pobres.
     As sepulturas escavadas nas rochas têm exemplares espalhados por todo o país.  Dezenas delas podem ser contempladas nas belas paredes do monte Tabet El-Haua, uma esplêndida paisagem à margem do Nilo, em Assua, ou nas famosas necrópoles de Sacará, Gizé e Tebas.
     No estudo das necrópoles egípcias, a atenção dos especialistas concentram-se quase sempre nas obras que foram edificadas sobre as câmaras funerárias, invariavelmente em forma de “capelas de oferendas”. Eram nelas que ficavam os pertences dos mortos, o altar das ofertas e um sem número de representações e fórmulas que os egípcios cultuavam como o guia para a alma na eternidade.  Essas belas construções no Antigo e Médio Império se apresentaram sob duas formas: as Mastabas, construções quadradas com as paredes ligeiramente inclinadas, e as pirâmides, em forma de degraus, como em Sacará, ou as de faces lisas e pontiagudas, como as de Gizé.
     No Novo Império, as chamadas tumbas não mais apresentavam construções externas visíveis e os templos funerários eram separados daquelas, uma alternativa adotada para tentar fugir dos olhares cúpidos dos ladrões de túmulos.

Sacará
     Vizinho da cidade do Cairo, constitui-se no complexo funerário mais extenso do Antigo Egito e, sob o ponto de vista histórico, é o mais importante. Seu nome deriva do deus “Sokar” patrono da necrópole.
     O interesse por Sacará tem uma explicação mais que convincente. Ali se encontram exemplares de túmulos que remontam da primeira dinastia até as épocas ptolomaicas, um impressionante acervo arqueológico colecionado ao longo de mais de três milênios.
     Como as sepulturas egípcias são riquíssimas em escritos e desenhos que retratam as cenas do dia-a-dia, esse cemitério é uma verdadeira história ilustrada de todo o período faraônico. Ainda hoje, a busca de riquezas arqueológicas enterradas em suas imediações, sob as areias saarianas, constitui-se em verdadeiro filão para os arqueólogos que ali fazem inesgotáveis descobertas.  É o caso, por exemplo, do descobrimento, em 1975, da tumba de Horemheb, comandante supremo e regente de Tutancâmon, que, com a morte inesperada do jovem faraó, acabou reinando em seu lugar.
     No ano de 1976, num túmulo de pedra na estrada de Unas, foi encontrada uma múmia identificada como a mais antiga já descoberta no Egito, tendo permanecido naquele local por mais de 4 mil anos.
     Procurada pelos arqueólogos, vem sendo a tumba de Imhotepe, o famoso arquiteto da Pirâmide dos Degraus, ao que parece sepultado naquele cemitério.
     Em suas adjacências, encontra-se um vasto complexo de palácios e templos que são os mais antigos modelos de construção de pedra em larga escala, o Palácio Heb-Sed, a Casa do Sul e as inscrições em grafita nos muros do santuário.
     Também se destacam a chamada Casa do Norte, com os mais antigos exemplares de colunas papiriformes; Serdab, encerrando uma réplica da estátua de Djoser, cujo original encontra-se no Museu do Cairo; e a Cobra Frieze, próxima da qual, a trinta metros de profundidade, foi encontrado o apartamento funerário de Djoser.
     Dignos de menção são a famosa Pirâmide de Unas (V dinastia), escavada por Mariette em 1881, contendo os famosos “Textos das Pirâmides”, a pirâmide de Teti (VI dinastia), além de várias Mastabas e inúmeros sarcófagos de pedra espalhados pela areia.
     Não menos importante é o “Serapeum”, uma das maravilhas de Sacará, o imenso complexo subterrâneo de 64 criptas funerárias, 20 das quais ainda contendo os imensos sarcófagos de granito dos “Boi Ápis” com suas oitenta toneladas.
     Ainda em Sacará, foram descobertas várias estelas funerárias que registram a cronologia dos faraós, de Amenófis III até os Ptolomeus, com números de dias, semanas e anos de seus reinados.

Gizé
     É o sitio arqueológico que ganhou notoriedade por abrigar as três maiores e melhores pirâmides construídas durante o Antigo Império, ou seja, as dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, todos governantes da IV dinastia.
     Ainda que as grande pirâmides e a Esfinge de Gizé sejam os monumentos mais importantes da região, o platô de Gizé não pode ser considerado como completamente explorado, possibilitando novos achados ao longo do tempo.
     Também ali, sob o mar de areia, o encontro de tesouros arqueológicos é a expectativa constante dos escavadores.
     O último monumento descoberto, a Mastaba V, provavelmente da I Dinastia, teria sido construída durante o governo de Djete (2.980 a.C). Embora o nome de seu proprietário não seja conhecido, a presença de 56 sepulturas de auxiliares  indicam ele ou ela pertenciam à elite real.
     Nas proximidades das pirâmides, foram descobertos vários barcos funerários, um deles, cuja reconstrução durou vários anos, está exposto no local do seu encontro.
     No lado leste da Grande Pirâmide, foi localizado o túmulo de Hetepheres, mãe de Quéops, com algumas indicações de que poderia também ter abrigado um dos faros do período.
     As pirâmides, cujos comentários a respeito de sua construção merecem um capitulo á parte, possuíam em seu interior vários corredores e câmaras, uma das quais, provavelmente, guardava o sarcófago com o corpo do faraó. Tantos elas, as pirâmides, como as Mastabas, foram despojadas de suas riquezas, ao que parece pelos ladrões de túmulos, à época do Primeiro Período Intermediário, quando ocorreu a queda das autoridades responsáveis pela manutenção.

O Vale dos Reis
    Os faros do Novo Império, visando obter um local mais tranqüilo e seguro para última morada, escolheram os vales do outro lado do Nilo, defronte de Tebas, para implantação de sua necrópole. É conhecido como Vale dos Reis.
     Os sepulcros desse recanto montanhoso seguem um estilo mais ou menos comum e consistem em grandes poços escavados na rocha em estilo de escadas, á vezes íngremes, comportando várias câmaras, entre elas uma que abrigava o sarcófago real. Eram vedadas por portas seladas em alvenaria, encobertas por aterro e não mais possuíam as grandes obras que as encimavam, como nos períodos precedentes. Os templos funerários passaram a ser construídos à parte.
     Porém, ainda que aparentemente ocultos, da mesma forma que as pirâmides e as mastabas, os túmulos de Tebas não se livraram da costumeira rapinagem. Salvo o de Tutancâmon, encontrado quase intacto, todos os demais acabaram praticamente vazios, embora ostentando ainda em suas paredes riquezas artísticas de valor inestimável.
     Muitas das múmias expostas no Museu do Cairo e procedentes de Tebas só chegaram até nós porque os sacerdotes em várias épocas, tentando proteger os soberanos dos ladrões, os enterraram improvisadamente em sepulturas feitas às pressas, amontoadamente, sem qualquer daqueles cuidados dispensados em suas ricas sepulturas originais. No Vale dos Reis encontram-se entre outros os esplêndidos túmulos de vários Ramsés, de Seti I, Amenófis II, Horemheb (que também tinha um escavado em Sacará), Tutmés III, Hatshepsute, Mineftá e do célebre Tutancâmon.

O Vale das Rainhas
     É conhecido hoje por Biban El-Harim e fica a menos de dois quilômetros do Vale dos Reis. Os antigos egípcios o chamavam de Set Neferu, que significa “sede da Beleza”.
     A expedição arqueológica comandada pelo italiano Ernesto Schiaparelli descobriu, entre 1903 e 1906, cerca de oitenta tumbas, muitas delas em estado calamitoso, algumas com vestígios de incêndios e outras reduzidas a mera condição de estábulos. Nessas tumbas estiveram sepultadas as rainhas e os príncipes de sangue real das dinastias XIX e XX. Ali se pode contemplar a tumba da rainha Titi, possivelmente esposa de Ramsés IV, com sua colocação predominantemente rosada; a de Amon-her-Khopechef, filho de Ramsés III, a da rainha Nefertari, esposa de Ramsés II, uma verdadeira jóia arquitetônica e a melhor preservada; a de Kamuast, também filho de Ramsés III, igualmente de soberba decoração, com cenas de oferendas e tributos pintados com cores intensas e brilhantes.

Próximo artigo: As Pirâmides

Pirâmide de Sacará, na região do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Ficheiro:Imhotep-Louvre.JPG
Estatueta em bronze de Imhotepe. Museu do Louvre, Paris, França;

Complexo funerário de Sacará, nas proximidades do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Estátua de Djoser. Museu do Cairo, Egito
Foto Ismael Gobbo
O rio Nilo na região de Luxor, antiga Tebas. Ao fundo na margem Oeste se situam os Colossos de Menon e várias
necrópoles dentre as quais as do Vale dos Reis e do Vale das Rainhas. Foto:  Ismael Gobbo
File:SFEC AEH -ThebesNecropolis-2010-FULL-Overview-039.jpg
Vista aérea da região das  famosas necropoles tebanas.
File:Saqqarah 082005.JPG
Entrada do “Serapeum” de Sacará onde se encontram os grandes túmulos dedicados aos touros sagrados,
  “Touro Ápis”, descobertos pelo egiptólogo francês Auguste Mariette em 1851
Necrópole dos Príncipes. Nas paredes do monte Tabet  El-Haua “acima dos ventos”, em Assuã,
podem ser vistas numerosas tumbas escavadas, pequenos templos funerários e o Mausoléu
de Aga Khan, falecido em 1957. Foto Ismael Gobbo
Templo de Hatshepsute em Deir-el-Bahari. Projeto concebido pelo arquiteto Senemute em dois pisos
e escavado na rocha. foto Ismael Gobbo
O Egiptologista italiano Ernesto Schiaparelli que descobriu a tumba de Nefertari.
File:Maler der Grabkammer der Nefertari 004.jpg
Pintura mural na tumba de Nefertari, esposa de Ramsés II.
Vale das Rainhas, Tebas. Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Nefertari