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domingo, 1 de novembro de 2009

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA YEDA HUNGRIA




Entrevista com Yeda Hungria, nascida na cidade de Campos, e residente na cidade de Niterói, ambas no estado do Rio de Janeiro, nos falando sobre sua trajetória pelo Movimento Espírita como oradora, médium e pesquisadora da história do Espiritismo. É casada com Fernando Hungria, mãe de Fernando Afonso e Márcio, avó de Caroline e Davi e sogra de Márcia e Lúcia.

Por: Ismael Gobbo igobi@uol.com.br



Yeda, como se deu sua iniciação no Espiritismo?

Pela dor, como a maioria. Aos 15 anos, surgiram-me crises intensas de mal-estar. Padecendo por três anos e sem diagnóstico médico firmado, fui levada ao Centro Espírita Irmã Rosa, modelar instituição de Niterói. A primeira manifestação surgiu-me pela psicografia e, de imediato, cessaram os sintomas da causa até então desconhecida.

Anos depois, fui convidada para colaborar na recém-fundada União da Mocidade Espírita de Niterói (UMEN). Mais tarde, participei da diretoria quando a instituição transformou-se em centro espírita, onde permaneço vinculada.

Qual a sua atuação no Movimento Espírita?

A despeito das naturais limitações, empenho-me na divulgação do caráter educativo e consolador da Terceira Revelação. É uma oportunidade que se me apresenta para conversar com os companheiros do Brasil, Estados Unidos, França e Portugal.

E a vivência como pesquisadora dos primórdios do Espiritismo?

Desde a adolescência a figura do presidente americano Abraham Lincoln sempre me empolgou. Ao ingressar no espiritismo, verifiquei que os seus biógrafos omitiram as narrativas das sessões espíritas de que ele participara na Casa Branca, conforme documentado por Wallace Leal Rodrigues. Além deste autor, Canuto Abreu e Hermínio Miranda, pela qualidade do exercício investigativo, foram a inspiração e o incentivo para que me decidisse por essa vertente.

Assim, em 2005, nos Estados Unidos, tive o ensejo de pesquisar Andrew Jackson Davis, o pioneiro do moderno espiritualismo na América, conhecido nacionalmente como “o vidente de Poughkeepsie”, cidade do Estado de Nova York. Davis assombrou o país, a partir de 1843, com seus múltiplos talentos psíquicos, entre eles a produção de diagnósticos e tratamentos de saúde precisos, sob a inspiração do médico grego Galeno. Semi-letrado deixou dezenas de livros com temas científico, filosófico, religioso e histórico. O primeiro deles, Os princípios da Natureza, suas revelações divinas e uma voz para a Humanidade, enciclopédia de 800 páginas publicada em 1847, encontra-se preservado na Biblioteca Pública de Poughkeepsie, uma das fontes da pesquisa. Abordam os espíritos a origem do universo, história das religiões, criação e destino do espírito, reencarnação, comunicação dos espíritos com os encarnados, pluralidade dos mundos habitados, consolidação do espiritualismo na América, além de revelações do mundo extra-físico. Face à repercussão a obra receberia 34 edições em menos de 30 anos.

Cumpre destacar a importante particularidade de que a publicação antecedeu em dez anos o lançamento de O livro dos espírito.

E sobre a vida e a obra de Edgar Cayce?

Em outra ocasião, em 2001, ainda naquele país, pude pesquisar na Associação Para Pesquisa e Conhecimento, na Virgínia Ocidental, a vida e a obra de Edgar Cayce, um dos mais talentosos médiuns dos anos 1901 a 1945.

Fundada por Cayce, em 1931, a Associação é depositária do acervo de 14.256 comunicações realizadas em transe e anotadas por sua secretária, durante 43 anos. Centenas de tomos registram consultas tratamentos de saúde, predições, revelações da vida espiritual, formulações para doenças, conhecidas como “leituras”, e ocupam integralmente um dos pavimentos do grande edifício. Coincidentemente, ou não, o conteúdo de sua obra guarda notável similitude com a de Davis, sugerindo significativa continuidade.

Além disso, a identidade de princípios entre os ensinamentos trazidos por Cayce e os do Pentateuco espírita atesta a universalidade dos ensinos dos espíritos.

Que nos diria dos fenômenos de Lily Dale e Hydesville?

Em 1995, visitei a Assembléia de Lily Dale, no Noroeste do Estado de Nova York, secular instituição espiritualista no condado de igual nome. Surpreendi-me durante as pesquisas com a revelação de que as primeiras manifestações documentadas de espíritos nos Estados Unidos sucederam a partir de fevereiro de 1844, em Lily Dale, e não em 1848, em Hydesville, com as Fox. Contudo, estes fenômenos tiveram maior repercussão.

Embora fenômenos psíquicos já ocorressem na casa, antes da presença da família, ainda assim as manifestações em Lily Dale precederam aqueles episódios. O fato é ainda mais relevante porque os espíritos já realizavam, naquela Assembléia, um trabalho regular e organizado de terapias e curas, relatavam a vida no Além, produziam escritas e pinturas diretas, com o apoio de participantes dotados de amplos recursos medianímicos. A documentação referente, em forma de atas, encontra-se exposta no museu da instituição.

Considero importante consignar tais fatos, aqui resumidos, dado a importância para os anais do espiritismo.

Poderia nos falar dos casos de curas através do médium George Chapman?

Na década de 50, em Birmingham, região central da Inglaterra, o médium George Chapman realizava bem sucedidas cirurgias no corpo espiritual dos enfermados, sob o comando do espírito Dr. William Lang. O doutor fora membro do Real Colégio de Cirurgiões, clínico e cirurgião do Hospital de Londres, professor de Fisiologia e Anatomia na faculdade de medicina da capital.

Uma das intervenções espirituais do Dr. Lang, que muito repercutiu na época entre a comunidade médica, diz respeito à recuperação da saúde do menino Jonathan, paciente terminal de leucemia, desenganado pela medicina acadêmica. Para admiração da elite científica de então ocorreu a cura e, de igual modo, em dezenas de outros casos graves.

Quando encarnado o Dr. Lang orava antes e após as práticas, hábito que manteve nos trabalhos espirituais, sempre com o apoio do médium Chapman. Homem simples, da pequena Aylesbury, de profissão bombeiro, desprovido de qualquer iniciação espiritualista, doava-se integralmente às interveniências do espírito, movido apenas por humanitarismo. Jamais se dera conta da essência e importância de sua paranormalidade.

Quais outros casos julga interessantes?

Em 1994, pude trazer para o Brasil o caso da comprovação da veracidade da reencarnação, pela inglesa Jane Cockell. Em sua vida passada na Irlanda, como Mary Sutton, mãe de oito crianças, morrera de complicações do parto, 21 anos antes do seu nascimento como Jane. Movida por essas lembranças, que se faziam progressivamente mais intensas, Jane logrou, através de buscas exaustivas, encontrar a prole agora com a idade variando de 60 a 70 anos. Diante de tantas particularidades, fatos, lugares, nomes, descrições, relatos da infância e outros detalhes somente por eles conhecidos, os filhos, antes céticos, se convenceram de ser Jane Cockell a falecida mãe Mary Sutton.

Menciono brevemente, também, o encontro do Dr. Bezerra de Menezes e uma comissão da FEB com o médium americano Henry Slade, em 20 de junho de 1888, no Rio de Janeiro. Slade realizou duas demonstrações insólitas de escrita direta, assinada a primeira por L. de Mond e a outra, por Davis.

Outros trabalhos poderiam ser mencionados, entretanto seria alongar-me demais.

Por que casos como estes e outros são pouco conhecidos?

Esclareço que a importância por mim conferida aos fenômenos espíritas ocorridos em alguns países, em especial nos Estados Unidos, decorre do fato de que, embora relevantes, não têm sido eles convenientemente estudados e, por isso, não repercutem como deveriam. São esquecidos ou ignorados, até mesmo por aversão, ao contrário do que sucede no Brasil, repositório de considerável acervo específico. Por derradeiro, move-me, principalmente, o dever de reverenciar esses e outros nomeados do passado, porquanto exerceram com dignidade e fé inabalável o encargo de missionários da mediunidade, a despeito do ceticismo, perseguição, adversidade, escárnio, preconceito, incompreensão que enfrentaram.

Quais atividades desenvolve presentemente?

Colaboro com entidades do Movimento Espírita, entre elas a Casa Maria de Magdala, sediada em Niterói, pioneira no abrigo, educação, assistência médica, social e espiritual – segundo a doutrina espírita – endereçada a adultos e crianças carentes e terminais soropositivos para o HIV/Aids. Em julho último completou 18 anos de ação integrada gratuita para seus albergados.

Ao longo de nove anos exerci o cargo de diretora da Área de Divulgação da antiga Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro, hoje Instituto Espírita Bezerra de Menezes (IEBM), constituído após a unificação do Movimento Espírita no estado, em novembro de 2000. Respondo pela produção de O Espírita Fluminense, órgão informativo do IEBM, participo de reuniões mediúnicas na UMEN e de estudo no Núcleo de Estudo Espírita Chico Xavier, instituído em casa de meu filho Márcio, em ambiente exclusivo.

Contribuo com artigos em periódicos espíritas, prefácios e dedico-me à divulgação oral da proposta da nossa abençoada doutrina. Atualmente, apresento palestras de lançamento do livro póstumo de Dante Labbate Desdobramentos mediúnicos e outros fenômenos psíquicos. São relatos de vivências do autor no campo de efeitos físicos, emancipação da alma, viagem ao passado, ideoplastia, zoantropia, transcomunicação instrumental, obsessão, magnetismo espiritual, saída do corpo e outras manifestações da fenomenologia espírita. Considero uma obra de grande densidade.

Algo mais que queira acrescentar?

Vivemos conturbado cenário com a perda de preceitos de ordem valorativa moral, espiritual e ética resultantes da ausência do amor em sua expressão mais sublime. Contudo, não nos tem faltado, nem faltará, o socorro providencial do Amado Pai, que vela por seus filhos carentes de reeducação. No esforço para retomar esses valores são-nos enviados, continuamente, arautos de uma nova atitude, cabendo-nos apoiar e exercitar vigorosamente o propósito de suas mensagens. Confiamos que possam elas modelar um novo homem, estruturado no pensamento humanístico, no bem estar da coletividade e na real edificação do Terceiro Milênio.










LEGENDA DAS FOTOS :

YEDA E O MARIDO FERNANDO EM LILY DALE ; QUADRO COM O MÉDIUM EDGAR CAYCE;

O PRIMEIRO LIVRO DE DAVIS (34 EDIÇÕES); ASSOCIAÇÃO PARA PESQUISA E CONHECIMENTO;

PESQUISA NA BIBILIOTECA PÚBLICA DE PONGHKEEPSIE

ACERVO DE YEDA HUNGRIA.


2 comentários:

Sandra disse...

Yeda e Fernando
Como vai?Sou Sandra Serrano, filha de Geraldo e Therezinha Serrano.Estou passando por aqui para lhe enviar um Grande Abraço.
Meu e-mail é sandrafserrano.serrano@gmail.com
Abraços a todos
Sandra Serrano

Hélvia disse...

Caríssimos Fernando Hungria e Yeda, orgulho-me de vocês, que são referencias para que eu prossiga na Senda e evolução. Abraços e saudades, Hélvia/Sophia/philippe e Anandda.