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quarta-feira, 10 de março de 2010

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA JOSÉ ANTONIO LUIZ BALIEIRO


BALIEIRO. FOTO ISMAEL GOBBO



Entrevista com José Antonio Luiz Balieiro, que nos fala de sua vida familiar e sua atuação no movimento espírita. Balieiro é o atual presidente da USE- União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Por Ismael Gobbo igobi@uol.com.br



Balieiro poderia nos fazer sua auto-apresentação?



Sou José Antônio Luiz Balieiro, filho de Geraldo Balieiro e Malvina Martins Balieiro (a dona Santinha), nascido aos 10 de janeiro de 1942, tenho atualmente 68 anos; sou natural de Franca???, Estado de São Paulo. Resido em Ribeirão Preto. Casado com Adalgiza Campos Balieiro, temos cinco filhos: Adriana, Mauro, Geraldo, José Antônio Jr. e Luciana. Esta prole aumentou, Adriana tem duas filhas, Gabriela e Isabela; e Mauro, também duas filhas, Nátrita e Betina.

Minha formação é na área do magistério, normalista e o curso de aperfeiçoamento que à época autorizava o ensino no curso secundário. Profissionalmente atuei nas áreas de marketing, vendas e merchandising, além do magistério. Estou aposentado, atuei profissionalmente em três empresas, duas em Ribeirão Preto, Automóveis Laguna e Indústria de Produtos Alimentícios Cory e, a terceira, a multinacional Unilever, onde trabalhei por 22 anos. Além da experiência educacional ensinei no Colégio Camilo de Mattos, em Ribeirão Preto, durante catorze anos.

Temos hoje, em termos familiares, uma escola de ensino fundamental, que atende a crianças de 3 a 14 anos, com inovadora metodologia de ensino, onde Adalgiza realiza o seu ideal de educação, acompanhada por Luciana, nossa filha caçula, também educadora e Junior que dá suporte administrativo. A responsabilidade pedagógica da escola é de Adalgiza. Os outros filhos, Adriana é fonoaudióloga, doutora na área, Mauro doutor em psicologia e Geraldo doutor em Zootecnia, com áreas próprias de trabalho e pesquisa, todos com trabalhos publicados em revistas e livros científicos de suas especialidades.

Nestes dias o coração da família anda apertado, pois Gabriela, a primeira neta, parte para Zurique, na Suíça para temporada de estudos de um ano.

Todo esse povo mora em nossa cidade, Ribeirão Preto, onde toda família cresceu.



Como conheceu a Doutrina Espírita e desde quando?



De berço, em família espírita. Papai ainda jovem solteiro, orientava os trabalhos espíritas na cidade de Pedregulho, área rural. Mamãe era católica, após o casamento acompanhou o nosso saudoso Geraldo. A família se mudou para Ribeirão Preto, ainda em 1942, onde fomos acolhidos pelo Centro Espírita Amor e Caridade, onde militava a saudosa Ana de Almeida Pita, portuguesa radicada no Brasil, uma das pioneiras do movimento espírita de Ribeirão Preto.


A que Casa Espírita está vinculado presentemente e quais as atividades que nela desenvolve?

No Sanatório Espírita Vicente de Paulo, Centro Espírita Amor e Caridade e órgãos de Unificação.

No Sanatório Espírita Vicente de Paulo, sou membro do Conselho Fiscal na parte administrativa, na parte doutrinária sou responsável pelas atividades deste setor. Esta casa é responsável por serviços na área de atendimento à pessoas com distúrbios mentais, mantendo serviço de Naps (Núcleo de Assistência Psicossocial) e Residências Terapêuticas (núcleos onde os assistidos são integrados à sociedade inclusive quanto a sua moradia). A entidade assiste a mais de trezentas pessoas nos trabalhos profissionais, serviço executado em parceria com o poder público e nas atividades de casa espírita recebe semanalmente aproximadamente seiscentas pessoas.

No Centro Espírita Amor e Caridade acompanho os estudos, tenho trabalho mensal de exposição doutrinária há mais de vinte anos. É a casa espírita onde descanso, me refaço, busco energias para as tarefas..



Como começou no trabalho unificacionista espírita?



Esta é uma boa história. Participávamos da mocidade e na época tínhamos uma única mocidade em Ribeirão Preto. A União dos Moços Espíritas de Ribeirão Preto. Era grupo integrado ao movimento, principalmente pela participação ativa em nossa orientação e estudos de nossos queridos Jaime Monteiro de Barros e Theodoro José Papa. Na época, a mocidade era “unida” a Ume local! Numa oportunidade, para mim ímpar, o professor Jaime chamou-me a sua casa e deu-me uma tarefa: ir a São Paulo, representar a nossa cidade na reunião da USE, lá na Avenida Maria Paula, em São Paulo, antiga sede da FEESP, onde funcionava a use QUE FORA CRIADA POR ELA, JUNTO COM OUTRAS ENTIDADES FEDERATIVAS DO ESTADO. Deu-me o dinheiro da passagem e orientações para a participação. Tinha dezenove anos. Nunca mais deixei de acompanhar o trabalho estadual e regional, uma vez que no municipal já era comum a participação, pelas atividades que os moços tinham na evangelização, exposições doutrinárias e assistência social.



Os seus cargos no trabalho de unificação?



Poderia dizer que passei por quase todos, menos os da área de tesouraria. O professor Jaime sempre deu-me a confiança para estar ao lado dele na coordenação de trabalhos. Passei por presidência, vice presidência, secretarias, departamentos, tanto na intermunicipal, como na regional. No estado, por vários mandatos ocupei vice-presidências. Atualmente, estou na presidência da USE Intermunicipal de Ribeirão Preto, e , como sabem, estou exercendo o segundo mandato como presidente da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Estou quase fazendo cinqüenta anos de atividades na área de unificação!



Participamos juntos do Movimento de Mocidades Espíritas. Quais suas lembranças daqueles momentos inesquecíveis?



Realmente inesquecíveis. Mas temos que considerar que eram outros tempos e o melhor tempo que vivemos é o presente, o de agora, mesmo porque estamos mais experientes. Mas, é bom lembrar de nossas confraternizações, os encontros dos jovens do nordeste com os do noroeste, de onde buscamos a idéia das Comenesp´s (a confraternização de nossa região!); os primeiros contatos com Divaldo Pereira Franco e Jacob Holzmann Neto; os concursos de oratória, as longas cartas que trocávamos (sem o auxílio moderno e ágil da internet). As vezes me surpreendo pensando como era importante o momento da passagem do correio, ele trazia as notícias. Quantos casamentos, não?! Tudo podendo ser creditado às confraternizações.



O que diria daquela COMJESP de 1967 em Ribeirão Preto?



Foi uma festa. Até aquele momento e durante muitos anos, a maior participação de pessoas em eventos espíritas. Foram 1100 participantes! Inédito para o estado. Todos hospedados em casas de família. Na minha casa estavam oito pessoas e todas cabiam dentro do Volks para ir e vir! No livro da USE temos foto sobre este evento que cedemos e não tivemos de volta, mas está lá guardado para sempre. Uma palestra portentosa do jovem Divaldo, o coral da FEESP, o coral da Tia Luiza e um mundo de gente. Temos saudade...


Qual a maior experiência colhida no exercício de presidência de um órgão de caráter estadual, a nossa USE, e com o dinamismo próprio do Estado de São Paulo?



A convivência na diversidade e na pluralidade, respeitando peculiaridades, diferenças e necessidades das mais diferentes áreas de trabalho e regiões geográficas, também dos órgãos de unificação que compõem a USE e das casas espíritas; considerando principalmente as individualidades.

A extensão territorial do Estado, a diversidade de opiniões e experiências chega ser um obstáculo de difícil superação?



Temos nos empenhado em trabalho de divulgação dos princípios espíritas e do Evangelho de Jesus, fato que se apresenta como finalidade maior da casa espírita. A nosso ver este é o caminho da convergência, de colocarmos a Causa acima do personalismo e autoritarismo. A ausência de compromisso, comprometimento e fidelidade á Doutrina Espírita é visível neste momento de transição, aonde a prática espírita vem sendo substituída por práticas estranhas, campanhas menos dignas, interesses financeiros e pessoais. O Estado de São Paulo, por ser considerado de alto potencial pelas outras unidades da federação, em todos os sentidos, chama muito a atenção para si, e isto também acontece com o movimento espírita, atraindo investidas e posicionamentos que perturbam o dia a dia e a demanda do serviço na casa espírita. Quando se levanta a situação de obstáculo de difícil superação, temos de colocar a necessidade de estudo, análise e avaliação, a doutrina é saudável, o que fazemos dela, que é de nossa responsabilidade, é que tem sido o grande desafio, vigilância é a palavra da hora.

Nas reuniões do CFN, em Brasília, onde você tem representado a USE, a integração entre os estados brasileiros e órgãos representados, ocasionam que patamares de experiências para o movimento espírita nacional?

O Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, é o órgão que representa o movimento espírita brasileiro. É formado pelas federativas representativas dos estados e do distrito federal que lhe dão conteúdo e consistência. O CFN orienta o trabalho das federativas, sugerindo meios e ações para a orientação do centro espírita, facilitando o estudo, a prática e a divulgação da Doutrina Espírita.

Quais as maiores dificuldades do movimento espírita, em sua opinião, considerando-se sua finalidade?



Estamos em fase de aprendizagem na convivência, envolvidos pelas nossas dificuldades pessoais, que se projetam na casa espírita e no movimento. Resolvendo as nossas dificuldades pessoais, as dificuldades de nossos lares, estaremos dando passo gigantesco para a solução das dificuldades institucionais. Isto depende da educação, já nos disseram os Espíritos Superiores, de nosso compromisso e responsabilidade com a Causa, de encarar e vencer o egoísmo. Este o nosso grande desafio.

E as maiores alegrias?



Conviver com pessoas. As mesmas que provocam as dificuldades dão-nos também as alegrias, basta aproveitar as lições cotidianas e crescermos no entendimento do outro. Temos na Doutrina Espírita um tesouro, um bem, se é bom, vamos compartilhar com todos. Boa vontade e ânimo propiciam oportunidades no trabalho espírita, úteis ao nosso aprimoramento pessoal e coletivo.


Quais os planos para o futuro da USE nos próximos anos?



Na parte material administrativa, torná-la auto sustentável, como centro facilitador de troca de experiências, âmbito de convivência e relacionamento, favorecendo a adequação da casa espírita para que ela cumpra o seu papel social; na parte doutrinária e moral aprimorar as tarefas de unificação para propiciar melhor e maior divulgação da Doutrina Espírita, através das casas unidas, e a vivência do Evangelho de Jesus. Manutenção do foco central, que representa a missão da USE: a Codificação Espírita, a Educação e a Promoção do ser humano. Há muito trabalho para se chegar a este patamar.

Como estão as campanhas da USE?



Em nosso plano geral de trabalho priorizamos as nossas campanhas permanentes. Em 2008, fortalecemos a campanha “O Evangelho no Lar e no Coração”, fazendo dela, junto ao CFN, uma campanha nacional; no ano de 2009, relançamos a campanha “Comece pelo Começo”, fazendo do ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) meio para a sua implementação e divulgação; em 2010, voltamos a focar intensamente a campanha “Viver em Família”, criando motivações para o seu fortalecimento. Todas as nossas campanhas, somadas às campanhas do CFN/FEB permitem intensa movimentação dos órgãos da USE em todas as regiões do estado.

Há perspectivas de nova sede para a USE?



Projeto específico não, mas estamos atentos às oportunidades que têm sondado a nossa administração nos últimos três anos ou quatro anos. Por ora, não conseguimos viabilizar nenhuma delas, o cuidado é necessário, mas temos avaliado várias situações. Em nosso mandato reformamos a frente do prédio, onde está a livraria. Reformas nas outras partes são necessárias e isto deverá acontecer ainda no primeiro semestre de 2010, caso permaneçamos no local.




A histórica da USE, em suas seis décadas de atuação, trouxe e continua proporcionando fortalecimento do pensamento espírita e integração dos espíritas. Existe uma receita para ampliar ainda mais esse aspecto?



A nossa história é marcada com respeito e compromisso com a Doutrina Espírita. Formamos no estado uma rede que atua com liberdade e autonomia, preservando princípios espíritas com lealdade e firmeza, tornando-nos compromissados com as tarefas de unificação, o que nos dá a oportunidade do trabalho amigo e fraterno. A receita é geral e abrangente, está em Obras Póstumas, em trabalho eloqüente do Codificador, quando exalta a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Lá temos uma linha de conduta.



E o relacionamento com a FEESP?



A USE e a FEESP tem relacionamento fraterno, alicerçado no respeito e convivência no trabalho. O fato histórico que marca a vida das duas entidades é marcante: ao lado de outras federativas na época, em 1947, a Liga Espírita, a União Federativa e a Sinagoga Espírita Nova Jerusalém, a FEESP criou a USE para fazer no Estado de São Paulo o trabalho de união e aproximação das casas espíritas. Ambas seguem as suas vocações, a USE no campo da unificação, atuando na área federativa representando o estado no Conselho Federativo Nacional e promovendo a capacitação da casa espírita; a FEESP na área social e doutrinária onde é relevante a ação na área de ensino espírita.

Temos trabalhos em conjunto, ao lado de outras entidades, recíproco programa de visitação, além de participação efetiva e fraterna nos eventos que as duas instituições promovem. O trabalho tem sido ponto de união da USE e da FEESP.

O que a USE prepara para a comemoração do centenário de nascimento de Chico Xavier?



Estamos solidários e promovendo as ações que as federativas do Brasil sugeriram para o evento. Através de nossos órgãos estão programadas solenidades, homenagens e produção muito variada de suplementos, artigos, reportagens especiais, sobre a efeméride. As realizações previstas têm como tema central Chico Xavier visando o enaltecimento da Doutrina Espírita, tendo como meio a figura ímpar do médium mineiro. Estão programados suplemento para o Dirigente Espírita, cartazete institucional, homenagens nas confraternizações, encontros e seminários.

Os espíritas do Estado de São Paulo (USE, FEESP. ALIANÇA, AME, AJE, ADE, REDE BOA NOVA, UNIÃO FRATERNAL, ABRAPE) têm agendados dois eventos em conjunto: no dia 2 de abril, às 20 horas, reunião de vibração em todas as casas e instituições espíritas do estado e no dia 11 de abril, evento público simultâneo, em seis cidades paulistas: Araçatuba, Bauru, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São Paulo e Sorocaba. Esta programação está sendo divulgada por todas as entidades em todo o estado.


Uma palavra final, juntamente com um convite fraterno.


Agradecemos pela oportunidade de mostrarmos um pouco de nossa USE e de nosso trabalho. No estado somos, dirigentes de órgãos da USE, em todos os seus níveis, distritais, municipais, intermunicipais e regionais, aproximadamente 1100 trabalhadores da área de unificação federativa, todos prontos para informar e compartilhar atividades. O nosso convite para que em suas cidades e suas regiões procurem os órgãos da USE, há cento e quarenta deles no estado, e se aproximem, para participar e compartilhar com este trabalho para que a Doutrina Espírita seja conhecida e praticada.







FOTOS: BALIEIRO, A ESPOSA ADALGIZA, NESTOR MASOTTI, DIVALDO PEREIRA FRANCO E CÉSAR PERRI; BALIEIRO; PADRE MARCELO ROSSI E CESAR PERRI DURANTE MOVIMENTO EM DEFESA DA VIDA; LUIZ GOUVEIA E BALIEIRO NO CONGRESSO ESTADUAL DA USE EM GUARULHOS, SP.

2 comentários:

Daruska disse...

Adorei a entrevista.
Sou sobrinha do tio Balieiro,e gostaria muito de saber como posso me comunicar com ele, pois vivo em Portugal e ando a procura deles a pelo menos 10 anos e não consigo encontra-los. Queria muit ter o contacto dele, pode ser?
Espero resposta
Muito obrigada!
P.S Meu email e faleirodaruska@yahoo.com.br

neusa disse...

Que surpresa!!!
Fui aluna do Sr José Antonio Luiz Balieiro no Camilo de Mattos. Bendita internet que nos dá esta oportunidade de rever pessoas queridas!