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domingo, 4 de abril de 2010

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA OMBRETTA GORI SACCO


OMBRETTA GORI SACCO

FOTO ACERVO PARTICULAR


Entrevista com Ombreta Gori Sacco, trabalhadora espírita residente na cidade de São Paulo. Imigrante italiana chegou ao Brasil com dez anos de idade. De família católica deixou de frequentar a igreja aos treze anos por motivos que abaixo descreve conhecendo o Espiritismo com esta idade a partir das obras básicas de Allan Kardec. Foi casada com Teodoro Lausi Sacco, já desencarnado, com quem trabalhou por longo tempo na FEESP- Federação Espírita do Estado de São Paulo. Com a palavra nossa irmã, companheira de ideal, Ombretta Gori Sacco. (Ismael Gobbo igobi@uol.com.br )



Ombretta, pode nos fazer sua apresentação pessoal?

Nasci em aos 21 de dezembro de 1942, em Pistóia, Itália. Pistoia é a cidade onde se encontra o mausoléu dos pracinhas que serviram à 2ª.Grande Guerra na Itália, cidade visitada pela maioria de nossos presidentes. É uma cidade da qual tenho gratas lembranças e que atualmente agasalha minhas duas filhas, que residem lá.


E a vinda para o Brasil?

Aportei no Brasil em setembro de l952, com quase 10 anos de idade, com minha mãe Elda F.Gori e minha irmã Gabriella Gori Alves. Meu pai Bruno Gori, havia chegado ao Brasil em fevereiro do mesmo ano. Fomos e somos imigrantes italianos. Viemos em busca de uma pátria de amor, trabalho e progresso, o que aqui encontramos a “mão cheias”. Povo maravilhoso, gentil, amoroso, com uma receptividade que não se encontra em outros países. Amo o Brasil!


E o encontro com Teodoro e depois os filhos?

Em 1971, estava freqüentando os cursos de estudo na FEESP, quando conheci o Teodoro, Iniciei trabalhando na Casa Transitória, e depois em tarefas que ele fazia parte. Fomos nos conhecendo e disto resultou no casamento em 24 de março de 1973. Tivemos quatro filhos, Sandra Regina, Flávia Carla, Paulo Roberto e Ricardo Eduardo, aqueles que são meus reais tesouros e pelos quais agradeço a Deus todos os dias. O estudo e o trabalho na doutrina mais os cuidados com a família, passaram a ser o foco importante de nossas vidas, até que em 04 de junho de 1995, ocorreu o desencarne do Teodoro, momento difícil em que houve a grande quebra nesta felicidade de quase 25 anos de muito amor, respeito e carinho.


Mas você prosseguiu na luta.

Com certeza. A vida é assim, “nascer,morrer, renascer, esta é a Lei”. Tudo é compreendido, no entanto o vazio fica “ad eternum”, até nos reencontrarmos outra vez. Meus filhos, minha fortuna, meu tesouro. Embora longe, estão sempre dentro do meu coração, todos se formaram, graças a Deus. Consegui uma arquiteta, uma médica, um engenheiro civil, um advogado. Amo meus filhos, mais que a mim mesma. Somente Deus sabe o quanto eu os amo e lhes desejo o que houver de melhor neste mundo. Todos são espíritas, embora as meninas que estão na Itália, não tenham espaço para estudo, ou participarem de trabalhos espirituais, pois não os tem lá. Mas a religião está em seus corações. Morro de saudades.


Qual sua formação acadêmica e profissional?

Infelizmente não pude cursar nenhuma faculdade, como imigrante, iniciei trabalhando aos 14 anos, e somente consegui completar o colegial, pois estudar a noite, era impossível para meu pai. Suas filhas tinham que estar em casa no mais tardar às 20:00.

Como profissional, fui bancária, depois exerci trabalho de secretária administrativa, aeroviária trabalhando no aeroporto de Congonhas e Viracopos, até o casamento, e a chegada de minha primeira filha.



Você é de berço espírita?

Nasci católica, recebendo todos os sacramentos da igreja. Aos 13 anos, mais ou menos, ao ir a igreja, me confessar para fazer a comunhão, recebi questionamentos por demais inoportunos e indecorosos, os quais me afastaram completamente da igreja.


E como conheceu o Espiritismo?

Na época que me afastei da igreja, com um desejo grande de encontrar a Deus, certo dia retornando da escola para casa, passei na frente da Editora Pensamento, onde entrei e sem nenhuma indicação do vendedor, saí da livraria com o Evangelho Segundo o Espiritismo, Céu e Inferno, O Livro dos Espíritos. Hoje vejo o quanto fui guiada até lá, pois não tinha conhecimento da doutrina, não tinha ainda completado o curso do ginásio, contava com 13 para 14 anos de idade.

Até então eu tinha lido somente um romance espírita, “A Vingança do Judeu”, no entanto, não sei como, eu comprei aqueles três dos cinco livros básicos da Doutrina Espírita assinados por Allan Kardec. Comecei a ler, tive muita dificuldade em compreendê-los, em especial o Céu e o Inferno e o livro dos Espíritos. Mas, o Evangelho me ajudou muito.

Mais tarde já com 25 anos, ganhei o “Nosso Lar”, devorei o livro que tinha a etiqueta da livraria da FEESP, Procurei a Rua Maria Paula, em 1967, e saí de lá somente em 1999.



Quais os momentos mais marcantes dessa vivência?

Durante este período que estive, e ainda estou, em contato com o estudo da doutrina, a possibilidade de trabalhar na Seara do Mestre, sempre visualizo os fatos como flores que salpicam em nossa caminhada fomentando o aprendizado evolutivo. Muitas vezes são permeados por espinhos que encaramos como reais e necessárias oportunidades de burilamento na romagem evolutiva rumo a Jesus. Temos procurado sentir que o perfume exalado das flores semeadas são mais gratificantes que os arranhões que merecemos receber.


Quem destacaria nessa caminhada?

O acontecimento mais marcante de minha vida foi descobri a fé raciocinada, a lógica, sentir o quanto Deus nos ama, como Ele é maravilhoso e bom. O estudo da doutrina me aproximou muito Dele e de Jesus. Isto foi realmente a grande descoberta para quem estava decepcionada com a religião que conhecia até então. Foi minha “carta de alforria” para a vida, para a alegria de viver.

Outro momento muito marcante de minha caminhada, foi o reencontro com o Teodoro. Em desdobramento me mostraram quantas vezes nós já tínhamos caminhado juntos. Nosso afeto era ligado a épocas passadas, em várias reencarnações vividas juntos. Rogo a Deus que se repitam. Outros momentos muito marcantes em minha trajetória de vida, foram o nascimento dos meus quatro filhos. Não consigo compreender como tem mulheres que não gostam de ser mães. Ser mãe é divino.


Conheceu pessoalmente Chico Xavier?

Sim, graças a Deus tive algumas oportunidades de estar junto com o Teodoro ao lado do Chico, em Uberaba e também nos chás beneficentes do Clube Pinheiros, no Centro Espírita União, com o casal Galves.


Qual a importância de Chico Xavier e sua obra no contexto da Doutrina Espírita?

É grandiosa. O brasileiro somente vai se dar conta da grandeza do Chico daqui a várias décadas. Ele complementa a Codificação, com simplicidade, com profundidade quanto necessária, com sabedoria, com amor, com muita luz para todas as camadas da sociedade. Ele é luz no céu do Brasil.


Poderia nos fazer um histórico da FEESP e de sua participação naquela grande casa?

Participei da FEESP, de 1967 até 1999, desempenhei algumas tarefas, das quais guardo suaves lembranças, como também tive meus acertos espirituais com a minha passagem pela Inquisição no meu pretérito e tinha que resgatar. Paguei meu tributo com alegria, muitas vezes até com lágrimas de tristeza, mas paguei. Participei ao lado do Teodoro, naquilo que podia realizar, e depois da partida dele ao plano maior, procurei dar continuidade ao trabalho que ele tinha iniciado, até a minha saída em 1999, por conta de desacertos administrativos com os quais não concordei. Guardo uma gratidão muito grande pelo estudo que lá aprendi, pelo manancial de trabalho que a Casa oferecia. Agora a Casa está sob outra direção e guardo a certeza de que Dr. Bezerra cuida de todos os que de têm coração limpo, desprovidos de vaidades e de orgulho, acalentando amorosamente todos os que querem fazer parte de suas tarefas de amor.


Algo mais que queira acrescentar?

Ismael, aqui está minha pequena caminhada para Jesus. Estou longe, muito longe de pretender que, ao desencarnar, venha receber galardões, pois sei o quanto ainda tenho de burilar meu coração e meus pensamentos. No entanto, agradeço a Deus parafraseando Paulo de Tarso no “Graças a Deus já sou o que sou”. Conto com 67 anos completos, estando mais próxima do fim que do meio da jornada. Agradeço a Deus por tudo o que aprendi, passei, resgatei. Conquistas, se houve, às credito ao plano maior que me deu sustentação em todos os momentos. Hoje agradeço a Deus a Jesus e aos mentores amigos que tanta paciência tem comigo. Espero continuar lúcida trabalhando até o fim. Receba um grande abraço, agradeço pelo interesse, Muito obrigada e que todos permaneçam em paz com nosso mestre Jesus.










Fotos: Ombretta na época da Alitália; com o marido e filhos; com o esposo Teodoro participando de Congresso em Madrid, Espanha; saudando o amigo Chico Xavier, no chá do Clube Pinheiros, a família reunida; Teodoro no lançamento da Pedra Fundamental da nova sede da FEESP, na Rua Maria Paula; sede da Maria Paula, foto de Ismael Gobbo.

2 comentários:

sandra disse...

Maenzinha querida ... quantas saudades ... Tenho orgulho de ser tua filha e agradeço a Deus a oportunidade de ter nascido neste lar maravilhoso ... Estas memorias e fotos me transportam a recordaçoes de um passado muito feliz e de uma infancia cheia de exemplos na seara do mestre, que ajudaram a forjar o meu caracter atual ... Tenho certeza que um dia estaremos novamente TODOS juntos, com a alegria do reencontro de coraçoes que se amam muito. Muito obrigada por tudo.
Sandra.

Anônimo disse...

Mãe, concordo em "genro, número e grau" com a Sandra, como já dizia o velho 'bigodinho'. Tenho muita felicidade de ser seu filho. Que Deus te ilumine e continue lhe ajudando a ser essa pessoa de grande caráter e moral, repleta de exemplos maravilhosos me ajudando dia a dia, ser um cristão melhor. E como a San disse, dentro de nós existe a certeza que um dia todos estaremos juntos novamente.
Muito obrigado por tudo!
Ricardo