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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Focalizando o Trabalhador Espírita (138) Adriano Calsone


Adriano Calsone

Nossa entrevista deste sábado é com  Adriano Calsone,  trabalhador
espírita na cidade de São Caetano do Sul, SP, médium de psicografia
e de pintura. Com vocação para as artes plásticas, Adriano se apro-
fundou no tema  com profundidade   visando a publicação de um livro  
que abordasse a pintura mediúnica na visão espírita. Nesta conversa
com Adriano  buscamos saber sobre a utilidade da pintura obtida pela
via mediúnica, os  médiuns que  se   destacaram e vem se destacando
nesse gênero de  trabalho,  sobre  as  sessões  de  pintura  mediúnica,
sobre  venda  das  executadas  e a  posição dos  críticos     de arte em
relação à psicopictografia.


Adriano, pode nos fazer sua autoapresentaçao?

Me chamo Adriano Calsone, tenho 35 anos, sou casado e moro em São Caetano do Sul, SP. Venho de uma família de sensitivos: minha mãe e irmã são médiuns, porém, não são espíritas e também não desenvolveram suas mediunidades.
Em 2002 me tornei espiritista, e fui participar dos cursos de evangelização da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Me vi como um médium depois de praticar uma “curiosidade” com a psicografia, constatando toda a realidade do mundo espiritual. Com sensibilidade às artes plásticas, em especial ao desenho, pintura e modelagem mediúnica, migrei da psicografia à Pintura Mediúnica com tintas e pastéis, surgindo, posteriormente, uma grande reciprocidade com o trabalho de servir como médium aos espíritos que desejavam pintar. Para complementar meus estudos doutrinários, participei como médium de pintura por um período de três anos nos trabalhos itinerantes do GEAM – Grupo Espírita de Arte Mediúnica – coordenado por Afonso Moreira Jr.

Qual a sua formação acadêmica e profissional?

Sou formado em Comunicação Social e exerci, por alguns anos, as profissões de editor e assessor de imprensa e, atualmente, trabalho com internet e cultura digital. Ainda em 2002, atuei como coordenador editorial das publicações da Rede Visão, editora que produziu também o Ampla Visão – programa televisivo sobre Espiritismo e Espiritualismo, apresentado na época por Alamar Régis Carvalho, na TV Gazeta.

A que casa espirita esta vinculado presentemente?

Atualmente, em minha cidade, frequento os trabalhos de desenvolvimento mediúnico do Grupo Espírita de Trabalho Misail*, onde também atuo como médium de pintura.

Quais os livros de sua autoria e de que tratam?

Estreio com o meu primeiro livro intitulado Pintura Mediúnica – A visão espírita em ampla pesquisa. Não é um livro mediúnico e sim, uma pesquisa espírita, inspirada pelos bons amigos. Porém, no quesito “mediunidade”, o trabalho traz algumas de minhas psicografias produzidas neste grupo espírita em que atuo, no contexto do assunto que me propus a pesquisar.

Com surgiu a ideia de escrever o livro sobre Pintura Mediúnica na visão espirita?

Esta pesquisa nasceu, primeiramente, por causa da minha própria necessidade de desvendar a mediunidade de pintura. Na primeira vez que trabalhei como médium de pintura, o meu corpo todo entrou numa espécie de choque, e aí o dirigente do GEAM, na época o Sr. Afonso Moreira Jr., me disse que havia uma fila de espíritos aguardando para pintar por meu intermédio. Como eu estava iniciando a minha mediunidade, desconfiei daquilo tudo e, a cada trabalho, minhas dúvidas não paravam de aumentar. Foi então que, por conta própria, comecei a pesquisar tal mediunidade: comprei todos os livros disponíveis que se aproximavam do tema (que na época não passavam de meia dúzia); fui buscar em Kardec, relatos sobre desenhos e pinturas mediúnicos; entrevistei médiuns in loco, etc. Quando me deparei, havia reunido um grande volume de informações, organizando-as posteriormente por meio de perguntas e respostas. Aí decidi compartilhar isso com as pessoas, principalmente com os médiuns de pintura, surgindo, assim, a ideia de um livro.
Definitivamente, eu insisti nessa ideia de fazer um livro depois de ter notado, nas diversas apresentações de Pintura Mediúnica as quais participei em São Paulo, que as plateias nos abordavam com frequência, questionando sobre os bastidores desse trabalho. Fui percebendo também que os médiuns de pintura, incluindo os iniciantes, como eu na época, literalmente “se fechavam” em dúvidas e auto-questionamentos. Entendi então que um livro sobre o tema seria uma confluência benéfica de ajuda para essas pessoas.

Faça-nos por favor uma sinopse do livro.

O nosso livro Pintura Mediúnica – A Visão Espírita em Ampla Pesquisa veio à lume após cinco anos de estudos sobre o tema. Nesse período, concluí que a maioria dos espíritas pouco sabem o que é e o que realmente representa a Pintura Mediúnica para o Espiritismo. Assim, esta obra traz o resultado de uma extensa pesquisa sobre a modalidade mediúnica da pintura, desvendando particularidades de um trabalho essencial como qualquer outro da mediunidade espírita.
E para facilitar o estudo sobre o tema, o livro foi estruturado por meio de 150 perguntas e respostas, tendo como base as diversas obras da Doutrina Espírita, dos tempos de Allan Kardec (1857), aos dias de hoje. O leitor também poderá conferir entrevistas e depoimentos exclusivos com médiuns de pintura, além de uma pesquisa de campo e um experimento científico.
Num tempo em que a Pintura Mediúnica ainda é vista pelos próprios espiritistas com preconceito e aversão – um verdadeiro tabu no meio espírita –, diante do pouco conhecimento e falta de informação sobre o assunto, esta pesquisa procura lançar uma semente na terra produtiva do Espiritismo, esperando que o leitor possa colher seus frutos e fartar-se sob a luz da razão e do discernimento, com o dever de semear outros grãos para uma futura colheita.

Pode nos falar sobre a utilidade da Pintura Mediúnica?

A Pintura Mediúnica tem algumas utilidades. Acredito que a mais importante é a sua ação espiritual por meio das cores. Sabemos que há instrutores espirituais responsáveis por um trabalho bastante definido no campo da terapêutica, com a finalidade, por exemplo, de realizar pintura específica a uma determinada pessoa. Isso, chamamos de “pintura direcionada”, onde o arranjo de cores na tela terá uma ação direta em quem a receberá. Não me refiro à cura física, mas, principalmente, ao reequilíbrio mental deste indivíduo, pela influência direta da cromoterapia, bastante acessível num trabalho artístico de pintura.
Outra utilização se volta aos próprios espíritos. Amigos artistas que desencarnam em situações lastimáveis, os que abusaram de seus dons artísticos, assim que tomam consciência de seus atos na espiritualidade, necessitam desses grupos de médiuns de pintura para se recomporem e, consequentemente, precisam trabalhar com as pinturas mediúnicas para experienciarem uma renovação educacional no campo moral, ético e disciplinar, além de que as trocas energéticas com esses médiuns, – por meio do fluido animalizado desses últimos –, ajudam tais espíritos no refazimento perispiritual, aos que, assim, se faça necessário.
Por fim, uma Pintura Mediúnica quando afixada, indubitavelmente, proporciona harmonização no ambiente, além de positivar os espaços com temáticas espirituais.

Cite-nos os principais médiuns de pintura mediúnica brasileiros e estrangeiros nas variadas épocas.

Vou me deter aqui, apenas aos médiuns brasileiros que fizeram história no decorrer do século 20:
Na década de 1930, a médium Dinorah Azevedo de Simas Enéas (1888-1973), praticamente apresentou a Pintura Mediúnica aos brasileiros, e fez história ao lado de Chico Xavier. Ela simplesmente levou a Chico, os retratos mediúnicos dos abnegados benfeitores espirituais Emmanuel e André Luiz, a qual o profícuo médium de Uberaba, os atestou de bate-pronto, afirmando-a que eram assim que as duas entidades apareciam em sua vidência.
Outros médiuns ilustres tiveram fases importantes na Pintura Mediúnica, como exemplo: Francisco Peixoto Lins (1905-1966), o nosso querido médium de efeitos físicos “Peixotinho”. O espírito Tongo foi aquele que, comumente, desenhava por seu intermédio. Nesses trabalhos, frente à uma mediunidade puramente mecânica, a precisão que o espírito desenhista exigia do médium era tamanha, no sentido de retratar as entidades com a maior semelhança possível. Muitas pessoas que acompanharam os trabalhos mediúnicos de Peixotinho acabaram, desse modo, conhecendo os seus próprios guias espirituais, pelos retratos que eram feitos nas reuniões.
Outro grande medianeiro que contribuiu para a história brasileira da Pintura Mediúnica, inestimável médium de efeitos físicos, foi Carmine Mirabelli (1888-1951). De fato, segundo o livro do genial L. Palhano Junior (Mirabelli – um médium extraordinário), espíritos afeitos às artes da pintura começaram a se aproximar do médium e o influenciam quase que diariamente. Produziram as mais lindas pinturas a óleo, a crayon e, também, aquarelas. Em apenas dois meses, Mirabelli viu à sua frente mais de 46 telas mediúnicas, sem nunca antes ter tocado em um pincel ou giz.
Todavia, indiscutivelmente, o médium que adentrou com a Pintura Mediúnica em nossas casas foi Luiz Antonio Gasparetto. Nas décadas de 1970 e 80, Gasparetto levou e elevou a Pintura Mediúnica a um patamar ainda mais alto, em termos de entendimento e divulgação populares. Para espanto geral, ele mostrou, na prática, como se pinta com os espíritos, exibindo suas apresentações mediúnicas de pintura por meio de vários canais da TV brasileira, inclusive em TV´s internacionais, como a BBC de Londres, além de sua mediunidade psicopictográfica servir como experimento a vários cientistas europeus da época.
Já os médiuns de pintura estrangeiros, para citar alguns: Margaret Bevan, em Londres, pintava retratos de pessoas falecidas e desconhecidas; em noventa por cento dos casos há correspondência desses retratos com fotografias de pessoas reais, falecidas.
Na Itália, temos casos similares a este como o de Iric Canti, em Milão, e Maria Lambertini, Bolonha, bem como o agente Raphael Schermann.
O operário quase analfabeto Augustin Lesage realizava pinturas extraordinárias.
Elisa Muller (mais conhecida como Helena Smith) realizou pinturas sobre possíveis habitantes de Marte, executando suas obras também com os dedos e unhas.
Victor Spencer pintava seus quadros ao avesso e os endireitava apenas ao final.
O polonês Marjan Gruzewski realizou, em cinco minutos e na ausência de luz, o seu primeiro desenho. Desde menino foi julgado inapto a receber instruções porque pintava por conta própria, alheio às instruções dos mestres. Com o curtidor de pele Machner também aconteceu o mesmo.
O italiano Franco Lowley desenhava com velocidade fulminante a partir de 1913, gastando de vinte segundos a um minuto e meio para executar suas obras. Mesmo de olhos vendados, ou na escuridão, desenhava perfeitamente e chegou a produzir pinturas precognitivas (como a guerra da Abissínia e o bombardeio de Roma).
Victorien Sardou, dramaturgo francês, realizou pinturas sob transe psicautônomo.
Em 1953, Talamonti observou o menino Gianinni Cavalcoli, de Ravena, com seis anos, produzir desenhos com velocidade vertiginosa. Em três anos, produziu vinte mil obras.
David Duguid e John Ballou Newbrough psicopictografavam no escuro, e este também o fazia com as duas mãos simultaneamente. Outros psicopictógrafos famosos no exterior foram William Howit e Catherine Berry.

Quem você destacaria atualmente? 

A minha opinião será limitada, já que conheço, pessoalmente, pouquíssimos trabalhos desses médiuns contemporâneos, ditos famosos. No período de minha pesquisa para o livro, tive uma dificuldade enorme de conversar, e entrevistar alguns desses médiuns ilustres. Inclusive, na época, um determinado médium famoso viu o meu trabalho de pesquisa com bastante "desconfiança" e, sequer, me prontificou uma resposta, que a aguardo até hoje.  
Tive a oportunidade de ver algumas Pinturas Mediúnicas realizadas, em estúdio, pelo médium baiano José Medrado, e me pareceram bastante sérias. Os trabalhos das médiuns Valdelice Salum e Maria Gertrudes também me deixaram boas impressões, e temos vários depoimentos dessas grandes médiuns em nosso livro.
Inclusive, nesse último domingo, 15 de abril, tive o prazer de conhecer a Marilusa Moreira Vasconcellos, que a gente sabe que é uma das maiores médiuns de pintura da atualidade. Ela é uma pessoa muito simpática, me contou várias histórias intrigantes sobre o seu trabalho como médium de pintura. Sem dúvidas, posso dizer: é uma pessoa que tem muito a nos acrescentar sobre esta mediunidade.
Outros médiuns psicopictógrafos "de expressão", com os quais tive a oportunidade de conversar rapidamente pelo Facebook, foram o carioca Lívio Barbosa e Florêncio Anton. Mas tenho certeza que há muitos outros bons médiuns que preferem o anonimato, fazendo um excelente trabalho sem a necessidade das grandes plateias e holofotes espíritas.

A bíblia tem precedentes sobre o assunto?

A Bíblia não foi objeto de minha pesquisa, portanto, não tenho como afirmar se há evidências nela de médiuns que desenhavam ou pintavam por meio dos espíritos. Acredito que, entre os responsáveis pelas escrituras sagradas, que nada mais eram que “médiuns”, pode ter havido os que ilustravam tais passagens com desenhos e pinturas, mesmo sem saberem que estavam sendo influenciados por entidades espirituais.

Onde podemos encontrar referencias na obra Kardequiana e qual a visão do codificador a respeito?

Talvez a referência mais direta sobre esta modalidade mediúnica está em O Livro dos Médiuns, “Cap. XVI – Médiuns Especiais”, descrita por Allan Kardec como “Médiuns pintores ou desenhistas - Os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos”.
Dessa forma, concluímos que a psicopictografia, ou se preferirem, a psicopictura, não é um modismo dos nossos dias. Como visto, a codificação e prática consciente dessa mediunidade vem dos tempos de Kardec, lá do século 19. Sem dúvidas, Allan Kardec foi um grande admirador e patrono das artes espíritas. Inclusive, ele idealizou o “Museu do Espiritismo”, onde lá seriam reunidas obras das artes espírita e mediúnica, mas o seu desencarne engavetou o grande projeto.
Na histórica viagem espírita que fez, em 1862, a qual visitou diversas cidades do interior da França, em sua primeira viagem a serviço do Espiritismo, ele obteve conhecimento da existência de vários médiuns psicopictógrafos, alguns até chegaram a procurá-lo para relatar suas experiências. Assim, ele foi catalogando na Revista Espírita esses relatos e encontros com tais médiuns de desenho e pintura. E muitos desses depoimentos do próprio Codificador estão publicados em nosso livro. Não é por acaso que a sua sensibilidade e gosto pelas artes do desenho e pintura eram tão apurados. A sua esposa, a doce Gaby – Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883) era professora de artes. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras artísticas: Contos Primaveris (1825); Noções de Desenho(1826) e, O Essencial em Belas Artes (1828).

Há pinturas divulgadas por Kardec?

Talvez o registro mais evidente e memorável que Allan Kardec publicou sobre o desenho mediúnico foi o da Cepa (ramo de parreira), expressada no capítulo Prolegômeros em O Livro dos Espíritos. Vejamos as recomendações dos Espíritos para Allan Kardec:
— Colocará no cabeçalho deste livro a cepa que te desenhamos. Ela é o emblema do trabalho do Criador. Aí estão reunidos todos os princípios materiais que representam melhor o corpo e o Espírito.
O corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou Espírito ligado à matéria é o bago. O homem purifica o Espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito conquista conhecimentos.
São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc.

Como está enxergando as sessões de Pintura Mediúnica nas casas espíritas?

Penso que, para o médium, a função primeira da Pintura Mediúnica seja o seu desenvolvimento mediúnico. Infelizmente, muitas pessoas acreditam que este trabalho é dependente de apresentações públicas para se justificar e, consequentemente, fica no ar aquela obrigação de vender as obras, e o que se vai fazer com o dinheiro arrecadado etc. De outro lado, muitos dirigentes de casas espíritas, – críticos ferrenhos da fenomenologia dessa mediunidade –, e de seu resultado estético, ao crivo exclusivo do gosto particular, se esquecem de que a Pintura Mediúnica é um excelente meio de inclusão, principalmente na iniciação da mediunidade em jovens, como, por exemplo, os das mocidades espíritas. Mas esses preferem ocultá-la, a inaugurar em suas casas espíritas, um curso de desenvolvimento mediúnico em pintura. Já ouvi também relatos absurdos de “espíritas” que acreditam mesmo que os médiuns de pintura são trabalhadores obsidiados quando, na verdade, falta para esses confrades, mais bom-senso e estudo. Como diz um amigo meu: "Quem não estuda, esturra!"
O nosso livro vem no sentido também de incentivar os dirigentes a criarem, nas suas casas espíritas, cursos de desenvolvimento mediúnico na pintura, que podem ser num formato de estudo às portas fechadas, sem a dependência das apresentações públicas ou retornos financeiros, assim como existe gratuitamente há anos, e com grande sucesso, o “Curso de Treinamento em Psicopictografia” da Federação Espírita de São Paulo, por exemplo.
Quando nós espíritas nos propusermos às mudanças de comportamento e mentalidade sobre o assunto, acredito que haverá mais diálogo e aproximação, até entre os próprios médiuns de pintura, no objetivo comum da conjugação de ideias e ideais. Quem sabe num futuro próximo não seja possível realizar até um Simpósio Nacional de Médiuns de Pintura? É possível! Já começamos a plantar aqui as sementinhas.
Mas não podemos negligenciar essa atual realidade, onde as incompreensões sobre o tema estão bastante disseminadas. Não há como negar que essa modalidade mediúnica ainda é a "prima pobre" do movimento espírita brasileiro. 

Temos ouvido criticas sobre os leilões e a venda de quadros sempre tendo uma instituição beneficente como pano de fundo. Como enxerga isto? É esta a finalidade da pintura?

Não, esta não é a finalidade da Pintura Mediúnica. Particularmente, não sou a favor dos leilões de obras mediúnicas, por vários motivos, o principal, pelos altos valores que os médiuns estão exigindo nas pinturas. A gente sabe que existem medianeiros que já pintaram, por meio dos espíritos, mais de 15 mil telas em pouquíssimos anos. Se em cada uma de suas apresentações públicas, por exemplo, esses médiuns aderiram ao formato do leilão, e resolveram iniciar um lance mínimo de 300 reais por uma tela, é logico acreditar que eles estão ricos, mesmo doando parte da renda para a casa espírita que visitam, ou mesmo separando-a para os gastos que tiveram com o material de pintura.
Enfim, em nossa humilde opinião, o leilão é bastante ostensivo e, infelizmente hoje, os altos valores praticados em telas mediúnicas carregam, muitas vezes, o pretexto da beneficência espírita, quando, na prática, muitas vezes, isso pouco ocorre, e quando de fato acontece, é um tipo de doação parcial carregada de justificativas particulares. O que é um pesar!
Enfim, uma das bandeiras que levantamos em nosso livro, é a do bom senso na utilização desta mediunidade, também para o estudo e aprimoramento mediúnicos, mesmo que for a reuniões fechadas, sem envolver dinheiro algum.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo que trata sobre “Mediunidade Gratuita”, os Espíritos nos esclarecem que “a mediunidade é uma coisa santa que sempre deve ser praticada santamente, religiosamente. Todos aqueles, pois, que não tem do que viver, que procure recursos em outra parte do que na mediunidade. Que não consagre a ela, se necessário for, senão o tempo de que possa dispor materialmente. Os Espíritos se afastarão daqueles que esperam fazer deles um meio para subir. Em contrapartida, lhes terão em conta o devotamento e seus sacrifícios”.
Já Emmanuel, no livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier, lembra que “quando um médium decide transformar suas faculdades em fonte de renda material, será bem melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e deixar de se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais. A remuneração financeira, no trato das questões profundas da alma, estabelece comércio criminoso, em que o médium deverá esperar no futuro os resgates mais dolorosos”.
É evidente que as apresentações públicas devam prosseguir, todavia, nós espíritas, precisamos repensar a maneira como estamos conduzindo e lidando com tal mediunidade, frente a um tipo de comércio que nos apresenta desenfreado.

Quais os melhores trabalhos mediúnicos que você pesquisou?

Não digo os melhores, mas talvez o mais intrigante e sensacional de todos os tempos são os trabalhos autenticamente mediúnicos do operário francês, quase analfabeto, Augustin Lesage (1876-1954). Jorge Rizzini e sua esposa Iracema Sapucaia tiveram a honra de traduzir o livro O fantástico Lesage, de Marie-Cristine Vitor, pesquisa a qual muito me impressionou.
Na França, Rizzini e Iracema contemplaram pessoalmente quadros apoteóticos — de beleza irrepetível! — que os Espíritos produziram através desse fantástico e humilde médium Augustin Lesage. Sob o comando de seus guias espirituais, entre os quais Leonardo Da Vinci, sujeitava-se a todo tipo de prova. Pintou em estilo egípcio no Instituto Metapsíquico Internacional, em Paris, sob o controle do cientista E’ugene Osty, presidente da instituição. Uma das telas media dois metros de altura por um e meio de largura. O médium, em transe, colocou na tela milhares de miniaturas pintadas a óleo que só podiam ser bem analisadas através de uma lupa. Lesage, como observou um de seus críticos, pintava rapidamente “como se fosse uma máquina, com precisão, sem intermitência”. Presenciou o fenô­meno, entre outros, Charles Richet (detentor do Prêmio Nobel) e o físico inglês Sir Oliver Lodge (da Sociedade Real da Inglaterra).

Qual a opinião de artistas e críticos sobre as pinturas mediúnicas?

Em primeiro lugar, é muito difícil artistas e críticos de arte (não-espíritas), admitirem a presença do espiritual na arte, porque, infelizmente, muitos deles são materialistas e até ateus. A bem da verdade, pouquíssimos deles admitem que exista a espiritualidade. Quando o pintor e escritor russo Wassily Kandinsky, que não era espírita, lançou, em 1911, o célebre Do Espiritual na Arte, estudo que trouxe grande relação com o Espiritismo por lançar ideias espiritualistas sobre a Arte, ele foi vilipendiado por críticos, e pelos seus próprios amigos pintores da época.
Hoje, quando um pintor ou um crítico de arte é convidado para avaliar uma Pintura Mediúnica, eles logo dizem que a composição está longe de ser autêntica porque, além de malfeita e realizada às pressas, não é possível que se admita, para eles, que um espírito (do além), dito famoso, colaborou com o médium na realização da tela.
E para piorar de vez esta relação, o médium assina a pintura com um pomposo “Monet”, ou mesmo com um contundente “Van Gogh”, que muitas vezes toma quase metade da tela, sob o pretexto de que foi o próprio espírito pintor que desejou assim firmá-la. Em verdade, poucos são os médiuns que admitem que a assinatura partiu da vontade deles próprios, e não dos Espíritos. É fato que essas assinaturas em telas mediúnicas, na maioria das vezes, não são dos Espíritos famosos que as firmam, além delas muito instigarem a vaidade nos médiuns. Todavia, para não configurar falsas identidades, sugerimos que os médiuns não assinem as telas mediúnicas.
Sabemos que os ditos “pintores famosos” podem até se manifestar, mas não fazem questão alguma de deixar suas firmas. Lembrando também que muitos desses grandes mestres já reencarnaram.
O que frequentemente ocorre nessas apresentações, ou em reuniões fechadas, é a presença espiritual de grupos de pintores, muitos deles, espíritos estudantes/aprendizes de determinadas escolas artísticas, com as quais se propuseram a trabalhar na espiritualidade. Esses pintores astrais, acompanhados por instrutores, se apresentam em reuniões sérias para deixarem nas Pinturas Mediúnicas, e também nos médiuns, suas “impressões artísticas”, que podem estar na linha cubista, expressionista, impressionista, abstrata, ou numa escola completamente estranha, que não exista na Terra, por exemplo. Enfim, está mais do que na hora de nós médiuns assumirmos as responsabilidades deste trabalho!

Algo mais que queira acrescentar?

Um colega me perguntou esses dias se eu já conseguia imaginar como o nosso livro seria recebido pelos espíritas. Eu lhe disse que esperava que o recebessem sem preconceitos, com “olhos livres”, assim como acredito que os não-espíritas irão recebê-lo. E se nós não acreditássemos na seriedade dos mecanismos desta mediunidade, regidos pelo plano espiritual, há tempos já teríamos arriado a bandeira em defesa dessa causa. Acreditamos sim, que ainda é preciso arejar opiniões e repensar sinceramente esses velhos tabus criados pelos próprios espíritas. Enfim, o preconceito e a desinformação são grandes índices que evidenciam a necessidade de mais compreensão daquilo que conhecemos superficialmente.

As suas despedidas dos nossos leitores

É péssimo saber que ainda estamos muito longe de um ideal de discernimento deste trabalho, entre nós espiritistas, principalmente quando se dá a cara para bater, vivendo na pele, a experiência de ser um médium de pintura, como é o meu caso. Mas só o fato de termos a oportunidade, como nesta entrevista, de falar desses paradigmas e preconceitos, e comentá-los também nas casas espíritas, já configura um tipo de abertura ao bate-papo fraterno. É um sinal também de que essas monoideias têm o seu prazo de validade.
Quero deixar claro ao leitor que os nossos depoimentos aqui não tiveram como objetivo o de criar conceitos a serem seguidos, pois sabemos que as vivências mediúnicas nunca são iguais, muito menos estabelecer o que é certo ou o que está errado neste trabalho. O nosso propósito, inclusive com o livro, é o de abrir espaço para discussões, permutar ideias, reunir conhecimentos e, sobretudo, incentivar o desenvolvimento desta mediunidade nas casas espíritas, para que possamos melhor trabalhar e compreender os seus mecanismos.
Grato pela oportunidade! Fale com o autor, ou adquira o nosso livro pelo e-mail: pintura-mediunica@live.com.

Livro “Pintura Mediúnica - A Visão Espírita em Ampla Pesquisa”, de Adriano Calsone. Parte da renda obtida com a venda de nosso livro, será revertida ao Grupo Espírita de Trabalho Misail, a qual participo.

Adriano no evento de lançamento do livro, com o apoio cultural da Prefeitura de São Caetano do Sul.

Com seus familiares: da esquerda para a direita, Adriano, sogros Célia e Deilon, e tia Cilmara.

Com sua mãe, dona Fátima. A Pintura Mediúnica, (à direita), foi realizada por meio da médium Márcia Bonesso.

Grupo Espírita de Trabalho Misail. Mais informações pelo site: http://getm.org.br/.
A Cepa, desenhada pelos Espíritos a Kardec, se encontra no Prolegômenos de “O Livro dos Espíritos”. Um dos primeiros desenhos mediúnicos publicados na obra da Codificação.

Lesage pintando mediunizado.

O médium Carmine Mirabelli em levitação. Ele teve interessantes experiências com a Pintura Mediúnica.

“Peixotinho” também contribuiu como médium de pintura.

Principal responsável pelo entendimento e divulgação
da Pintura Mediúnica nos anos 1970 e 80.

Livro “Do Espiritual na Arte”
Wassily Kandinsky
Livro “O Fantástico Lesage”, um dos maiores médiuns de pintura de todos os tempos.


Médium: Adriano Calsone


Nos detalhes: o que aparentemente parecem borrões são, na verdade,
retratos (de costas) de entidades que tocam fogo em árvores.
Talvez, um protesto dos Espíritos contra o atual desmatamento em nosso País?
As “impressões” são mais importantes que as “assinaturas”. Não há a necessidade de saber qual o Espírito que a pintou.
Médium Adriano Calsone

Telas pintadas por meio dos médiuns do Grupo Espírita de Trabalho Misail. As Pinturas Mediúnicas do Grupo
não recebem assinaturas. Muitas vezes, o emprego de cores específicas é mais importante que a figuração em si.
Médium Adriano Calsone


No Grupo Espírita de Trabalho Misail não só telas mediúnicas são pintadas, mas também livros.
Todos são trocados por alimentos, revertidos às pessoas carentes que procuram as frentes assistenciais do Grupo.
Médium Adriano Calsone

Trabalhos de Modelagem Mediúnica (Esculturografias),
que foram realizados em reuniões fechadas de desenvolvimento mediúnico,
no Grupo Espírita de Trabalho Misail.
Médium: Adriano Calsone


Infelizmente, a Modelagem Mediúnica é um trabalho pouco conhecido e realizado no meio espírita. Considerada também uma das modalidades mediúnicas da Arte Espírita.
Médium Adriano Calsone


Pintura mediúnica por Adriano Calsone

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 21-04-2012

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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 20-04-2012

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Anencefalia

Joanna de Angelis. Imagem: Internet

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.

De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.

O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.

Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.

Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.

Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.

Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.

Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.

Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.

Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...

Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.

Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...

Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.

*

É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.

Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.

Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.

Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…

Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.

Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...

Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.

Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.

Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.

Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.

... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.

Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...

A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.

As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.

Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?

O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…

*

Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.

Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?

Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.

Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

O médium Divaldo Pereira Franco. Imagem: Internet

(Publicada com autorização de Divaldo Pereira Franco)


NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 16-04-2012

Clicar aqui:

domingo, 15 de abril de 2012

Focalizando o Trabalhador Espírita (137) Lucy Dias Ramos

Lucy Dias Ramos

Entrevistamos neste sábado a oradora e escritora

Mineira Lucy Dias Ramos que, além de nos falar

de seu exemplar trabalho no movimento espírita,

com grande produtividade, nos dá uma grande lição

de fortaleza moral e espiritual, especialmente pela

pela forma serena e corajosa como enfrentou o longo

tratamento de Sandra, sua filha, acometida de câncer

no ano de 2002 e que desencarnou em 2008.

Somou-se àquele sofrimento ao lado de Sandra o da

morte do esposo Dr. Antonio da Silveira Ramos, que

sofreu acidente automobilístico no inicio do trata-

mento da filha. O desdobramento de atenção de Lucy

e dos filhos para ambos é comovedor, uma aplicação

prática do Evangelho de Jesus, uma verdadeira lição

de vida na forma como o Mestre espera de cada um

de nós.

Lucy pode nos fazer sua apresentação?

Nasci no dia 5 de março de 1935, na cidade de Rio Novo, Minas Gerais, num lar espírita. Meus pais Plinio Dias e Maria José de Toledo Dutra Dias, desde muito cedo nos deram lições de como deveríamos nos comportar como espíritas, reunindo-nos semanalmente para realizar o Evangelho no Lar. Meus irmãos são: Carlota J. Dias Sacramento, José Augusto Dutra Dias e Alípio Dutra Dias (encarnados). Já desencarnaram: Cristiano, Maria Madalena, José, Milton e Pedro.

Casei-me em 1957 e meu marido Dr. Antonio da Silveira Ramos desencarnou em julho de 2006. Tivemos 6 filhos: Sandra, Antonio, Rejane, Valéria, Sheila e Cristiano. Sandra desencarnou em 23 de agosto de 2008. Tenho, atualmente, 16 netos cujas idades variam de 1 ano a 31 anos, por ordem de nascimento são: Camilla, Tatiana, Plinio, Juliana, Guilherme, Bernardo, Caio, Nelson Henrique, Aldo, João Pedro, Fernanda, Hugo, Arthur, Johann, Maria Clara e Diego. Os bisnetos são: Pedro Henrique, Lucas, John, Isabella e Pedro.

Qual a sua formação acadêmica e profissional?

Em 1957 graduei-me em Ciências Sociais, pela Faculdade de Filosofia e Letras de Juiz de Fora. Posteriormente ela foi incorporada à UFJF.

Fiz o curso de Administração Hospitalar, ocupando o cargo de Diretora do Hospital Silveira Ramos durante vinte anos. Aposentei-me em 1995.

Como conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?

Nasci num lar espírita, tendo recebido de meus pais orientação e ensinamentos de nossa doutrina.

Mudamos para Barra do Piraí, RJ quando eu estava com oito anos, tendo sido encaminhada com meus irmãos para as aulas de “Moral Cristã”, como eram chamadas na década de quarenta, no Grêmio Espírita daquela cidade. Depois frequentei a Mocidade Espírita João Batista e a Mocidade Espírita Humberto de Campos do Centro Espírita Bezerra de Menezes que meus pais fundaram naquela cidade, na década de quarenta.

Que casa espírita freqüenta e quais atividades nela desenvolve?

Desde 1964 frequento uma instituição denominada Casa Espírita, que fica na Rua do Sampaio, 425, na região central de nossa cidade. Nesta casa iniciei minhas atividades como médium, auxiliar de direção na reunião pública, no setor de Assistência Social e fui me integrando na área administrativa e de divulgação, tendo sido presidente por dois mandatos, depois ocupando vários cargos na diretoria até recentemente. Atualmente participo de uma reunião mediúnica (estou nesta reunião há 48 anos). Falo deste trabalho no livro “Mediunidade e Nós”, coordeno um Grupo da Terceira Idade e o Grupo de Estudo Joanna de Ângelis, onde estudamos a linha psicológica, semanalmente, há 16 anos. Estou licenciada do Tratamento Espiritual da Criança, cujo trabalho organizei há doze anos, para atender crianças com problemas espirituais, psicológicos ou distúrbios comportamentais. Já colaborei em muitos outros setores, como Dirigente do Dep. de Divulgação Doutrinária, Departamento de Assuntos da Família, Departamento de Assuntos da Mediunidade e atualmente estou como Vice Diretora do Departamento de Assuntos da Mediunidade.

Pode nos fazer uma súmula de sua atuação no movimento espirita durante esses anos?

Em Barra do Piraí: Integrante da Mocidade Espírita João Batista do Grêmio Espírita e Secretária da Mocidade Espírita Humberto de Campos, do CE Bezerra de Menezes.

Participante do I Congresso de Mocidade Espírita, no Rio de Janeiro em julho de 1948.

Em Rio Novo: Participante e secretária da Mocidade Espírita Dias da Cruz.

Em Juiz de Fora: Casa Espírita – Atividades atuais já descritas acima na pergunta anterior e outras atividades como:

Presidente, dois mandatos e vários cargos desde 1970 até 2009. Membro do Conselho Deliberativo, hoje com outra denominação.

Organizadora de vários grupos de estudo e coordenadora de cursos, como COEM, ESDE e PROGEM.

Participei como expositora do Grupo dos Entes Queridos, Reuniões Públicas, Seminários e outros eventos da Casa Espírita, de outros centros de Juiz de Fora e região, Angra dos Reis, Poços de Caldas, Vila Velha (ES).

Em Juiz de Fora, colaboro com exposições e aulas no G. E. Eurípedes Barsanulfo, C.E. Fé e Caridade, lançamentos de livros etc.

Na Aliança Municipal Espírita, participei de várias diretorias, tendo sido secretária, diretora do Departamento de Assuntos da Mediunidade, Secretária da revista O Médium e posteriormente supervisora, até 2007.

Reuniões e seminários na AME-JF no DAM (Departamento de Assuntos da Mediunidade). Reuniões do COFEMG com assuntos ligados à Unificação etc.

Na Fundação João de Freitas sou membro do Conselho Curador (deliberativo).

Atualmente estou colaborando no Projeto INTEGRAR da Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora, além de outras atividades ligadas à divulgação espírita, principalmente, escrevendo para revistas e jornais.

De que maneira se iniciou como articulista e para quais órgãos escreveu e escreve?

Iniciei na década de setenta na revista O Médium incentivada pela querida amiga Suely Caldas Schubert. Depois fui estendendo minha colaboração para as revistas: Reformador, Presença Espírita, RIE – Revista Internacional do Espiritismo, jornais espíritas como: Mensagem de Luz (Juiz de Fora), Boletins e informativos via internet etc.

Escrevi durante algum tempo para um jornal diário de nossa cidade, Diário Regional, que nos concedia uma coluna chamada Visão Espírita.

Colaboro com jornais, boletins e informativos de alguns centros aqui de Juiz de Fora, como o Mensagem de Luz, Informativo do C.E. Ivon Costa e outros pela Internet.

E como escritora de livros?

Escrevia em revistas e jornais espíritas desde a década de setenta, mas não pensava em escrever livros. Quando completei 70 anos, minhas filhas Sandra e Valéria e um amigo Carlos Abranches reuniram alguns artigos meus já publicados nos periódicos já mencionados e organizaram um livro chamado “Recados de Amor”. Como foi o primeiro livro, Carlos Abranches teve um pouco de dificuldade em conseguir uma gráfica para a editoração, mas a FEB quis publicar e fui surpreendida no dia de meu aniversário com a notícia de que ele seria editado. Isto me animou porque eu estava numa fase de muitas dores e perdas que se sucederam e escrever fazia um bem enorme para minha alma, quando decidi publicar outros, como o “Luzes do Entardecer” que foi elaborado neste período de enfermidades na família e muitos problemas vivenciais... Logo que minha filha morreu, uns dois meses depois, minha terapeuta aconselhou-me a escrever e eu já havia feito um diário, no qual narrava os acontecimentos vividos ao lado dela, quando permanecia em sua companhia... Com estes relatos fui compondo o livro “Maior que a Vida”. Foi difícil, mas consegui escrever, pensando na ajuda que poderia prestar a outras mães em situações idênticas.

Quantos títulos você já publicou e de que tratam?

Sãos os seguintes os livros por ordem cronológica:

Recados de Amor – FEB – 2008 – Lançado na Bienal de São Paulo (não pude comparecer, porque foi justamente neste dia que minha filha desencarnou), Forum Espírita e Fundação Espírita Allan Kardec de Juiz de Fora.

Luzes do Entardecer – FEB – 2009 – Bienal do Rio de Janeiro e Livraria 18 de Abril na Casa Espírita.

Maior que a Vida – FEB – 2010 – Livraria Saraiva em Juiz de Fora - MG

Gotas de Otimismo e Paz – FEB – 2011 – Bienal do Rio de Janeiro

Mediunidade e Nós – Solidum – 2011 – Lançado em Matão (SP.) e na AME Livros da Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora.

Ainda não publicados e encaminhados às editoras e já aprovados:

Folhas de Outono – FEB

Arquivos do Coração – Solidum

Lucy seria possível nos contar um pouco da vida de sua filha Sandra que foi inspiração para o surgimento do livro “Maior que a Vida”?

Foi minha primeira filha. Não sei descrever a emoção que senti quando ela nasceu. Minha vida mudou muito desde aquela tarde de abril de 1958, quando ela chegou ao nosso lar. Cresceu como nasceu, sem muito trabalho, sem maiores preocupações, a não ser um medo instintivo de perdê-la, como todas as mães sentem e somente elas sabem explicar. Lembro-me com clareza os momentos de sua infância, a ida pela primeira vez para o colégio, o primeiro namorado, a primeira decepção amorosa quando chorou em meus braços, a formatura onde a vejo linda dançando com o amor de sua vida, o casamento, os nascimentos dos filhos, sua ida para outra cidade, onde viveu alguns anos longe de nós... Morou uns dez anos em Niteroi e freqüentava o centro onde o Prof. Raul Teixeira trabalhava, depois ele fundou a Sociedade Espírita Fraternidade. Posteriormente morou 2 anos em Salvador e freqüentava o C.E. Caminho da Redenção... Ela dizia ser muito ajudada por Deus, tendo estas oportunidades de estar em contato com estes dois valorosos benfeitores.

Voltando a morar em Juiz de Fora, participava da Casa Espírita, onde realizou os cursos normais como ESDE e COEM, participava de uma reunião mediúnica, Grupo de Estudo das obras de Joanna de Ângelis, dava aulas. Fazia trabalhos voluntários em outras instituições como médica porque sendo Oftalmologista, tratava de crianças com baixa visão. Foi excelente médica e exerceu a Medicina com dignidade e competência, fazendo Mestrado, Doutorado e muitos clientes que se tornaram amigos...

De seu casamento com Carlos Abreu, nasceram dois filhos Bernardo e Hugo. Bernardo é Engenheiro de Produção e trabalha aqui em Juiz de Fora e Hugo está fazendo também Engenharia. Hoje estão com 24 e 19 anos, respectivamente.

Considero minha filha uma guerreira, uma cristã que procurou seguir os ensinamentos de Jesus com lealdade.

Numa das mensagens que ela me enviou disse: “Mãe, gostaria de ser como a senhora me descreve no livro, estou me esforçando muito neste sentido...”

Foi uma ótima filha, estudiosa, compreensiva e sempre muito amiga. Temos uma afinidade espiritual muito grande. Amo a todos os meus filhos com a mesma intensidade, mas ela era diferente em muitas coisas. Delicada, gentil, tratava a todos com generosidade e atenção, segura e confiante em tudo o que empreendia. Correta e muito ligada aos problemas de todos os amigos e familiares, sempre dando apoio fraterno, procurando ajudar.

Vivemos momentos de intensa felicidade nas reuniões familiares, nos encontros de Natal, aniversários e nos que permanecíamos juntas conversando sobre nossos problemas, nossos planos... Em 2002, no final do ano, ela nos comunicou que estava com câncer. Depois de muitas lutas e dores intensas o câncer motivaria sua desencarnação em 2008. No livro Maior que a Vida, logo no primeiro capítulo faço uma narrativa de sua vida, e escrevi agora de forma mais reduzida.

Deve ter sido difícil para você enfrentar sucessivamente a desencarnação do esposo e da filha em tão breve lapso de tempo.

Na primeira fase da enfermidade de Sandra, que foi justamente no ano em que o pai dela sofreu o acidente automobilístico que o reteve muitos meses hospitalizado e depois numa recuperação parcial longa e difícil em todos os sentidos, fiquei muito ocupada com ele, mais tempo no Hospital que em casa, dando todo o apoio de que necessitava. Mesmo assim fui com Sandra na primeira consulta ao Rio de Janeiro, e a programação da quimioterapia foi agendada para ter início em abril. Na véspera, já com minha bolsa de viagem pronta para ir para o Rio com ela, recebi a notícia do acidente, ao entardecer e foi justamente a Sandra quem me ligou dando a notícia e pedindo-me que não dirigisse até o Hospital porque ela iria buscar-me. Não pude acompanhá-la para as sessões de quimioterapia, mas suas irmãs a ajudaram muito e seu marido também.

Nesta fase, ainda acreditávamos na possibilidade da cura e ela ia frequentemente ao Hospital ver o pai e ajudar dentro do possível. Seu irmão, também médico ajudava a ela e ao pai, neste período de muitas preocupações para todos nós... Graças a Deus meus filhos, os amigos da Casa Espírita e do S.E. Joanna de Ângelis nos deram o suporte necessário para vencer todas as tribulações, com preces, fluidoterapia e outros recursos que a Doutrina Espírita nos concede. Eu orava muito, lia e escrevia dentro do possível, mesmo estando no Hospital. O livro Luzes do Entardecer tem alguns capítulos escritos nesta época.... Foi difícil, mas não desanimei e a ajuda espiritual foi muito expressiva, dando-me forças e coragem, amenizando as provas e expiações. Muitas noites, quando podia regressar ao lar, depois que o enfermeiro chegava e um dos filhos ou netos vinham para ajudar, durante a enfermidade de meu marido, eu pensava que não iria suportar... Mas meu amigo e guia espiritual, me dizia: “Tenha coragem, não desanime... Ainda temos muitas lutas a enfrentar. Vá para casa, descanse e procuraremos ajudar durante seu repouso físico...” No dia seguinte eu levantava às 6 horas da manhã para retornar ao Hospital, sentindo-me forte e esperançosa para enfrentar novo dia.

Com todo seu conhecimento e experiência espírita ainda persiste alguma dor por conta das separações?

Eu não diria “dor” como a que sentimos nos primeiros meses... Doía muito no coração, que se constrangia como se tivesse sendo dilacerado, hoje persiste a saudade, a certeza do reencontro, a gratidão a Deus pela crença na imortalidade e a possibilidade de perceber os entes queridos que partiram ou mesmo, nos momentos do sono, em desdobramento termos encontros, conversas. Mesmo em vigília sinto a presença, principalmente, de Sandra em vários eventos espíritas ou encontros de família, que sempre participava com interesse e alegria. Recentemente, em São Paulo, no Encontro com o Divaldo, no Hotel Jaraguá, em determinada reunião, quando ele falava de uma ocorrência do livro “Transição Planetária”, da mãe que desencarnara e seu filhinho também, sugado pela onda gigante, eu me emocionei muito e lembrei dela, justamente na hora da desencarnação, quando fechei seus olhos...

Quando estava prestes a chorar, ela se aproximou de mim, sorridente e linda, abraçou-me e disse: “Mãe, não recorde mais estas coisas, estou muito bem, feliz e trabalhando naquilo que eu mais gosto... Quero que você esteja bem, sorrindo e lembrando sempre com carinho de nossos encontros... Mas sem chorar.” No final da palestra fui levar um livro para o Divaldo autografar e ele me disse: “Você viu a nossa amiga, como está linda, feliz? Ela esteve com você antes e depois veio até a minha presença e disse: Grata por tudo, Divaldo. Estou redimida e repetiu, sorrindo, redimida. E mandou lhe dizer que está trabalhando no que mais gosta.” Fiquei muito emocionada com a confirmação de sua presença e feliz porque sei o quanto ela estima o querido amigo Divaldo que sempre a acolheu com carinho e consideração em Salvador, quando lá morou e todas as vezes que ela o procurou durante a enfermidade. A desencarnação de meu companheiro e de minha filha em datas tão próximas, serviram de provas e acredito ter me saído bem porque me tornaram uma pessoa melhor, mais compreensiva e sensível aos sofrimentos alheios e, certamente, mais forte diante dos revezes da vida. Amadurecemos após dores e perdas, tornamo-nos mais equilibrados emocionalmente e, então, os problemas, as lutas e os sofrimentos que ainda acontecem e acontecerão ficam muito pequenos diante do que já passamos...

De que maneira a Sandra encarou a doença e os dolorosos tratamentos a que foi submetida?

No último ano, quando já sabíamos que não haveria a cura definitiva no corpo físico, mas entendendo já nesta altura dos acontecimentos que o que mais interessava era a cura real, através deste processo doloroso, mas necessário que o câncer possibilitava, armamo-nos de fé e coragem – nós duas sendo espíritas – para enfrentar estes últimos meses sem desesperos, confiando sempre na ajuda espiritual que não nos faltou em momento algum. Foi muito doloroso e foram fases que se sucederam naturalmente e que deveríamos enfrentar juntas, usando de todos os recursos espíritas, como passes, atendimento individual para diálogos e apoio, leituras e muitas preces, mantendo o ambiente sempre elevado para que os Benfeitores Espirituais pudessem nos ajudar de forma mais permanente. Fomos nos preparando, aos poucos, a cada dia, aproveitando todos os minutos para diálogos e esclarecimentos, desabafos e confidências que nos deram ensejo de muito aprendizado e de ir, também neste processo, expurgando a dor, a angústia da expectativa diante da morte eminente... Sandra passou por todas as fases que aqueles que sabem que vão morrer, passam e sendo espírita foi se despojando aos poucos e o mais difícil para ela foi, justamente, abrir mão de sua profissão como médica e não poder ir mais trabalhar além de deixar o lar, os entes queridos e todos nós que a amamos... Ela procurava me poupar diante da realidade do que já sabia como médica e eu, também, por ser mãe, escondia dela meu sofrimento, as lágrimas e o que pudesse atrapalhar nesta fase de preparação tão importante, quando recebíamos bênçãos e harmonização íntima através da ajuda espiritual e da presença constante dos familiares já desencarnados, dos amigos espirituais que nos sustentavam... Como qualquer ser humano, Sandra teve seus momentos de angústia, de lágrimas, de dores físicas intensas e na alma que dilaceravam com maior intensidade os sonhos, os projetos de vida, o desejo de permanecer com os que amava... Mas compreendia e aceitava os desígnios de Deus, sentindo que sua vida fora útil e feliz, como sempre repetia... Somente na fase final, vieram as indagações ligadas mais diretamente a morte, ao retorno para o mundo espiritual, como se sentiria após a desencarnação e com mais liberdade e coragem falava com maior clareza e me interrogava sobre este assunto... Líamos muito e no final eu lia para ela trechos elucidativos que transcrevi no livro, o que nos ajudou muito naquele período.

Como aconteceram as primeiras comunicações post-mortem de Sandra?

A primeira mensagem dela eu recebi através da psicografia da querida amiga Suely Caldas Schubert. Quero destacar aqui neste trecho o apoio que Suely deu a minha filha durante sua enfermidade, com diálogos e atendimentos constantes, passes e tratamento espiritual no Grupo Espírita Joanna de Ângelis, onde Sandra buscava terapia alternativa.

Recebi a primeira mensagem em outubro do mesmo ano que desencarnara, portanto, dois meses depois. Quando fez um ano de sua partida para o mundo espiritual, recebi da mesma médium, outra mensagem. Elas estão publicadas no livro Maior que a Vida. Como citei anteriormente, sinto a presença dela sempre que possível em certos momentos e na Casa Espírita onde trabalho. No livro tem um capítulo “Intercâmbio Espiritual”onde narro estes encontros e mensagens. A cada dia que passa, sua presença se faz menos intensa porque ela nos diz que prossegue, agora, no verdadeiro Lar para onde retornou seguindo a vida, sem poder se envolver muito com nossos problemas vivenciais e familiares... Compreendo e respeito sua posição porque aqui na Terra a vida também continua e temos que nos desligar, tanto ela como nós, de apegos e preocupações desnecessárias... Mas quando há necessidade de sua presença e é permitido por Deus, ela se acerca de nós para ajudar ou suavizar as saudades.

Lucy acho que a experiência por você vivenciada lhe permite uma visão muito clara acerca de temas como morte e eutanásia.

Logo que meu marido morreu, passei a freqüentar na Casa Espírita um grupo de apoio aos que sofrem a separação física pela morte dos entes queridos – Grupo dos Entes Queridos – e fui muito beneficiada com esta participação. Algumas companheiras de trabalho na casa diziam: para que você está neste grupo, já têm conhecimento suficiente e está resignada etc. etc. Eu respondia: se não preciso, como dizem, sei que meus entes queridos que partiram deverão aproveitar e ser beneficiados com minha participação...

Isto aconteceu porque eu percebia, a presença deles, ainda na fase de recuperação no mundo espiritual, ouvindo os temas abordados, recebendo as vibrações e os benefícios das preces nestes encontros.

Neste período em que estive neste Grupo ajudei, também, fazendo palestras alusivas à morte, falando e dando testemunhos de minhas experiências e creio que minha visão, depois disto, ficou mais ampla e profunda na compreensão da necessidade de termos equilíbrio e confiança em Deus que sempre nos coloca frente à problemas e dores que necessitamos e temos condições de vencer, ajudando-nos no processo de desenvolvimento moral e espiritual.

O que mais me surpreende e ajuda a prosseguir com otimismo, além das afeições queridas que me cercam de amabilidades e apoio, é ter adquirido uma capacidade maior de enfrentamento das dores morais e físicas que estejam programadas para minha evolução.Tenho a certeza de que a ida de um filho ou filha para o mundo espiritual antes de nós, torna-nos mais fortes e imunes ao sofrimento que antes nos abatia...

Fica tudo muito pequeno diante do testemunho que nos foi solicitado e, graças a Deus, conseguimos dar.

Como está enxergando o movimento espirita na atualidade?

Encontros e Desencontros existirão sempre até que tenhamos incorporado, realmente em nossas vivências, os ensinamentos de Jesus.

Como espíritos imperfeitos que somos, criamos dificuldades no desenvolvimento da programação espiritual para todo o Movimento Espírita, deixando nos levar por atitudes personalistas, por nossos conflitos mal trabalhados, por nossos equívocos, mas tudo passa e o que restará depois desta fase transitória que vivemos será, certamente, o retorno ou recomeço para os que assim agem, contrariando as leis morais.

Considero o orgulho o maior empecilho para uma convivência fraterna e condizente com o conhecimento que a Doutrina Espírita nos propicia. O exercício do amor torna-nos mais sensíveis, mais humanos, mais indulgentes e gratos a Deus pelas bênçãos da vida e todas as oportunidades que nos são oferecidas para crescer em entendimento e atitudes enobrecedoras. Infelizmente ainda existem os intransigentes, os que não respeitam as limitações do outro, que estão como nós em processo de crescimento e aprendizado. Se os excluímos, o que é mais fácil e cômodo, estamos contribuindo para que nosso irmão não consiga se sobrepor as dificuldades e retardamos a ajuda que ele merece. Há, em determinados núcleos espíritas muitas atitudes equivocadas, muito preconceito e desrespeito ao próximo pela diversidade e não adequação à maneira de pensar de certos dirigentes espíritas. A pretexto de realizar a fidelidade aos princípios espíritas esquecem da tolerância e do amor com que devemos realizar as tarefas no centro espírita. Chamo a isto de Dureza Doutrinária, infelizmente muito comum em determinadas instituições espíritas que a pretexto de seguir normas e regimentos, impedem o exercício do amor e da compaixão.

Por outro lado, porque os Dirigentes Espirituais estão atentos ao planejamento das atividades, e ninguém poderá impedir o progresso moral da Humanidade, as leis divinas são inflexíveis e vencem as incertezas e os percalços que surgem no movimento espírita.

Somente a evangelização constante, com a divulgação dos ensinos de Jesus nas reuniões públicas, nos grupos de estudo, nas atividades assistenciais tanto para os carentes de recursos materiais como para os que buscam ajuda espiritual, ajudará sobremaneira na solução de tantos sofrimentos e conflitos existenciais. Temos que falar uma linguagem fraterna, simples e buscando subsídios nas obras espíritas, sempre embasadas no Evangelho de Jesus. Nunca a Humanidade precisou tanto, como nos dias atuais, de evangelização, da educação dos sentimentos, do exercício da fraternidade e do amor e de Espiritualidade. Acredito mesmo que nós espíritas teremos que enfatizar esta tese de que é mais importante adquirir espiritualidade do que simplesmente “ser espíritas”.

A literatura espírita, seja mediúnica ou não, requer maior estudo e análise para não incorrermos em falhas doutrinárias ou incoerências.

Analisar a obra e não apenas o médium ou autor. Isto é essencial e mais prudente.

Com relação aos vultos espíritas destaco os mais antigos e também os atuais, alguns que conheci na minha juventude e outros que se perdem no anonimato mas que realizaram grandes feitos em prol da divulgação espírita e no exercício da caridade. São muitos e irei citar apenas: Aura Celeste, Auta de Souza, Amélia Rodrigues, Abel Gomes, Batuira, Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio,Cornélio Pires, Caibar Schutel, Dias da Cruz, Divaldo Pereira Franco, Eurípedes Barsanulfo, Francisco Cândido Xavier, Herculano Pires, Ivonne Pereira, Jésus Gonçalves, José Raul Teixeira, Jorge Andréa, José Petitinga, Julio Cesar G. Ribeiro, Zilda Gama, Leopoldo Cirne, Lins de Vasconcelos, Leopoldo Machado, Leon Denis, Maria Dolores, Sebastião Lasneau, Zilda Gama e muitos outros que estão, ainda hoje batalhando por um mundo melhor...Alguns encarnados e outros no mundo espiritual.

Felizmente, valorosos espíritas estão, na atualidade, trabalhando e divulgando a Doutrina Espírita, dando-nos exemplos de amor à causa espírita e de como devemos agir com relação à vida e no enfrentamento dos problemas. E temos confiança de que estes trabalhadores espíritas da atualidade darão conta de sua missão e dos encargos que assumiram no plano espiritual.

E em Juiz de Fora e região?

Em nossa cidade como em todo o Brasil estamos buscando soluções e trabalhando pela divulgação espírita sempre coerentes com a Codificação de Allan Kardec. Nossa cidade é muito atuante em várias áreas, sempre enfatizando a necessidade da unificação proposta por Bezerra de Menezes e defendida pela FEB. Temos muitas dificuldades ainda e a AME local trata com muito empenho e carinho a união entre os espíritas e promove encontros, cursos e projetos em torno da necessidade do estudo, da capacitação do trabalhador e de sua evangelização para realizar na casa espírita o atendimento fraterno, a ajuda caridosa com os que buscam orientação e apoio.

Neste 2012 estaremos comemorando os 85 anos de existência de Divaldo. Como você analisa a participação dele no contexto do movimento espirita brasileiro e internacional?

Muitas obras têm sido escritas relatando a vida deste missionário espírita, de sua atuação como divulgador no mundo atual, das luzes do Consolador. Eu acrescentaria e daria mesmo um destaque especial na sua generosidade e na gentileza no trato com os que buscam ajuda através de sua mediunidade ou de sua pessoa sempre solidária e amiga. Sua sensibilidade e seu amor à causa espírita nos sensibiliza e sua paciência em ouvir, em acolher a todos os que o procuram. Grande orador, dotado de um carisma inigualável no movimento espírita atual, exerce um domínio muito acentuado nos que o ouvem trabalhando sem que percebam, através dos Benfeitores espirituais, as mudanças necessárias na área do comportamento e das carências espirituais. Sua presença concorre para uma melhor adequação dos trabalhos na área da mediunidade e de todos os setores assistenciais das casas espíritas. Seus exemplos atestam a grandiosidade de sua missão na Terra.

Quais os aspectos que destacaria como mais importantes a serem trabalhados na casa espirita nesse processo de espiritualização da humanidade do qual o Espiritismo tem tido participação tão destacada?

Repito, a evangelização dos trabalhadores e de todos os freqüentadores. E isto poderá ser realizado em todos os setores de trabalho, nos grupos de estudo, nas reuniões públicas, nas obras assistenciais, nos encontros de trabalhadores, nas comemorações de um modo geral. Evangelizar sempre para que possamos humanizar o centro espírita, mantendo-o fiel aos princípios da codificação e atingirmos as suas principais finalidades que são a caridade, a fraternidade e o estudo. Promovendo, enfim, a transformação moral da Humanidade, para que o homem do mundo se transforme no Homem de Bem.

Acha que Kardec tem merecido atenção na medida justa de seu grandioso trabalho?

Creio que sim. Todas as gerações dentro de suas possibilidades, desde a codificação do Espiritismo, têm se empenhado em seguir os princípios espíritas. Os que não valorizam a obra gigantesca de Allan Kardec desconhecem o que seja, realmente, a Doutrina Espírita. Todavia, não podemos descuidar de orientar aos jovens e novatos que chegam atualmente às casas espíritas de estudar as obras básicas, divulgando-as, mostrando a todos eles a importância deste estudo, começando pelo começo, falando das obras subsidiárias, abordando sempre os três aspectos do Espiritismo como pilares na concretização dos objetivos reais do Consolador Prometido.

Algo mais que queira acrescentar?

Grata estimado irmão, pela oportunidade de expor minha idéias e falar desta doutrina que amo e que me orienta na atual reencarnação, evitando novos equívocos, mantendo minha fé e confiança em Deus nos momentos difíceis de minha vida. Agradeço também o carinho com que se refere à Sandra, minha filha desencarnada e pela oportunidade de falar um pouco de nossa luta e preparação para a morte física.

As suas palavras finais aos nossos leitores.

Mantenham sempre em seus corações as luzes da esperança e da fé, porque não há mal que perdure além da programação espiritual a que todos estamos sujeitos pela lei do progresso. Orem, vigiem e desenvolvam sempre o lado bom que todos possuímos em potencial, através da educação dos sentimentos, do equilíbrio das emoções, da vivência dos ensinamentos do Mestre Jesus. Seu Evangelho é a bússola, o roteiro a nos guiar pelos caminhos da vida. Não há outra alternativa para nós a não ser segui-lo, mesmo que tenhamos os pés sangrando, as mãos cansadas e as agruras da incompreensão humana, o essencial é caminhar sempre, sem desfalecimentos ou desculpismos, mantendo dentro de nós a certeza de que Jesus aguarda por nós há mais de dois milênios pacientemente, amorosamente...

Sr. Plínio e dona Maria José. Pais de Lucy Dias Ramos

O casamento de Lucy Dias Ramos

Lucy Dias Ramos com o esposo e filhos

Lucy Dias Ramos com o esposo Antonio da Silveira Ramos

A escritora Lucy Dias Ramos, de Juiz de Fora, MG, com as

Filhas. A partir da esquerda Sheila, Sandra, Lucy, Valeria e Rejane

A menina Sandra com a mãe Lucy Dias Ramos

Sandra com os pais Antonio e Lucy

Sandra, na extrema direita, em festa de formatura

Os netos de Lucy Dias Ramos

Lucy Dias Ramos, terceira a partir da esquerda com

companheiras da casa espírita

Lucy ao lado de Divaldo Pereira Franco quando este

realizou Seminário na cidade de São Paulo em 2011

Lucy (E) no lançamento de “Maior que a Vida”

Lucy com os irmãos

Lucy com duas de suas filhas no jardim da casa.

Sandra, ao seu lado e, Valéria, à frente.

O último Dia das Mães que Lucy passou com a filha

Sandra (D). A outra filha é Valéria

Sandra com o marido e os filhos

Lucy Dias Ramos cercada pelos netos

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 14-04-2012

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 12-04-2012

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