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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XIX– Aspectos do Cotidiano (I)
As Casas
Uma das formas pela qual se conhece a casa dos antigos egípcios é através dos pequenos modelos que colocavam nas sepulturas denominados de “casas das almas”, que ensejaram aos artistas a elaboração de preciosas reconstituições.
Também as pinturas das paredes de tumbas e dos papiros, um retrato aproximado do ambiente da casa que o morto tinha na terra, fornecem detalhes e propiciam uma boa idéia de como eram os interiores dos verdadeiros palácios que os cidadãos mais abastados possuíam.
As casas de camponeses, cujos modelos podem ser identificados pela presença de animais, objetos e utensílios agrícolas, eram pequenas, muito simples, com poucas divisões e, com certeza, não ofereciam muito conforto. Aparecem construídas no fundo do terreno, mostram um pátio na parte da frente, onde ficavam as criações, fornos, hortas e jardins, tinham varanda e uma escada que dava acesso ao teto, onde armavam tendas e redes aproveitando a brisa fresca que amenizava o calor.
As casas de campo dos ricos, ao contrário, eram mais espaçosas, comportando várias salas e dormitórios e eram dotadas de grandes banhos, capela, armazéns, estábulos, casa de carros, poço, lagos e jardins.
Os materiais utilizados nas construções mais simples eram os tijolos feitos de barro e palha, até hoje largamente utilizados no Egito, canas de junco, troncos de palmeiras e, às vezes, pedras para erguer os pilares. As construções mais sofisticadas ganhavam pedras nobres, adornos de metal, madeiras importadas e luxuosas decorações.
O mobiliário, utensílios domésticos, objetos de decoração e restos de tapeçaria recolhidas das necrópoles, muito parecidos com os que hoje utilizamos, dão uma idéia precisa da grande capacidade dos artífices egípcios em trabalhar com madeira, junco, cerâmica, porcelana, vidro, cobre, ouro e uma vasta lista de pedras preciosas.
Alimentação
As informações referentes á dieta dos egípcios procedem de cenas pictóricas e também dos restos de alimentos consumidos nos rituais fúnebres ligados às suas tradições religiosas encontrados nas capelas funerárias.
Os mais pobres no Antigo Egito parecem ter subsistido graças ao consumo do pão, da cerveja e alguns vegetais, notadamente a cebola, que, segundo Heródoto, foi um dos meios de pagamento quando da construção da Grande Pirâmide.
O pão era laboriosamente trabalhado com o trigo triturado em um moinho de pedras, substituído nos períodos Ptolomaico e Romano por um sistema mais eficiente de moinho manual rotativo. Numerosos tipos de pães foram elaborados pelos egípcios para uso comum e outros, muitas vezes moldados em formas, destinados às cerimônias rituais. O pão era a peça decorativa do centro da mesa de ofertas das capelas funerárias e aparece frequentemente retratado em fiadas de longas fatias sobre a mesa. Também o pão de açúcar, em forma de cone, aparecia sobre uma laje com o sinal hieróglifo (hetep) designativo de oferenda.
A cerveja era usualmente feita de cevada e parece ter sido uma espessa sopa líquida, a qual, nem sempre com grande dosagem alcoólica, era muito nutritiva. Em uma cena da tumba do Novo Reino, de Intefiqer, aparece uma criança segurando uma tigela, na qual está escrito: “Dêem-me alguma cerveja, pois estou faminta” – enfatizando, assim, que a cerveja era encarada sobretudo como um alimento importante e não apenas como uma bebida. A cerveja era algumas vezes adoçada com tâmaras ou aromatizada com outras frutas.
Anotações obtidas em fragmentos de cerâmica na Vila dos Trabalhadores, em Deir-El-Medina, indicam que o pagamento dos operários era feito através do fornecimento de alimentos.
Embora esses homens e seus familiares pudessem ser mais privilegiados que os trabalhadores agrícolas, a lista de rações oferece alguma idéia dos gêneros alimentícios comumente disponíveis à época do Novo Reino. O trigo e a cevada foram os mais importantes itens utilizados no preparo da dieta dos egípcios.
Feijão, cebola, alho, alface, rabanetes, fava e pepino surgem entre os mais regulares suprimentos vegetais. O peixe salgado parece ter sido um elemento importante na dieta dos aldeões. A carne usualmente utilizada era do gado bovino, porém, informações existentes em El-Lahun, do Médio Império, e em Tel El-Amarna, do Novo Reino, atestam que a carne de porco fez parte da dieta dos egípcios. Lebres, gazelas e outros animais selvagens foram aproveitados na dieta alimentar dos povos mais pobres, como também serviram de objeto às caçadas dos cidadãos da elite. Ainda dos animais, os egípcios retiravam o leite para o fabrico de queijos, e as gorduras. Patos e galinhas, que apareceram com o Novo Reino, foram criados para o fornecimento de ovos e carne.
Várias frutas, como tâmaras, figos, uvas, romãs, castanhas de palmeira e, mais raramente, amêndoas, foram utilizadas pelos habitantes da Vila dos Trabalhadores de Deir-El-Medina e populações da região.
As uvas foram utilizadas pra o fabrico do vinho, como atestam várias cenas de sepulturas mostrando vinicultores em seu trabalho. O vinho, ao que tudo indica, teria sido consumido por pessoas mais ricas da sociedade egípcia, e as jarras que os continham trazem, geralmente, o local de origem e a safra a que se referem.
O mel era obtido de abelhas domesticadas e selvagens; na falta de açúcar, era usado para fabricar os pães e adoçar a cerveja. Em Deir-El-Medina está registrado que padeiros foram contratados para fabricar bolos de mel para grupos de trabalhadores.
Vestuário
Embora o clima do Egito tenha favorecido a sobrevivência de um número expressivo de itens de vestuário, em especial os recolhidos das tumbas do Novo Império, os têxteis ainda não foram estudados com o necessário detalhamento cientifico. Em face disso, os estudos existentes, mesmo os modernos, ainda vinculam-se às pinturas muras, relevos e esculturas.
Em geral, as roupas dos egípcios eram muito simples: os homens que trabalhavam no campo ou os artífices frequentemente usavam pouco mais que uma tanga ou um pequeno saiote, embora camisetas também aparecem a partir do início do período dinástico. O mais antigo exemplar surgido foi uma camisa de linho encontrada em Tarkhan, no Baixo Egito, de 2800 a.C.
As roupas podem ser utilizadas como um seguro guia cronológico para demonstrar que a elite dos vários períodos da história egípcia estavam sujeitas às mudanças ditadas pela moda.
Nos tempos dos Ramsés, a vestimenta de cortesão, por exemplo, podiam ser extremamente elaboradas, com o homem geralmente aparecendo com saiotes pregueados e sem o uso de avental como enfeite na frente.
Durante o Antigo Reino, mulheres (e deusas) eram habitualmente retratadas usando uma espécie de vestido com tira larga no ombro; já no Novo Império, este tinha adotado um tipo de vestido com apenas uma tira e, por volta do reinado de Amenhotepe III (1390-1352 a.C.), foram aparecendo as peças de roupas em tecidos transparentes.
Produzir roupas finas foi uma especialidade do Egito que, nesse particular, foi muito distinguido nos tempos romanos.
O colorido natural dos tecidos usados na vida cotidiana, ou possivelmente com o uso de malhas de contas de pérolas sobre o vestido, está ilustrado em figuras de carregadores na tumba de Meketra, datando do inicio do Médio Império.
A escavação da tumba tebana do arquiteto Kha levou à descoberta de 26 camisas de comprimento até o joelho e aproximadamente 50 tangas, incluindo peças pequenas triangulares possivelmente utilizadas nos trabalhos de agricultura ou de construção.
A tumba de Tutancâmon continha uma grande quantidade de roupas, incluindo roupas de crianças. Somente um pouco do seu guarda-roupa tem sido estudado cientificamente, mas algumas das roupas de linho contêm fios de ouro e um saiote feito de pedras coloridas.
Sacerdotes, vizires e alguns outros oficiais identificavam seus “status” através dos vários estilos de vestimentas. O vizir, por exemplo, era usualmente pintado usando um longo robe, o qual fazia surgir suas axilas enquanto que o sumo-sacerdote era comumente mostrado ostentando uma pele de leopardo.
Próximo artigo: Aspectos do Cotidiano (2)
Modelo de casa da tumba de Herishefhotep; Abusir, IX/X Dinastias. Museu Egípcio de Leipzig. Alemanha.
Miniatura de casa : peça de jogo (?) executada em marfim, proveniente de uma tumba de Abu Roach, próxima do Cairo,
da época do rei Den, do período tinita. http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_299.jpg
Tijolo fabricado com barro e palha. Luxor, Egito
Foto Ismael Gobbo
Pintura de oferendas na Câmara funerário de Menna. Tebas, Egito.
Casal trabalhando na colheita
Moagem de grãos para produção de cerveja. Médio Império. Museu do Louvre, Paris, França.
Plantação de milho e tamareiras junto a um canal do Rio Nilo, na região do Cairo.
Foto Ismael Gobbo
Akhenaton e Nefertiti. Museu do Louvre, Paris.
Vários tipos de vestimentas de homens e mulheres retratados
numa tumba egípcia do século XV a.C
Cenas em sarcófago que sugerem algumas vestimentas usadas pelos egípcios.
Seção de Egiptologia do Museu Histórico Nacional da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil.
Foto Ismael Gobbo
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Focalizando o Trabalhador Espírita (168) Nelson Xavier da Silva
Nelson Xavier da Silva
Nosso entrevistado deste sábado é o mineiro de
Barbacena, Nelson Xavier da Silva. Nascido em
lar católico, Nelson conheceu o Espiritismo no
ano de 1993, é um dos fundadores da Sociedade
Espírita Amor e Paz (SEPAZ) e o Grupo Teatral
AmandoArt. Hoje está à frente do Grupo Espírita
Astral Paraíso do Bem, o mais antigo da cidade de
Barbacena, fundado no ano de 1926. Aproveita-
mos o lado historiador de Nelson para que ele nos
respondesse algumas perguntas sobre o movimento
espirita de Barbacena, que é uma preciosidade.
Caro Nelson, pode nos fazer sua apresentação?
Ismael, sou Nelson Xavier da Silva, natural de Barbacena, MG, filho de Nelson José Francisco da Silva e Maria da Glória Xavier da Silva. Tenho seis irmãos: Rose Maria Xavier Alves, Rosilaine Xavier da Silva, Renato Xavier da Silva, Robson Xavier da Silva e Rosemary Xavier da Silva. Estou há cinco anos casado com Élida Cristina de Souza Xavier, tendo como filhos Nelson Vicente de Souza Xavier (5 anos), João Pedro de Souza Xavier (4 anos) e Lívia Cristina de Souza Xavier (3 anos e meio).
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Formei em Pedagogia, embora possua alguns cursos técnicos. Estou como militar em serviço na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) (Sargento Enfermeiro); atuo também como Palestrante e Consultor em Desenvolvimento Humano; Tenho alguma experiência na área teatral: sou ator e roteirista, há mais de 15 anos do Grupo Teatral AmandoArt; estou como atual presidente da Associação Cultural AmandoArt; Colunista do Jornal Nova Mídia e do site Seara Espírita; colaborador de várias revistas educacionais militares; Produtor dos vídeos: EPCAR – 60 Anos fazendo História e Raízes Espíritas de Barbacena; Coach Individual desde 2006 pelo Instituto Ricardo Melo de Belo Horizonte; e já ministrei mais de 2500 aulas, palestras e cursos em áreas variadas.
Qual casa espírita você freqüenta atualmente?
Grupo Espírita Astral Paraíso do Bem – casa espírita mais antiga de Barbacena.
Como conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
Tenho origem em família de tradição católica e sempre fui muito atuante dentro das atividades da igreja, mas em meados de 1993, comecei a ter contato com doutrinas espiritualistas. Sentindo um vazio existencial, busquei estudar várias doutrinas religiosas até chegar a Doutrina Espírita, ao qual sou filiado até os dias de hoje. Sou um dos associados-fundadores da Sociedade Espírita Amor e Paz – SEPAZ, membro do Grupo Teatral AmandoArt, estou atuando como presidente da Associação Cultural AmandoArt (ACAT) e do Grupo Espírita ASTRAL Paraíso do Bem. Colaboro com nosso movimento espírita, auxiliando os trabalhos da AME e realizando palestras, estudos e seminários em torno da proposta espiritista. E sempre que possível coleto informações da história do Espiritismo em nossa região.
Pode nos fazer uma retrospectiva do movimento espírita em Barbacena desde suas origens?
Em um dos livros mais completos sobre a história de Barbacena, encontraremos informações importantes sobre a doutrina dos espíritos em nossa cidade. O grande pesquisador Nestor Massena, em seu livro – Barbacena: A Terra e o Homem, diz que:
O Espiritismo tem muitos adeptos em Barbacena. Allan Kardec tem aí inúmeros prosélitos.
E mais a frente relata sobre o espiritismo existente em Barbacena no século XIX:
O Grupo Espírita União Fraternal de Barbacena, manteve, em 1897, uma Escola Noturna, foram, nesse ano, Presidente, Eduardo Magnin, Tesoureiro, Alfredo Ferreira Paes e o Secretário, o Capitão Agostinho Lopes de Oliveira.
Dos espíritas de Barbacena, teve, em seu tempo, grande relevo entre seus companheiros de crença: Modesto de Araújo Lacerda, pai da professora Maria Lacerda de Moura, natural de Barbacena, escritora espiritualista, que teve grande projeção em nossa vida intelectual.
Barbacena se encontra entre as pioneiras da divulgação do Espiritismo em Minas Gerais, e ao nos aprofundarmos nas pesquisas, perceberemos que uma grande parte dos fundadores dos grupos iniciais estavam vinculados à “Central do Brasil”. Podemos afirmar que o espiritismo viajou pelas estradas de ferro, vindo da França pelos navios e se espalhando pelos rincões mais simples desta Gerais.
No início do século XX, a Doutrina Espírita já caminhava pelas terras barbacenenses, fato este, que podemos constatar no jornal ´O ESPÍRITA MINEIRO´ (1908) – Órgão da antiga Federação Espírita Mineira. O jornal faz menção à existência do “GRUPO ESPÍRITA DE BARBACENA”, em 1904.
Em uma entrevista, Jacinto Bertola (um dos mais antigos trabalhadores de nosso movimento espírita ainda encarnado) declara que seu pai – que sofria um processo obsessivo – foi levado a uma casa espírita por seu irmão Antônio Bertola. Este fato se deu entre 1910 e 1912. Jacinto relata ter conhecido espíritas do século XIX, como dona Clarieta Lacerda – responsável pelo grupo familiar de estudos espíritas FRANCISCO DE ASSIS.
Outro fato que nos chama a atenção, de que a Doutrina Espírita já era conhecida em nossas plagas, está no livro LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES, de Ramiro Gama.
O autor recorda Pedro Richard (escritor espírita, diretor da Assistência aos Carentes pela Federação Espírita Brasileira e grande seguidor de Bezerra de Menezes), que caminhava pelas ruas de Barbacena, em 1910, e ao passar em frente a um internato de meninas, viu grande número de pessoas velando o corpo de uma jovem de 16 anos.
No ambiente onde havia tristeza e dor, Pedro entrou sensibilizado, pediu licença à diretora do Internato para fazer uma prece. Quando terminou o ambiente era outro. Todos envolvidos por aquele sentimento abraçaram-no.
Uma irmã de caridade, com lágrimas nos olhos, perguntou-lhe:
_ “Qual é a sua religião?”.
_ “Sou espírita, minha irmã!”.
Ela disse: _ “Somente um espírita seria capaz de orar assim!”.
A Doutrina Espírita viajava pelas estradas de ferro – com os ferroviários; pelos caminhos empoeirados – com os caixeiros viajantes; e chegava de cidade em cidade através daquelas pessoas que se mudavam constantemente e eram seus adeptos. Exemplo disto é o Fernando Napoleão de Augusto Alencar: médico, abolicionista, poeta, escritor, teatrólogo, articulista e orador; que deu ao Espiritismo grande colaboração. Tornou-se espírita dedicado quando, por ocasião do óbito de sua mãe, esta apareceu para ele. A notícia chegou semanas depois da morte. Assim seu espírito inquieto fez com que buscasse informações para explicação do fenômeno e encontrou no Espiritismo a resposta, tornando-se divulgador entusiasta da Doutrina Espírita. Publicou artigos e poemas no REFORMADOR e no ESPÍRITA MINEIRO e em diversos jornais de Minas. Fez uma palestra na fundação da FEDERAÇÃO ESPÍRITA MINEIRA, em 1908.
Aqui em Barbacena, entre um café, um negócio ou um cigarro, as questões filosóficas que sempre torturaram as criaturas (De onde venho? O que estou fazendo aqui? Para onde vou?) surgiam; dai o ensejo para apresentar as questões propostas por Kardec aos espíritos. Um simpatizante aqui, outra ali: alguém sugere uma reunião para estudos daquelas questões profundas que intentavam explicar o fenômeno da vida e da morte. Os interessados se reuniam em casas, unidos por laços afetivos e pelo interesse em conhecer a Doutrina Espírita e presenciar a fenomenologia mediúnica.
Foi na década de 20 que encontramos um aumento no número de interessados pela Doutrina Espírita. E aí é que se destacam os irmãos Antônio (Tunico) Abrantes e José Abrantes Júnior (Zezinho Abrantes), pertencendo à família tradicionalmente radicada à Igreja Católica Apostólica Romana, tomaram conhecimento da Doutrina dos Espíritos – daí, corajosamente se afastaram da religião familiar e iniciaram “reuniões espíritas”.
Tunico Abrantes reunia-se com amigos em um Centro Espírita, na conhecida “casa do Galo”, uma antiga fazenda situada perto do Pontilhão. Nessa casa eram realizadas especificamente reuniões mediúnicas. Zezinho Abrantes fazia suas reuniões na casa de D. Rosa e Sr. Joaquim; um sobrado de dois andares localizado à Praça Conde Prados, onde, posteriormente, fundaram o Grupo Astral Paraíso do Bem. Faziam reuniões mediúnicas, estudos das obras de Allan Kardec e também a evangelização infantil e Mocidade Espírita. D. Clarieta, Eugênia Carneiro, Zezé Freitas, Randolpho Possas, D. Nonozinha, José Chedid formaram outro grupo e os encontros semanais eram marcados por sessões mediúnicas.
Na casa de D. Corina, à Rua Silva Jardim, a movimentação se fez presente, e mais interessados começaram pela busca de espiritualização.
O professor Durval faz menção também às reuniões do GRUPO FAMILIAR DE ESTUDOS ´FRANCISCO DE ASSIS’:
Há uma casa espírita modesta de aparência, de aspecto particular, mas notável pelo valor espiritual de sua diretora, professora Corina de Araújo, moça de talento e cultura.
E depois o nobre professor cita o médium Vitalino Gonçalves:
O nosso veterano do Espiritismo é o irmão Vitalino Gonçalves da Silva, um médium notável, homem de grande valor normal e espiritual, um genuíno apóstolo de Cristo, atualmente um tanto sem atividade por idoso e enfermo.
Alguns núcleos familiares de estudos espíritas vieram a formar Casas Espíritas, outras deixaram de existir, como foi com o grupo da Dona Corina.
Por muitos anos, as reuniões estavam vinculadas ao reduto doméstico, participando aí, pessoas próximas e amigos dos amigos. A discriminação, a perseguição religiosa, o preconceito reduziam estes grupos, entrementes, quando a dor chegava, buscava-se a cura no espiritismo – que naquele período esteve principalmente vinculado à prática mediúnica. E a mediunidade de cura exercia um fascínio sobre o povo. Quando eram atendidos em sua dor, muitos ficavam e se tornavam espiritistas, fazendo aumentar o número de interessados por essa doutrina. Foi necessário que os grupos familiares se organizassem para receber os novos adeptos da proposta do Espírito da Verdade. Podemos identificar fases precisas no movimento espírita de nossa região:
Final do século XIX e início do século XX – até a década de trinta, temos a PRIMEIRA FASE. E é neste momento que identificamos oGrupo Espírita União Fraternal de Barbacena e o Grupo Espírita de Barbacena.
Sabemos pouco sobre estes grupos, contudo podemos conjecturar que foram os primeiros a se organizarem legalmente. Isso é provado pelos anais da história barbacenense.
Teríamos então, a SEGUNDA FASE, que se inicia na década de 20, com o aparecimento de grupos que formariam a Aliança Espírita Barbacenense. Algumas pessoas, ainda, se recordam destes pioneiros.
Na TERCEIRA FASE, destaca-se o papel de Mário Lacerda da Cruz Machado, a partir do ano de 1965, quando se tornou presidente da AME e vai até meados da década de 80.
E a QUARTA FASE se iniciou a partir de 1986, com eleição de nova diretoria, que delineou o atual movimento espírita de Barbacena.
Quais as casas espíritas mais antigas de Barbacena?
Grupo Espírita Astral Paraíso do Bem – 1926
Centro Espírita Mário Dufles de A. – 1935
Centro Espírita Araquém – 1936
Grupo Espírita Cristão Evangelho de Jesus – 1939
Centro Espírita Novo Oriente – 1940
Centro Espírita Amor a Verdade – 1944
Centro Espírita Estudos Evangélicos - 1952
Centro Espírita Divino Mestre – 1956
Grupo Espírita Fraternidade dos Essênios – 1973
* As datas de alguns grupos correspondem ao inicio de suas atividades e não necessariamente ao registro de cartórios.
Quais os vultos espíritas que mais se destacaram?
Fernando Napoleão de Augusto Alencar, Modesto de Araújo Lacerda – entre os pioneiros e grupos familiares;
José Abrantes Júnior (Zezinho Abrantes), Rosa e Joaquim dos Santos – Grupo Astral Paraíso do Bem
Vitório Candian, Serafim Pereira Pinto, Carlinhos Candian – Centro Espírita Mário Dufles
Henrique Zonzim, Arlindo Zonzim – Centro Espírita Araquém
Dalmo e Jandira Santos – Grupo Espírita Cristão Evangelho de Jesus
Zenóbio de Miranda – Novo Oriente
Ângelo Mazzoni e Patti Mazzoni – Centro Espírita Amor a Verdade
Jacinto Bertola – Estudos Evangélicos
José Lino da Costa, Sebastião Eliziário, João Pedro e Alice Costa Oliveira – Divino Mestre
Alberto Prado Rocha e Stela Matutina Nascimento Rocha – Fraternidade dos Essênios
Carlos Mário Lacerda Cruz Machado – AME
E sobre a história da AME Barbacena o que tem a nos dizer?
Com o crescimento do Espiritismo por toda as Gerais, as lideranças em se reunindo, durante o 2º Congresso da União Espírita Mineira, chegaram à conclusão da necessidade de melhor se organizar os grupos espíritas que existiam.
O Congresso, que com certeza, contava com a orientação espiritual, fez com que os congressistas saíssem motivados para auxiliarem no aprimoramento do nascente Movimento Espírita. Sentiram a necessidade de fundar uma instituição que congregasse todos os elementos dispersos em cada região, estabelecendo uma liga para orientação uniforme na propaganda e na prática de seus ideais. Decidiram-se por criar as Alianças Municipais.
Nossa região, contava com o espírito valoroso, nobre e motivado de Zezinho Abrantes, que representava o espiritismo de Barbacena na capital mineira...
Zezinho retorna à Barbacena vibrando no amor do Cristo, para a construção do bem. Empenhou-se em visitar as casas espíritas aqui existentes e com a alma sintonizada com o ideal da unificação: explica, comove e convence aos confrades espíritas, da necessidade de se criar um órgão administrador para os grupos espíritas de nossa cidade e região.
Zezinho Abrantes com sua garra de bandeirante auxiliou a desbravar a mata da incompreensão, da má vontade e da preguiça, trazendo a lume a PRIMEIRA ALIANÇA ESPÍRITA do estado de Minas Gerais, no dia 24 de setembro de 1944. (OBS – A AME DE JUIZ DE FORA divulga ser a mais antiga, mas a data da fundação da aliança de lá é posterior a de Barbacena. (*)).
As primeiras reuniões da Aliança Barbacenense Espírita (ABE) foram realizadas nas dependências do Grupo Astral Paraíso do Bem, sendo realizadas, mensalmente, visitas às casas espiritas já edificadas e as em formação.
A AME recebe a doação de um lote da família Varandas para a construção de sua sede a Rua Sete de Setembro e fazem o lançamento da pedra fundamental. Um projeto arquitetônico e feito, mas devido as dificuldades financeiras e o alto custo do projeto, a construção no lote doado foi abandonada.
Em um tempo que havia muito preconceito, pouco dinheiro, dificuldades gigantescas em locomoção e baixo grau de instrução – os obstáculos a serem superados eram enormes; mas outro problema inquietava os confrades: onde funcionaria a sede da Aliança? E é aí, que entra em nossa história uma personagem marcante.
Primeiramente, demonstrou o seu desapego, e a posteriori, permitiu-nos identificar o poder da sua amizade, coragem e personalidade empreendedora: Mário Cruz Machado.
Cruz Machado assumiu a responsabilidade de construir a sede, e na antiga Rua Dr. Laurindo, no Bairro Boa Morte, em um lote de sua propriedade, começou a construção. O terreno foi doado à Aliança e quando era necessário comprar material ou pagar funcionários, o próprio Cruz Machado o fazia com recursos próprios.
Dois dedicados companheiros, que trabalharam em prol da materialização do órgão de unificação do movimento espírita.
Durante certo tempo, fizeram estudos e reuniões, mas as pessoas achavam o local distante, e a sede era apedrejada pelos antipatizantes da Doutrina Espírita, fazendo com que a frequência diminuísse até a casa ficar abandonada...
Cruz Machado então comprou algumas lojas no Edifício Mercantil e ali instalou a nova sede da Aliança. Mas, à noite, a galeria do edifício ficava abandonada e vândalos arrombavam a porta ficando a sede desprotegida. Mais uma vez e pacientemente Cruz Machado se dispôs a ajudar; vendeu as lojas. Sua cunhada Juracy, tinha uma loja localizada à Rua Monsenhor João Gonçalves. Cruz Machado trocou um imóvel de sua propriedade por esta loja, transferindo-se a sede para ali.
A Aliança Barbacenense Espírita mudou de nome para Aliança Municipal Espírita de Barbacena, em 26 de março de 1973, seguindo a orientação da União Espírita Mineira.
Hoje, a Aliança Municipal de Barbacena (AME) mantem uma livraria na antiga sede, na Rua Monsenhor João Gonçalves, e realiza suas reuniões em todos os terceiros sábados de cada mês às 16 horas, nas diversas casas espíritas vinculadas a AME. Está sediado em Barbacena, o Oitavo Conselho Regional Espírita (CRE), que abrange diversas cidades de nossa região.
A sua tarefa continua a mesma, ou seja, tem sobre sua responsabilidade congregar o espiritismo de nossa região, promovendo eventos para a divulgação da Doutrina dos Espíritos e a busca da unificação de nosso movimento espírita.
(*)
AME DE JUIZ DE FORA: Tudo começou com a Casa de Kardec, fundada em 05 de outubro de 1939. Já em 10 de dezembro de 1939, a Casa de Kardec, situada a Rua Halfeld nº 811, teve eleita sua primeira diretoria, a partir da ideia de João de Campos Monteiro Bastos. Seu desejo era fundar uma instituição que unisse e fraternizasse a família espírita juiz-forana. Assim a primeira diretoria foi composta por João de Campos Monteiro Bastos como presidente, Isaltino da Silveira Filho, como secretário, Hercules Magaldi como tesoureiro e Antonio G. Peralva como procurador. Os primeiros integrantes da Casa de Kardec desejavam unir em “amor e fraternidade” aqueles que professavam a doutrina espírita assim como almejavam a difusão da doutrina através da “cultura individual de seus sócios por meio de sua Biblioteca”. Além disso, faziam caravanas com o intuito de levar conferencistas para visitar os meios espíritas.
No final do ano de 1951, em uma assembleia feita na sede do Centro Espírita Seara de Jesus, foi aprovada uma nova designação para a Casa de Kardec, que passaria então a se chamar “União Espírita de Juiz de Fora”.
Nelson, por favor, as suas despedias dos nossos leitores.
É com o coração apertado que remexemos na gaveta do passado e evocamos todo trabalho realizado pelos pioneiros do Espiritismo em nossa região. Em um tempo de luta intensa para a própria subsistência, recordamos os esforços empregados pelos companheiros das primeiras horas, a fim de que o Espiritismo chegasse até nós. Vencendo preconceitos e distâncias, limitações e os recursos escassos nos permitiram, com sua persistência e amor ao Cristo, ter acesso ao repositório de Luz, que é a Doutrina Espírita.
Nossas palavras a estes homens e mulheres de vã guarda são: Muito Obrigado!
Já para os leitores da atualidade, pedimos um tributo de reconhecimento pelo muito que nossos antepassados fizeram por nós. Que possamos valorizar o tesouro recebido e colocar em prática com o intuito de melhorarmos o mundo que vivemos.
Nelson Xavier, Élida e Lívia Cristina – apresentação de Auto de Natal para crianças do POMAR; João Pedro (de azul), Lívia Cristina (amarelo) e Nelson Vicente, filhos; Nelson Xavier palestrando para educadores na UNIPAC; Nelson Xavier documentando histórias
Trabalhadores e assistidos do Grupo Astral Paraíso do Bem. Barbacena, MG, fundado em 1926.
Joaquim Alves Coelho e D. Rosa Santos Coelho. Fundadores do G.A..Paraiso do Bem, em Barbacena, MG;
Jacinto Bertola - Trabalhador Espírita mais antigo da região de Barbacena, encarnado;
Atividades dos Ferroviários Geraldo Sérgio de Souza; Centro Espírita Araquém. Antônio Carlos, MG
A primeira Escola de Evangelização Infantil de Barbacena: “Aula de Iracema”. Década de 1930
Lançamento da Pedra Fundamental da Aliança Espírita Barbacenense em 1953
Aliança Barbacenense Espírita, no ano de 1955
Divaldo Pereira Franco participando da 4ª. Semana Espírita de Barbacena
Nelson Xavier em palestra no SEPAZ em fevereiro de 2009
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
Postado por Gislaine às 06:28 0 comentários
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XVIII– Os templos
A religião sempre foi alvo de muita atenção por parte dos egípcios, que são, tradicionalmente citados como um dos povos mais religiosos que o mundo conheceu.
Para o desenvolvimento das atividades religiosas edificaram muitos templos, cujas plantas variaram proporcionalmente às necessidades ou importância dos locais onde foram construídos.
Os exemplares que têm possibilitado uma idéia mais precisa acerca dessas obras são os que sobreviveram a partir do Novo Império, principalmente o de Ámon em Luxor e o de Hórus, em Edfu, que está bem conservado.
Esses edifícios, também chamados “casa dos deuses”, às vezes assumiam proporções gigantescas e, além de servirem aos cultos, comumente centralizavam atividades econômicas e administrativas vinculadas ao patrimônio do templo. Devido a isso, considerável mão-de-obra era requisitada e, ao lado dos sacerdotes que celebravam os ofícios religiosos, os templos também dispunham dos escribas e profissionais de várias áreas para dirigirem obras, controlar finanças, comércio, indústria e as propriedades rurais que se prestavam à agricultura e pecuária.
Neste diapasão, nas pequenas vilas um templo não ia além da porta de ingresso e uma câmara, noutras maiores se apresentam como verdadeiros palácios e, numa capital, como em Tebas ou Mênfis, eram imensos, comportando dezenas de salas, esplêndidos pátios com colunas e pórticos, lagos, escolas, bibliotecas, lojas, armazéns e graciosos jardins.
Grandes Obras
Amenófis III deixou seu nome indelevelmente assinalado como um dos maiores construtores do Egito. Uma de suas grandes obras foi o templo edificado do outro lado do Nilo, em cujo local só restam as duas estátuas de dezesseis metros de altura, que guarneciam a porta de entrada, conhecidos como “Colossos de Memnon”. *
Das ruínas desse templo funerário foram retiradas inúmeras estátuas que adornaram pátios de outros templos e palácios, algumas das quais, como as da deusa Sekhmet, estão expostas no Museu do Louvre, em Paris.
Os vestígios são suficientes para corroborar a descrição do templo feito para durar “milhões de anos”, uma homenagem de Amenófis ao deus Amon, cultuado em Tebas:
Uma estela que se encontrava nas proximidades do templo funerário de Amenhotep, famoso arquiteto de Amenófis III, ao descrever as grandes obras do faraó assim se expressa em relação ao templo famoso:
“Então Sua Majestade teve o prazer de construir um grandioso monumento, sem igual depois do começo dos tempos. Construiu-o para que seja o monumento de seu pai Amon, Senhor dos Tronos e dos Dois Países, erigindo-lhe um augusto templo a estibordo da cidade de Tebas, uma eterna fortaleza de arenito, embelezada, em toda parte, com ouro; o Sol aí é de prata cintilante e todas as suas portas são em electrum.”
A visitação aos templos egípcios sempre consta dos roteiros turísticos e é um item que merece ser bem explorado junto aos guias especializados que acompanham as excursões. Melhor ainda se o visitante fizer um estudo prévio sobre a história da interessante civilização e colocar-se em condições de formular perguntas e tirar dúvidas, considerando que os profissionais de turismo no país são bem preparados, inclusive muitos deles com formação para leitura dos hieróglifos grafados nas paredes, nas colunas e nos sarcófagos.
Nos templos egípcios, que são vários, se pode aprender muita coisa ao vivo e em cores, e, para tanto, um bom guia é fundamental.
Assim em Luxor, onde se situava a antiga Tebas, reduto esplendoroso dos faraós do Novo Império, encontramos obras gigantescas e maravilhosas. E em ambas margens do Rio Nilo e bem próximas umas das outras.
O templo de Ámon em Luxor se mistura com a cidade moderna. Com 260 metros de extensão, foi iniciado por Amenófis II, ampliado por Tutmósis III e concluído por Ramsés II. Esse complexo era unido ao imenso templo de Carnac numa distância de mais de três quilômetros por uma avenida ladeada por esfinges, restaurada recentemente, comportando esfinges com corpos de leão e cabeças de carneiros, falcões ou de humanos. Do templo de Luxor foi retirado um dos obeliscos que ladeava a porta de ingresso e transportado para a França onde se encontra fincado na Praça da Concórdia. No templo de Carnac além das grandes dimensões impressiona a Sala Hipostila com suas 134 colunas de 23 metros de altura forradas de inscrições e com capitéis majestosos em forma de papiro aberto com 15 metros de diâmetro e com capacidade para abrigar em seu topo 50 pessoas. Do outro lado do Nilo, além das famosas sepulturas dos reis e rainhas merece destaque o templo funerário da mulher-faraó, Hatshepsute, escavado na rocha e concebido em em dois pisos pelo arquiteto Senemute.
Dentre os muitos templos espalhados pelo Egito podemos relacionar: Templo de Ramsés II, em Abu Simbel no Alto Egito; Templo de Isis, em Filé, Templo de Kom Ombo, Templo de Horus em Edfu, Templo de Ramsés III em Medinet Habu, os templos de Luxor e Carnac sobre os quais já falamos, Templo de Hathor em Dendera, Templo de Seti I em Abidos, etc.
O Faraó e o culto
Nas representações encontradas nas paredes, estelas e obeliscos dos templos, o faraó é frequentemente visto sozinho diante das divindades, tanto para fazer as suas ofertas como para receber as suas bênçãos e recompensas.
No Egito, o faraó não só era a máxima autoridade administrativa, como, também, o supremo mandatário religioso. Em determinadas cerimônias, era ele próprio quem celebrava os cultos, tarefa ordinariamente cometida aos altos sacerdotes, seus representantes.
Nos templos egípcios existiam determinados setores que eram inacessíveis ao público, as chamadas câmaras de culto ou santuários, onde era guardada a imagem do deus cultuado na localidade, ao qual os sacerdotes faziam as ofertas cotidianas. As celebrações direcionadas ao público se davam em local mais aberto, nos enormes pátios, onde os sacerdotes se apresentavam como um elo de ligação entre os homens e os deuses, levando a estes os pedidos, o louvor ou os agradecimentos. Em determinados festivais, todavia, a estátua do deus do templo era colocada sobre um barco dourado e transportada em procissão pelas ruas acompanhada dos sacerdotes.
A intimidade reverencial entre o faraó e os deuses, contida nos diálogos dos templos fez com que a figura do mandatário egípcio se robustecesse ante os súditos, ensejando que da mesma forma que o governante era obediente aos deuses, também eles deviam obediência àquele que lhes dirigia os destinos na terra.
Essas colocações são muito freqüentes nas cerimônias das ofertas às divindades, sobretudo por ocasião das edificações de monumentos e templos em honra aos deuses homenageados, que, em contrapartida, acreditavam, lhes recompensaria com a saúde, beleza, poder e riquezas, como se pode avaliar das seguintes citações: Amon agradece a Tutmés II: Venho, pois, ver este belo e puro monumento que meu filho, saído de mim, meu bem-amado, rei do Alto e Baixo Egito... que já dispõe do mesmo trono que tem feito para mim... e dou-lhe vida duradoura, riqueza idêntica à de Rá, para sempre”. “Meu filho, querido Tutmés, que tem feito construir minha casa, que tem embelezado meu templo de admiráveis monumentos, tu és um filho que tem zelado por seu pai, que faz aumentar as ofertas daqueles que lhe crêem. Eu te concedo mais vida, mais duração, mais riqueza em recompensa por esses monumentos eternos que tu tens feito”. Nut agradece a Tutancâmon: “Filho bem-amado de meu ventre, senhor das duas terras, Tutancâmon, eu, tua mãe que lhe deu a beleza, eu que te elevei quando tu eras menino, eu derramarei temos entre os nove arcos (os países inimigos), muito respeito entre os núbios... em recompensa por esses belos monumentos que tu tens feito”.
Alguns historiadores vêem nessas manifestações de apreço dos deuses pelas homenagens recebidas, uma fórmula dissimulada de uso utilitário da religião, onde, por projeção, os súditos também deviam obediência irrestrita ao mandatário por aquilo que este lhes propiciasse em bens e serviços.
É indubitável que o Egito tenha tido governos tiranos e escravocatas, todavia, os mesmos historiadores que alinham os maus governos fazem justiça àqueles que mereceram o respeito e consideração dos governados, por terem sabido conviver com a prosperidade e a justiça.
Próximo artigo: Aspectos do Cotidiano (1)
Templo de Ramses II em Abu Simbel.
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Abu_Simbel,_Ramesses_Temple,_front,_Egypt,_Oct_2004.jpg
Templo de Isis em Filé
Foto Ismael Gobbo
Templo de Hórus, em Edfu.
O templo de Ámon, na atual Luxor, está circundado pelo moderno. Do outro lado do Nilo
estão as famosas necrópoles da antiga Tebas em cujas proximidades foram construídos famosos
templos funerários. Foto Ismael Gobbo
O enorme e majestoso templo de Carnac. Em primeiro plano a avenida das esfinges.
Foto Ismael Gobbo
As imensas colunas encimadas por capitéis em estilo de papiro aberto do templo de Carnac, na antiga Tebas.
Foto Ismael Gobbo
Templo funerário de Hatshepsute em Deir-el-Bahari. Projeto concebido pelo arquiteto Senemute
em dois pisos e escavado na rocha. foto Ismael Gobbo
Duas das muitas pinturas murais do templo funerário de Hatshepsute em Deir-el-Bahari
Foto Ismael Gobbo
Templo de Hathor em Dendera
Baixo relevo do templo de Seti I, em Abidos
Colossos de Memnon. É tudo o que resta do templo funerário de Amenófis III, em Tebas,
atual Luxor. As estátuas de vinte metros de altura guarneciam a entrada do templo que não mais existe. Foto Ismael Gobbo
Lago Sagrado no templo de Carnac, Egito. Foto Ismael Gobbo
Postado por Gislaine às 17:24 0 comentários
Focalizando o Trabalhador Espírita (167) Marcia Ferreira Ramos Leal
Marcia Ferreira Ramos Leal
Valença, RJ
Nesta entrevista vamos falar com Marcia Ferreira Ramos Leal,
Leal, presidente do Grupo Espírita de Amor, Humildade e Ca-
ridade, a segunda casa espírita mais antiga de Valença, fundada
no dia 1º. de outubro de 1923, no estado Rio de Janeiro,
cidade onde Marcia nasceu e reside. Além de participar da di-
reção e das várias atividades da casa que preside, Márcia é
oradora e atuante no movimento de unificação.
Márcia, pode nos fazer sua auto apresentação?
Sou a sexta filha de Humberto Corrêa Ramos e Iracema Ferreira Ramos. Nasci em Valença-RJ, no dia 18 de outubro de 1967, onde ainda moro. Sou casada com o também professor Paulo Roberto Figueira Leal – não temos filhos, mas convivemos muito proximamente com 9 sobrinhos.
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Graduei-me em História e lecionei por breve período na rede pública estadual. Hoje sou colaboradora voluntária da Livraria Espírita Yvonne Pereira, em Valença.
Como você conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
Desde a infância, convivi intensamente com a família (toda ela espírita) de uma grande amiga, a Simone Victorino Furtado. Apesar da proximidade com espíritas por quase toda a vida, fui participar de fato do movimento já adulta. Milito com assiduidade em casas espíritas há aproximadamente seis anos.
A que casa espirita você está vinculada presentemente?
Sou presidente do Grupo Espírita de Amor, Humildade e Caridade, em Valença-RJ.
Pode nos fazer uma retrospectiva de sua atuação no movimento espirita durante esses anos?
Comecei participando do ESDE e trabalhando na recepção da casa, além de ajudar na organização da biblioteca. Fiz o curso de passe e iniciei o trabalho como médium passista. Hoje, além das atividades de passe, participo do trabalho de educação mediúnica e faço parte da equipe do ESDE na casa em que milito. Sou também coordenadora administrativa do 24º Conselho Espírita de Unificação (CEU) de Valença e Rio das Flores. Ministro palestras em várias casas do município.
Quais as casas espíritas na cidade de Valença?
Centro Espírita de Valença; Grupo Espírita de Amor, Humildade e Caridade; Casa de Caridade Antônio José da Silva; Grupo Espírita Joana D’Arc; Grupo Espírita Fé, Amor e Caridade; Grupo Espírita Lar Meimei; Grupo Espírita Aprendizes do Evangelho; Grupo Espírita Casa do Caminho Irmãos de Boa Vontade; Grupo Espírita Chico Xavier; Centro Espírita André Luiz (Juparanã); Centro Espírita Fonte de Luz (Conservatória); Centro Espírita Yvonne Pereira, que, apesar de ficar no município vizinho de Rio das Flores, integra a União Municipal Espírita de Valença (UMEV) e o 24º CEU.
Conte-nos por favor a história do Grupo Espírita de Amor, Humildade e Caridade, da qual você é a atual presidente.
Foi fundado em 01 de outubro de 1923, sediado inicialmente na Rua Dona Ana Jannuzzi, nº 236. Em 14 de novembro de 1940, foi feita uma permuta com a Loja Maçônica “Simbólica Perfeita União” e a casa se instalou na Rua Silveira Vargas, nº 57, onde funciona até hoje. Desde o início (trata-se da segunda casa mais antiga do município de Valença), tem se pautado pela máxima de que a prática da caridade é uma obrigação de qualquer casa espírita que se queira coerente com a doutrina. Milhares de pessoas já foram atendidas, ao longo de 89 anos, em suas demandas espirituais e materiais.
Que atividades doutrinárias e assistenciais vocês desenvolvem?
Palestras públicas, evangelização, mocidade espírita, estudos sistematizados da doutrina, estudo do Evangelho, seções de passe e de tratamento espiritual, atendimento fraterno, desenvolvimento mediúnico e desobsessão.
Estão vinculados ao movimento de unificação? A quais órgãos?
Ao 24º Conselho Espírita de Unificação (CEU) de Valença e Rio das Flores, que atua como representante do Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ); e à União Municipal Espírita de Valença (UMEV).
Dentre os vultos que passaram pela casa nesses quase noventa anos quais aqueles que são mais conhecidos?
Antônio Lobo Braga; Daniel Rosa; Dona Therezinha da Silva; Américo Augusto César; e Ismail Cândido Xisto, com quem convivi mais proximamente.
As suas despedidas dos nossos leitores.
Desejamos que, não apenas em Valença, mas em todo o país, que o movimento espírita tenha a capacidade de continuar levando adiante o projeto originário do espiritismo: consolar, esclarecer, servir. Que tenhamos cada vez mais integração e capacidade de organização, para potencializar os frutos de nosso trabalho e o alcance da mensagem que divulgamos.
Marcia e o marido Paulo Roberto
Fachada do G,E, Amor, humildade e Caridade, atualmente presidido por Marcia Ferreira Ramos Leal
Grupo Espírita Amor, Humildade e Caridade. Recepção. Valença, RJ
Grupo Espírita Amor, Humildade e Caridade. Valença, RJ
Grupo de Educação Mediúnica do G.E. Amor, Humildade e Caridade. Valença, RJ
Evangelho ao amanhecer. G.E. Amor, Humildade e Caridade. Valença, RJ
G.E. Amor, Humildade e Caridade. Evangelização Infantil. Valença, RJ
G.E. Amor, Humildade e Caridade. Mocidade Espírita. Valença, RJ
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
Postado por Gislaine às 17:12 0 comentários
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
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