Eugênio Eustáquio dos Santos
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Focalizando o Trabalhador Espírita (169) Eugênio Eustáquio dos Santos
Eugênio você pode nos fazer a sua apresentação?
Ismael, sou Eugênio Eustáquio dos Santos, tenho 54 anos, sou solteiro, filho de Manoel Pacheco dos Santos e Maria da Saúde dos Santos. Nasci em Pedro Leopoldo no ano 1958, num local histórico chamado “quadro”, onde existem as primeiras casas de Pedro Leopoldo, pertencentes à Cia. Industrial Belo Horizonte.
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Sou analista de sistemas, contador, sócio-proprietário da empresa Gerencial Sistemas e Consultoria Ltda.
Como você conheceu o espiritismo e desde quando o freqüenta?
O interesse pela doutrina começou junto com amigos na juventude, no ano de 1981. Começamos a estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo em nossa residência através Culto do Evangelho no Lar. Apesar de serem católicos meus pais permitiram o estudo do evangelho em nossa casa. Através dos esclarecimentos advindo do evangelho sobre a necessidade da pratica da caridade, iniciamos uma Campanha do Quilo junto aos vizinhos, para atender famílias em um bairro carente de nossa comunidade. Começamos a sentir a necessidade do estudo da mediunidade, iniciando pelo próprio Livro dos Médiuns e pelas apostilas do Coem – Centro de Orientação e Educação Mediúnica elaboradas pelo Centro Espírita Luz Eterna, da cidade de Curitiba, PR. Esses trabalhos ficaram vinculados à nossa residência até a sua transferência para o Centro Espírita Meimei, no ano de 1983, com a Mocidade Espírita Jovens Cáritas.
A que casa espírita você esta vinculado presentemente?
Ao Centro Espírita Meimei, fundado em 31 de julho de 1952, por Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) e Arnaldo Rocha, que foi marido de Meimei.
Você pode nos fazer uma descrição de sua trajetória pelo movimento espírita durante esses anos?
Como disse, fomos para o Meimei em 1983, para nós um grande aprendizado na casa deixada por Chico Xavier, como uma oficina de trabalho e ajuda aos encarnados e desencarnados, participando da reunião de desobsessão do Grupo Meimei. Ali fundamos o Grupo Espírita Chiquinho Carvalho, em homenagem ao que foi cunhado de Chico Xavier e presidente do Meimei, com intuito de ampliar as nossas atividades em trabalhos assistenciais, reuniões públicas, evangelização infantil, atividades estas que não existiam até então no Meimei. Isto porque a casa foi fundada para assistência aos desencarnados através das reuniões de desobsessão, às quinta-feiras e posteriormente do Grupo Sheila, as terças-feiras , que perduram até os dias atuais. Efetivado o nosso intuito com implantação dessas atividades, sendo a característica primeira da casa, a desobsessão, não fugiu aos seus objetivos, fundamos mais duas reuniões mediúnicas do Grupo Chiquinho Carvalho, as sextas-feiras e sábados, que estão graças a Jesus em plena atividade.
Em 1986 participamos da fundação da Aliança Municipal Espírita, juntamente com os amigos das outras casas espíritas da nossa cidade. Em 1995 o Grupo Chiquinho Carvalho, fundou o Lar Espírita Chiquinho Carvalho, em regime de creche para que pudesse levar assistência às crianças e seus familiares, através de seu Departamento de Assistência Social. Hoje o lar funciona no prédio que abrigou o asilo em que Chico Xavier visitava na passagem do Ano Novo em Pedro Leopoldo.
Atualmente sou presidente da Aliança Municipal Espírita de Pedro Leopoldo e Matozinhos, Presidente do Centro Espírita Meimei, Vice-presidente do Grupo Espírita Chiquinho Carvalho, Vice-presidente do Lar Espírita Chiquinho Carvalho E Conselheiro da Fundação Cultural Chico Xavier.
Eugênio com quantas casas espíritas conta Pedro Leopoldo e suas respectivas datas de fundação?
Contamos atualmente com 11 instituições espíritas ligadas a AME.
1. Centro Espírita Luiz Gonzaga – 08/07/1927
2. Centro Espírita Meimei – 31/07/1952
3. Grupo Espírita Sheila - 05/08/1954.
4. Centro Espírita Amor e Luz: - 23/06/1960
5. Grupo Espírita Dr. Bezerra de Menezes – 23/10/1967
6. Templo Espírita Leopoldo Cirne: 03/03/1974
7. Grupo Espírita Chiquinho Carvalho – 20/03/1983
8. Centro Espírita Casa do Caminho - 20/11/1993
9. Centro Espírita A Caminho da Luz - 04/11/1995
10. Centro Espírita Albino Teixeira: 22/06/1996
11. Casa de Chico Xavier – 02/04/2006
Como presidente da Aliança Municipal Espírita de Pedro Leopoldo qual o balanço que você faz do movimento espírita da cidade?
O movimento espírita aqui em Pedro Leopoldo é muito unido entre as casas e seus frequentadores, procurando compartilhar idéias e atividades que venham a divulgar a doutrina e seus postulados, procurando sempre criar um clima fraterno e amigo, na vivencia da doutrina de Jesus. Acredito que no interior como nós vivemos isto seja possível pela proximidade com vivemos o dia-a-dia. Após a desencarnação de Chico Xavier em 2002, pudemos perceber uma mudança na movimentação de espíritas e não espíritas em Pedro Leopoldo, o que nos convida a ter cuidado para não afetar o movimento de alguma forma. Porque com a movimentação chegam sempre novas idéias, novas pessoas, novas situações, que nos pede cautela no trato para que cada vez mais a doutrina cresça e se propague, pelo nome e pela vivência exemplar de Chico Xavier.
Qual a sua apreciação sobre o Espiritismo em Pedro Leopoldo até 1959, e depois dessa data, quando Chico Xavier se mudou para Uberaba?
Acredito que a presença de Chico em Pedro Leopoldo foi uma bênção de luz para todos em nossa cidade, não só para os espíritas, mas para todos que tiveram a felicidade de conviver com essa alma boa, presenciar os seus feitos e se beneficiar da sua companhia. Porque Chico enquanto aqui viveu foi um amigo de todos, no centro espírita, da rua, nos bares, etc..Quando o seu trabalho se propagou as pessoas começaram a vir para nossa cidade, buscando esse contato com Chico, o que perdurou até a sua partida. Mas Chico amparou a nossa cidade, organizando as casas que deveriam ficar e continuar o trabalho da doutrina em nossa cidade. Foram elas:
O Centro Espírita Luiz Gonzaga, destinado às reuniões públicas de psicografia e receituário, ficando sob a responsabilidade de Manuel Diniz.
O Centro Espírita Meimei, fundado por ele e Arnaldo Rocha, para assistência aos desencarnados, em reunião intima com poucos amigos.
O Centro Espírita Sheila, fundado por José Flaviano Machado sob a orientação de Chico, instituição que popularizou o espiritismo em nossa cidade.
O Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, orientado por Chico, onde o José de Paula Virgilio, ficou encarregado do trabalho de assistência social.
Dessa forma as casas continuaram a tarefa, surgindo desses grupos novas casas em lugares estratégicos, permanecendo em seus postulados até os dias de hoje.
Agora conte-nos a história do Centro Espírita Meimei, do qual você é presidente e que completou 60 anos no último 31 de julho.
A história do Centro Espírita Meimei é muito bem contada por Arnaldo Rocha no livro “Instruções Psicofônicas”, de onde passo a transcrever alguns trechos:
“O Chico, por várias vezes, falou-nos do desejo expresso pelos mentores espirituais, no sentido de se criar um grupo de irmãos conscientes e responsáveis para a assistência especializada aos problemas difíceis”.
“Em meados de 1952, aderimos finalmente. Convidamos alguns irmãos conscientes da gravidade que o assunto envolve em si e, na noite de 31 de julho do ano mencionado, realizamos nossa primeira reunião”.
“A princípio, reuníamo-nos na antiga dependência que o Centro Espírita Luiz Gonzaga ocupou, de 1927 a 1950, mas em 1954 .... Transferimo-nos para nossa sede própria e definitiva que, embora singela, se levanta acolhedora à Rua Benedito Valadares, nesta cidade”.
“É preciso dizer que o médium Chico Xavier sempre as recebeu (mensagens contidas no citado livro) psicofonicamente, no último quarto de hora das nossas reuniões, muita vez depois de exaustivo labor na recepção de entidades perturbadas, em socorro de obsessos e doentes, serviço esse no qual coopera, igualmente, junto com os demais médiuns de nossa agremiação”.
Os seus Presidentes:
Arnaldo Rocha;
Francisco Teixeira de Carvalho;
Geraldo Benício Rocha;
Decanor Gonçalves;
Eugênio Eustáquio dos Santos
Eugênio, não deixa de ser um privilégio e por que não uma honra ter como trabalhadora da casa a única dos irmãos de Chico Xavier encarnada, dona Cidália Xavier Carvalho. Fale-nos um pouco dela e de seu esposo, o querido Chiquinho Carvalho, já desencarnado.
É um grande prazer poder falar desse casal, pois fazem parte da nossa infância.Lembro-me na infância de noticias do irmão ilustre de dona Cidália Xavier de Carvalho, casada com Francisco Teixeira de Carvalho (Chiquinho Carvalho), nossos vizinhos lá no bairro Quadro, ligado à fabrica de tecidos Cachoeira Grande. Chico sempre vinha visitar a irmã, provocando sempre um acontecimento festivo. Chico com aquele sorriso aberto para a criançada da rua, procurando saber como tinha sido a festa da mães, do natal, etc. Nessa época não tínhamos contato ainda com a Doutrina Espírita, mas já amávamos essas pessoas.
Cidália, uma senhora alegre, Chiquinho um senhor discreto, ambos muito amigos de todos. No contato com a doutrina descobrimos o verdadeiro trabalho espiritual desse casal. Chiquinho Carvalho, quando começou a namorar Cidália era católico fervoroso, mas no contato com Chico Xavier absorveu os conceitos doutrinários e com a mesma fidelidade católica, se tornou espírita, colaborando nas reuniões do Luiz Gonzaga , do Meimei e nos trabalhos de distribuição e peregrinação em nossa comunidade junto com Chico Xavier. Cidália chegou um pouco depois nos trabalhos de desobsessão do Grupo Meimei; é médium dedicada e discreta, permanece fiel ao trabalho até os dias de hoje dentro do que permite as suas condições físicas.
Para nós além de uma grande honra, é uma grande oportunidade de aprendizado junto a essas almas tão queridas, onde acrescento o Sr. Geraldo Benicio Rocha , irmão do Arnaldo Rocha, portanto cunhado de Meimei, que muito nos auxiliou no entendimento e experiência nos trabalhos de desobsessão. A dona Zefa, amiga que nos acolheu naquele ambiente, amparando a todos nós como fez e faz até os dias atuais, zelando pela nossa casa de oração a pedido do próprio Chico Xavier e Chiquinho Carvalho.
Pode nos relacionar as principais atividades que o centro desenvolve?
Reunião pública (palestras, passes, evangelização infantil e mocidade.
Às segundas-feiras e segundo domingo do mês
Reuniões mediúnicas de desobssessão:
tercas-feiras; quintas-feiras; sextas- feiras; sábados
Reunião de estudos:
quartas-feiras; primeiro domingo do mês
Assistência social: campanha do quilo – terceiro sábado do mês. Distribuição (palestras espíritas, cidadania, evangelização, entrega de cestas básicas).
As tarefas de assistência social estão ligadas ao Lar Espírita Chiquinho Carvalho que atende, cerca de 100 crianças em regime de creche, em parceria com a prefeitura municipal e 80 famílias da comunidade.
Algo mais que queira acrescentar?
Gostaria de agradecer a Chico Xavier o legado que nos deixou, implantando a doutrina espírita em nossa cidade, quando ele funda o Luiz Gonzaga e o Grupo Meimei deixando o seu exemplo de fidelidade a Jesus.
Através dessas casas e de seus membros, surgem novos grupos de trabalho e casas espíritas acendendo a luz do evangelho para o esclarecimento e consolações, nos oferecendo a oportunidade do trabalho redentor.Até a sua residência, se tornou a “Casa de Chico Xavier,”, aberta ao estudo e oração em favor de todos nós.
Deixo o meu agradecimento também ao Arnaldo Rocha, desencarnado no último 29 de outubro aos 90 anos, pela sua presença em nossa Pedro Leopoldo, ajudando a solidificar os trabalhos em nossa cidade. Que Jesus o abençoe e ampare.
As suas despedidas dos nossos leitores
Um grande abraços aos nossos amigos de ideal. Que possamos ao influxo do exemplo das grandes almas, agradecer a benção de luz que é a Doutrina Espírita e buscar forças no trabalho perseverando até o fim
Chico Xavier passando instruções na construção do C.E. Meimei
Chico Xavier e Arnaldo Rocha
Fachada Original do Centro Espírita Meimei
Arnaldo Rocha na entrada do salão Principal do Meimei
Irma de Castro Rocha (Meimei), Geraldo Benício Rocha (Major) sócio fundador do Meimei, dirigente dos Trabalhos Mediúnicos após Chiquinho Carvalho, Francisco Teixeira de Carvalho ( Chiquinho Carvalho), Sócio Fundador do Meimei , dirigente do Trabalhos Mediúnicos após Arnaldo Rocha. Homenageado pelo Grupo que leva o seu nome em 1983, Chico Xavier envia foto ao pai de Eugênio Eustáquio na década de 1970.
Cidália Xavier de Carvalho, irmã do nosso querido Chico Xavier e Eugênio Eustáquio dos Santos,
na década de 80 no jardim em sua residência.
Dona Josefa, zeladora do Meimei, Entrada do Meimei no ano de 2.002 ao completar 50 anos de sua fundação. Entrada do Meimei
no ano de 2.012 ao completar 60 anos de sua fundação, Salão de reuniões do Meimei.
Nestor Masoti, Presidente de Federação Espírita Brasileira, em visita ao Meimei, no centenário de nascimento de Chico Xavier.
Cidália Xavier de Carvalho, Arnaldo Rocha e Eugênio Eustáquio dos Santos, juntamente com a primeira edição dos livros:
Instruções Psicofônicas e Vozes do Grande Além, nas comemorações dos 60 anos do Meimei, Gravador doado por Pastorino
ao Meimei , que serviu de instrumento para documentar as comunicações psicofônicas de Chico Xavier e posteriormente a
edição dos livros acima citados, Arnaldo Rocha em palestra no Meimei, nas comemorações dos seus 60 anos de fundação.
Crianças na entrada do Lar Espírita Chiquinho Carvalho
LAR ESPÍRITA CHIQUINHO CARVALHO
Evangelização das crianças, Palestra e distribuição de cestas básicas, Projeto Percussão, Eugênio Recebendo a
Comenda da Paz Chico Xavier em nome do Lar, em Uberaba.
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) XIX– Aspectos do Cotidiano (I)
As Casas
Uma das formas pela qual se conhece a casa dos antigos egípcios é através dos pequenos modelos que colocavam nas sepulturas denominados de “casas das almas”, que ensejaram aos artistas a elaboração de preciosas reconstituições.
Também as pinturas das paredes de tumbas e dos papiros, um retrato aproximado do ambiente da casa que o morto tinha na terra, fornecem detalhes e propiciam uma boa idéia de como eram os interiores dos verdadeiros palácios que os cidadãos mais abastados possuíam.
As casas de camponeses, cujos modelos podem ser identificados pela presença de animais, objetos e utensílios agrícolas, eram pequenas, muito simples, com poucas divisões e, com certeza, não ofereciam muito conforto. Aparecem construídas no fundo do terreno, mostram um pátio na parte da frente, onde ficavam as criações, fornos, hortas e jardins, tinham varanda e uma escada que dava acesso ao teto, onde armavam tendas e redes aproveitando a brisa fresca que amenizava o calor.
As casas de campo dos ricos, ao contrário, eram mais espaçosas, comportando várias salas e dormitórios e eram dotadas de grandes banhos, capela, armazéns, estábulos, casa de carros, poço, lagos e jardins.
Os materiais utilizados nas construções mais simples eram os tijolos feitos de barro e palha, até hoje largamente utilizados no Egito, canas de junco, troncos de palmeiras e, às vezes, pedras para erguer os pilares. As construções mais sofisticadas ganhavam pedras nobres, adornos de metal, madeiras importadas e luxuosas decorações.
O mobiliário, utensílios domésticos, objetos de decoração e restos de tapeçaria recolhidas das necrópoles, muito parecidos com os que hoje utilizamos, dão uma idéia precisa da grande capacidade dos artífices egípcios em trabalhar com madeira, junco, cerâmica, porcelana, vidro, cobre, ouro e uma vasta lista de pedras preciosas.
Alimentação
As informações referentes á dieta dos egípcios procedem de cenas pictóricas e também dos restos de alimentos consumidos nos rituais fúnebres ligados às suas tradições religiosas encontrados nas capelas funerárias.
Os mais pobres no Antigo Egito parecem ter subsistido graças ao consumo do pão, da cerveja e alguns vegetais, notadamente a cebola, que, segundo Heródoto, foi um dos meios de pagamento quando da construção da Grande Pirâmide.
O pão era laboriosamente trabalhado com o trigo triturado em um moinho de pedras, substituído nos períodos Ptolomaico e Romano por um sistema mais eficiente de moinho manual rotativo. Numerosos tipos de pães foram elaborados pelos egípcios para uso comum e outros, muitas vezes moldados em formas, destinados às cerimônias rituais. O pão era a peça decorativa do centro da mesa de ofertas das capelas funerárias e aparece frequentemente retratado em fiadas de longas fatias sobre a mesa. Também o pão de açúcar, em forma de cone, aparecia sobre uma laje com o sinal hieróglifo (hetep) designativo de oferenda.
A cerveja era usualmente feita de cevada e parece ter sido uma espessa sopa líquida, a qual, nem sempre com grande dosagem alcoólica, era muito nutritiva. Em uma cena da tumba do Novo Reino, de Intefiqer, aparece uma criança segurando uma tigela, na qual está escrito: “Dêem-me alguma cerveja, pois estou faminta” – enfatizando, assim, que a cerveja era encarada sobretudo como um alimento importante e não apenas como uma bebida. A cerveja era algumas vezes adoçada com tâmaras ou aromatizada com outras frutas.
Anotações obtidas em fragmentos de cerâmica na Vila dos Trabalhadores, em Deir-El-Medina, indicam que o pagamento dos operários era feito através do fornecimento de alimentos.
Embora esses homens e seus familiares pudessem ser mais privilegiados que os trabalhadores agrícolas, a lista de rações oferece alguma idéia dos gêneros alimentícios comumente disponíveis à época do Novo Reino. O trigo e a cevada foram os mais importantes itens utilizados no preparo da dieta dos egípcios.
Feijão, cebola, alho, alface, rabanetes, fava e pepino surgem entre os mais regulares suprimentos vegetais. O peixe salgado parece ter sido um elemento importante na dieta dos aldeões. A carne usualmente utilizada era do gado bovino, porém, informações existentes em El-Lahun, do Médio Império, e em Tel El-Amarna, do Novo Reino, atestam que a carne de porco fez parte da dieta dos egípcios. Lebres, gazelas e outros animais selvagens foram aproveitados na dieta alimentar dos povos mais pobres, como também serviram de objeto às caçadas dos cidadãos da elite. Ainda dos animais, os egípcios retiravam o leite para o fabrico de queijos, e as gorduras. Patos e galinhas, que apareceram com o Novo Reino, foram criados para o fornecimento de ovos e carne.
Várias frutas, como tâmaras, figos, uvas, romãs, castanhas de palmeira e, mais raramente, amêndoas, foram utilizadas pelos habitantes da Vila dos Trabalhadores de Deir-El-Medina e populações da região.
As uvas foram utilizadas pra o fabrico do vinho, como atestam várias cenas de sepulturas mostrando vinicultores em seu trabalho. O vinho, ao que tudo indica, teria sido consumido por pessoas mais ricas da sociedade egípcia, e as jarras que os continham trazem, geralmente, o local de origem e a safra a que se referem.
O mel era obtido de abelhas domesticadas e selvagens; na falta de açúcar, era usado para fabricar os pães e adoçar a cerveja. Em Deir-El-Medina está registrado que padeiros foram contratados para fabricar bolos de mel para grupos de trabalhadores.
Vestuário
Embora o clima do Egito tenha favorecido a sobrevivência de um número expressivo de itens de vestuário, em especial os recolhidos das tumbas do Novo Império, os têxteis ainda não foram estudados com o necessário detalhamento cientifico. Em face disso, os estudos existentes, mesmo os modernos, ainda vinculam-se às pinturas muras, relevos e esculturas.
Em geral, as roupas dos egípcios eram muito simples: os homens que trabalhavam no campo ou os artífices frequentemente usavam pouco mais que uma tanga ou um pequeno saiote, embora camisetas também aparecem a partir do início do período dinástico. O mais antigo exemplar surgido foi uma camisa de linho encontrada em Tarkhan, no Baixo Egito, de 2800 a.C.
As roupas podem ser utilizadas como um seguro guia cronológico para demonstrar que a elite dos vários períodos da história egípcia estavam sujeitas às mudanças ditadas pela moda.
Nos tempos dos Ramsés, a vestimenta de cortesão, por exemplo, podiam ser extremamente elaboradas, com o homem geralmente aparecendo com saiotes pregueados e sem o uso de avental como enfeite na frente.
Durante o Antigo Reino, mulheres (e deusas) eram habitualmente retratadas usando uma espécie de vestido com tira larga no ombro; já no Novo Império, este tinha adotado um tipo de vestido com apenas uma tira e, por volta do reinado de Amenhotepe III (1390-1352 a.C.), foram aparecendo as peças de roupas em tecidos transparentes.
Produzir roupas finas foi uma especialidade do Egito que, nesse particular, foi muito distinguido nos tempos romanos.
O colorido natural dos tecidos usados na vida cotidiana, ou possivelmente com o uso de malhas de contas de pérolas sobre o vestido, está ilustrado em figuras de carregadores na tumba de Meketra, datando do inicio do Médio Império.
A escavação da tumba tebana do arquiteto Kha levou à descoberta de 26 camisas de comprimento até o joelho e aproximadamente 50 tangas, incluindo peças pequenas triangulares possivelmente utilizadas nos trabalhos de agricultura ou de construção.
A tumba de Tutancâmon continha uma grande quantidade de roupas, incluindo roupas de crianças. Somente um pouco do seu guarda-roupa tem sido estudado cientificamente, mas algumas das roupas de linho contêm fios de ouro e um saiote feito de pedras coloridas.
Sacerdotes, vizires e alguns outros oficiais identificavam seus “status” através dos vários estilos de vestimentas. O vizir, por exemplo, era usualmente pintado usando um longo robe, o qual fazia surgir suas axilas enquanto que o sumo-sacerdote era comumente mostrado ostentando uma pele de leopardo.
Próximo artigo: Aspectos do Cotidiano (2)
Modelo de casa da tumba de Herishefhotep; Abusir, IX/X Dinastias. Museu Egípcio de Leipzig. Alemanha.
Miniatura de casa : peça de jogo (?) executada em marfim, proveniente de uma tumba de Abu Roach, próxima do Cairo,
da época do rei Den, do período tinita. http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_299.jpg
Tijolo fabricado com barro e palha. Luxor, Egito
Foto Ismael Gobbo
Pintura de oferendas na Câmara funerário de Menna. Tebas, Egito.
Casal trabalhando na colheita
Moagem de grãos para produção de cerveja. Médio Império. Museu do Louvre, Paris, França.
Plantação de milho e tamareiras junto a um canal do Rio Nilo, na região do Cairo.
Foto Ismael Gobbo
Akhenaton e Nefertiti. Museu do Louvre, Paris.
Vários tipos de vestimentas de homens e mulheres retratados
numa tumba egípcia do século XV a.C
Cenas em sarcófago que sugerem algumas vestimentas usadas pelos egípcios.
Seção de Egiptologia do Museu Histórico Nacional da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil.
Foto Ismael Gobbo
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Focalizando o Trabalhador Espírita (168) Nelson Xavier da Silva
Nelson Xavier da Silva
Nosso entrevistado deste sábado é o mineiro de
Barbacena, Nelson Xavier da Silva. Nascido em
lar católico, Nelson conheceu o Espiritismo no
ano de 1993, é um dos fundadores da Sociedade
Espírita Amor e Paz (SEPAZ) e o Grupo Teatral
AmandoArt. Hoje está à frente do Grupo Espírita
Astral Paraíso do Bem, o mais antigo da cidade de
Barbacena, fundado no ano de 1926. Aproveita-
mos o lado historiador de Nelson para que ele nos
respondesse algumas perguntas sobre o movimento
espirita de Barbacena, que é uma preciosidade.
Caro Nelson, pode nos fazer sua apresentação?
Ismael, sou Nelson Xavier da Silva, natural de Barbacena, MG, filho de Nelson José Francisco da Silva e Maria da Glória Xavier da Silva. Tenho seis irmãos: Rose Maria Xavier Alves, Rosilaine Xavier da Silva, Renato Xavier da Silva, Robson Xavier da Silva e Rosemary Xavier da Silva. Estou há cinco anos casado com Élida Cristina de Souza Xavier, tendo como filhos Nelson Vicente de Souza Xavier (5 anos), João Pedro de Souza Xavier (4 anos) e Lívia Cristina de Souza Xavier (3 anos e meio).
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Formei em Pedagogia, embora possua alguns cursos técnicos. Estou como militar em serviço na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) (Sargento Enfermeiro); atuo também como Palestrante e Consultor em Desenvolvimento Humano; Tenho alguma experiência na área teatral: sou ator e roteirista, há mais de 15 anos do Grupo Teatral AmandoArt; estou como atual presidente da Associação Cultural AmandoArt; Colunista do Jornal Nova Mídia e do site Seara Espírita; colaborador de várias revistas educacionais militares; Produtor dos vídeos: EPCAR – 60 Anos fazendo História e Raízes Espíritas de Barbacena; Coach Individual desde 2006 pelo Instituto Ricardo Melo de Belo Horizonte; e já ministrei mais de 2500 aulas, palestras e cursos em áreas variadas.
Qual casa espírita você freqüenta atualmente?
Grupo Espírita Astral Paraíso do Bem – casa espírita mais antiga de Barbacena.
Como conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
Tenho origem em família de tradição católica e sempre fui muito atuante dentro das atividades da igreja, mas em meados de 1993, comecei a ter contato com doutrinas espiritualistas. Sentindo um vazio existencial, busquei estudar várias doutrinas religiosas até chegar a Doutrina Espírita, ao qual sou filiado até os dias de hoje. Sou um dos associados-fundadores da Sociedade Espírita Amor e Paz – SEPAZ, membro do Grupo Teatral AmandoArt, estou atuando como presidente da Associação Cultural AmandoArt (ACAT) e do Grupo Espírita ASTRAL Paraíso do Bem. Colaboro com nosso movimento espírita, auxiliando os trabalhos da AME e realizando palestras, estudos e seminários em torno da proposta espiritista. E sempre que possível coleto informações da história do Espiritismo em nossa região.
Pode nos fazer uma retrospectiva do movimento espírita em Barbacena desde suas origens?
Em um dos livros mais completos sobre a história de Barbacena, encontraremos informações importantes sobre a doutrina dos espíritos em nossa cidade. O grande pesquisador Nestor Massena, em seu livro – Barbacena: A Terra e o Homem, diz que:
O Espiritismo tem muitos adeptos em Barbacena. Allan Kardec tem aí inúmeros prosélitos.
E mais a frente relata sobre o espiritismo existente em Barbacena no século XIX:
O Grupo Espírita União Fraternal de Barbacena, manteve, em 1897, uma Escola Noturna, foram, nesse ano, Presidente, Eduardo Magnin, Tesoureiro, Alfredo Ferreira Paes e o Secretário, o Capitão Agostinho Lopes de Oliveira.
Dos espíritas de Barbacena, teve, em seu tempo, grande relevo entre seus companheiros de crença: Modesto de Araújo Lacerda, pai da professora Maria Lacerda de Moura, natural de Barbacena, escritora espiritualista, que teve grande projeção em nossa vida intelectual.
Barbacena se encontra entre as pioneiras da divulgação do Espiritismo em Minas Gerais, e ao nos aprofundarmos nas pesquisas, perceberemos que uma grande parte dos fundadores dos grupos iniciais estavam vinculados à “Central do Brasil”. Podemos afirmar que o espiritismo viajou pelas estradas de ferro, vindo da França pelos navios e se espalhando pelos rincões mais simples desta Gerais.
No início do século XX, a Doutrina Espírita já caminhava pelas terras barbacenenses, fato este, que podemos constatar no jornal ´O ESPÍRITA MINEIRO´ (1908) – Órgão da antiga Federação Espírita Mineira. O jornal faz menção à existência do “GRUPO ESPÍRITA DE BARBACENA”, em 1904.
Em uma entrevista, Jacinto Bertola (um dos mais antigos trabalhadores de nosso movimento espírita ainda encarnado) declara que seu pai – que sofria um processo obsessivo – foi levado a uma casa espírita por seu irmão Antônio Bertola. Este fato se deu entre 1910 e 1912. Jacinto relata ter conhecido espíritas do século XIX, como dona Clarieta Lacerda – responsável pelo grupo familiar de estudos espíritas FRANCISCO DE ASSIS.
Outro fato que nos chama a atenção, de que a Doutrina Espírita já era conhecida em nossas plagas, está no livro LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES, de Ramiro Gama.
O autor recorda Pedro Richard (escritor espírita, diretor da Assistência aos Carentes pela Federação Espírita Brasileira e grande seguidor de Bezerra de Menezes), que caminhava pelas ruas de Barbacena, em 1910, e ao passar em frente a um internato de meninas, viu grande número de pessoas velando o corpo de uma jovem de 16 anos.
No ambiente onde havia tristeza e dor, Pedro entrou sensibilizado, pediu licença à diretora do Internato para fazer uma prece. Quando terminou o ambiente era outro. Todos envolvidos por aquele sentimento abraçaram-no.
Uma irmã de caridade, com lágrimas nos olhos, perguntou-lhe:
_ “Qual é a sua religião?”.
_ “Sou espírita, minha irmã!”.
Ela disse: _ “Somente um espírita seria capaz de orar assim!”.
A Doutrina Espírita viajava pelas estradas de ferro – com os ferroviários; pelos caminhos empoeirados – com os caixeiros viajantes; e chegava de cidade em cidade através daquelas pessoas que se mudavam constantemente e eram seus adeptos. Exemplo disto é o Fernando Napoleão de Augusto Alencar: médico, abolicionista, poeta, escritor, teatrólogo, articulista e orador; que deu ao Espiritismo grande colaboração. Tornou-se espírita dedicado quando, por ocasião do óbito de sua mãe, esta apareceu para ele. A notícia chegou semanas depois da morte. Assim seu espírito inquieto fez com que buscasse informações para explicação do fenômeno e encontrou no Espiritismo a resposta, tornando-se divulgador entusiasta da Doutrina Espírita. Publicou artigos e poemas no REFORMADOR e no ESPÍRITA MINEIRO e em diversos jornais de Minas. Fez uma palestra na fundação da FEDERAÇÃO ESPÍRITA MINEIRA, em 1908.
Aqui em Barbacena, entre um café, um negócio ou um cigarro, as questões filosóficas que sempre torturaram as criaturas (De onde venho? O que estou fazendo aqui? Para onde vou?) surgiam; dai o ensejo para apresentar as questões propostas por Kardec aos espíritos. Um simpatizante aqui, outra ali: alguém sugere uma reunião para estudos daquelas questões profundas que intentavam explicar o fenômeno da vida e da morte. Os interessados se reuniam em casas, unidos por laços afetivos e pelo interesse em conhecer a Doutrina Espírita e presenciar a fenomenologia mediúnica.
Foi na década de 20 que encontramos um aumento no número de interessados pela Doutrina Espírita. E aí é que se destacam os irmãos Antônio (Tunico) Abrantes e José Abrantes Júnior (Zezinho Abrantes), pertencendo à família tradicionalmente radicada à Igreja Católica Apostólica Romana, tomaram conhecimento da Doutrina dos Espíritos – daí, corajosamente se afastaram da religião familiar e iniciaram “reuniões espíritas”.
Tunico Abrantes reunia-se com amigos em um Centro Espírita, na conhecida “casa do Galo”, uma antiga fazenda situada perto do Pontilhão. Nessa casa eram realizadas especificamente reuniões mediúnicas. Zezinho Abrantes fazia suas reuniões na casa de D. Rosa e Sr. Joaquim; um sobrado de dois andares localizado à Praça Conde Prados, onde, posteriormente, fundaram o Grupo Astral Paraíso do Bem. Faziam reuniões mediúnicas, estudos das obras de Allan Kardec e também a evangelização infantil e Mocidade Espírita. D. Clarieta, Eugênia Carneiro, Zezé Freitas, Randolpho Possas, D. Nonozinha, José Chedid formaram outro grupo e os encontros semanais eram marcados por sessões mediúnicas.
Na casa de D. Corina, à Rua Silva Jardim, a movimentação se fez presente, e mais interessados começaram pela busca de espiritualização.
O professor Durval faz menção também às reuniões do GRUPO FAMILIAR DE ESTUDOS ´FRANCISCO DE ASSIS’:
Há uma casa espírita modesta de aparência, de aspecto particular, mas notável pelo valor espiritual de sua diretora, professora Corina de Araújo, moça de talento e cultura.
E depois o nobre professor cita o médium Vitalino Gonçalves:
O nosso veterano do Espiritismo é o irmão Vitalino Gonçalves da Silva, um médium notável, homem de grande valor normal e espiritual, um genuíno apóstolo de Cristo, atualmente um tanto sem atividade por idoso e enfermo.
Alguns núcleos familiares de estudos espíritas vieram a formar Casas Espíritas, outras deixaram de existir, como foi com o grupo da Dona Corina.
Por muitos anos, as reuniões estavam vinculadas ao reduto doméstico, participando aí, pessoas próximas e amigos dos amigos. A discriminação, a perseguição religiosa, o preconceito reduziam estes grupos, entrementes, quando a dor chegava, buscava-se a cura no espiritismo – que naquele período esteve principalmente vinculado à prática mediúnica. E a mediunidade de cura exercia um fascínio sobre o povo. Quando eram atendidos em sua dor, muitos ficavam e se tornavam espiritistas, fazendo aumentar o número de interessados por essa doutrina. Foi necessário que os grupos familiares se organizassem para receber os novos adeptos da proposta do Espírito da Verdade. Podemos identificar fases precisas no movimento espírita de nossa região:
Final do século XIX e início do século XX – até a década de trinta, temos a PRIMEIRA FASE. E é neste momento que identificamos oGrupo Espírita União Fraternal de Barbacena e o Grupo Espírita de Barbacena.
Sabemos pouco sobre estes grupos, contudo podemos conjecturar que foram os primeiros a se organizarem legalmente. Isso é provado pelos anais da história barbacenense.
Teríamos então, a SEGUNDA FASE, que se inicia na década de 20, com o aparecimento de grupos que formariam a Aliança Espírita Barbacenense. Algumas pessoas, ainda, se recordam destes pioneiros.
Na TERCEIRA FASE, destaca-se o papel de Mário Lacerda da Cruz Machado, a partir do ano de 1965, quando se tornou presidente da AME e vai até meados da década de 80.
E a QUARTA FASE se iniciou a partir de 1986, com eleição de nova diretoria, que delineou o atual movimento espírita de Barbacena.
Quais as casas espíritas mais antigas de Barbacena?
Grupo Espírita Astral Paraíso do Bem – 1926
Centro Espírita Mário Dufles de A. – 1935
Centro Espírita Araquém – 1936
Grupo Espírita Cristão Evangelho de Jesus – 1939
Centro Espírita Novo Oriente – 1940
Centro Espírita Amor a Verdade – 1944
Centro Espírita Estudos Evangélicos - 1952
Centro Espírita Divino Mestre – 1956
Grupo Espírita Fraternidade dos Essênios – 1973
* As datas de alguns grupos correspondem ao inicio de suas atividades e não necessariamente ao registro de cartórios.
Quais os vultos espíritas que mais se destacaram?
Fernando Napoleão de Augusto Alencar, Modesto de Araújo Lacerda – entre os pioneiros e grupos familiares;
José Abrantes Júnior (Zezinho Abrantes), Rosa e Joaquim dos Santos – Grupo Astral Paraíso do Bem
Vitório Candian, Serafim Pereira Pinto, Carlinhos Candian – Centro Espírita Mário Dufles
Henrique Zonzim, Arlindo Zonzim – Centro Espírita Araquém
Dalmo e Jandira Santos – Grupo Espírita Cristão Evangelho de Jesus
Zenóbio de Miranda – Novo Oriente
Ângelo Mazzoni e Patti Mazzoni – Centro Espírita Amor a Verdade
Jacinto Bertola – Estudos Evangélicos
José Lino da Costa, Sebastião Eliziário, João Pedro e Alice Costa Oliveira – Divino Mestre
Alberto Prado Rocha e Stela Matutina Nascimento Rocha – Fraternidade dos Essênios
Carlos Mário Lacerda Cruz Machado – AME
E sobre a história da AME Barbacena o que tem a nos dizer?
Com o crescimento do Espiritismo por toda as Gerais, as lideranças em se reunindo, durante o 2º Congresso da União Espírita Mineira, chegaram à conclusão da necessidade de melhor se organizar os grupos espíritas que existiam.
O Congresso, que com certeza, contava com a orientação espiritual, fez com que os congressistas saíssem motivados para auxiliarem no aprimoramento do nascente Movimento Espírita. Sentiram a necessidade de fundar uma instituição que congregasse todos os elementos dispersos em cada região, estabelecendo uma liga para orientação uniforme na propaganda e na prática de seus ideais. Decidiram-se por criar as Alianças Municipais.
Nossa região, contava com o espírito valoroso, nobre e motivado de Zezinho Abrantes, que representava o espiritismo de Barbacena na capital mineira...
Zezinho retorna à Barbacena vibrando no amor do Cristo, para a construção do bem. Empenhou-se em visitar as casas espíritas aqui existentes e com a alma sintonizada com o ideal da unificação: explica, comove e convence aos confrades espíritas, da necessidade de se criar um órgão administrador para os grupos espíritas de nossa cidade e região.
Zezinho Abrantes com sua garra de bandeirante auxiliou a desbravar a mata da incompreensão, da má vontade e da preguiça, trazendo a lume a PRIMEIRA ALIANÇA ESPÍRITA do estado de Minas Gerais, no dia 24 de setembro de 1944. (OBS – A AME DE JUIZ DE FORA divulga ser a mais antiga, mas a data da fundação da aliança de lá é posterior a de Barbacena. (*)).
As primeiras reuniões da Aliança Barbacenense Espírita (ABE) foram realizadas nas dependências do Grupo Astral Paraíso do Bem, sendo realizadas, mensalmente, visitas às casas espiritas já edificadas e as em formação.
A AME recebe a doação de um lote da família Varandas para a construção de sua sede a Rua Sete de Setembro e fazem o lançamento da pedra fundamental. Um projeto arquitetônico e feito, mas devido as dificuldades financeiras e o alto custo do projeto, a construção no lote doado foi abandonada.
Em um tempo que havia muito preconceito, pouco dinheiro, dificuldades gigantescas em locomoção e baixo grau de instrução – os obstáculos a serem superados eram enormes; mas outro problema inquietava os confrades: onde funcionaria a sede da Aliança? E é aí, que entra em nossa história uma personagem marcante.
Primeiramente, demonstrou o seu desapego, e a posteriori, permitiu-nos identificar o poder da sua amizade, coragem e personalidade empreendedora: Mário Cruz Machado.
Cruz Machado assumiu a responsabilidade de construir a sede, e na antiga Rua Dr. Laurindo, no Bairro Boa Morte, em um lote de sua propriedade, começou a construção. O terreno foi doado à Aliança e quando era necessário comprar material ou pagar funcionários, o próprio Cruz Machado o fazia com recursos próprios.
Dois dedicados companheiros, que trabalharam em prol da materialização do órgão de unificação do movimento espírita.
Durante certo tempo, fizeram estudos e reuniões, mas as pessoas achavam o local distante, e a sede era apedrejada pelos antipatizantes da Doutrina Espírita, fazendo com que a frequência diminuísse até a casa ficar abandonada...
Cruz Machado então comprou algumas lojas no Edifício Mercantil e ali instalou a nova sede da Aliança. Mas, à noite, a galeria do edifício ficava abandonada e vândalos arrombavam a porta ficando a sede desprotegida. Mais uma vez e pacientemente Cruz Machado se dispôs a ajudar; vendeu as lojas. Sua cunhada Juracy, tinha uma loja localizada à Rua Monsenhor João Gonçalves. Cruz Machado trocou um imóvel de sua propriedade por esta loja, transferindo-se a sede para ali.
A Aliança Barbacenense Espírita mudou de nome para Aliança Municipal Espírita de Barbacena, em 26 de março de 1973, seguindo a orientação da União Espírita Mineira.
Hoje, a Aliança Municipal de Barbacena (AME) mantem uma livraria na antiga sede, na Rua Monsenhor João Gonçalves, e realiza suas reuniões em todos os terceiros sábados de cada mês às 16 horas, nas diversas casas espíritas vinculadas a AME. Está sediado em Barbacena, o Oitavo Conselho Regional Espírita (CRE), que abrange diversas cidades de nossa região.
A sua tarefa continua a mesma, ou seja, tem sobre sua responsabilidade congregar o espiritismo de nossa região, promovendo eventos para a divulgação da Doutrina dos Espíritos e a busca da unificação de nosso movimento espírita.
(*)
AME DE JUIZ DE FORA: Tudo começou com a Casa de Kardec, fundada em 05 de outubro de 1939. Já em 10 de dezembro de 1939, a Casa de Kardec, situada a Rua Halfeld nº 811, teve eleita sua primeira diretoria, a partir da ideia de João de Campos Monteiro Bastos. Seu desejo era fundar uma instituição que unisse e fraternizasse a família espírita juiz-forana. Assim a primeira diretoria foi composta por João de Campos Monteiro Bastos como presidente, Isaltino da Silveira Filho, como secretário, Hercules Magaldi como tesoureiro e Antonio G. Peralva como procurador. Os primeiros integrantes da Casa de Kardec desejavam unir em “amor e fraternidade” aqueles que professavam a doutrina espírita assim como almejavam a difusão da doutrina através da “cultura individual de seus sócios por meio de sua Biblioteca”. Além disso, faziam caravanas com o intuito de levar conferencistas para visitar os meios espíritas.
No final do ano de 1951, em uma assembleia feita na sede do Centro Espírita Seara de Jesus, foi aprovada uma nova designação para a Casa de Kardec, que passaria então a se chamar “União Espírita de Juiz de Fora”.
Nelson, por favor, as suas despedias dos nossos leitores.
É com o coração apertado que remexemos na gaveta do passado e evocamos todo trabalho realizado pelos pioneiros do Espiritismo em nossa região. Em um tempo de luta intensa para a própria subsistência, recordamos os esforços empregados pelos companheiros das primeiras horas, a fim de que o Espiritismo chegasse até nós. Vencendo preconceitos e distâncias, limitações e os recursos escassos nos permitiram, com sua persistência e amor ao Cristo, ter acesso ao repositório de Luz, que é a Doutrina Espírita.
Nossas palavras a estes homens e mulheres de vã guarda são: Muito Obrigado!
Já para os leitores da atualidade, pedimos um tributo de reconhecimento pelo muito que nossos antepassados fizeram por nós. Que possamos valorizar o tesouro recebido e colocar em prática com o intuito de melhorarmos o mundo que vivemos.
Nelson Xavier, Élida e Lívia Cristina – apresentação de Auto de Natal para crianças do POMAR; João Pedro (de azul), Lívia Cristina (amarelo) e Nelson Vicente, filhos; Nelson Xavier palestrando para educadores na UNIPAC; Nelson Xavier documentando histórias
Trabalhadores e assistidos do Grupo Astral Paraíso do Bem. Barbacena, MG, fundado em 1926.
Joaquim Alves Coelho e D. Rosa Santos Coelho. Fundadores do G.A..Paraiso do Bem, em Barbacena, MG;
Jacinto Bertola - Trabalhador Espírita mais antigo da região de Barbacena, encarnado;
Atividades dos Ferroviários Geraldo Sérgio de Souza; Centro Espírita Araquém. Antônio Carlos, MG
A primeira Escola de Evangelização Infantil de Barbacena: “Aula de Iracema”. Década de 1930
Lançamento da Pedra Fundamental da Aliança Espírita Barbacenense em 1953
Aliança Barbacenense Espírita, no ano de 1955
Divaldo Pereira Franco participando da 4ª. Semana Espírita de Barbacena
Nelson Xavier em palestra no SEPAZ em fevereiro de 2009
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
Postado por Gislaine às 06:28 0 comentários
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
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