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terça-feira, 8 de abril de 2014

Artigo especial. Luz imortal


Orson Peter Carrara

Lançado em abril de 1864, a obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, elaborada por Kardec, que estuda as máximas morais de Jesus, completa 150 anos neste ano de 2014. O ano é muito especial para o Brasil, com a Copa do Mundo e as Eleições, mas também pelas datas comemorativas envolvidas com decênios fechados.
No mesmo ano em que se completam 210 anos de nascimento de Allan Kardec, 100 anos de Irmã Dulce e Herculano Pires, 130 anos de fundação da FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA e 30 anos da instalação da Federação Espírita Brasileira em Brasília-DF. Além dessas datas, outras, com decênios fechados, o destaque principal é para os 150 anos da citada obra, cujo conteúdo seleciona as máximas morais de Jesus, para comentá-las à luz do Espiritismo. Os ensinos, as parábolas, as bem-aventuranças de Jesus, trazendo exemplos da importância do Evangelho como autêntico roteiro imortal e iluminado dos caminhos humanos ali estão reunidos, de vez que Jesus, o enviado de Deus trouxe a BOA NOVA, a BOA NOTÍCIA, essência do Evangelho que convida o ser humano à renovação moral para ser mais feliz.
Com seus 28 capítulos, a obra deve merecer nosso maior carinho e atenção, face ao caráter didático, confortador e moral de seu conteúdo. Os ensinos de Jesus ali estão comentados com a lucidez de um pesquisador nato, integrando um programa de iluminação da mentalidade humana como luz imortal.
Em cada capítulo, é preciso que se busque a essência e os ensinos que se encontram nas entrelinhas, cujo estudo constante, o espírito de pesquisa do leitor, levará a esse encontro memorável de orientações.
São muitos ensinos. Eles chegam ao coração humano, orientam e iluminam os passos. Por isso, a obra deve ser constantemente divulgada, comentada, distribuída e estimulado ao estudo.
Palestrantes, coordenadores de grupos, escritores e dirigentes, devemos todos nos empenhar para aprofundar o conhecimento do livro, face ao conforto moral e à condução segura que seu conteúdo oferece ao coração sedento da humanidade que se debate em tantos conflitos.
É mesmo a luz imortal da humanidade. Motivo de júbilo para a família espírita mundial.

ORSON NA FRATERNIDADE FALA SOBRE OS 150 ANOS DO EVANGELHO:

Sede histórica da FEB. Rio de Janeiro. Foto Ismael Gobbo
Sede da FEB em Brasília, DF. Foto Ismael Gobbo

Estádio do Corinthians em Itaquera, São Paulo. Local de abertura da Copa do Mundo-2014.
Foto Ismael Gobbo 21/3/2014.
O grande e belo Museu do Futebol no Estádio do Pacaembu, São Paulo, Brasil. Foto Ismael Gobbo
Poste com iluminação verde-amarelo alusiva à Copa do Mundo. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 07-04-2014.

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/07-04-2014.htm

Artigo especial. O Segredo de Allan Kardec. (Homenagem ao sesquicentenário de O Evangelho segundo o Espiritismo – 1864-2014)


                                   Adilton Pugliese

(Revisão do prof. Luciano Urpia)

Relata o escritor Richard Simonetti, que “no livro A República, Platão, filósofo grego que viveu entre 428 e 348 a.C., coloca nos lábios do também filósofo grego Sócrates (470 a.C.-399 a.C.), interessante metáfora, ou seja, um sentido figurado, relacionada com nossa visão da realidade: numa caverna vivem seres humanos. Ali nasceram. Dali nunca saem. Estão acorrentados, em tal disposição, que só podem observar o que está à sua frente. Por trás deles arde uma fogueira. A luz do fogo projeta sombras na parede. É tudo o que veem. Seu mundo é feito de sombras”.

                               Sócrates e Platão

O que pode ser deduzido dessa imagem, dessa metáfora que ficou conhecida como o mito da caverna A caverna simboliza as limitações impostas pelos sentidos e pela ignorância. Impedem as pessoas de ver o mundo real, que Platão chama universo das ideias. A fogueira é a experiência sensorial que pouco ilumina, projetando sombras de ilusão nas paredes existenciais”.
 “Alguém desenvolve a sensibilidade, supera a ignorância, conquista o saber, e então, deixa a cavernaNum primeiro momento, deslumbra-se com a luz solar, a visão gloriosa da Natureza. Lamenta o tempo perdido, o comprometimento com as sombras... Decide ajudar os companheiros com sua experiência. Não é bem recebido. Não acreditam nele. Julgam que está delirando. Hostilizam-no”.[i]
Muitas criaturas na humanidade terrestre estão prisioneiras em suas cavernas íntimas. Como libertar--se do esconderijo, das prisões invisíveis ou visíveis que as prendem? Idealistas consideram que somente subvertendo a ordem, por meio de uma revolução, de conquistas, de um motim, de movimentos guerreiros e libertários.
Destacam historiadores que “nos séculos XI ao XIII oito expedições foram empreendidas pela Europa cristã da época, num movimento que ficou conhecido como Cruzadas, para libertar o chamado Santo Sepulcro das mãos dos muçulmanos, fato que aconteceu a partir de um Concílio realizado na cidade de Clermont em 1095 e que durou até 1291. Aos gritos de Deus o quer! foram quase duzentos anos de operação militar, sem que o objetivo fosse alcançado. É como se o mundo espiritual quisesse dizer aos homens: o importante não é onde o corpo de Cristo foi sepultado, mas seguir os Seus ensinamentos, pois são eles que conduzem a criatura na direção do seu progresso espiritual. São eles que libertam”.
Jesus sabia dessas lutas que os homens empreenderiam para libertar coisas e objetos, lugares e povos; para nos libertarmos dos vícios, das paixões e da violência e sintetizou, há mais de dois mil anos, o meio de
conseguirmos a liberdade: “Então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.[ii] O que seria essa verdade? Onde e como encontrá-la?
Permita-me o leitor um depoimento pessoal. Estive, um dia, preso na caverna das ilusões, da insegurança e da incerteza, numa cruzada em busca de quimeras, até que num sábado à noite, há quase 40 anos, meu pai colocou em minhas mãos um livro extraordinário, de conteúdo libertador. Esse livro tem uma história. E podemos dizer que essa história começa no mesmo dia em que Allan Kardec publicou em Paris O Livro dos Espíritos.

Após os acontecimentos que envolveram a sua iniciação no Espiritismo, entre os anos de 1854 e 1855, o professor H.L.D. Rivail entra em contato, em fins de 1856, com o livreiro Dentu, na Rue Montpensier, no Palais Royal, em Paris, apresentando-lhe os manuscritos de O Livro dos Espíritos, em cuja capa grafara o pseudônimo que adotara para caracterizar o autor: Allan Kardec, seu antigo nome quando da reencarnação na personalidade de um sacerdote druida, conforme lhe fora revelado pelo Espírito Z..., ou Zéfiro.[iii]
Cerca de quatro meses depois, exatamente em 18 de abril de 1857, pela manhã, retornava da tipografia 1.200 volumes da primeira edição de O Livro dos Espíritos, de capa cor cinza, com 501 perguntas.[iv] O livreiro conversava com seu amigo, o jornalista Du Chalard, do jornal Courier de Paris, a quem presenteia com um exemplar do livro, dizendo-lhe: “Este é o trabalho mais sério até hoje publicado na França, sobre os Espíritos; é uma obra edificante e serena”, e pede-lhe que dê, depois de ler o livro, o seu parecer aos leitores do jornal.[v]
E, efetivamente, mais tarde, na edição de 11 de junho de 1857, Du Chalard publica extenso artigo de sua autoria: “O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do infinito, e estamos convencidos de que esta página será assinalada (...). Não conhecemos o autor, mas confessamos, abertamente, que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Quem escreveu a introdução de O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres”.  “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos avançam ou caem, regando com as lágrimas o pó da estrada, diremos: lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que em seu caminho só encontram as aclamações da multidão e os sorrisos da fortuna, diremos: estudai-o e ele vos tornará melhores”.[vi]
Um abade francês, de nome Leçanu, autor de um livro chamado História de Satanás, assim diz no seu livro: “Observando-se as máximas de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, faz-se o bastante para se tornar santo na Terra”. O escritor francês Victorien Sardou (1831-1908), leu a obra e antes mesmo de haver chegado ao fim da leitura, escreveu a Kardec elogiosa carta, destacando que O Livro dos Espíritos é o livro da vida, é o guia da humanidade.[vii]
  Victorien Sardou
É com esses depoimentos e de outros, que Allan Kardec iniciaria a fase de Elaboração da Codificação. Declara Hermínio Miranda (1920-2013), ao analisar “A Obra de Kardec e Kardec diante da Obra”:[viii] “Concluindo o trabalho que lhe competia junto aos Espíritos ainda lhe resta muito a fazer, e o tempo urge. Incumbe-lhe agora inserir a nova doutrina no contexto do pensamento de seu tempo. É preciso estudar e expor aos homens os aspectos experimentais implícitos na Doutrina dos Espíritos. Desses aspectos, o mais importante, sem dúvida, é a prática da mediunidade, instrumento de comunicação entre os dois mundos. Sem um conhecimento metodizado da faculdade mediúnica, seria impossível estabelecer as bases experimentais da doutrina. Daí, ele prepara e lança, em Paris, em janeiro de 1861, O Livro dos Médiuns. Em seguida, é preciso dotar o Espiritismo de uma estrutura ética. Não seria preciso criar uma nova moral, já existia a do Cristo”.
Então, durante uma parte do ano de 1863, Allan Kardec guardou um segredo: ele estava escrevendo uma nova obra e a ninguém dera ciência do assunto; até o Sr. Didier, o seu Editor, somente tomou conhecimento da existência da obra quando do envio para impressão.
Em 9 de agosto resolve ouvir os Espíritos acerca do seu segredo, sobre o que eles pensavam a respeito, e obtém como resposta, para surpresa do Codificador, que “O novo livro teria considerável influência, pois que abordava questões capitais, e que não só o mundo religioso encontraria nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida prática das nações haurirá dele instruções excelentes”. E os Espíritos elogiam Kardec por ter abordado, no livro, as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, sociais e religiosos. Os Espíritos preveem que com esse livro Kardec teria grandes dificuldades e que seria violentamente atacado pelo clero da época (que se sentiria muito mais ferido do que com a publicação de O Livro dos Espíritos), mas declaram que confiam nele, na sua resistência, e dizem: Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de bronze, resistiria a todos os ataques”.[ix] (grifamos)
A esse novo livro Allan Kardec dera, preliminarmente, o título de Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Porém, mudou-o para O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (a partir da segunda edição, em 1865), publicado como a terceira obra da Codificação Espírita, em abril de 1864.  A reação foi a Sagrada Congregação do Index, em 01 de maio de 1864, incluir no seu catálogotodas as obras de Kardec sobre o Espiritismo![x] Causou estranheza a medida extemporânea, mas logo foi compreendido que O Evangelho segundo o Espiritismo provocara a decisão.
Foi esse livro que meu pai colocou em minhas mãos e eu coloquei no meu coração, e que mudaria a minha vida, certamente, para sempre.

Na Introdução do livro, Allan Kardec explica o objetivo da obra: cada pessoa poder tirar dela os meios de conformar sua conduta moral à do Cristo. Enfatiza o Codificador que os espíritas nela encontrarão as aplicações que lhes concernem mais especialmente. O ensino moral, portanto, é a tônica fundamental de O Evangelho segundo o Espiritismo e Kardec explica por que se fixou nessa parte das matérias contidas nos Evangelhos:[xi]
-          A parte moral exige a reforma de cada um
-          É uma regra de conduta, que abrange todas as circunstâncias da vida
-          É o caminho infalível da felicidade futura
-          É o princípio de todas as relações sociais fundadas na mais rigorosa justiça.

Realmente, a montagem da estrutura didática de O Evangelho segundo o Espiritismo teve duas finalidades: (1) A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e(2) Aplicações às diversas circunstâncias da vida, como Kardec exarou no frontispício da obra.
Jesus e Nicodemos
Por que este livro, O Evangelho segundo o Espiritismo, se tornou a obra espírita mais lida e aceita pelos brasileiros, com milhões de exemplares impressos em suas edições, sobretudo por parte da FEB Editora?
Pode-se afirmar que uma questão de fundamental importância da moral do Cristo, em nossas existências, é quanto às consequências de sermos espíritas. Conforme declara Deolindo Amorim (1906-1984), ao estudarmos a Doutrina, conhecemos a sua origem, sua constituição e sua natureza, mas, se depois de tudo isso, não resultasse daí alguma consequência, a Doutrina seria apenas indagação pura, ou, quando muito, simples “devaneio filosófico”. O coroamento de tudo quanto estudamos no Espiritismo está justamente na influência que os seus princípios devem ter nos atos de nossa vida.[xii]
            Saudamo-lo, então, Livro Luz¸ nos seus 150 anos de existência, e que as suas páginas, que expressam o amor de Jesus pela humanidade, possam continuar a iluminar as nossas vidas, para sempre, libertando os que se encontram nos redutos da ilusão e nas cruzadas das conquistas efêmeras.


1.       SIMONETTI, Richard. Luzes no Caminho. 1ed.CEAC Editora, p.59.
2.       JOÃO 8:32.
3.       WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.74.
4.       ABREU, Canuto. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária, 1ed. Edições LFU, p.42.
5.       IDEM, Ibidem, p.43 e 44.
6.       WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.83.
7.       IDEM, Ibidem.
8.       MIRANDA, Hermínio. Nas Fronteiras do Além. 1ed. FEB, p.16.
9.       KARDEC, Allan. Obras Póstumas, 1ed. FEB, tradução de Evandro Noleto Bezerra, p.399.
10.    WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.289.
11.    KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 131ed. FEB, edição histórica, tradução de Guillon Ribeiro, Introdução.
12.    DEOLINDO, Amorim. Doutrina Espírita. 1ed. Círculo Espírita da Oração, p.77.

 
Avenida com flores à margem do Rio Ródano (Rhône), em Lyon, França
Em Lyon nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec). Foto Ismael Gobbo  

Dólmen de Allan Kardec. O mais visitado e mais florido túmulo do Cemitério Pére Lachaise, em Paris, França.
Foto Ismael Gobbo

Busto de Allan Kardec em seu túmulo no Cemitério Pére Lachaise. Paris, França. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 05-04-2014.

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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Artigo especial Evangelho no lar – uma análise à luz da doutrina espírita.

Marcos Paterra[i]
João Pessoa, PB
Ao se  falar em evangelho no lar devemos esclarecer o que é “evangelho”, o qual podemos sintetizar como "boa mensagem", "boa notícia" ou "boas-novas", derivando da palavra grega ευαγγέλιον, euangelion (eu, bom, -angelion, mensagem).
A palavra grega "euangelion" deu também origem ao termo "evangelista" para a língua portuguesa. Pode-se definir também  como um gênero de literatura do cristianismo primitivo que contam a vida de Jesus, a fim de preservar seus ensinamentos ou revelar aspectos da natureza de Deus; de forma literal.
           A pratica do “Evangelho no lar” é utilizada desde a época de Cristo, onde a iniciou nas  praças públicas e avançou da casas dos “cristãos”.
“O culto do Evangelho no lar não é uma inovação. É uma necessidade em toda parte, onde o cristianismo lança raízes de aperfeiçoamento e  sublimação.  A Boa Nova seguiu da manjedoura para as praças públicas e avançou  da casa humilde de Simão Pedro para a glorificação de Pentecostes.  A palavra do Senhor soou, primeiramente, sob o tato simples de  Nazaré e, certo, se fará ouvir, de novo, por nosso intermédio, antes  de tudo, no circulo dos nossos familiares e afeiçoados, com os quais  devemos atender as obrigações que nos competem no tempo. Quando o ensinamento do Mestre vibra entre as quatro paredes de um templo doméstico, os pequeninos sacrifícios tecem a felicidade comum”[ii] (XAVIER/ EMMANUEL .p.51. 1999).
Assim o evangelho no lar é uma reunião dos integrantes da família, podendo incorporar vizinhos ou pessoas afins, onde se estuda os ensinamentos de Jesus, com base no “Evangelho Segundo o Espiritismo”[iii]. Sua prática norteia-nos a reflexões sobre nossa conduta diária e a adequação de nossos atos dentro dos princípios cristãos. Sob esta ótica  podemos afirmar que , efetua  uma higienização do períspirito[iv]  e   da Psicosfera[v]  do lar.
A obra literária “O Evangelho Segundo o Espiritismo” aborda os Evangelhos canônicos[vi],sob o prisma da Doutrina Espírita, enfatizando a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a da prece e da caridade.
Pode-se questionar como Allan Kardec[vii], conhecido por seu ceticismo e pensamento racional e após codificar o “Livro dos Espíritos”[viii] afirmasse  que o espiritismo não é uma religião,  todavia aparentemente se contradiz lançando  a obra “Evangelho Segundo o Espiritismo”; dando de certa forma um  aspecto religioso à Doutrina Espírita.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,  traduzido por  J. Herculano Pires[ix] no capitulo “Explicação” nos informa que  o livro  foi elaborado  através de comunicações   dos espíritos  para Kardec  que deu-se inicio no dia nove de agosto de 1.863. :
"Esse livro de doutrina terá influência considerável, porque explana questões de interesse capital. Não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas de que necessita, como as nações, em sua vida prática, dele haurirão instruções excelentes. Fizeste bem ao enfrentar as questões de elevada moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos.  Na mesma pagina Herculano Pires   repete as informações contidas na obra “Obras póstumas”  informando sobre  a comunicação posterior, ocorrida em  14 de setembro de 1863,  a qual os Guias  declaravam à  Kardec: “Nossa ação, principalmente a do Espírito da Verdade, é constante ao teu redor, e de tal maneira, que não a podes negar. Assim não entrarei em detalhes desnecessários, sobre o plano da tua obra, que, segundo os meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente”. Logo adiante acentuavam: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes, e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte.[...]” (PIRES  P. 6. 2003).
Conforme Herculano Pires reproduzindo as afirmações de Kardec em “Obras Póstumas”, O livro seria  publicado, inicialmente, com o título de “Imitação do Evangelho”, e posteriormente,  como  Kardec explica: “Mais tarde, por força das observações reiteradas do Sr. Didier[x] e de outras pessoas, mudei-o para Evangelho Segundo o Espiritismo” . (PIRES. P. 6. 2003)
A obra foi uma sequencia  de comunicações dos espíritos com Kardec, onde o codificador de maneira imparcial e  sensata  de maneira brilhante  sintetizou  e produziu o evangelho sob o prisma espírita.
Em “Obras póstumas”  Kardec complementa: “Esse livro das doutrinas terá uma influência considerável; nele abordas questões capitais, e não só o mundo religioso nele encontrará as máximas que lhe são necessárias, mas a vida prática das nações nele haurirão excelentes instruções. Fizeste bem em abordar questões de alta moral prática do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos. A dúvida deve ser destruída; a Terra e as suas populações civilizadas estão preparadas; já faz bastante tempo que os teus amigos de além-túmulo a desbravaram; lança, pois, a semente que te confiamos, porque é tempo de que a Terra gravite na ordem irradiante das esferas, e que saia, enfim, da penumbra e dos nevoeiros intelectuais. Acaba a tua obra, e contem com a proteção de teu guia, nosso guia de todos, e com o concurso devotado de teus mais fiéis Espíritos, no número dos quais queira muito sempre me contar.”( KARDEC. P.371[xi] .2000)
Kardec, sempre afirmou que o Espiritismo não é uma religião, todavia também destacava que possuía aspectos” religiosos. Nas obras como O Céu e o Inferno e a Gênese, o codificador nos dá a clara visão sobre os paradigmas religiosos e desmitifica crenças e superstições. Destacamos   o  debate entre Kardec e o padre no livro “O que é o Espiritismo”[xii] o qual fica claro a posição da doutrina espírita sobre  o aspecto religioso :
O padre :– A religião ensina tudo isso e bastou até o momento; qual é, pois, a necessidade de uma nova doutrina?
A.K. :  Se a religião basta, por que há tantos incrédulos, religiosamente falando? A religião nos ensina, é verdade, e nos diz para crer; mas há muitas pessoas que não creem apenas em palavras. O Espiritismo prova, e faz ver o que a religião ensina por teoria. Aliás, de onde vêm essas provas? Da manifestação dos Espíritos. Ora, é provável que os Espíritos não se manifestem senão com a permissão de Deus; se, pois, Deus, em sua misericórdia, envia aos homens esse socorro para tirá-los da incredulidade, é uma impiedade recusá-lo.
O padre: – Eu concordo que para as questões gerais, o Espiritismo está conforme as grandes verdades do Cristianismo; mas ocorre o mesmo do ponto de vista dos dogmas? Ele não contradiz certos princípios que a Igreja nos ensina?
A.K. : O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa com questões dogmáticas. Essa ciência tem consequências morais como todas as ciências filosóficas; são essas consequências boas ou más? Pode-se julgá-las pelos princípios gerais que acabo de lembrar. Algumas pessoas estão equivocadas sobre o verdadeiro caráter do Espiritismo. [...](KARDEC. P. 55.1999).
Concluímos  que para se entender o Evangelho Segundo o Espiritismo , temos de  ler as demais obras e seus complexos contextos, assim , sob essa ótica citamos Emmanuel no livro Doutrina de Luz: “ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã” (XAVIER  p. 61. 1990:).
O Evangelho do lar efetuado com a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” diferencia-se notadamente das outras religiões devido ao seu conteúdo esclarecedor e as preces que nele contem. Nesse livro Kardec sabiamente nos norteia sobre os efeitos da oração e no dia-a-dia direcionando-nos para  utilizá-la em inicio e fim da reunião, nas preces para as diversas ocasiões e necessidades e nos ensinando a analisar as questões sociais através das preces direcionadas a cada situação de vida.
“[...] Os homens correm atrás dos bens terrenos, como se os pudessem guardar para sempre. Mas aqui  não  há ilusões, e logo  eles  se  apercebem  de  que  conquistaram  apenas  sombras, desprezando os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que  lhes aproveitariam  na morada celeste, e que lhes podiam abrir as portas dessa morada. Tende piedade dos que não ganharam o reino dos céus. Ajudai-os com as vossas preces, porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união entre o céu e a terra. Não o esqueçais!”[xiii] (KARDEC.  P. 32.  2003)
 Allan Kardec, no cap. XXVII da obra  “A prece conforme  o evangelho segundo o espiritismo deixa evidente  a importância da prece no  Evangelho no Lar:
“O Espiritismo faz compreender a ação da prece, explicando o processo da transmissão do pensamento, quer o ser por quem se ora venha ao nosso chamado, quer o nosso pensamento chegue até ele. Para compreender o que se passa nessa circunstância, convém imaginar que todos os seres, encarnados e desencarnados, se acham mergulhados no mesmo fluido universal que enche o Espaço, tal qual o estamos, neste planeta, na atmosfera. Aquele fluido recebe uma impulsão da vontade. É o veículo do pensamento, tal qual o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito.” (KARDEC.  P.51.1969)
Na obra Psicografada por Allan Kardec (espírito) através do médium Frederico Júnior[xiv] em 1889, na Sociedade espírita “Fraternidade”[xv]  mostra-nos a necessidade da leitura apurada e da dialética  dentro do evangelho do lar :
“Se o Evangelho não se tornar realmente em vossos espíritos um broquel, quem vos poderá socorrer, uma vez que a Revelação tende a absorver todas as consciências, emancipando o vosso século? Se o Evangelho nas vossas mãos apenas tem a serventia dos livros profanos, que deleitam a alma e encantam o pensamento, quem vos poderá socorrer no momento dessa revolução planetária que já se faz sentir, que dará o domínio da Terra aos bons, preparados para o seu desenvolvimento, que ocasionará a transmigração dos obcecados e endurecidos para o mundo que lhes for próprio? [...] Permita Deus que os espíritas a quem falo, que os homens a quem foi dada a graça de conhecer em espírito e verdade a Doutrina do Cristo, tenham a boa-vontade de me compreender — a boa-vontade de ver nas minhas palavras unicamente o interesse do amor que lhes consagro  (JUNIOR/KARDEC . 1889).
Concluímos esse artigo com a frase de Humberto Campos (espírito) na obra de Francisco Xavier: “Brasil Coração do Mundo, Pátria do evangelho”:
“Nessa abençoada tarefa de espiritualização, o Brasil caminha na  vanguarda. O material a empregar nesse serviço não vem das fontes de  produção originariamente terrena e sim do plano invisível, onde se elaboram  todos os ascendentes construtores da Pátria do Evangelho.” (XAVIER/CAMPOS. P.8.2011)

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i Marcos Tadeu Garcia Paterra; Psicopedagogo do setor de Reabilitação auditiva do HMER/JP-PB, diretor cientifico da AME/PB.
ii Trecho retirado da obra:  Instrumentos do Tempo. Cap. XXVII  CULTO CRISTÃO NO LAR. P.51 e 52.
iii O Evangelho segundo o Espiritismo (em língua francesa L'Évangile Selon le Spiritisme) é um livro espírita de autoria de Allan Kardec, foi publicado em Paris em abril de 1864.

iv Períspirito :  [do latim peri + spiritus] - . Invólucro semimaterial do Espírito

Psicosfera - [do grego psyché + sphaîra] - 1. Atmosfera psíquica. 2. Campo de radiação do períspirito., que se exterioriza em redor do próprio organismo físico.

vi Canônico é um adjetivo que caracteriza aquilo que está de acordo com os cânones, com as normas estabelecidas ou convencionadas.
vii Allan Kardec – Pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), educador, autor e tradutor francês, notabilizou-se como o codificador da doutrina espírita.
vii Livro dos Espíritos: Primeiro livro da  Doutrina Espírita, publicado  pela  primeira vez  em 18 de Abril de 1857.

viv José Herculano Pires  (1914-1979): jornalista, filósofo, educador, parapsicólogo, escritor e tradutor brasileiro. Destacou-se como um dos mais ativos divulgadores do espiritismo no país. Traduziu os escritos de Allan Kardec e escreveu tanto estudos filosóficos quanto obras literárias inspiradas na Doutrina Espírita.
ix Sr. Pierre-Paula-Didier (1800- 1865): Membro da Sociedade Espírita de Paris desde a sua fundação, em 1858 ,era editor das obras de Allan Kardec.

xTrecho retirado de Obras Póstumas Cap. “Imitação do Evangelho” p.371 Médium: Sr. d’A.).
xiTrecho do livro “O que é Espiritismo” Cap. Terceiro Diálogo - O Padre..
xii Trecho retirado da Obra Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS UMA REALEZA TERRENA, comunicação de Uma Rainha de França -  Havré, 1863.
xiv Frederico Pereira da Silva Júnior (1858-1914) – Colaborador da Federação Espírita Brasileira, através do “Grupo Ismael”.
xv A 5 de fevereiro de 1889 Allan Kardec  manifestou-se através do médium Frederico Pereira da Silva Júnior, o qual  recebeu  instruções aos Espíritas do Brasil , material pode ser visto através do link :  http://www.oespiritismo.com.br/textos/ver.php?id1=106 ou no livro “A prece conforme o evangelho segundo o espiritismo”.

Referencias Bibliográficas:
KARDEC, Allan.  O Evangelho segundo Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. Ed. Lake. São Paulo 2003.
KARDEC, Allan. O que é Espiritismo. Ed. FEB . Rio de Janeiro. 1999.
KARDEC, Allan. A prece conforme o evangelho segundo o espiritismo. Ed. FEB . Rio de Janeiro. 1969.

XAVIER, Francisco C. Doutrina de Luz. (pelo espírito de Emmanuel ). Ed. GEEM (Grupo Espirita Emmanuel). São Bernardo do Campo/S.P.1990.
XAVIER, Francisco C. Instrumentos do Tempo. (pelo espírito de Emmanuel ). Ed. GEEM (Grupo Espirita Emmanuel). São Bernardo do Campo/S.P.1999.
XAVIER, Francisco C. Brasil coração do Mundo pátria do Evangelho. (pelo espírito de Humberto Campos ). Ed. FEB . Rio de Janeiro. 2011.
Ficheiro:Allan Kardec portrait001.jpg
Allan Kardec. Codificador do Espiritismo
Obelisco de Luxor. Praça da Concórdia, Paris, França. Foto Ismael Gobbo

Campanha da USE/SP. Evangelho no Lar e no Coração.  Júlia Nezu e Luiz Cláudio da Silva em Matão, SP
Foto Ismael Gobbo.
4º. Congresso Espírita Brasileiro homenageia os 150 anos de
O Evangelho Segundo o Espiritismo
SITE DA FEB DISPONBILIZA AS OBRAS BÁSICAS PARA
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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 04-04-2014

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Mensagem do médium e orador espírita José Medrado sobre os 150 anos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Salvador, BA

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Artigo especial 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo


Lúcia Cominatto
São Paulo, SP

Neste ano de 2014 em que o Evangelho Segundo o Espiritismo comemora o sesquicentenário de sua publicação, 150 anos de luz a se espalhar por toda parte, envolvendo o nosso coração de paz e esperança de um futuro melhor, não podíamos deixar de agradecer a Kardec pelos ensinamentos que nos proporcionou através de suas obras.
   Portanto, não podemos falar de Evangelho sem falarmos também de Kardec. Assim sendo, é bom rememorarmos alguns fatos já conhecidos por muitos, sobre a sua vida enquanto encarnado. A ele devemos obras de inestimável valor, principalmente os cinco livros da Codificação: O Livro dos Espíritos, o Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese e O Céu e o Inferno.

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   Lyon, França,1804... Em 03 de outubro desse ano, aportou num berço aqui na Terra, mais um emissário do Senhor: reencarnou aquele que, hoje, chamamos de Allan Kardec, com a grande missão de trazer à luz, as bases do postulado espírita, revolucionando as religiões de até então, numa época em que o Catolicismo predominava no seio das melhores famílias da Europa.
   Hippolyte Léon Denizard Rivail foi o nome que recebeu, como filho legítimo de Jean-Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Louise Duhamel.
   Grandes agitações políticas e sociais, e um acentuado desenvolvimento nas ciências, nas artes e nos meios de comunicação, marcavam o século XIX. Foi em meio a esses acontecimentos, que o menino Rivail se desenvolveu, iniciando os seus primeiros estudos em sua terra natal. Mas, graças à educação liberal, porém severa, recebida de seus pais, com apenas 12 anos de idade  ingressou no Instituto Pestalozzi, em Yverdun, na Suíça.  Longe das perturbações econômicas que o seu país atravessava, tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestalozzi.
   Com apenas 14 anos, dotado de uma inteligência, pode-se dizer, invejável e, por demonstrar muito interesse para os estudos filosóficos e científicos, por indicação de seu mestre, passou a lecionar para os colegas menos adiantados. Aos 18 anos, bacharelou-se em Ciências e Letras.
   Concluídos os seus estudos em Yverdun, voltou para a França, ansioso por colocar em prática os ensinamentos adquiridos com seu mestre Pestalozzi.
   O ano de 1823 marca o início de sua carreira como pedagogo. Tinha encontrado a sua verdadeira vocação e, aos 19 anos, publicou o seu primeiro livro, um curso de Aritmética baseado no método de Pestalozzi. E, com algumas ideias próximas da realidade francesa, o professor Rivail, como era conhecido, fundou o Instituto Rivail.
   Em 06 de fevereiro de 1832, desposou Amelie Gabrielle Boudet, 9 anos mais velha que ele, mas que muito o auxiliou em sua tarefa pedagógica e na fundamentação do Espiritismo científico.
   Detentor de uma grande cultura, durante alguns anos, em sua própria casa, deu cursos gratuitos de matemática, química, física, anatomia comparada, retórica, fisiologia e francês.
   Como educador e tradutor, publicou cerca de 22 obras educacionais, inclusive as de Fénelon, que muito o atraíam.
   Aos poucos, foi deixando de publicar obras de cunho pedagógico, passando a interessar-se mais pelos problemas sociais e aperfeiçoar seus conhecimentos sobre os fenômenos inusitados que se produziam na época.
   Após os acontecimentos ocorridos em Haydesville, na América, graças à mediunidade das irmãs Fox, na Europa e em quase todo o mundo, as pessoas, por uma simples curiosidade, passaram a se interessar pelas experiências em manter contato com os espíritos. Tal fato, precursor das manifestações mediúnicas e que ficou conhecido como “mesas girantes”,  tornou-se uma simples recreação, nada mais que um passatempo para as pessoas da alta sociedade.
   Convidado por amigos a frequentar tais reuniões, Kardec, a princípio não se interessou; mas, com o intuito de provar que tudo não passava de uma fraude, aceitou o convite. Constatando a veracidade do fato, a título de pequisa, passou a frequentá-las assiduamente, levando sempre uma série de perguntas sobre diversos assuntos e chegou à conclusão de que “um efeito inteligente, tem sempre uma causa inteligente.”
   Porém, foi só em 1856 que recebeu, pela médium Srta, Jafet, uma revelação positiva de sua missão.Sem compreender a razão da sua escolha, duvidou, mas o Espírito de Verdade lhe respondeu: “Confirmo o que foi dito, mas recomendo-lhe discrição se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Nesse último caso, outro te substituirá, porquanto os desígnios de Deus não se assentam na cabeça de um só homem.”
   Assim foi, que teve início a sua grande missão como Codificador do Espiritismo.
   Em 18 de abril de 1857 publicou sua primeira obra da Codificação: “O Livro dos Espíritos”, adotando o pseudônimo de Allan Kardec, por sugestão de seu mentor espiritual, nome esse, que ele já o teve numa encarnação anterior, na Gália.
   Essa obra que surgiu pelas mãos de Kardec, sob a orientação do Espírito de Verdade, tornou-se a pedra fundamental do Espiritismo, seu marco inicial, o código de uma nova fase da evolução humana. Não foi propriamente escrita por ele, mas elaborada com as respostas dadas pelos espíritos às suas perguntas, nas sessões mediúnicas, com médiuns da mais absoluta confiança e num Consenso Universal, ou seja, com a concordância sobre um mesmo assunto, através de diferentes médiuns em diversos países.
   Um ano depois, para melhor contato com as pessoas que se interessaram pelo seu livro, Kardec fundou a revista espírita. Através dela, combateu a frivolidade com que pessoas da época encaravam o fato espírita. Sem Kardec, provavelmente, o Espiritismo seria até hoje uma simples brincadeira de salão. E, nesse mesmo ano, ou seja, em 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cuja finalidade era, justamente, o estudo da nova doutrina.
   O segundo livro da Codificação, o Livro dos Médiuns, abrangendo a parte experimental e científica da Doutrina Espírita, surgiu em 1861, levando o Espiritismo a ser reconhecido como uma ciência experimental.
   Nessa época, os inimigos do Espiritismo desencadearam uma série de injúrias, calúnias e críticas, acusando-o de ser responsável pela série de suicídios ocorridos na França, naquela época.  Esse fato, porém, não abalou Kardec. Mas, essa situação foi se agravando, o que levou o bispo de Barcelona a ordenar que os seus livros fossem queimados em praça pública. No entanto, tal acontecimento teve efeito contrário ao que se esperava; despertou mais interesse, o que contribuiu para que o Espiritismo crescesse..
   Em 1864 o Espiritismo já podia se considerar como vitorioso. Ultrapassando fronteiras, sociedades espíritas já surgiam por toda parte. Foi nesse ano que surgiu O Evangelho Segundo o Espiritismo, relativo à parte moral da doutrina. E, do mesmo modo que Jesus não veio para destruir a Lei de Deus, mas cumpri-la, o Espiritismo também não veio destruir os ensinamentos de Jesus, mas dar-lhes cumprimento, ou seja, auxiliar a humanidade a melhor compreender para poder praticar.
   O quarto livro da Codificação, O Céu e o Inferno foi publicado no ano seguinte, e o quinto e último livro, A Gênese, em janeiro de 1868.
   Após o seu desencarne que se deu em 31 de março de 1869, em Paris, em consequência de uma súbita parada cardíaca, seus amigos reuniram algumas de suas obras inacabadas, num único livro, que publicaram em 1890 com o título de Obras Póstumas.
   Seu corpo foi sepultado no cemitério de Père Lachaise (Paris) e, ainda hoje, tem sido muito visitado por pessoas de todas as partes do mundo. Sobre a lápide, um busto seu em bronze e a inscrição de uma frase de sua autoria: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei.”

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   O Evangelho Segundo O Espiritismo é considerado a obra mais sublime de Kardec e reflete a beleza dos ensinamentos de Jesus, que vão sendo esclarecidos e colocados ao alcance de todos, pois muitas passagens do Evangelho contidas na Bíblia, são ininteligíveis ou mesmo, absurdas. Nele constam, também, instruções transmitidas pelos bons Espíritos, a fim de auxiliar-nos em nossa trajetória evolutiva, através do “amai-vos uns aos outros” proferido pelo Divino Mestre, quando de sua curta passagem pela Terra.
   Se a Lei de Moisés pregava a Lei de Justiça, Jesus veio pregar a Lei de Amor que, hoje, o Espiritismo incentiva a ser cumprida.
   O Evangelho Segundo o Espiritismo se nos apresenta como um pedacinho do céu que se abre, para nos mostrar e possibilitar entender a Justiça Divina, que dá “a cada um, conforme suas obras.” E, comprovando a imortalidade da alma, nele aprendemos a ter mais aceitação dos revezes da vida, sabendo o quão são necessários para o nosso crescimento interior.
   Se lido e estudado com perseverança e atenção, pode ser considerado como o “pão da alma” que alimenta o espírito, assim como o pão material alimenta corpo. Essa obra, conforme diz Kardec, “é para uso geral; cada qual pode dela tirar os meios de conformar sua conduta à moral do Cristo.”
   Com os XXVIII capítulos nele desenvolvidos e acrescidos com as sublimes instruções dos Espíritos,“verdadeiras vozes do Céu” que vêm nos convidar à prática do Evangelho, além de uma belíssima coletânea de preces, só permanece na ignorância espiritual e persiste nos mesmos erros, aquele que o quer. Mas, os que já se conscientizaram da necessidade de evoluir, se procurarem colocar em prática o que aprendem a respeito de moral cristã, assimilando valores como o perdão e a humildade, darão um passo a mais em busca da evolução espiritual.
   Tendo a prática da caridade como meta a ser cumprida, compreenderão que o bem que fizermos aos outros, reverterá em bênçãos para nós mesmos. É por isso, que o Espiritismo traz como lema:”Fora da caridade não há salvação.”
   Em homenagem a Allan Kardec e aos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, várias comemorações estão sendo programadas, não apenas no Brasil, mas também no exterior, em diversos países onde o Espiritismo está sendo divulgado e implantado nos corações, graças à participação generosa de médiuns e palestrantes de alto gabarito, que procuram dar a sua contribuição para que, em breve tempo, este planeta deixe de ser um mundo de tantas dores, para elevar-se a um mundo de Regeneração. Não ainda um mundo feliz, mas, embora distante, a caminho para que, algum dia, isso se torne uma realidade.
File:Picswiss VD-47-01.jpg
Castelo de Yverdon onde Allan Kardec estudou sob o comando de Pestalozzi.
Yverdon-les-Bains, Suíça. Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Picswiss_VD-47-01.jpg
Ficheiro:Pestalozzi with the orphans in Stans.jpg
Pestalozzi e os órfãos de Stans.

Em  1º. de fevereiro de 1823, aos 18 anos,  Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
lança o Curso prático e teórico de Aritmética segundo o método Pestalozziano
Imagem da 4ª. Edição.  Internet

Ficheiro:Allan Kardec portrait001.jpg


NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 03-04-2014

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Conferência por Divaldo Pereira Franco no Clube Juventus em comemoração aos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo

09/02/2014

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