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sábado, 12 de abril de 2014

Artigo especial. Evangelho e lucidez O Evangelho Segundo Espiritismo


Roosevelt Andolphato Tiago. Barra Bonita, SP
www.roosevelt.net.br

No livro Obras Póstumas, que é o resultado de vários documentos e demais textos escritos por Allan Kardec e encontrados depois de sua desencarnação em seu escritório, temos uma breve observação sobre a origem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde teve como título original na primeira edição, Imitação do Evangelho.
      Somente na sequencia da primeira impressão, por influência de seu editor, o Sr. Didier entre outras pessoas, passou ao nome que temos hoje.
      Na expressão Imitação do Evangelho, vemos o desejo do Codificador em evidenciar que o original estaria preservado e que não era de seu interesse provocar alterações nele.

Existe uma nota na obra citada, onde Allan Kardec aponta para o fato de que o novo trabalho ao qual se dedicava (O Evangelho Segundo o Espiritismo) não era de conhecimento de ninguém. A nota diz: “— Eu não havia dito a ninguém o assunto do livro no qual eu trabalhava; conservava o título tão secretamente, que o editor, Sr. Didier, só o conheceu quando da impressão”. 

      Ainda com relação ao nascimento da notável obra, temos um diálogo entre os Espíritos e Allan Kardec, onde falando da obra (até então secreta), ele questiona:
 — O que pensais da nova obra em que trabalho neste momento?

A resposta mostra que o projeto da obra, para os Espíritos, nada tinha de secreto: — Este livro de doutrina terá uma influência considerável; aí abordas questões capitais, e, não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, mas a vida prática das nações nele haurirá excelentes instruções. Fizeste bem em abordar as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos. A dúvida deve ser destruída; a Terra e suas populações civilizadas estão prontas; já há bastante tempo que os amigos de além-túmulo a arrotearam, lança, pois, a semente que te confiamos, porque já é tempo que a Terra gravite na ordem irradiante das esferas, e que saia, enfim, da penumbra e dos nevoeiros intelectuais. Termina tua obra, e conta com a proteção do teu guia, o guia de todos nós, e com o auxílio devotado de teus mais fiéis espíritos, em cujo número queira sempre incluir-me”.

Antes de seguirmos com o diálogo, o texto acima descreve a finalidade e a grandeza de O Evangelho Segundo o Espiritismo, tanto para a vida religiosa, quanto ou principalmente, para a condução da vida prática.
Quanto mais se estuda essa obra, mais lhe identifica a grandeza e a atualidade do seu conteúdo, porém, cento e cinquenta anos para medirmos o adiantamento dos mundos e das civilizações é irrisório e numericamente insignificante, o que evidencia que essa obra muito ainda tem a fazer.

      Allan Kardec, diante do que já havia experimentado com O Livro dos Espíritos e reconhecendo a dominação religiosa da época, volta a perguntar aos Espíritos:
— Que dirá o clero?

 — O clero gritará: heresia, porque verá que nele atacas decididamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele apoia sua influência e seu crédito. Ele gritará tanto mais, quanto se sentirá muito mais ferido do que pela publicação de O Livro dos Espíritos, do qual, a rigor, podia aceitar os dados principais; mas, agora, vais entrar num novo caminho em que ele não poderá seguir-te.” “(...) Por outro lado, os Espíritas verão seu número aumentar em razão dessa espécie de perseguição, sobretudo vendo os padres acusarem de obra absolutamente demoníaca uma doutrina cuja moralidade brilhará como um raio de sol, pela publicação mesma do teu livro, e daqueles que se seguirão. (...)

Na sequencia da resposta, encontramos o anúncio da proposta da obra em tirar o véu dos ensinamentos de Jesus: “Eis que se aproxima a hora em que te será necessário declarar abertamente o Espiritismo tal como ele é, e mostrar a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo; aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, deverás proclamar o Espiritismo como a única tradição realmente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana”.

Após a beleza da resposta, que coloca a obra no altar do bom senso, ele traça o perfil que fez com que Allan Kardec fosse o eleito para a tarefa: “Escolhendo-te, os Espíritos sabiam da solidez das tuas convicções, e que a tua fé, como um muro de aço, resistiria a todos os ataques”.

E o perfil do Codificador segue sendo desenhado pelo Espírito comunicante: “(...) eis que a hora das dificuldades chegou. Sim, caro Mestre, a grande batalha se prepara; o fanatismo e a intolerância, sustentados pelo êxito de tua propaganda, vão atacar-te, e aos teus, com armas envenenadas. (Kardec é chamado de mestre pelo Espírito, lembrando que a única autoridade respeitada por eles é a moral). E finalizando a resposta a conclusão destaca os cuidados de Jesus com Allan Kardec: “Prepara-te para a luta. Tenho, porém, fé em ti, como tens fé em nós, e porque tua fé é daquelas que transportam montanhas e fazem caminhar sobre as águas. Coragem, pois, e que tua obra se complete. Conta conosco, e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de uma maneira muito particular”.

Desde esse início, O Evangelho Segundo o Espiritismo, segue cumprindo seu papel de esclarecimento e libertação, mesmo que ainda possamos lhe considerar um desconhecido, pois que muitos creem que sua simples leitura seja suficiente para absorver-lhe a profundidade e plenitude.
Convenhamos que uma obra que nasce destinada a fornecer as diretrizes para a edificação da alma humana, e consequentemente promover o adiantamento do mundo, possui verdades que se revelam na medida em que crescemos em espírito, moralidade e intelectualidade.
Diferente de uma obra que pode ser lida simplesmente, O Evangelho Segundo o Espiritismo, deve caminhar ao lado do Espírita, corrigindo sua conduta e iluminando sua vida, independente dos outros livros ele esteja lendo...


Allan Kardec. Codificador do Espiritismo
Imagem Internet.
Ficheiro:Tables tournantes 1853.jpg
Fenômeno das Mesas Girantes. Aconteceram com muita freqüência em Paris, na França,  chamando atenção de curiosos e
também de  estudiosos. Allan Kardec os estudou no trabalho para codificar a  Doutrina Espírita.
Ficheiro:Le Livre des Esprits 2.jpg
O Livro dos Espíritos
Obra básica da Doutrina Espírita teve sua 1ª. edição lançadas em 18-04-1857
O Evangelho Segundo o Espiritismo. É a 3ª., pela ordem,  das 5 obras básicas do Espiritismo.
Trata dos aspectos ético e  moral com base nas máximas do Cristo. Lançado em abril de 1864.
Sob a cúpula da igreja  dos inválidos “Les Invalides”, em Paris, França, está o sarcófago com os restos mortais de
 Napoleão Bonaparte. Em Paris Allan Kardec Codificiou o Espiritismo em 18 de abril de 1857.
 Foto Ismael Gobbo
“Les Invalides”. Vista interna da cúpula. Paris, França. Foto Ismael Gobbo

Artigo especial. Abençoado Evangelho


Jussara Korngold
Nova Iorque, EUA

O evangelho consolador
150 anos completou 
Resultado de desvelado amor
Que muitas lágrimas secou.

A mensagem inspirada 
Vinda das vozes espirituais
De caminheiros de muitas jornadas 
Que da vida do além trazem fatos reais

O evangelho traz Jesus junto de nós
Não é mais um sussurro, é clara a sua voz. 
Convida-nos a renovação. 
A unirmos fé com a razão. 

Nossa gratidão aos Espíritos, Kardec e Jesus
Que a nosso mundo de sombras trouxeram a luz. 
Sigamos com o evangelho inspirando nossa ação.
Compreendendo que Jesus é nossa salvação 

Hoje, 150 anos após
Do Espírito Verdade ouvir a voz
Os ventos da boa nova continuam a soprar
E sementes de luz em nosso coração seguem a plantar. 
Jesus e Kardec


Nazaré, cidade onde Jesus  viveu infância e mocidade. Israel.
Foto Ismael Gobbo
A bela cidade de Lion, França. Em Lion nasceu  Allan Kardec. Foto Ismael Gobbo]

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 10-04-2014

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 http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/10-04-2014.htm

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Artigo especial. 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo


Adelvair David
Jales, SP

O codificador, certamente tomado por força singular e incompreensível, entregou-se docilmente aos propósitos do Cristo. Inspirado pelas mentes venerandas dos céus, fazendo uso do coração e da razão, em abril de 1864, implanta um marco significativo na história da humanidade.
Tudo correu em segredo, o próprio editor, o Sr. Didier, ficou sabendo do conteúdo quando da sua edição, então publicada com o título de “imitação do evangelho” na primeira edição e “O Evangelho segundo o Espiritismo” a partir da segunda edição. Allan Kardec oferece aos homens a belíssima mensagem de Jesus, comentada e também dissertada pelas entidades luminares que deixaram sua marca nas inequívocas explicações através dos capítulos que se  seguem. É a revivescência do cristianismo, sem alegorias, figuras de linguagem que possa dar lugar a falsas interpretações.
Allan Kardec, sem temor, despoja-se de si mesmo, da imagem pública, para ser o servo fiel e prestimoso do Senhor, deitando esperança a uma era de nova moral que deveria iniciar-se, ferindo frontalmente os interesses menores de tantos quantos fizeram, até então, da mensagem do divino Mestre um instrumento de dominação e usura.
No Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Asseveraram os espíritos ao codificador que ele havia comido o pão branco principal e que, agora sim, era chegada a hora das dificuldades, a solidez das suas convicções e a sua fé como uma muralha de bronze, deveria resistir a todos os ataques, e assim foi, o missionário do Senhor ergueu de novo a bandeira do cristianismo, sob a fúria e os dardos dos perniciosos inconformados, e bravamente resistiu.
Neste ano de 2014, comemora-se 150 anos de luz para o homem do planeta terra. Em cada frase da obra, o surdo gemido dos mártires dos primeiros tempos, as lágrimas das mães que tinham os seus filhinhos arrancados dos braços para o testemunho do evangelho do Senhor, hoje, nós os cristãos modernos, através do sacrifício moral de Allan Kardec, temos a alegria de poder beber nesta fonte que dessedenta, de tomar deste alimento que fortifica a alma, para que nunca mais sintamos qualquer privação.
Após as trevas, eis então que surge a luz imperecível, a bondosa mão do Senhor repousa sobre a humanidade para a confirmação do bendito convite do Nazareno:“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei”.
Salve Allan Kardec, bendita seja a obra que em nome do Cristo entregastes ao mundo. Salve o Evangelho Segundo o Espiritismo e Louvado seja para sempre o Cristo, nosso Senhor e Mestre que, como prometeu não nos deixou órfãos.
Busto de Allan Kardec, em seu túmulo, no Cemitério Pére Lachaise, Paris, França. Foto Ismael Gobbo
Cemitério Pére Lachaise, Paris, França. Foto Ismael Gobbo
Placa colocada na parte posterior do túmulo de Kardec no Cemitério Pére Lachaise, em Paris, França.
Foto Ismael Gobbo



Artigo especial. O que as vozes femininas nos ensinam no Evangelho segundo o Espiritismo1

Nilza Teresa Rotter Pelá
 (Ribeirão Preto, SP)
ropela.nilza@gmail.com
Vozes femininas (?), poderão perguntar alguns já que sabemos que segundo os Espíritos da Codificação, Espíritos não têm sexo. A resposta está em um artigo da Revista Espírita2: “Pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa.”.
            Em uma investigação no Pentateuco e nos volumes da Revista Espírita publicados por Kardec encontramos 808 comunicações de Espíritos sendo que 734 (90,4 %) se identificaram como masculinos pelo nome ou outros indicativos como Espírito protetor, seu pai, dentre outras e 74(9,6 %) como femininos perfazendo um total de 467 espíritos comunicantes; 361 masculinos e 66 femininos, 27 de diversas denominações, 7 guias espirituais e 6 espíritos protetores3 .
            Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” encontramos: Cáritas (2 mensagens),Elizabeth de França (1 mensagem),Delfhine de Girardin (1 mensagem), Irmã Rosália (1 mensagem),Um Espírito Amigo - Joanna de Ângelis 4,5- (2 mensagens).
CÁRITAS
Kardec apresentava admiração por esse Espírito: “é com felicidade que nos fazemos interprete da boa Cáritas...”
As mensagens encontram-se no capítulo XII- “Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a sua mão Direita”, no item “A caridade material e a caridade moral”. Mensagens de incentivo à caridade com ênfase na caridade material. Destaca a importância de indulgência e benevolência sem o que a caridade material torna-se humilhante para aquele que a recebe. Importante destacar essa frase: “Eu nada tenho... ...vou para todos os lados estimular a beneficência, insuflar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos.”
IRMÃ ROSÁLIA
Sua mensagem encontra-se inserida no mesmo capítulo e item das mensagens de Cáritas.
            Relata sua existência entre os sofredores da Terra e destaca que por ocasião de sua volta à espiritualidade sentiu alegria por reencontrar aqueles que beneficiou na última encarnação; “Eu revi um dos pobres da vossa terra que pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e a quem me cabe agora implorar por minha vez”.
 Conceitua a caridade moral como: “não anotar os erros dos outrem.” Destaca também que a caridade moral “nada custa materialmente, e, entretanto, a que é mais difícil de por em prática”.
ELIZABETH DE FRANÇA
            Sua mensagem foi inserida no capítulo XI-“Amar o próximo como a si mesmo” no item “Caridade para com os criminosos”
            Como as outras duas enfatiza a caridade a benevolência e afirma ser essa a “sublime caridade”.
            Interessante destacar que já em 1862 quando a mensagem foi psicografada em Havre ela aborda a questão da transição planetária:
            “Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.”
            Depois desse ensinamento não se pode mais perguntar por que tanta turbulência no planeta, pois fica claro que é para nos educarmos. DELFHINE DE GIRARDIN
Kardec em O Livro dos Médiuns no Capítulo XI Da Sematologia E Da Tiptologia faz uma crítica a Delphine no item 144:
“ Um aparelho mais simples, porém, do qual a má-fé pode abusar facilmente, conforme veremos no capítulo das Fraudes, é o que designaremos sob o nome de Mesa-Girardin, tendo em atenção o uso que fazia dele a Sr.ª Emílio de Girardin nas numerosas comunicações que obtinha como médium. Porque, essa senhora, se bem fosse uma mulher de espírito, tinha a fraqueza de crer em todos os Espíritos e nas suas manifestações.”
            “Mas Kardec era o BOM SENSO encarnado, assim quando esse Espírito se manifesta em Paris em 1861 ele inclui sua mensagem no capítulo V- “Bem aventurado os aflitos” com o título” A infelicidade real”.
            “a verdadeira desgraça, porém, está nas consequências de um fato, mais do que no próprio fato. Dizei-me se um acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta consequências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem. Dizei-me se a tempestade que vos arranca as arvore, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade. Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências.”
            Lembra ainda que os prazeres mundanos calam a consciência e assim o homem se torna incapaz de deduzir as consequências de seus atos.
UM ESPÍRITO AMIGO (JOANNA DE ÂNGELIS)
            Duas mensagens: “capítulo IX –Nem aventurados os brandos e pacíficos- item 7 A Paciência” e “ capítulo XVIII- Muitos os chamados e poucos os escolhidos- item 15-Dar-se-a aquele que tem”
            Na primeira coloca sobre as dificuldades da vida e dos sofrimentos que temos que experimentar na construção da nossa espiritualidade. Para isso é necessário o ato de perdoar que é uma caridade muito difícil, pois coloca a prova nossa paciência. Ser cristão é também ser paciente.
             Na segunda explica-nos a difícil passagem do Evangelho que diz que se dá aquele que tem e retira-se daquele não tem, pois em uma análise superficial parece ser uma injustiça.
            Joanna esclarece o sentido figurado da passagem uma vez que Deus é misericordioso e não tiraria de filho seu nada do que já houvera dado. O que ocorre é que aqueles que têm desenvolvimento moral atraem para si o encorajamento que lhe dá forças para continuar em sua jornada evolutiva. Os que não têm esse desenvolvimento moral são cegos e surdos aos chamamentos que lhes são feitos seria como se os primeiros preparassem os campos que lhes foram concedidos para seu plantio, enquanto os segundos deixam seus campos mofarem e nada produzem.
            As vozes femininas abordaram questões ético morais o que é compreensível pelo fato de suas mensagens estarem inseridas em O Evangelho segundo o Espiritismo, entretanto muitas das vozes femininas , no Pentateuco e na Revista Espírita, abordaram temas de cunho científico e fenomenológico .
Fontes
1- O Evangelho segundo o Espiritismo- Allan Kardec
2- Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos ANO IX JANEIRO DE 1866 No 1.
3-As muitas vozes na obra de Allan Kardec, 5o Fórum Caminhos para o Espiritismo, São Carlos 31 de agosto de 2013.
4-A Veneranda Joanna de Ângelis, Celeste dos Santos & Divaldo P. Franco, Leal editora.
5-Os Expoentes da Codificação, Federação Espírita do Paraná.
 
Retrato de Allan Kardec, em 1865. Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Allan_Kardec_portrait001.jpg
Ficheiro:Madame-elisabeth-2.jpg
Elizabeth de França. 03-05-1764 / 10-05-1794.
Óleo sobre tela por Elisabeth-Louise Vigée-Le Brun
Ficheiro:Joana Angelica martirio.jpg
Quadro do séc. XIX (anônimo), representando o martírio da Sóror Joana Angélica 
 autoria atribuída a religiosa de Itu, presentemente no Convento da Lapa, Salvador, Bahia
Amélie Gabrielle Boudet (1795- 1883), esposa e grande colaboradora de Allan Kardec (1804- 1869).
Imagem trabalhada em computador por Marisa Cajado (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas

Praça da Concórdia, a maior de Paris, com a Torre Eiffel ao fundo.
No local muitos vultos da nobreza foram guilhotinados, dentre eles Elizabeth de França.
Foto Ismael Gobbo
Jardim das Tulherias tendo ao fundo o “Dôme Les Invalides” e a Basílica de Santa Clotilde. Paris, França.
Foto Ismael Gobbo




NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 09-04-2014.

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Artigo especial. A que se propõe O Evangelho segundo o Espiritismo?


                    Pedro Camilo. (Salvador, BA)

Quase sempre abrimos um livro, qualquer que seja ele, e nos precipitamos sobre as abordagens feitas pelo autor sem, contudo, procurar entender as razões de ser daquele trabalho. Interessa-nos o conteúdo, as lições, o aprendizado possível a ser realizado naquelas páginas que se abrem para nós, como um convite vivo ao conhecimento. Esquecemos, porém, que as introduções costumam falar muito de uma obra, representando o norte sem o qual a sua compreensão não será a mais completa possível.
Temos agido assim, ao longo das décadas, com O Evangelho segundo o Espiritismo. Tratado como um livro de autoajuda, quase sempre passeamos por suas páginas à procura de um consolo, de um alívio para nossas dores, esquecidos, porém, que também ele é um livro de estudos e, como tal, a sua introdução tem muito a nos dizer.
Sim, de estudos! Ali, naquelas páginas luminosas, Allan Kardec sedimentou as bases morais do Espiritismo, partindo do modelo de moral proposto pelos espíritos na resposta à pergunta 625 deO livro dos espíritos: Jesus. Não são, portanto, meros comentários sobre lições evangélicas, mas estudo sistematizado dos ensinamentos morais trazidos por Jesus, que também podem ser extraídos de sua vida, de seus feitos, de sua obra.
Somente começando a sua análise pelo começo, ou seja, pela sua introdução, é que poderemos perceber isso. Logo de início, Allan Kardec, como bom educador que era, tratou de fixar qual o objeto que perseguia ao apresentar aquele volume ao público. Tal medida era – como foi – de fundamental importância, haja vista que o grande público poderia entender que se tratava de uma tola pretensão de substituir, com aquele, os quatro Evangelhos ditos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Até hoje, inclusive, há quem se refira jocosamente à obra, dizendo tratar-se de “o Evangelho dos espíritas”!
Talvez antevendo isso, bem como pela precisão metodológica que marcava suas ações, Kardec principia seu estudo aduzindo, nas páginas introdutórias:

Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável.

O mestre francês divide as abordagens possíveis sobre os Evangelhos em cinco eixos, afirmando que o “ensino moral” é aquele que se conservou inatacável, apesar dos milênios. De fato, as controvérsias sobre os atos da vida do Cristo, os milagres, as predições e os dogmas das Igrejas persistem até os dias de hoje. Contudo, mesmo os que não são cristãos admiram e reconhecem o valor dos ensinamentos morais do Cristo, o que revela sua grande importância teórica e prática para a vida.
Ninguém negará, por exemplo, o valor de virtudes como o amor, a beneficência, o perdão das ofensas e a necessidade de honrar pai e mãe, dentre outros. São valores cultuados em diversos credos e em diversas culturas, embora assumindo, por vezes, feições bastante peculiares.
É por essa razão que Kardec ainda afirma:

Para os homens, em particular, constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura.

Na medida em que explicitava suas lições a partir das lições do dia-a-dia, extraindo conceitos e exemplos da vida particular e da vida pública de homens e mulheres, Jesus apresentava um código de como proceder, revelando “o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça”.
Por essa razão, afirma Kardec, os ensinamentos morais do Cristo são postos como “roteiro infalível para a felicidade vindoura”, por constituir-se no “levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura”.
E, após fazer afirmações tão peremptórias e importantes, arrebata ele, dizendo: “Essa arte é a que será objeto exclusivo desta obra”.
A ideia não era, pois, substituir os quatro Evangelhos, mas estudar os ensinos morais neles conditos, Assim sendo, na medida em que se propõe a resgatar tais ensinos, conferindo-lhes uma interpretação mais abrangente, por considerar a imortalidade da alma e as vidas futuras que a aguardam, a proposta de O Evangelho segundo o Espiritismo é constituir-se, para nós, “um roteiro infalível para a felicidade vindoura”.
É com isso em mente que devemos, a cada dia, buscar as suas páginas e sobre elas refletir.
Allan Kardec  Imagem Internet
Selo comemorativo do Centenário de O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em 1964
Imagem: Internet
Estátuas dos quatro Evangelistas na Catedral de Brasília
Brasília, DF. Foto Ismael Gobbo
Teatro romano na Colina de Fourvière, em Lion, França.
Lião foi terra natal de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foto Ismael Gobbo
Átrio subterrâneo do Museu do Louvre, Paris, França.
A obra da Codificação Espírita, por Allan Kardec, se deu em Paris.
Foto Ismael Gobbo

Paris, França. Ile de la Cité, o Sena e a  Catedral Notre Dame. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 08-04-2014.

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terça-feira, 8 de abril de 2014

Artigo especial. Luz imortal


Orson Peter Carrara

Lançado em abril de 1864, a obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, elaborada por Kardec, que estuda as máximas morais de Jesus, completa 150 anos neste ano de 2014. O ano é muito especial para o Brasil, com a Copa do Mundo e as Eleições, mas também pelas datas comemorativas envolvidas com decênios fechados.
No mesmo ano em que se completam 210 anos de nascimento de Allan Kardec, 100 anos de Irmã Dulce e Herculano Pires, 130 anos de fundação da FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA e 30 anos da instalação da Federação Espírita Brasileira em Brasília-DF. Além dessas datas, outras, com decênios fechados, o destaque principal é para os 150 anos da citada obra, cujo conteúdo seleciona as máximas morais de Jesus, para comentá-las à luz do Espiritismo. Os ensinos, as parábolas, as bem-aventuranças de Jesus, trazendo exemplos da importância do Evangelho como autêntico roteiro imortal e iluminado dos caminhos humanos ali estão reunidos, de vez que Jesus, o enviado de Deus trouxe a BOA NOVA, a BOA NOTÍCIA, essência do Evangelho que convida o ser humano à renovação moral para ser mais feliz.
Com seus 28 capítulos, a obra deve merecer nosso maior carinho e atenção, face ao caráter didático, confortador e moral de seu conteúdo. Os ensinos de Jesus ali estão comentados com a lucidez de um pesquisador nato, integrando um programa de iluminação da mentalidade humana como luz imortal.
Em cada capítulo, é preciso que se busque a essência e os ensinos que se encontram nas entrelinhas, cujo estudo constante, o espírito de pesquisa do leitor, levará a esse encontro memorável de orientações.
São muitos ensinos. Eles chegam ao coração humano, orientam e iluminam os passos. Por isso, a obra deve ser constantemente divulgada, comentada, distribuída e estimulado ao estudo.
Palestrantes, coordenadores de grupos, escritores e dirigentes, devemos todos nos empenhar para aprofundar o conhecimento do livro, face ao conforto moral e à condução segura que seu conteúdo oferece ao coração sedento da humanidade que se debate em tantos conflitos.
É mesmo a luz imortal da humanidade. Motivo de júbilo para a família espírita mundial.

ORSON NA FRATERNIDADE FALA SOBRE OS 150 ANOS DO EVANGELHO:

Sede histórica da FEB. Rio de Janeiro. Foto Ismael Gobbo
Sede da FEB em Brasília, DF. Foto Ismael Gobbo

Estádio do Corinthians em Itaquera, São Paulo. Local de abertura da Copa do Mundo-2014.
Foto Ismael Gobbo 21/3/2014.
O grande e belo Museu do Futebol no Estádio do Pacaembu, São Paulo, Brasil. Foto Ismael Gobbo
Poste com iluminação verde-amarelo alusiva à Copa do Mundo. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 07-04-2014.

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/07-04-2014.htm

Artigo especial. O Segredo de Allan Kardec. (Homenagem ao sesquicentenário de O Evangelho segundo o Espiritismo – 1864-2014)


                                   Adilton Pugliese

(Revisão do prof. Luciano Urpia)

Relata o escritor Richard Simonetti, que “no livro A República, Platão, filósofo grego que viveu entre 428 e 348 a.C., coloca nos lábios do também filósofo grego Sócrates (470 a.C.-399 a.C.), interessante metáfora, ou seja, um sentido figurado, relacionada com nossa visão da realidade: numa caverna vivem seres humanos. Ali nasceram. Dali nunca saem. Estão acorrentados, em tal disposição, que só podem observar o que está à sua frente. Por trás deles arde uma fogueira. A luz do fogo projeta sombras na parede. É tudo o que veem. Seu mundo é feito de sombras”.

                               Sócrates e Platão

O que pode ser deduzido dessa imagem, dessa metáfora que ficou conhecida como o mito da caverna A caverna simboliza as limitações impostas pelos sentidos e pela ignorância. Impedem as pessoas de ver o mundo real, que Platão chama universo das ideias. A fogueira é a experiência sensorial que pouco ilumina, projetando sombras de ilusão nas paredes existenciais”.
 “Alguém desenvolve a sensibilidade, supera a ignorância, conquista o saber, e então, deixa a cavernaNum primeiro momento, deslumbra-se com a luz solar, a visão gloriosa da Natureza. Lamenta o tempo perdido, o comprometimento com as sombras... Decide ajudar os companheiros com sua experiência. Não é bem recebido. Não acreditam nele. Julgam que está delirando. Hostilizam-no”.[i]
Muitas criaturas na humanidade terrestre estão prisioneiras em suas cavernas íntimas. Como libertar--se do esconderijo, das prisões invisíveis ou visíveis que as prendem? Idealistas consideram que somente subvertendo a ordem, por meio de uma revolução, de conquistas, de um motim, de movimentos guerreiros e libertários.
Destacam historiadores que “nos séculos XI ao XIII oito expedições foram empreendidas pela Europa cristã da época, num movimento que ficou conhecido como Cruzadas, para libertar o chamado Santo Sepulcro das mãos dos muçulmanos, fato que aconteceu a partir de um Concílio realizado na cidade de Clermont em 1095 e que durou até 1291. Aos gritos de Deus o quer! foram quase duzentos anos de operação militar, sem que o objetivo fosse alcançado. É como se o mundo espiritual quisesse dizer aos homens: o importante não é onde o corpo de Cristo foi sepultado, mas seguir os Seus ensinamentos, pois são eles que conduzem a criatura na direção do seu progresso espiritual. São eles que libertam”.
Jesus sabia dessas lutas que os homens empreenderiam para libertar coisas e objetos, lugares e povos; para nos libertarmos dos vícios, das paixões e da violência e sintetizou, há mais de dois mil anos, o meio de
conseguirmos a liberdade: “Então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.[ii] O que seria essa verdade? Onde e como encontrá-la?
Permita-me o leitor um depoimento pessoal. Estive, um dia, preso na caverna das ilusões, da insegurança e da incerteza, numa cruzada em busca de quimeras, até que num sábado à noite, há quase 40 anos, meu pai colocou em minhas mãos um livro extraordinário, de conteúdo libertador. Esse livro tem uma história. E podemos dizer que essa história começa no mesmo dia em que Allan Kardec publicou em Paris O Livro dos Espíritos.

Após os acontecimentos que envolveram a sua iniciação no Espiritismo, entre os anos de 1854 e 1855, o professor H.L.D. Rivail entra em contato, em fins de 1856, com o livreiro Dentu, na Rue Montpensier, no Palais Royal, em Paris, apresentando-lhe os manuscritos de O Livro dos Espíritos, em cuja capa grafara o pseudônimo que adotara para caracterizar o autor: Allan Kardec, seu antigo nome quando da reencarnação na personalidade de um sacerdote druida, conforme lhe fora revelado pelo Espírito Z..., ou Zéfiro.[iii]
Cerca de quatro meses depois, exatamente em 18 de abril de 1857, pela manhã, retornava da tipografia 1.200 volumes da primeira edição de O Livro dos Espíritos, de capa cor cinza, com 501 perguntas.[iv] O livreiro conversava com seu amigo, o jornalista Du Chalard, do jornal Courier de Paris, a quem presenteia com um exemplar do livro, dizendo-lhe: “Este é o trabalho mais sério até hoje publicado na França, sobre os Espíritos; é uma obra edificante e serena”, e pede-lhe que dê, depois de ler o livro, o seu parecer aos leitores do jornal.[v]
E, efetivamente, mais tarde, na edição de 11 de junho de 1857, Du Chalard publica extenso artigo de sua autoria: “O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do infinito, e estamos convencidos de que esta página será assinalada (...). Não conhecemos o autor, mas confessamos, abertamente, que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Quem escreveu a introdução de O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres”.  “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos avançam ou caem, regando com as lágrimas o pó da estrada, diremos: lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que em seu caminho só encontram as aclamações da multidão e os sorrisos da fortuna, diremos: estudai-o e ele vos tornará melhores”.[vi]
Um abade francês, de nome Leçanu, autor de um livro chamado História de Satanás, assim diz no seu livro: “Observando-se as máximas de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, faz-se o bastante para se tornar santo na Terra”. O escritor francês Victorien Sardou (1831-1908), leu a obra e antes mesmo de haver chegado ao fim da leitura, escreveu a Kardec elogiosa carta, destacando que O Livro dos Espíritos é o livro da vida, é o guia da humanidade.[vii]
  Victorien Sardou
É com esses depoimentos e de outros, que Allan Kardec iniciaria a fase de Elaboração da Codificação. Declara Hermínio Miranda (1920-2013), ao analisar “A Obra de Kardec e Kardec diante da Obra”:[viii] “Concluindo o trabalho que lhe competia junto aos Espíritos ainda lhe resta muito a fazer, e o tempo urge. Incumbe-lhe agora inserir a nova doutrina no contexto do pensamento de seu tempo. É preciso estudar e expor aos homens os aspectos experimentais implícitos na Doutrina dos Espíritos. Desses aspectos, o mais importante, sem dúvida, é a prática da mediunidade, instrumento de comunicação entre os dois mundos. Sem um conhecimento metodizado da faculdade mediúnica, seria impossível estabelecer as bases experimentais da doutrina. Daí, ele prepara e lança, em Paris, em janeiro de 1861, O Livro dos Médiuns. Em seguida, é preciso dotar o Espiritismo de uma estrutura ética. Não seria preciso criar uma nova moral, já existia a do Cristo”.
Então, durante uma parte do ano de 1863, Allan Kardec guardou um segredo: ele estava escrevendo uma nova obra e a ninguém dera ciência do assunto; até o Sr. Didier, o seu Editor, somente tomou conhecimento da existência da obra quando do envio para impressão.
Em 9 de agosto resolve ouvir os Espíritos acerca do seu segredo, sobre o que eles pensavam a respeito, e obtém como resposta, para surpresa do Codificador, que “O novo livro teria considerável influência, pois que abordava questões capitais, e que não só o mundo religioso encontraria nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida prática das nações haurirá dele instruções excelentes”. E os Espíritos elogiam Kardec por ter abordado, no livro, as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, sociais e religiosos. Os Espíritos preveem que com esse livro Kardec teria grandes dificuldades e que seria violentamente atacado pelo clero da época (que se sentiria muito mais ferido do que com a publicação de O Livro dos Espíritos), mas declaram que confiam nele, na sua resistência, e dizem: Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de bronze, resistiria a todos os ataques”.[ix] (grifamos)
A esse novo livro Allan Kardec dera, preliminarmente, o título de Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Porém, mudou-o para O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (a partir da segunda edição, em 1865), publicado como a terceira obra da Codificação Espírita, em abril de 1864.  A reação foi a Sagrada Congregação do Index, em 01 de maio de 1864, incluir no seu catálogotodas as obras de Kardec sobre o Espiritismo![x] Causou estranheza a medida extemporânea, mas logo foi compreendido que O Evangelho segundo o Espiritismo provocara a decisão.
Foi esse livro que meu pai colocou em minhas mãos e eu coloquei no meu coração, e que mudaria a minha vida, certamente, para sempre.

Na Introdução do livro, Allan Kardec explica o objetivo da obra: cada pessoa poder tirar dela os meios de conformar sua conduta moral à do Cristo. Enfatiza o Codificador que os espíritas nela encontrarão as aplicações que lhes concernem mais especialmente. O ensino moral, portanto, é a tônica fundamental de O Evangelho segundo o Espiritismo e Kardec explica por que se fixou nessa parte das matérias contidas nos Evangelhos:[xi]
-          A parte moral exige a reforma de cada um
-          É uma regra de conduta, que abrange todas as circunstâncias da vida
-          É o caminho infalível da felicidade futura
-          É o princípio de todas as relações sociais fundadas na mais rigorosa justiça.

Realmente, a montagem da estrutura didática de O Evangelho segundo o Espiritismo teve duas finalidades: (1) A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e(2) Aplicações às diversas circunstâncias da vida, como Kardec exarou no frontispício da obra.
Jesus e Nicodemos
Por que este livro, O Evangelho segundo o Espiritismo, se tornou a obra espírita mais lida e aceita pelos brasileiros, com milhões de exemplares impressos em suas edições, sobretudo por parte da FEB Editora?
Pode-se afirmar que uma questão de fundamental importância da moral do Cristo, em nossas existências, é quanto às consequências de sermos espíritas. Conforme declara Deolindo Amorim (1906-1984), ao estudarmos a Doutrina, conhecemos a sua origem, sua constituição e sua natureza, mas, se depois de tudo isso, não resultasse daí alguma consequência, a Doutrina seria apenas indagação pura, ou, quando muito, simples “devaneio filosófico”. O coroamento de tudo quanto estudamos no Espiritismo está justamente na influência que os seus princípios devem ter nos atos de nossa vida.[xii]
            Saudamo-lo, então, Livro Luz¸ nos seus 150 anos de existência, e que as suas páginas, que expressam o amor de Jesus pela humanidade, possam continuar a iluminar as nossas vidas, para sempre, libertando os que se encontram nos redutos da ilusão e nas cruzadas das conquistas efêmeras.


1.       SIMONETTI, Richard. Luzes no Caminho. 1ed.CEAC Editora, p.59.
2.       JOÃO 8:32.
3.       WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.74.
4.       ABREU, Canuto. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária, 1ed. Edições LFU, p.42.
5.       IDEM, Ibidem, p.43 e 44.
6.       WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.83.
7.       IDEM, Ibidem.
8.       MIRANDA, Hermínio. Nas Fronteiras do Além. 1ed. FEB, p.16.
9.       KARDEC, Allan. Obras Póstumas, 1ed. FEB, tradução de Evandro Noleto Bezerra, p.399.
10.    WANTUIL, Zeus. THIESEN, Francisco. Allan Kardec – Volume II, 1ed.FEB, p.289.
11.    KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 131ed. FEB, edição histórica, tradução de Guillon Ribeiro, Introdução.
12.    DEOLINDO, Amorim. Doutrina Espírita. 1ed. Círculo Espírita da Oração, p.77.

 
Avenida com flores à margem do Rio Ródano (Rhône), em Lyon, França
Em Lyon nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec). Foto Ismael Gobbo  

Dólmen de Allan Kardec. O mais visitado e mais florido túmulo do Cemitério Pére Lachaise, em Paris, França.
Foto Ismael Gobbo

Busto de Allan Kardec em seu túmulo no Cemitério Pére Lachaise. Paris, França. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 05-04-2014.

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