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domingo, 13 de abril de 2014

Artigo especial. Livro eterno


Gregório Carlos Rodrigues
Araçatuba, SP

A Casa Espírita em que trabalho tem o costume de distribuir gratuitamente exemplares dos livros da codificação espírita a todos os participantes das nossas reuniões públicas.
Um amigo, não espírita, procurou a Casa em busca de defesa contra os males físicos que o afligiam, na esperança de soluciona-los ou pelo menos ameniza-los.
Convidado a participar das reuniões públicas, recebeu também um exemplar do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Sinceramente achei que ele nem iria abri-lo, mas qual não foi minha surpresa ao encontra-lo numa das filas da vida, quando me perguntou:
- Que livro é aquele que você me deu?  - Uma hora me parece um livro filosófico, noutra tenho nas mãos argumentos científicos, noutra são puxões de orelha que me fazem refletir mais detidamente sobre a vida. Confesso que não esperava nada que viesse de um livro, mas, depois de lê-lo, percebo que muito das minhas mazelas são consequências de atitudes equivocadas, tá na hora de mudar...
Muitos conhecem, por exemplo, o ensinamento do Cristo “Ame a Deus, ao próximo e a ti mesmo” que, no dizer D’ele mesmo, é o maior ensinamento.
Mas poucos o compreendem e menos ainda o aplicam. O conceito de amor é muito amplo, abstrato, e as pessoas têm dificuldades em compreende-lo. O homem nunca teve a oportunidade de ser devidamente esclarecido do significado deste conceito.

Como diz Kardec na introdução do livro:

A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como lêem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito. Passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossível, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações especiais”.

Com o Evangelho Segundo o Espiritismo entendemos os ensinamentos do Cristo em detalhes, alcançando nosso comportamento mais íntimo. Conseguimos visualizar com razoável clareza o esforço necessário para alcançar a luz a indicar a saída deste mundo escuro em que nos metemos.
Ele não se ocupa de outra coisa que não os ensinamentos morais da doutrina do Cristo e traz esclarecimentos que nos fazem entender como devemos proceder para amarmos conforme Jesus ensina.
É uma obra libertadora para todo aquele que busca entender os segredos da vida e ouve o que o Espírito de Verdade diz em seu prefácio:

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

Tenho que é a obra mais importante da codificação espírita, depois da primeira, a obra básica, O Livro dos Espíritos. As demais lhe são subsidiárias na medida em que explicam a dinâmica da vida, mas só o Evangelho nos ensina a mudar a dinâmica da vida.
150 anos de seu lançamento é motivo de muita comemoração e alegria, afinal, são poucas as obras que sobrevivem a tanto tempo.
Mas ainda é uma obra desconhecida para a imensa maioria das pessoas, o que indica que o seu grande momento ainda está por vir, pois que é destinada a ser referência na transformação da humanidade.
Cabe a nós, espíritas, estarmos preparados para o grande momento, dando o exemplo da capacidade transformadora do Evangelho.
Se no passado longuinquo os seguidores do Cristo testemunhavam seus ensinamentos com sangue, martírio e dor, haveremos de testemunhar com amor puro e verdadeiro.
Meu amigo não teve seus males curados, quando muito amenizados. Mas hoje compreende melhor a sí mesmo, ponto de partida para qualquer ação firme nos rumos da redenção da consciência... As brisas da esperança se lhe chegaram acariciando o espírito e com ela uma voz maviosa a lhe dizer: Vem, vem comigo...
File:Les Aveugles de Jéricho - Nicolas Poussin - Louvre.jpg
Jesus curando o cego de Jericó. Óleo sobre tela de Nicolas Poussin
Cartaz do ano de 1964 comemorando o 1º. Centenário de
O Evangelho Segundo o Espiritismo,  em Vitória, ES
Homenagem prestada a Allan Kardec pelos espíritas franceses.
Placa nas proximidades da Rua Sala, onde Kardec nasceu, em Lion, França. Foto Ismael Gobbo
Hõtel de Ville (Municipalidade), Paris, França. Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) foi autor de
“Ditados normais dos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbonne” (1849).  Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 14-04-2014.

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/14-04-2014.htm

Artigo especial. Evangelho Segundo o Espiritismo: Um Grande Tesouro em Nossas Vidas


Aparecido Augusto de Carvalho
Ilha Solteira, SP

No livro A Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier, o espírito Emmanuel nos fornece uma dimensão da grandiosidade do Mestre Jesus, nos ensinando que, segundo as tradições do mundo espiritual, há uma comunidade de espíritos puros que dirigem a vida de todas as comunidades planetárias. Jesus faz parte desta comunidade, que se reuniu nas imediações de nosso planeta, apenas duas vezes: a primeira quando a Terra se desprendeu do Sol (segundo a Ciência, há 4 bilhões e 567 milhões de anos) e a segunda quando se deliberou sobre a encarnação do mestre com o propósito de nos trazer a Boa Nova de seus ensinamentos.
Portanto, Jesus já era espírito puro há mais de 4 bilhões de anos! Que enorme a distância entre Ele e nós, em termos do conhecimento das leis divinas que regem o universo!
E o Mestre encarnou entre nós. Ensinou-nos a sermos brandos e pacíficos, a fazermos aos outros o que queremos que eles nos façam, a sermos humildes, caridosos como o bom samaritano, ensinou a Nicodemos e a toda a humanidade sobre a reencarnação. Ensinou-nos a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, que tudo nos será dado por acréscimo.
O Mestre nos legou o Cristianismo, uma doutrina de amor, de humildade, de fraternidade, de mansidão, de misericórdia. No entanto, por interesses vários de pessoas e de grupos, os ensinamentos cristãos foram sendo modificados, introduziu-se os dogmas, os cultos exteriores, o conceito das penas eternas.
 Jesus, porém, na sua antevisão de espírito puro, conhecendo profundamente a humanidade, sabia que sua mensagem seria adulterada. Por isto, prometeu o Consolador: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê- lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (JOÃO, 14:15 a 17 e 26.)   
Em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, ocasião em que a ciência e a filosofia haviam alcançado grande desenvolvimento em nosso planeta, surge o Espiritismo, o Consolador prometido, para relembrar os ensinamentos do Mestre na sua pureza e ampliá-los. Na questão 625 deste livro, Kardec pergunta aos Espíritos superiores:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”
E os Espíritos respondem:
“Jesus.”
Kardec acrescenta: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.”
Em agosto de 1863, Kardec trabalhava em uma nova obra intitulada inicialmente Imitação do Evangelho. Por sugestões reiteradas do editor, Sr. Didier, e de algumas outras pessoas, o mestre lionês, alterou o nome do livro para O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 09 de agosto, através do médium Se. D’A..., Kardec perguntou ao Espírito Superior que o assistia o que ele pensava da nova obra na qual, naquele momento, estava trabalhando. O Espírito respondeu:
Esse livro de doutrina terá considerável influência, pois que explana questões capitais, e não só o mundo religioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida prática das nações haurirá dele instruções excelentes. Fizeste bem enfrentando as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos. A dúvida tem que ser destruída; a terra e suas populações civilizadas estão prontas;...” (Obras Póstumas, Segunda parte, Imitação do Evangelho).
Kardec perguntou ainda ao Espírito Superior sobre a opinião do clero em relação ao livro em elaboração. E o Espírito respondeu:
“O clero gritará - heresia, porque verá que atacas decisivamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele baseia a sua influência e o seu crédito. Gritará tanto mais, quanto se sentirá muito mais ferido do que com a publicação de O Livro dos Espíritos, cujos dados principais, a rigor, poderia aceitar. Agora, porém, tu entraste por um novo caminho, no qual não poderá ele acompanhar-te. O anátema secreto se tornará oficial e os espíritas serão repelidos, como o foram os judeus e os pagãos, pela Igreja Romana.
Em compensação, os espíritas verão aumentar-se-lhes o número, em virtude dessa espécie de perseguição, sobretudo com o qualificarem, os padres, de demoníaca uma doutrina cuja moralidade esplenderá como um raio de Sol pela publicação mesma do teu novo livro e dos que se seguirão.
Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana.”
As respostas dos Espíritos superiores tornam evidente a importância e a relevância do livro em que Kardec estava trabalhando.
 Naqueles dias, a maneira pela qual os membros das religiões cristãs tradicionais divulgavam e praticavam os ensinamentos de Jesus levou um número enorme de pessoas ao estado de incredulidade. Algumas partes do Novo Testamento não são facilmente compreensíveis, parecendo, até mesmo, irracionais. Por isso, no prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade afirma “...são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.”
O Evangelho Segundo o Espiritismo, publicado em abril de 1864, magistralmente escrito por Kardec, sob a inspiração contínua dos Espíritos Superiores, traz a luz do esclarecimento para todas as partes do Evangelho do Mestre. Comunicações de Espíritos elevados, como o apóstolo Paulo, Erasto, Santo Agostinho, Fenelon, Emmanuel, Lacordaire e vários outros enriquecem a obra que veio para “iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos”. (Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo).
Por este motivo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, provavelmente, é o livro mais lido pelos espíritas, o mais recomendado para leitura nas casas espíritas, o mais utilizado pelos expositores espíritas como referência para suas palestras. É um grande tesouro em nossas vidas, porque nos possibilita compreender os ensinamentos de Jesus em sua plenitude.
Lembremos, para concluir, um ensinamento do Mestre:
“Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa, ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína.” (MATEUS, 7:24 a 27; S. LUCAS, 6:46 a 49).
Diante deste ensinamento, fica uma questão de magna importância em nossas vidas, para cada um de nós refletir: posso ser comparado ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha?
Livro A Caminho da  Luz, psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel 
Busto de Allan Kardec em  seu florido túmulo no Cemitério Père Lachaise, em Paris, França. Foto Ismael Gobbo

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Lançado em abril de 1864
Ficheiro:Portrait of Dominique Lacordaire.jpg
Henri Dominique Lacordaire (02-05-1802 / 21-11-1861)
O Espírito Lacordaire ditou mensagens inseridas em  O Evangelho Segundo o Espiritismo

Artigo especial. Allan Kardec


João Xavier de Almeida
Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal

O passado dia 31 de Março completou 145 anos sobre a data em que, após frutuosíssima passagem na vida terrena, regressou à pátria espiritual Allan Kardec _ pseudónimo do notável académico francês Hippolyte Léon Dénisard Rivail. Este mesmo ano, 2014, perfaz o sesquicentenário da publicação de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, terceiro dos seus cinco livros fulcrais, codificadores da doutrina espírita. A fenomenologia que ela estuda, inerente à natureza humana, é tão antiga como esta. Mas até 1857, ano da publicação de O LIVRO DOS ESPÍRITOS (o primeiro da codificação kardeciana), essa fenomenologia era incompreendida, interpretada confusa e supersticiosamente. Allan Kardec, de início muito cético, estudou-a exaustiva e metodologicamente, sistematizando-a. Aberta à verdade e ao que novos conhecimentos venham a demonstrar de diferente, a doutrina espírita não foi elaborada sob signos de credulidade nem de rigidez dogmática.
Dado o universalismo da sua matéria de estudo, e contrariamente à presunção de alguns prosélitos, o Espiritismo não se arvora dono da “verdade” e “pureza doutrinária” que devamos “intransigentemente” defender. Acessível a quantos o busquem, contenta-se como um caminho para a Verdade, ciente de não ser único nem obrigatório; ciente também de quanta luz pode facultar a todos os outros caminhos, ou deles recebê-la. Levianamente intransigentes eram os fariseus, no tempo de Jesus, que não os poupou a advertências e repreensões.
Ao codificar prudente e criteriosamente o Espiritismo, superiormente assistido, Allan Kardec apreendeu a sua conformação com a alma do evangelho de Jesus; mencionou-a em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, onde fulge um lema capital: “fora da caridade não há salvação”. Nada permite considerar que esse livro tenha sido uma cedência de Kardec à hegemonia social cristã no mundo ocidental, como sustentam alguns confrades nossos, subestimando o evangelho e demarcando dele o Espiritismo. Têm os seus argumentos. A meu ver, parecem não tomar em atenção a índole cósmica e perene do evangelho: sempre actual, ela transcende qualquer mero contexto histórico, geográfico ou sociocultural, e modernamente colhe interesse científico em neurociências, mecânica quântica, psicologia e outras áreas do conhecimento académico.
Existem mais divergências no seio do movimento espírita. Por exemplo, o roustainguismo: sustenta ser fluídico (“agénere”), e não fisicamente encarnado, o corpo em que Jesus viveu na Terra há 2 milénios. Tese defendida por Jean Baptiste Roustaing, tem tido não poucos aderentes; frisa o seu paladino que ela, doutrinariamente, não contraria o Espiritismo, o que em si não lhe dá facticidade real. Kardec refuta-a no capítulo XV de AGÉNESE, com típica serenidade, clareza e objectividade, não hostilizando ou desconsiderando o opositor (infelizmente nem sempre se vê isso hoje, quando retomada essa ou outras controvérsias).
Derivam estas considerações duma ingente necessidade: sabermos cultivar, como Kardec, a união na divergência, serenos, lúcidos e caridosos na busca da Verdade por que todos ansiamos. Unanimidade absoluta não existe na Terra, nem conviria. Mas divergência não tem que ser intolerância e dissensão; deve antes incentivar-nos ao estudo desapaixonado da verdade, em vivência efectiva dos princípios evangélicos. Estes inspiram luz para os problemas, além de fomentarem a unificação (não unicidade!) preconizada por espíritos nobres, fautora dum convívio são e proveitoso entre divergências que sempre teremos. Kardec foi-nos exemplo vivo, com um sábio lema pessoal: “trabalho, solidariedade, tolerância”.
Paris, França. Na cidade surgiu  o Espiritismo  Codificado por Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foto Ismael Gobbo

Em 1854 Allan Kardec ouviu falar pela primeira vez das Mesas Girantes, fenômeno
mediúnico que abundava em Paris e que estudou para sistematizar a Doutrina Espírita,
surgida em 18 de abril de 1857, com o lançamento da obra básica “O Livro dos Espíritos.”
Imagem Internet.
Selo brasileiro comemorativo do Centenário de lançamento de
O Livro dos Espíritos (1857- 1957)
O Evangelho Segundo o Espiritismo, lançado em abril de 1864

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 12-04-2014.

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sábado, 12 de abril de 2014

Artigo especial. Kardec e Herculano


Raymundo Rodrigues Espelho
Campinas, SP  

 Quando comemoramos o sesquicentenário do lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo, recordamo-nos de José Herculano Pires, o escritor que por sua grande contribuição à divulgação da doutrina espírita recebeu o cognome de:  "O melhor metro que mediu Kardec." 
Herculano escreveu e publicou mais de oitenta livros  e traduziu, dentre outras, as obras básicas da Terceira Revelação. 
O escritor argentino Humberto Mariotti,  escrevendo sobre o autor, comenta que seu grande trabalho  ressalta a plena vigência e a posição de vanguarda que seguem mantendo os postulados espíritas, pois leva sempre à frente a evolução do pensamento e as vastas conquistas da ciência. Uma contribuição cultural  inadiável,  em prol de uma melhor e mais íntegra valorização da doutrina espírita.
Sobre O Evangelho Segundo o Espiritismo, Mariotti acrescenta:  O lado mais belo do espiritismo é sua fase moral, nos disse o codificador. As máximas e ensinamentos morais do mestre Jesus são analisadas neste livro da esperança e agora cabalmente interpretadas com os indispensáveis meios que aporta a doutrina espírita para as exegeses do Evangelho e da Bíblia em geral, blindando-nos o verdadeiro conceito da moral divina, natural e científica que ilumina a marcha de ascensão espiritual dos homens.  
Imagem Internet
José Herculano Pires. Imagem: Internet

Humberto Mariotti
Humberto Mariotti nasceu em Záratec, Argentina, em 11de junho de 1905.
Foi um poeta, escritor, jornalista, conferencista e intelectual espírita portenho.
Foi presidente da Confederação Espírita Argentina de 1935/1937 e 1963/1967, da Sociedad Victor Hugo por várias gestões e diretor da revista de cultura espírita "La Idea".
Humberto Mariotti, em companhia de Porteiro, participou do V Congresso Espírita Internacional, realizado em Barcelona, Espanha, em outubro de 1934.
Foi também vice-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana (Cepa) em duas gestões.
Foi atuante divulgador do Espiritismo na imprensas espíritas brasileira, portuguesas e argentina.
Escreveu vários livros e inúmeros artigos para a revista "Educação Espírita", propondo uma nova filosofia da educação, não só para o "ser humano", mas principalmente para o "ser espiritual em evolução".
Em 10de julho de 1982, em Buenos Aires, Argentina, desencarna o escritor, poeta, jornalista, expositor e filósofo espírita.
Obras: Dialéctica y Metapsíquica; Parapsicologia y Materialismo Histórico; El Alma de los Animales a Luz de la Filosofia Espirita; En Torno al Pensamiento Filosofico de J. Herculano Pires; Victor Hugo, el Poeta del Más Allá; Los Ideais Espiritas en la Sociedad Moderna; Vida y Pensamiento de Manuel Porteiro.


Artigo especial. Evangelho – 150 anos

PUBLICADO ORIGINALMENTE NA RIE
REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO
MATÃO, SP. FEVEREIRO/2014.
Busto  retratando o  Apóstolo  São Paulo em bronze de Décio Villares (1851- 1931)
Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 11-04-2014

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Artigo especial. Evangelho e lucidez O Evangelho Segundo Espiritismo


Roosevelt Andolphato Tiago. Barra Bonita, SP
www.roosevelt.net.br

No livro Obras Póstumas, que é o resultado de vários documentos e demais textos escritos por Allan Kardec e encontrados depois de sua desencarnação em seu escritório, temos uma breve observação sobre a origem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde teve como título original na primeira edição, Imitação do Evangelho.
      Somente na sequencia da primeira impressão, por influência de seu editor, o Sr. Didier entre outras pessoas, passou ao nome que temos hoje.
      Na expressão Imitação do Evangelho, vemos o desejo do Codificador em evidenciar que o original estaria preservado e que não era de seu interesse provocar alterações nele.

Existe uma nota na obra citada, onde Allan Kardec aponta para o fato de que o novo trabalho ao qual se dedicava (O Evangelho Segundo o Espiritismo) não era de conhecimento de ninguém. A nota diz: “— Eu não havia dito a ninguém o assunto do livro no qual eu trabalhava; conservava o título tão secretamente, que o editor, Sr. Didier, só o conheceu quando da impressão”. 

      Ainda com relação ao nascimento da notável obra, temos um diálogo entre os Espíritos e Allan Kardec, onde falando da obra (até então secreta), ele questiona:
 — O que pensais da nova obra em que trabalho neste momento?

A resposta mostra que o projeto da obra, para os Espíritos, nada tinha de secreto: — Este livro de doutrina terá uma influência considerável; aí abordas questões capitais, e, não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, mas a vida prática das nações nele haurirá excelentes instruções. Fizeste bem em abordar as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos. A dúvida deve ser destruída; a Terra e suas populações civilizadas estão prontas; já há bastante tempo que os amigos de além-túmulo a arrotearam, lança, pois, a semente que te confiamos, porque já é tempo que a Terra gravite na ordem irradiante das esferas, e que saia, enfim, da penumbra e dos nevoeiros intelectuais. Termina tua obra, e conta com a proteção do teu guia, o guia de todos nós, e com o auxílio devotado de teus mais fiéis espíritos, em cujo número queira sempre incluir-me”.

Antes de seguirmos com o diálogo, o texto acima descreve a finalidade e a grandeza de O Evangelho Segundo o Espiritismo, tanto para a vida religiosa, quanto ou principalmente, para a condução da vida prática.
Quanto mais se estuda essa obra, mais lhe identifica a grandeza e a atualidade do seu conteúdo, porém, cento e cinquenta anos para medirmos o adiantamento dos mundos e das civilizações é irrisório e numericamente insignificante, o que evidencia que essa obra muito ainda tem a fazer.

      Allan Kardec, diante do que já havia experimentado com O Livro dos Espíritos e reconhecendo a dominação religiosa da época, volta a perguntar aos Espíritos:
— Que dirá o clero?

 — O clero gritará: heresia, porque verá que nele atacas decididamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele apoia sua influência e seu crédito. Ele gritará tanto mais, quanto se sentirá muito mais ferido do que pela publicação de O Livro dos Espíritos, do qual, a rigor, podia aceitar os dados principais; mas, agora, vais entrar num novo caminho em que ele não poderá seguir-te.” “(...) Por outro lado, os Espíritas verão seu número aumentar em razão dessa espécie de perseguição, sobretudo vendo os padres acusarem de obra absolutamente demoníaca uma doutrina cuja moralidade brilhará como um raio de sol, pela publicação mesma do teu livro, e daqueles que se seguirão. (...)

Na sequencia da resposta, encontramos o anúncio da proposta da obra em tirar o véu dos ensinamentos de Jesus: “Eis que se aproxima a hora em que te será necessário declarar abertamente o Espiritismo tal como ele é, e mostrar a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo; aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, deverás proclamar o Espiritismo como a única tradição realmente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana”.

Após a beleza da resposta, que coloca a obra no altar do bom senso, ele traça o perfil que fez com que Allan Kardec fosse o eleito para a tarefa: “Escolhendo-te, os Espíritos sabiam da solidez das tuas convicções, e que a tua fé, como um muro de aço, resistiria a todos os ataques”.

E o perfil do Codificador segue sendo desenhado pelo Espírito comunicante: “(...) eis que a hora das dificuldades chegou. Sim, caro Mestre, a grande batalha se prepara; o fanatismo e a intolerância, sustentados pelo êxito de tua propaganda, vão atacar-te, e aos teus, com armas envenenadas. (Kardec é chamado de mestre pelo Espírito, lembrando que a única autoridade respeitada por eles é a moral). E finalizando a resposta a conclusão destaca os cuidados de Jesus com Allan Kardec: “Prepara-te para a luta. Tenho, porém, fé em ti, como tens fé em nós, e porque tua fé é daquelas que transportam montanhas e fazem caminhar sobre as águas. Coragem, pois, e que tua obra se complete. Conta conosco, e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de uma maneira muito particular”.

Desde esse início, O Evangelho Segundo o Espiritismo, segue cumprindo seu papel de esclarecimento e libertação, mesmo que ainda possamos lhe considerar um desconhecido, pois que muitos creem que sua simples leitura seja suficiente para absorver-lhe a profundidade e plenitude.
Convenhamos que uma obra que nasce destinada a fornecer as diretrizes para a edificação da alma humana, e consequentemente promover o adiantamento do mundo, possui verdades que se revelam na medida em que crescemos em espírito, moralidade e intelectualidade.
Diferente de uma obra que pode ser lida simplesmente, O Evangelho Segundo o Espiritismo, deve caminhar ao lado do Espírita, corrigindo sua conduta e iluminando sua vida, independente dos outros livros ele esteja lendo...


Allan Kardec. Codificador do Espiritismo
Imagem Internet.
Ficheiro:Tables tournantes 1853.jpg
Fenômeno das Mesas Girantes. Aconteceram com muita freqüência em Paris, na França,  chamando atenção de curiosos e
também de  estudiosos. Allan Kardec os estudou no trabalho para codificar a  Doutrina Espírita.
Ficheiro:Le Livre des Esprits 2.jpg
O Livro dos Espíritos
Obra básica da Doutrina Espírita teve sua 1ª. edição lançadas em 18-04-1857
O Evangelho Segundo o Espiritismo. É a 3ª., pela ordem,  das 5 obras básicas do Espiritismo.
Trata dos aspectos ético e  moral com base nas máximas do Cristo. Lançado em abril de 1864.
Sob a cúpula da igreja  dos inválidos “Les Invalides”, em Paris, França, está o sarcófago com os restos mortais de
 Napoleão Bonaparte. Em Paris Allan Kardec Codificiou o Espiritismo em 18 de abril de 1857.
 Foto Ismael Gobbo
“Les Invalides”. Vista interna da cúpula. Paris, França. Foto Ismael Gobbo

Artigo especial. Abençoado Evangelho


Jussara Korngold
Nova Iorque, EUA

O evangelho consolador
150 anos completou 
Resultado de desvelado amor
Que muitas lágrimas secou.

A mensagem inspirada 
Vinda das vozes espirituais
De caminheiros de muitas jornadas 
Que da vida do além trazem fatos reais

O evangelho traz Jesus junto de nós
Não é mais um sussurro, é clara a sua voz. 
Convida-nos a renovação. 
A unirmos fé com a razão. 

Nossa gratidão aos Espíritos, Kardec e Jesus
Que a nosso mundo de sombras trouxeram a luz. 
Sigamos com o evangelho inspirando nossa ação.
Compreendendo que Jesus é nossa salvação 

Hoje, 150 anos após
Do Espírito Verdade ouvir a voz
Os ventos da boa nova continuam a soprar
E sementes de luz em nosso coração seguem a plantar. 
Jesus e Kardec


Nazaré, cidade onde Jesus  viveu infância e mocidade. Israel.
Foto Ismael Gobbo
A bela cidade de Lion, França. Em Lion nasceu  Allan Kardec. Foto Ismael Gobbo]

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 10-04-2014

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 http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/10-04-2014.htm

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Artigo especial. 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo


Adelvair David
Jales, SP

O codificador, certamente tomado por força singular e incompreensível, entregou-se docilmente aos propósitos do Cristo. Inspirado pelas mentes venerandas dos céus, fazendo uso do coração e da razão, em abril de 1864, implanta um marco significativo na história da humanidade.
Tudo correu em segredo, o próprio editor, o Sr. Didier, ficou sabendo do conteúdo quando da sua edição, então publicada com o título de “imitação do evangelho” na primeira edição e “O Evangelho segundo o Espiritismo” a partir da segunda edição. Allan Kardec oferece aos homens a belíssima mensagem de Jesus, comentada e também dissertada pelas entidades luminares que deixaram sua marca nas inequívocas explicações através dos capítulos que se  seguem. É a revivescência do cristianismo, sem alegorias, figuras de linguagem que possa dar lugar a falsas interpretações.
Allan Kardec, sem temor, despoja-se de si mesmo, da imagem pública, para ser o servo fiel e prestimoso do Senhor, deitando esperança a uma era de nova moral que deveria iniciar-se, ferindo frontalmente os interesses menores de tantos quantos fizeram, até então, da mensagem do divino Mestre um instrumento de dominação e usura.
No Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Asseveraram os espíritos ao codificador que ele havia comido o pão branco principal e que, agora sim, era chegada a hora das dificuldades, a solidez das suas convicções e a sua fé como uma muralha de bronze, deveria resistir a todos os ataques, e assim foi, o missionário do Senhor ergueu de novo a bandeira do cristianismo, sob a fúria e os dardos dos perniciosos inconformados, e bravamente resistiu.
Neste ano de 2014, comemora-se 150 anos de luz para o homem do planeta terra. Em cada frase da obra, o surdo gemido dos mártires dos primeiros tempos, as lágrimas das mães que tinham os seus filhinhos arrancados dos braços para o testemunho do evangelho do Senhor, hoje, nós os cristãos modernos, através do sacrifício moral de Allan Kardec, temos a alegria de poder beber nesta fonte que dessedenta, de tomar deste alimento que fortifica a alma, para que nunca mais sintamos qualquer privação.
Após as trevas, eis então que surge a luz imperecível, a bondosa mão do Senhor repousa sobre a humanidade para a confirmação do bendito convite do Nazareno:“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei”.
Salve Allan Kardec, bendita seja a obra que em nome do Cristo entregastes ao mundo. Salve o Evangelho Segundo o Espiritismo e Louvado seja para sempre o Cristo, nosso Senhor e Mestre que, como prometeu não nos deixou órfãos.
Busto de Allan Kardec, em seu túmulo, no Cemitério Pére Lachaise, Paris, França. Foto Ismael Gobbo
Cemitério Pére Lachaise, Paris, França. Foto Ismael Gobbo
Placa colocada na parte posterior do túmulo de Kardec no Cemitério Pére Lachaise, em Paris, França.
Foto Ismael Gobbo



Artigo especial. O que as vozes femininas nos ensinam no Evangelho segundo o Espiritismo1

Nilza Teresa Rotter Pelá
 (Ribeirão Preto, SP)
ropela.nilza@gmail.com
Vozes femininas (?), poderão perguntar alguns já que sabemos que segundo os Espíritos da Codificação, Espíritos não têm sexo. A resposta está em um artigo da Revista Espírita2: “Pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa.”.
            Em uma investigação no Pentateuco e nos volumes da Revista Espírita publicados por Kardec encontramos 808 comunicações de Espíritos sendo que 734 (90,4 %) se identificaram como masculinos pelo nome ou outros indicativos como Espírito protetor, seu pai, dentre outras e 74(9,6 %) como femininos perfazendo um total de 467 espíritos comunicantes; 361 masculinos e 66 femininos, 27 de diversas denominações, 7 guias espirituais e 6 espíritos protetores3 .
            Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” encontramos: Cáritas (2 mensagens),Elizabeth de França (1 mensagem),Delfhine de Girardin (1 mensagem), Irmã Rosália (1 mensagem),Um Espírito Amigo - Joanna de Ângelis 4,5- (2 mensagens).
CÁRITAS
Kardec apresentava admiração por esse Espírito: “é com felicidade que nos fazemos interprete da boa Cáritas...”
As mensagens encontram-se no capítulo XII- “Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a sua mão Direita”, no item “A caridade material e a caridade moral”. Mensagens de incentivo à caridade com ênfase na caridade material. Destaca a importância de indulgência e benevolência sem o que a caridade material torna-se humilhante para aquele que a recebe. Importante destacar essa frase: “Eu nada tenho... ...vou para todos os lados estimular a beneficência, insuflar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos.”
IRMÃ ROSÁLIA
Sua mensagem encontra-se inserida no mesmo capítulo e item das mensagens de Cáritas.
            Relata sua existência entre os sofredores da Terra e destaca que por ocasião de sua volta à espiritualidade sentiu alegria por reencontrar aqueles que beneficiou na última encarnação; “Eu revi um dos pobres da vossa terra que pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e a quem me cabe agora implorar por minha vez”.
 Conceitua a caridade moral como: “não anotar os erros dos outrem.” Destaca também que a caridade moral “nada custa materialmente, e, entretanto, a que é mais difícil de por em prática”.
ELIZABETH DE FRANÇA
            Sua mensagem foi inserida no capítulo XI-“Amar o próximo como a si mesmo” no item “Caridade para com os criminosos”
            Como as outras duas enfatiza a caridade a benevolência e afirma ser essa a “sublime caridade”.
            Interessante destacar que já em 1862 quando a mensagem foi psicografada em Havre ela aborda a questão da transição planetária:
            “Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.”
            Depois desse ensinamento não se pode mais perguntar por que tanta turbulência no planeta, pois fica claro que é para nos educarmos. DELFHINE DE GIRARDIN
Kardec em O Livro dos Médiuns no Capítulo XI Da Sematologia E Da Tiptologia faz uma crítica a Delphine no item 144:
“ Um aparelho mais simples, porém, do qual a má-fé pode abusar facilmente, conforme veremos no capítulo das Fraudes, é o que designaremos sob o nome de Mesa-Girardin, tendo em atenção o uso que fazia dele a Sr.ª Emílio de Girardin nas numerosas comunicações que obtinha como médium. Porque, essa senhora, se bem fosse uma mulher de espírito, tinha a fraqueza de crer em todos os Espíritos e nas suas manifestações.”
            “Mas Kardec era o BOM SENSO encarnado, assim quando esse Espírito se manifesta em Paris em 1861 ele inclui sua mensagem no capítulo V- “Bem aventurado os aflitos” com o título” A infelicidade real”.
            “a verdadeira desgraça, porém, está nas consequências de um fato, mais do que no próprio fato. Dizei-me se um acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta consequências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem. Dizei-me se a tempestade que vos arranca as arvore, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade. Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências.”
            Lembra ainda que os prazeres mundanos calam a consciência e assim o homem se torna incapaz de deduzir as consequências de seus atos.
UM ESPÍRITO AMIGO (JOANNA DE ÂNGELIS)
            Duas mensagens: “capítulo IX –Nem aventurados os brandos e pacíficos- item 7 A Paciência” e “ capítulo XVIII- Muitos os chamados e poucos os escolhidos- item 15-Dar-se-a aquele que tem”
            Na primeira coloca sobre as dificuldades da vida e dos sofrimentos que temos que experimentar na construção da nossa espiritualidade. Para isso é necessário o ato de perdoar que é uma caridade muito difícil, pois coloca a prova nossa paciência. Ser cristão é também ser paciente.
             Na segunda explica-nos a difícil passagem do Evangelho que diz que se dá aquele que tem e retira-se daquele não tem, pois em uma análise superficial parece ser uma injustiça.
            Joanna esclarece o sentido figurado da passagem uma vez que Deus é misericordioso e não tiraria de filho seu nada do que já houvera dado. O que ocorre é que aqueles que têm desenvolvimento moral atraem para si o encorajamento que lhe dá forças para continuar em sua jornada evolutiva. Os que não têm esse desenvolvimento moral são cegos e surdos aos chamamentos que lhes são feitos seria como se os primeiros preparassem os campos que lhes foram concedidos para seu plantio, enquanto os segundos deixam seus campos mofarem e nada produzem.
            As vozes femininas abordaram questões ético morais o que é compreensível pelo fato de suas mensagens estarem inseridas em O Evangelho segundo o Espiritismo, entretanto muitas das vozes femininas , no Pentateuco e na Revista Espírita, abordaram temas de cunho científico e fenomenológico .
Fontes
1- O Evangelho segundo o Espiritismo- Allan Kardec
2- Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos ANO IX JANEIRO DE 1866 No 1.
3-As muitas vozes na obra de Allan Kardec, 5o Fórum Caminhos para o Espiritismo, São Carlos 31 de agosto de 2013.
4-A Veneranda Joanna de Ângelis, Celeste dos Santos & Divaldo P. Franco, Leal editora.
5-Os Expoentes da Codificação, Federação Espírita do Paraná.
 
Retrato de Allan Kardec, em 1865. Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Allan_Kardec_portrait001.jpg
Ficheiro:Madame-elisabeth-2.jpg
Elizabeth de França. 03-05-1764 / 10-05-1794.
Óleo sobre tela por Elisabeth-Louise Vigée-Le Brun
Ficheiro:Joana Angelica martirio.jpg
Quadro do séc. XIX (anônimo), representando o martírio da Sóror Joana Angélica 
 autoria atribuída a religiosa de Itu, presentemente no Convento da Lapa, Salvador, Bahia
Amélie Gabrielle Boudet (1795- 1883), esposa e grande colaboradora de Allan Kardec (1804- 1869).
Imagem trabalhada em computador por Marisa Cajado (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas

Praça da Concórdia, a maior de Paris, com a Torre Eiffel ao fundo.
No local muitos vultos da nobreza foram guilhotinados, dentre eles Elizabeth de França.
Foto Ismael Gobbo
Jardim das Tulherias tendo ao fundo o “Dôme Les Invalides” e a Basílica de Santa Clotilde. Paris, França.
Foto Ismael Gobbo




NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 09-04-2014.

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Artigo especial. A que se propõe O Evangelho segundo o Espiritismo?


                    Pedro Camilo. (Salvador, BA)

Quase sempre abrimos um livro, qualquer que seja ele, e nos precipitamos sobre as abordagens feitas pelo autor sem, contudo, procurar entender as razões de ser daquele trabalho. Interessa-nos o conteúdo, as lições, o aprendizado possível a ser realizado naquelas páginas que se abrem para nós, como um convite vivo ao conhecimento. Esquecemos, porém, que as introduções costumam falar muito de uma obra, representando o norte sem o qual a sua compreensão não será a mais completa possível.
Temos agido assim, ao longo das décadas, com O Evangelho segundo o Espiritismo. Tratado como um livro de autoajuda, quase sempre passeamos por suas páginas à procura de um consolo, de um alívio para nossas dores, esquecidos, porém, que também ele é um livro de estudos e, como tal, a sua introdução tem muito a nos dizer.
Sim, de estudos! Ali, naquelas páginas luminosas, Allan Kardec sedimentou as bases morais do Espiritismo, partindo do modelo de moral proposto pelos espíritos na resposta à pergunta 625 deO livro dos espíritos: Jesus. Não são, portanto, meros comentários sobre lições evangélicas, mas estudo sistematizado dos ensinamentos morais trazidos por Jesus, que também podem ser extraídos de sua vida, de seus feitos, de sua obra.
Somente começando a sua análise pelo começo, ou seja, pela sua introdução, é que poderemos perceber isso. Logo de início, Allan Kardec, como bom educador que era, tratou de fixar qual o objeto que perseguia ao apresentar aquele volume ao público. Tal medida era – como foi – de fundamental importância, haja vista que o grande público poderia entender que se tratava de uma tola pretensão de substituir, com aquele, os quatro Evangelhos ditos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Até hoje, inclusive, há quem se refira jocosamente à obra, dizendo tratar-se de “o Evangelho dos espíritas”!
Talvez antevendo isso, bem como pela precisão metodológica que marcava suas ações, Kardec principia seu estudo aduzindo, nas páginas introdutórias:

Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável.

O mestre francês divide as abordagens possíveis sobre os Evangelhos em cinco eixos, afirmando que o “ensino moral” é aquele que se conservou inatacável, apesar dos milênios. De fato, as controvérsias sobre os atos da vida do Cristo, os milagres, as predições e os dogmas das Igrejas persistem até os dias de hoje. Contudo, mesmo os que não são cristãos admiram e reconhecem o valor dos ensinamentos morais do Cristo, o que revela sua grande importância teórica e prática para a vida.
Ninguém negará, por exemplo, o valor de virtudes como o amor, a beneficência, o perdão das ofensas e a necessidade de honrar pai e mãe, dentre outros. São valores cultuados em diversos credos e em diversas culturas, embora assumindo, por vezes, feições bastante peculiares.
É por essa razão que Kardec ainda afirma:

Para os homens, em particular, constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura.

Na medida em que explicitava suas lições a partir das lições do dia-a-dia, extraindo conceitos e exemplos da vida particular e da vida pública de homens e mulheres, Jesus apresentava um código de como proceder, revelando “o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça”.
Por essa razão, afirma Kardec, os ensinamentos morais do Cristo são postos como “roteiro infalível para a felicidade vindoura”, por constituir-se no “levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura”.
E, após fazer afirmações tão peremptórias e importantes, arrebata ele, dizendo: “Essa arte é a que será objeto exclusivo desta obra”.
A ideia não era, pois, substituir os quatro Evangelhos, mas estudar os ensinos morais neles conditos, Assim sendo, na medida em que se propõe a resgatar tais ensinos, conferindo-lhes uma interpretação mais abrangente, por considerar a imortalidade da alma e as vidas futuras que a aguardam, a proposta de O Evangelho segundo o Espiritismo é constituir-se, para nós, “um roteiro infalível para a felicidade vindoura”.
É com isso em mente que devemos, a cada dia, buscar as suas páginas e sobre elas refletir.
Allan Kardec  Imagem Internet
Selo comemorativo do Centenário de O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em 1964
Imagem: Internet
Estátuas dos quatro Evangelistas na Catedral de Brasília
Brasília, DF. Foto Ismael Gobbo
Teatro romano na Colina de Fourvière, em Lion, França.
Lião foi terra natal de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foto Ismael Gobbo
Átrio subterrâneo do Museu do Louvre, Paris, França.
A obra da Codificação Espírita, por Allan Kardec, se deu em Paris.
Foto Ismael Gobbo

Paris, França. Ile de la Cité, o Sena e a  Catedral Notre Dame. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 08-04-2014.

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