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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Divina Seara

Emiliana Delminda (Poetisa de Araraquara, SP), já desencarnada)

Cobria o solo espesso pedregulho
Ódio, mentira, iniquidade orgulho
Crime e devassidão
E nesse duro e aspérrimo terreno
Do meigo Nazareno
A semente espargiu
A esta que somente o solo amigo
Humildes corações lhe dera abrigo,
Em breve germinou, cresceu floriu
Deu frutos, caridade
Fé , esperança amor fraternidade
E vencendo paixão, inveja , egoísmo
Outro fruto gerou, o cristianismo.

Mas, porque a seara era verdade e luz
O semeador foi condenado à cruz.

O semeador partiu
Foi-se o Divino amor
A Bem Aventurança
A cortina mirífica lhe abriu.
Ao rebanho de ovelhas que o seguira
Na terrena jornada
Na alma desconsolada, resta uma esperança
A promessa que ouvira um dia ao bom pastor:
“Outro virá depois de mim, virá e vos consolará”.

Corria o tempo, calmo, ininterrupto
Da seara, envenenara o doce fruto,
Sacrílega ambição
É que outros tantos Judas Iscariotes
Os príncipes da igreja, os sacerdotes
Lançaram pelo mundo a confusão
Invés da seara primitiva,
Parasita nociva levantou-se do chão
E a pobre humanidade sem luz, sem liberdade,
Do abismo, resvalou na escuridão.

Depois , o ódio, a inquisição, a guerra
O humano sangue enxovalhando a Terra
Onde a fraternidade, a justiça, o amor
Velaram-se de tétrica ignorância
No turvo manto da sinistra cor.

Os anos passaram lentamente
Foram profusamente espalhadas pedras de tropeço
Na estrada luminosa do progresso
E ainda hoje, caminha  cega a humanidade
Porque nos olhos traz cerrada venda
Que tolda a luz sublime da verdade

Mas a promessa? Acaso falharia
A promessa do filho de Maria
Do Ungido do Senhor?
Não, aí está combatendo o despotismo do clero
O espiritismo com palavras de amor
Ressurge o verdadeiro cristianismo
Eis o consolador!
Os tempos são chegados
No levante, um clarão fulgurante
Anuncia o raiar de nova aurora
Cai o orvalho do céu, a chuva desce,
A Seara reverdece
E há de florir , como floriu outrora!

(Texto recebido em email de Marisa Cajado, Guarujá, SP)
Divino Pastor. Pintura por Marisa Cajado, Guarujá, SP

Artigo Especial. Kardec e o Evangelho à luz da Doutrina Espírita


Marisa Cajado (Guarujá, SP)

Entre controvérsias, pesquisas e debates, até o momento, a explicação mais aceita sobre a origem do universo na comunidade cientifica é baseada na teoria da Grande Explosão, em inglês, Big Bang, apoiada  em parte, na teoria da relatividade do físico Albert Einstein (1879-1955) e nos estudos dos astrônomos Edwin Hubble (1889-1953) e Milton Humason (1891-1972)
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDADfAqE4C8nx_HdGIJxpKD9Hm6WCjK966jQ4Y4_c_XO82oZ3kwpTStWRsqOugVUOQCjgGJ_kNDNJtwmsLOCCHZtNDfPt-9A39Em8s80axu0zPnPhtEpVYtJzjBVow65iX8fwn55WZQtga/s400/bing.bmp

Seja como for, nos é licito dizer que vivemos num planeta e sabemos que ele faz parte de um sistema galáctico.
A Terra, segundo dados atuais teria se formado há 4,5 bilhões de e já com o gérmen de tudo que nela existe.
Após um gigantesco preparo, há aproximadamente 250.000 anos o ser humano pela primeira vez apareceu sobre ela.
Daí por diante vem se desenvolvendo através de reencarnações sucessivas e aprimorando-se em todos os sentidos.
Enfocaremos no entanto, a religiosidade humana.
A religiosidade humana foi sempre através dos tempos, voltada para normas, dogmas, adoração, até a vinda de Jesus, que nos trouxe uma visão totalmente espiritual.
Entretanto, nós tivemos uma dificuldade imensa de colocá-la em prática no dia a dia. As centenas de reencarnações deixaram em nossa consciência espiritual cristalizações mentirosas quanto à verdade do espírito. Por isso nós misturamos ao evangelho de Jesus os velhos hábitos tradicionais das antigas religiões e transformamos o Cristianismo num conjunto de práticas e rituais, num conjunto de instituições de hierarquia, repetindo aquelas experiências.
Há quantas encarnações vem nosso espírito se debatendo com ilusórias visões sobre Deus e sua obra equivocadamente?
O trabalho de Kardec veio desvendar o véu que cobria as nossas mentes, para que pudéssemos enxergar o clarão da verdade.
No inicio do século XIX, renascia em Lion, na França há 03 de outubro de 1804, Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Teve uma sólida instrução, servida por uma robusta inteligência. Ele conhecia o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol, o holandês, sem falar na língua materna, e tinha grande cultura científica.
Nasceu numa família católica e foi educado por um protestante Pestalozzi, homem de uma doçura e um amor sem par.
Bacharelou-se, em Ciências e Letras. Dedicou-se a educar.  Sua vasta obra científica e literária e a dedicação à educação, legaram-lhe  um nome respeitado à época.
No entanto  sua verdadeira missão estaria na  obra doutrinária
Em 1854-1857—O Livro dos Espíritos.
Em 1861 —O Livro dos Médiuns.
Em 1864—O Evangelho segundo o Espiritismo.
Em 1865—O Céu e Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo.
Em 1868—A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.
Educador por excelência. Além das obras que publicou, traduziu várias outras, algumas de fundo moral como Telêmaco, de Fénelon, que verteu para o alemão e comentou, o que lhe valeu os aplausos sinceros e calorosos de Pestalozzi.
Possuía um total desprendimento por dinheiro e dava aulas, na sua casa à rua de Sèvres, sobre Química, Física, Anatomia, Astronomia e outras matérias.
Seu método era original, procurava usar de meios mnemônicos, de forma a não cansar o estudante e fazê-lo aprender as lições com facilidade e rapidez.
Por ser uma personalidade conhecida e respeitada, não querendo que seu nome influenciasse em sua nova proposta, adotou o pseudônimo de Allan Kardec.
 Flammarion, afirmava ser Kardec  o bom senso encarnado. Era conhecedor profundo da psique infantil, levava a escola aos moços não esperando que estes fossem procurá-la. Allan Kardec, realmente, era o senso pedagógico em sua mais bela perfeição.
Nenhuma de suas obras foge ao crivo do raciocínio. Ficaram como  herança aos livres pensadores, porque instruem e elevam o espirito às acepções da majestade divina, traduzida pela lógica do pensamento desenvolvida nos seus trabalhos.
Suas qualidades morais, retratando-o como um homem de bem constituíram seu caráter demonstrado em duas fases de sua existência. Uma anterior à constituição do Espiritismo, mais material, conquanto superior na ordem moral, outra inteiramente espiritual, iluminada pela luz da doutrina nascente.
Lapidado pelo espiritismo nunca desanimou e a coragem foi sua tônica; Mesmo arruinado financeiramente, sempre exercitou a caridade.
Foi casado com Amélie Gabrielle Boudet, a mulher que foi depois, incansável na propagadora de suas ideias.
Nunca revidou ofensas, ou as traições, os insultos e a difamação sistemática tudo, ele sabia perdoar.
Nunca fugia às discussões, ao contrário, porque queria sempre  elucidar os assuntos. Afirmava: “  Nós queremos a luz, venha donde vier—dizia ele.”
 Não impunha sua opinião,  discutia sempre lealmente qualquer questão a não ser que ela fosse  já resolvida pelos Espíritos .
Essa ausência de orgulho ofertava-lhe  a tolerância. Não pretendia impor suas opiniões a ninguém, e respeitava a dos outros, inclusive as crenças. Afirmava:
“ Se eu tiver razão os outros acabarão por pensar como eu, se eu não tiver razão, acabarei por pensar como os outros”.
Alegre algumas vezes e preocupado, possuía um talento especial, para distrair os amigos e convidados, que os tinha sempre em casa, dando algumas vezes, certo encanto às reuniões.
E foi esse espírito que trouxe para o mundo uma nova visão sobre os ensinamentos de Jesus.
O grande desafio da humanidade tem sido lidar de forma objetiva, de forma eficaz a sua religiosidade.
Kardec vem nos legar a explicação plausível para entendermos  o roteiro que o Mestre Jesus veio nos trazer, há 2014 anos. como ele afirma em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
” Reunimos nesta obra assuntos que podem constituir propriamente falando um código moral, universal, sem distinção de cultos”,
Assim nos revela sua obra:
Existe um Deus Criador do universo, que compreende todos os seres materiais e imateriais.
A lei moral está escrita em nossa consciência.
 Jesus o modelo e guia a quem devemos servir.
Todas elas, acertivas para informar  o espírito imortal que somos auxiliando-nos na caminhada evolutiva
Vem desta forma estender a nossa consciência, diluindo cristalizações registradas em nossa consciência espiritual nas sendas evolutivas de centenas de reencarnações.
Que possamos realmente abrir o nosso coração para tomar a decisão de seguir Jesus compreendendo-o como Governador da Terra, o Cristo responsável por seu desenvolvimento.
Há 4,5 bilhões de anos ele participou da formação da Terra e já era Cristo
Ao tomarmos a decisão interior de seguí-lo, estaremos estabelecendo um relacionamento direto com ele, através dos seus prepostos, os espíritos iluminados responsáveis pelo desenvolvimento da Terra .
Estamos num período de transformações apocalípticas e se não desenvolvermos nossa espiritualidade, dificilmente conseguiremos vencê-lo..
O evangelho é a lei moral que vigora no universo infinito. Fora dele será impossível evoluir.
Evoluir é desenvolver a capacidade de escolher .
Que saibamos escolher o caminho do Evangelho, iluminado pela luz da doutrina espírita.
Obrigada Kardec por tanto trabalho em auxílio da humanidade sedenta de amor.
Deixo a letra de uma canção que recebi de Meimei intitulada Jesus.

JESUS

Jesus, divina luz a clarear
A me mostrar
 A estrada que vou caminhar.
Jesus, divina luz a me envolver
A me dizer, que está comigo
Em meu viver
Jesus, divina luz
A me chamar
A me amparar
Sofrendo se vou tropeçar.
Luz, divina luz
Dedo de Deus a apontar
A essência pura
Do verbo amar

Meimei por Marisa Cajado
Jesus. Imagem em computador desenvolvida  por Marisa Cajado
Jesus no Sermão do Monte
Desenvolvido em computador por Marisa Cajado
Kardec criança. Imagem desenvolvida em computador por Marisa Cajado
  (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas de  Kardec em idade mais avançada.
Allan Kardec em idade de 15 anos. Imagem desenvolvida em computador por Marisa Cajado
  (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas de  Kardec em idade mais avançada.
Imagem de Kardec por volta de 30 anos obtida em edição de computador por Marisa Cajado (Guarujá, SP)  a partir de
 imagens conhecidas de Kardec em idade mais avançada.
Allan Kardec Codificador do Espiritismo.  
Amélie Gabrielle Boudet Esposa de Allan Kardec. Imagem trabalhada em computador por
Marisa Cajado (Guarujá, SP)  com base em imagem  já conhecida.

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 16-04-2014.

Clicar aqui:
http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/16-04-2014.htm

Artigo especial. Evangelho, roteiro para o dia a dia.


Wellington Balbo – Bauru SP

Buscamos respostas para nossos anseios e dúvidas de seres humanos nos mais variados livros de autoajuda, terapeutas, artigos em revistas, horóscopo e tantas outras coisas e, não raro, esquecemo-nos de um livro fabuloso e que nele constam as respostas para os mais variados desafios que o ser humano enfrenta na Terra.
Falo naturalmente de O Evangelho segundo o espiritismo que neste ano de 2014 completa 150 anos de sua publicação. Em suas páginas Allan Kardec teve a sensibilidade de captar a moral do Cristo e trazer mensagens dos amigos invisíveis para coloborar com nossa peregrinação terrena.
Verdadeiro remédio para as chagas da alma, informação para viver bem, pérolas que se levadas a sério transformaraão nossa existência.
Ao conhecer o Evangelho:
Quem odeia irá trabalhar para não mais odiar.
Quem preza pela ociosidade irá lutar para trabalhar.
Quem tem dificuldades de relacionamento buscará compreender.
Quem tem mágoa tentará perdoar.
Naturalmente que o Evangelho não fará milagres, até porque estes não existem no sentido espetaculoso, de burlar a ordem natural das coisas, mas o evangelho fará com que reflitamos nas razões de nossos dilemas e, claro, refletindo poderemos combater nosso comportamento viciado.
E, sejamos sinceros, a vida passa tão rápido, e o Evangelho serve para nos mostrar o quão importante é aproveitarmos os momentos aqui na Terra, vivermos aqui, compreendermos aqui, amarmos aqui. Ora, para quê esperar a chegada ao plano espiritual para amar , compreender, perdoar, ser feliz se podemos tudo isso enquanto encarnados.
Muitos dirão: Mas a vida verdadeira é a do plano espiritual. Ledo engano, vida é vida, seja encarnados ou desencarnados a vida está ai para ser vivida. Não há diferença para Deus se estamos na Terra ou no mundo dos espíritos. Fácil perceber que somos todos seus filhos e, por isso, aqui ou no além somos amados e convocados a cumprir a vontade do Pai.
E isto fazemos, sem dúvida, lendo, meditando, refletindo mas, sobretudo, praticando o que consta em O Evangelho segundo o Espiritismo.
Pensemos nisso.
 
O Evangelho Segundo o Espiritismo que completa 150 anos em 04/2014

Certidão de Nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec),
nascido em Lião, França, aos 3 de outubro de 1804.
Estátua de Luis XIV na Praça Bellecour em Lyon, França, cidade onde Allan Kardec nasceu.
Ao fundo a colina e Basílica de Fourviere. Foto Ismael Gobbo
Faculdade de Direito, chamada Universidade Panthéon-Assas Paris II (Sorbonne).
 Praça do Panteão. Paris, França. Foto Ismael Gobbo

Artigo especial. Ressoam as vozes do céu...


Lucy Dias Ramos.
Juiz de Fora, MG

Há 150 anos, Allan Kardec lançou O Evangelho Segundo o Espiritismo, completando o alicerce grandioso da Codificação Espírita, em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso.
Até a publicação desta obra, ainda pairavam dúvidas entre os que admiravam e buscavam a compreensão da nova doutrina, quanto ao seu caráter religioso.
A publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo dissipou qualquer preocupação neste sentido, para todos os que já sentiam em seu íntimo e acreditavam no alvorecer desta nova etapa de crescimento espiritual para todos os seres humanos, já delineados nas instruções dos Espíritos Superiores em respostas às questões formuladas por A. Kardec no capítulo que trata das Leis Morais, em O livro dos Espíritos.
Estes compreendiam o objetivo maior do Espiritismo – o progresso moral da Humanidade, que somente poderia ser realizado à luz do Evangelho de Jesus.
Muitos cientistas e estudiosos da nova doutrina continuaram por muito tempo, discordando de que a Doutrina Espírita fosse uma religião, todavia foi justamente Allan Kardec que inseriu em seu discurso na Sociedade de Paris e publicada na Revista Espírita, em dezembro de 1868, durante a sessão comemorativa dos mortos.
Em sua oratória ele vai discorrer amplamente sobre a diferença entre o Espiritismo e as demais religiões, deixando claro que tudo o que realizamos religiosamente nas práticas espíritas enquadra no correto conceito que se faz de uma religião, cujo objetivo é religar a criatura ao seu Criador, no entanto esclarece o Codificador que:
(...) No sentido filosófico o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases sólidas: as mesmas leis da natureza.”[1]
E justificando o tema de sua palestra sobre o caráter religioso da Doutrina Espírita, informa:
“Porque, então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem.”[2]
            Ele preferia, então, a denominar Doutrina filosófica e moral.
Mas com o tempo, as polêmicas foram desaparecendo em torno das denominações porque o objetivo foi alcançado e a Doutrina Espírita se firmou como o Consolador Prometido, restaurando o Cristianismo e apresentado ao homem uma fé raciocinada, as consolações diante do sofrimento e as explicações claras em torno da vida, da imortalidade e comunicabilidade com o mundo espiritual.
No prefácio da obra, assinado por O Espírito de Verdade, a mensagem recebida por via mediúnica, exorta-nos a nos unirmos em torno do sentido real dos ensinamentos cristãos:
“Eu vos digo, em verdade, são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas em seu sentido verdadeiro para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos. As grandes vozes do céu ressoam... (...)”[3]
Encontramos, também, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Kardec fala dos objetivos da obra, o seguinte:
“Muitos pontos do Evangelho, da Bíblia e dos autores sagrados em geral, não são inteligíveis, muitos mesmo não parecem irracionais senão pela falta de uma chave para compreender-lhes o verdadeiro sentido; essa chave está inteiramente no Espiritismo, como já se convenceram aqueles que o estudaram seriamente, e como ainda o reconhecerão melhor mais tarde.”[4]

Coerente com o planejamento espiritual estabelecido para a Codificação Espírita, Kardec não se restringe, ele próprio a analisar e comentar a parte moral do Evangelho de Jesus, descrita pelos apóstolos no Novo Testamento, solicita a colaboração de inúmeros médiuns de várias partes do mundo e insere na parte final de cada item as Instruções dos Espíritos, fechando os comentários do capítulo apresentado com as mensagens dos Espíritos que colaboravam na implantação da nova doutrina.
Kardec poderia ter escrito todos os comentários, mas como não desejava dar um caráter pessoal à obra, confirmando que era a Religião dos Espíritos, definindo sua missão de codificá-la e apresentá-la como o fez com os demais livros do Pentateuco Espírita.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, obra inigualável que orienta corretamente o comportamento humano em qualquer época de seu desenvolvimento moral, é compreensível e aceita por todos que a lêem, buscando em suas páginas o consolo, o lenitivo para as dores da alma, a edificação da paz no mundo íntimo.
Elucida e esclarece os ensinamentos do Mestre Jesus e como afirma Kardec:
 (...) Facultará de um modo permanente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica ensinada a todas as nações pelos próprios espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado em praticá-la pelos conselhos de seus guias  espirituais.
As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes dos céu que vêem esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.”[5]
A doutrina Espírita em sua feição de O Consolador Prometido, possibilitando a volta do Cristianismo em sua pureza primitiva tem um caráter muito mais alto que as simples investigações científicas ou lucubrações filosóficas que são instáveis e se modificam ao longo dos tempos...
O Espiritismo é nova luz que incide sobre os ensinamentos morais do Cristo, sem limitações e permanecerá como o roteiro seguro para o crescimento moral da Humanidade em sua linha de evolução na escala dos mundos.
Emmanuel comenta com lucidez que:
“Espiritismo sem Evangelho é apenas sistematização de idéias para a transposição da atividade mental, sem maior eficiência na construção do porvir humano.” [6]
Nesta data, que comemoramos os 150 anos do lançamento desta obra tão importante, nosso preito degratidão ao insigne Allan Kardec que deixou para a Humanidade o legado sublime que nos propicia caminhar com lucidez e segurança, sob as luzes do amor, libertando nossas consciências e nossos corações da indiferença e do preconceito.
Ficheiro:Burning of jan hus at the stake at council of constance.jpg
Preparação da execução do Reformador  Jan Hus (1369 – 1415). 
Informações dos espíritos noticiam que Hippolyte Léon Denizard Rivail  (Allan Kardec)  (1804-1869) foi a reencarnação de Hus
Kardec criança. Imagem desenvolvida em computador por Marisa Cajado
  (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas de  Kardec em idade mais avançada.
Allan Kardec, codificador do Espiritismo. Óleo sobre tela por Nair Camargo. São Paulo, Brasil.
Foto Ismael Gobbo
Ficheiro:François de Salignac de la Mothe-Fénelon.PNG
Retrato de François de Salignac de la Mothe-Fénelon (1651- 1715) , por Joseph Vivien.
O espírito Fénelon participou da obra da Codificação do Espiritismo através de mensagens que constam das obras básicas,
dentre elas O Evangelho Segundo o Espiritismo.  
O grande e belo monumento em estilo neoclássico do Panteão,  em Paris, França.  No  local estão sepultadas
 dezenas de personalidades famosas como: Fénelon, Victor Hugo, Braille, Voltaire. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 15-04-2014.

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/15-04-2014.htm

domingo, 13 de abril de 2014

Artigo especial. Evangelho – 150 anos II

PUBLICADO ORIGINALMENTE NA RIE
REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO
MATÃO, SP. MARÇO /2014.

Artigo especial. Livro eterno


Gregório Carlos Rodrigues
Araçatuba, SP

A Casa Espírita em que trabalho tem o costume de distribuir gratuitamente exemplares dos livros da codificação espírita a todos os participantes das nossas reuniões públicas.
Um amigo, não espírita, procurou a Casa em busca de defesa contra os males físicos que o afligiam, na esperança de soluciona-los ou pelo menos ameniza-los.
Convidado a participar das reuniões públicas, recebeu também um exemplar do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Sinceramente achei que ele nem iria abri-lo, mas qual não foi minha surpresa ao encontra-lo numa das filas da vida, quando me perguntou:
- Que livro é aquele que você me deu?  - Uma hora me parece um livro filosófico, noutra tenho nas mãos argumentos científicos, noutra são puxões de orelha que me fazem refletir mais detidamente sobre a vida. Confesso que não esperava nada que viesse de um livro, mas, depois de lê-lo, percebo que muito das minhas mazelas são consequências de atitudes equivocadas, tá na hora de mudar...
Muitos conhecem, por exemplo, o ensinamento do Cristo “Ame a Deus, ao próximo e a ti mesmo” que, no dizer D’ele mesmo, é o maior ensinamento.
Mas poucos o compreendem e menos ainda o aplicam. O conceito de amor é muito amplo, abstrato, e as pessoas têm dificuldades em compreende-lo. O homem nunca teve a oportunidade de ser devidamente esclarecido do significado deste conceito.

Como diz Kardec na introdução do livro:

A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como lêem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito. Passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossível, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações especiais”.

Com o Evangelho Segundo o Espiritismo entendemos os ensinamentos do Cristo em detalhes, alcançando nosso comportamento mais íntimo. Conseguimos visualizar com razoável clareza o esforço necessário para alcançar a luz a indicar a saída deste mundo escuro em que nos metemos.
Ele não se ocupa de outra coisa que não os ensinamentos morais da doutrina do Cristo e traz esclarecimentos que nos fazem entender como devemos proceder para amarmos conforme Jesus ensina.
É uma obra libertadora para todo aquele que busca entender os segredos da vida e ouve o que o Espírito de Verdade diz em seu prefácio:

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

Tenho que é a obra mais importante da codificação espírita, depois da primeira, a obra básica, O Livro dos Espíritos. As demais lhe são subsidiárias na medida em que explicam a dinâmica da vida, mas só o Evangelho nos ensina a mudar a dinâmica da vida.
150 anos de seu lançamento é motivo de muita comemoração e alegria, afinal, são poucas as obras que sobrevivem a tanto tempo.
Mas ainda é uma obra desconhecida para a imensa maioria das pessoas, o que indica que o seu grande momento ainda está por vir, pois que é destinada a ser referência na transformação da humanidade.
Cabe a nós, espíritas, estarmos preparados para o grande momento, dando o exemplo da capacidade transformadora do Evangelho.
Se no passado longuinquo os seguidores do Cristo testemunhavam seus ensinamentos com sangue, martírio e dor, haveremos de testemunhar com amor puro e verdadeiro.
Meu amigo não teve seus males curados, quando muito amenizados. Mas hoje compreende melhor a sí mesmo, ponto de partida para qualquer ação firme nos rumos da redenção da consciência... As brisas da esperança se lhe chegaram acariciando o espírito e com ela uma voz maviosa a lhe dizer: Vem, vem comigo...
File:Les Aveugles de Jéricho - Nicolas Poussin - Louvre.jpg
Jesus curando o cego de Jericó. Óleo sobre tela de Nicolas Poussin
Cartaz do ano de 1964 comemorando o 1º. Centenário de
O Evangelho Segundo o Espiritismo,  em Vitória, ES
Homenagem prestada a Allan Kardec pelos espíritas franceses.
Placa nas proximidades da Rua Sala, onde Kardec nasceu, em Lion, França. Foto Ismael Gobbo
Hõtel de Ville (Municipalidade), Paris, França. Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) foi autor de
“Ditados normais dos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbonne” (1849).  Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 14-04-2014.

Clicar aqui:
http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/14-04-2014.htm

Artigo especial. Evangelho Segundo o Espiritismo: Um Grande Tesouro em Nossas Vidas


Aparecido Augusto de Carvalho
Ilha Solteira, SP

No livro A Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier, o espírito Emmanuel nos fornece uma dimensão da grandiosidade do Mestre Jesus, nos ensinando que, segundo as tradições do mundo espiritual, há uma comunidade de espíritos puros que dirigem a vida de todas as comunidades planetárias. Jesus faz parte desta comunidade, que se reuniu nas imediações de nosso planeta, apenas duas vezes: a primeira quando a Terra se desprendeu do Sol (segundo a Ciência, há 4 bilhões e 567 milhões de anos) e a segunda quando se deliberou sobre a encarnação do mestre com o propósito de nos trazer a Boa Nova de seus ensinamentos.
Portanto, Jesus já era espírito puro há mais de 4 bilhões de anos! Que enorme a distância entre Ele e nós, em termos do conhecimento das leis divinas que regem o universo!
E o Mestre encarnou entre nós. Ensinou-nos a sermos brandos e pacíficos, a fazermos aos outros o que queremos que eles nos façam, a sermos humildes, caridosos como o bom samaritano, ensinou a Nicodemos e a toda a humanidade sobre a reencarnação. Ensinou-nos a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, que tudo nos será dado por acréscimo.
O Mestre nos legou o Cristianismo, uma doutrina de amor, de humildade, de fraternidade, de mansidão, de misericórdia. No entanto, por interesses vários de pessoas e de grupos, os ensinamentos cristãos foram sendo modificados, introduziu-se os dogmas, os cultos exteriores, o conceito das penas eternas.
 Jesus, porém, na sua antevisão de espírito puro, conhecendo profundamente a humanidade, sabia que sua mensagem seria adulterada. Por isto, prometeu o Consolador: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê- lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (JOÃO, 14:15 a 17 e 26.)   
Em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, ocasião em que a ciência e a filosofia haviam alcançado grande desenvolvimento em nosso planeta, surge o Espiritismo, o Consolador prometido, para relembrar os ensinamentos do Mestre na sua pureza e ampliá-los. Na questão 625 deste livro, Kardec pergunta aos Espíritos superiores:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”
E os Espíritos respondem:
“Jesus.”
Kardec acrescenta: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.”
Em agosto de 1863, Kardec trabalhava em uma nova obra intitulada inicialmente Imitação do Evangelho. Por sugestões reiteradas do editor, Sr. Didier, e de algumas outras pessoas, o mestre lionês, alterou o nome do livro para O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 09 de agosto, através do médium Se. D’A..., Kardec perguntou ao Espírito Superior que o assistia o que ele pensava da nova obra na qual, naquele momento, estava trabalhando. O Espírito respondeu:
Esse livro de doutrina terá considerável influência, pois que explana questões capitais, e não só o mundo religioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida prática das nações haurirá dele instruções excelentes. Fizeste bem enfrentando as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos. A dúvida tem que ser destruída; a terra e suas populações civilizadas estão prontas;...” (Obras Póstumas, Segunda parte, Imitação do Evangelho).
Kardec perguntou ainda ao Espírito Superior sobre a opinião do clero em relação ao livro em elaboração. E o Espírito respondeu:
“O clero gritará - heresia, porque verá que atacas decisivamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele baseia a sua influência e o seu crédito. Gritará tanto mais, quanto se sentirá muito mais ferido do que com a publicação de O Livro dos Espíritos, cujos dados principais, a rigor, poderia aceitar. Agora, porém, tu entraste por um novo caminho, no qual não poderá ele acompanhar-te. O anátema secreto se tornará oficial e os espíritas serão repelidos, como o foram os judeus e os pagãos, pela Igreja Romana.
Em compensação, os espíritas verão aumentar-se-lhes o número, em virtude dessa espécie de perseguição, sobretudo com o qualificarem, os padres, de demoníaca uma doutrina cuja moralidade esplenderá como um raio de Sol pela publicação mesma do teu novo livro e dos que se seguirão.
Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana.”
As respostas dos Espíritos superiores tornam evidente a importância e a relevância do livro em que Kardec estava trabalhando.
 Naqueles dias, a maneira pela qual os membros das religiões cristãs tradicionais divulgavam e praticavam os ensinamentos de Jesus levou um número enorme de pessoas ao estado de incredulidade. Algumas partes do Novo Testamento não são facilmente compreensíveis, parecendo, até mesmo, irracionais. Por isso, no prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade afirma “...são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.”
O Evangelho Segundo o Espiritismo, publicado em abril de 1864, magistralmente escrito por Kardec, sob a inspiração contínua dos Espíritos Superiores, traz a luz do esclarecimento para todas as partes do Evangelho do Mestre. Comunicações de Espíritos elevados, como o apóstolo Paulo, Erasto, Santo Agostinho, Fenelon, Emmanuel, Lacordaire e vários outros enriquecem a obra que veio para “iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos”. (Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo).
Por este motivo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, provavelmente, é o livro mais lido pelos espíritas, o mais recomendado para leitura nas casas espíritas, o mais utilizado pelos expositores espíritas como referência para suas palestras. É um grande tesouro em nossas vidas, porque nos possibilita compreender os ensinamentos de Jesus em sua plenitude.
Lembremos, para concluir, um ensinamento do Mestre:
“Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa, ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína.” (MATEUS, 7:24 a 27; S. LUCAS, 6:46 a 49).
Diante deste ensinamento, fica uma questão de magna importância em nossas vidas, para cada um de nós refletir: posso ser comparado ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha?
Livro A Caminho da  Luz, psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel 
Busto de Allan Kardec em  seu florido túmulo no Cemitério Père Lachaise, em Paris, França. Foto Ismael Gobbo

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Lançado em abril de 1864
Ficheiro:Portrait of Dominique Lacordaire.jpg
Henri Dominique Lacordaire (02-05-1802 / 21-11-1861)
O Espírito Lacordaire ditou mensagens inseridas em  O Evangelho Segundo o Espiritismo

Artigo especial. Allan Kardec


João Xavier de Almeida
Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal

O passado dia 31 de Março completou 145 anos sobre a data em que, após frutuosíssima passagem na vida terrena, regressou à pátria espiritual Allan Kardec _ pseudónimo do notável académico francês Hippolyte Léon Dénisard Rivail. Este mesmo ano, 2014, perfaz o sesquicentenário da publicação de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, terceiro dos seus cinco livros fulcrais, codificadores da doutrina espírita. A fenomenologia que ela estuda, inerente à natureza humana, é tão antiga como esta. Mas até 1857, ano da publicação de O LIVRO DOS ESPÍRITOS (o primeiro da codificação kardeciana), essa fenomenologia era incompreendida, interpretada confusa e supersticiosamente. Allan Kardec, de início muito cético, estudou-a exaustiva e metodologicamente, sistematizando-a. Aberta à verdade e ao que novos conhecimentos venham a demonstrar de diferente, a doutrina espírita não foi elaborada sob signos de credulidade nem de rigidez dogmática.
Dado o universalismo da sua matéria de estudo, e contrariamente à presunção de alguns prosélitos, o Espiritismo não se arvora dono da “verdade” e “pureza doutrinária” que devamos “intransigentemente” defender. Acessível a quantos o busquem, contenta-se como um caminho para a Verdade, ciente de não ser único nem obrigatório; ciente também de quanta luz pode facultar a todos os outros caminhos, ou deles recebê-la. Levianamente intransigentes eram os fariseus, no tempo de Jesus, que não os poupou a advertências e repreensões.
Ao codificar prudente e criteriosamente o Espiritismo, superiormente assistido, Allan Kardec apreendeu a sua conformação com a alma do evangelho de Jesus; mencionou-a em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, onde fulge um lema capital: “fora da caridade não há salvação”. Nada permite considerar que esse livro tenha sido uma cedência de Kardec à hegemonia social cristã no mundo ocidental, como sustentam alguns confrades nossos, subestimando o evangelho e demarcando dele o Espiritismo. Têm os seus argumentos. A meu ver, parecem não tomar em atenção a índole cósmica e perene do evangelho: sempre actual, ela transcende qualquer mero contexto histórico, geográfico ou sociocultural, e modernamente colhe interesse científico em neurociências, mecânica quântica, psicologia e outras áreas do conhecimento académico.
Existem mais divergências no seio do movimento espírita. Por exemplo, o roustainguismo: sustenta ser fluídico (“agénere”), e não fisicamente encarnado, o corpo em que Jesus viveu na Terra há 2 milénios. Tese defendida por Jean Baptiste Roustaing, tem tido não poucos aderentes; frisa o seu paladino que ela, doutrinariamente, não contraria o Espiritismo, o que em si não lhe dá facticidade real. Kardec refuta-a no capítulo XV de AGÉNESE, com típica serenidade, clareza e objectividade, não hostilizando ou desconsiderando o opositor (infelizmente nem sempre se vê isso hoje, quando retomada essa ou outras controvérsias).
Derivam estas considerações duma ingente necessidade: sabermos cultivar, como Kardec, a união na divergência, serenos, lúcidos e caridosos na busca da Verdade por que todos ansiamos. Unanimidade absoluta não existe na Terra, nem conviria. Mas divergência não tem que ser intolerância e dissensão; deve antes incentivar-nos ao estudo desapaixonado da verdade, em vivência efectiva dos princípios evangélicos. Estes inspiram luz para os problemas, além de fomentarem a unificação (não unicidade!) preconizada por espíritos nobres, fautora dum convívio são e proveitoso entre divergências que sempre teremos. Kardec foi-nos exemplo vivo, com um sábio lema pessoal: “trabalho, solidariedade, tolerância”.
Paris, França. Na cidade surgiu  o Espiritismo  Codificado por Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Foto Ismael Gobbo

Em 1854 Allan Kardec ouviu falar pela primeira vez das Mesas Girantes, fenômeno
mediúnico que abundava em Paris e que estudou para sistematizar a Doutrina Espírita,
surgida em 18 de abril de 1857, com o lançamento da obra básica “O Livro dos Espíritos.”
Imagem Internet.
Selo brasileiro comemorativo do Centenário de lançamento de
O Livro dos Espíritos (1857- 1957)
O Evangelho Segundo o Espiritismo, lançado em abril de 1864

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 12-04-2014.

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http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/12-04-2014.htm

sábado, 12 de abril de 2014

Artigo especial. Kardec e Herculano


Raymundo Rodrigues Espelho
Campinas, SP  

 Quando comemoramos o sesquicentenário do lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo, recordamo-nos de José Herculano Pires, o escritor que por sua grande contribuição à divulgação da doutrina espírita recebeu o cognome de:  "O melhor metro que mediu Kardec." 
Herculano escreveu e publicou mais de oitenta livros  e traduziu, dentre outras, as obras básicas da Terceira Revelação. 
O escritor argentino Humberto Mariotti,  escrevendo sobre o autor, comenta que seu grande trabalho  ressalta a plena vigência e a posição de vanguarda que seguem mantendo os postulados espíritas, pois leva sempre à frente a evolução do pensamento e as vastas conquistas da ciência. Uma contribuição cultural  inadiável,  em prol de uma melhor e mais íntegra valorização da doutrina espírita.
Sobre O Evangelho Segundo o Espiritismo, Mariotti acrescenta:  O lado mais belo do espiritismo é sua fase moral, nos disse o codificador. As máximas e ensinamentos morais do mestre Jesus são analisadas neste livro da esperança e agora cabalmente interpretadas com os indispensáveis meios que aporta a doutrina espírita para as exegeses do Evangelho e da Bíblia em geral, blindando-nos o verdadeiro conceito da moral divina, natural e científica que ilumina a marcha de ascensão espiritual dos homens.  
Imagem Internet
José Herculano Pires. Imagem: Internet

Humberto Mariotti
Humberto Mariotti nasceu em Záratec, Argentina, em 11de junho de 1905.
Foi um poeta, escritor, jornalista, conferencista e intelectual espírita portenho.
Foi presidente da Confederação Espírita Argentina de 1935/1937 e 1963/1967, da Sociedad Victor Hugo por várias gestões e diretor da revista de cultura espírita "La Idea".
Humberto Mariotti, em companhia de Porteiro, participou do V Congresso Espírita Internacional, realizado em Barcelona, Espanha, em outubro de 1934.
Foi também vice-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana (Cepa) em duas gestões.
Foi atuante divulgador do Espiritismo na imprensas espíritas brasileira, portuguesas e argentina.
Escreveu vários livros e inúmeros artigos para a revista "Educação Espírita", propondo uma nova filosofia da educação, não só para o "ser humano", mas principalmente para o "ser espiritual em evolução".
Em 10de julho de 1982, em Buenos Aires, Argentina, desencarna o escritor, poeta, jornalista, expositor e filósofo espírita.
Obras: Dialéctica y Metapsíquica; Parapsicologia y Materialismo Histórico; El Alma de los Animales a Luz de la Filosofia Espirita; En Torno al Pensamiento Filosofico de J. Herculano Pires; Victor Hugo, el Poeta del Más Allá; Los Ideais Espiritas en la Sociedad Moderna; Vida y Pensamiento de Manuel Porteiro.


Artigo especial. Evangelho – 150 anos

PUBLICADO ORIGINALMENTE NA RIE
REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO
MATÃO, SP. FEVEREIRO/2014.
Busto  retratando o  Apóstolo  São Paulo em bronze de Décio Villares (1851- 1931)
Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 11-04-2014

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