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terça-feira, 11 de setembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) X – O Papiro e a Flor-de-Lótus
Duas plantas símbolos
Os antigos egípcios, sem dúvida, não economizaram palavras e ilustrações que possibilitassem conhecer, com riqueza de detalhes, seu quotidiano sob os mais variados e interessantes aspectos.
Com efeito, quem visita os seus sítios arqueológicos, fica impressionado com a gama de escritos e pinturas que cobrem as superfícies dos seus monumentos, demonstrando toda sua técnica e apurado bom gosto.
Para facilitar ainda mais esse belo e rico trabalho informativo, o gênio egípcio encontrou uma outra forma, muito cômoda, para transmitir sua cultura à posteridade: a escrita sobre papiros, muitos dos quais, felizmente, chegaram intactos até nossos dias.
Tão importante foi para eles a descoberta daquele tipo de papel que a planta do qual provém a matéria-prima necessária ao seu fabrico tornou-se sagrada e cultuada, transformando-se em símbolo da antiga civilização do Baixo Egito.
Também consagrada foi a flor de lótus, que passou a ser símbolo do Alto Egito.
Nos momentos do Egito unificado, quando sob a tutela de governante único, o valor atribuído a essas duas plantas torna-se de evidência insofismável.
Com efeito, além do mandatário ostentar as duas coroas, é comum o papiro e o lótus aparecerem retratados lado a lado nas pinturas, desenhos e obras de arte. Esse zelo bem demonstra o valor e o respeito que os egípcios devotavam ás plantas, particularmente para essas duas que tão de perto lhes falavam.
O Papiro
É a planta da qual os egípcios retiravam as fibras necessárias à produção do papel utilizado para as suas escritas.
Ainda hoje, embora em menor escala, o papiro continua a ser cultivado em algumas áreas com o objetivo de abastecer de matéria-prima os fabricantes de papiro turístico nos chamados “museus do papiro”. (*)
Essas casas, além de confeccioná-los e vendê-los, fazem aos turistas demonstrações de sua fabricação e executam trabalhos artísticos sobre suas belas superfícies.
Trata-se de uma planta que se desenvolve com muita facilidade em áreas alagadas.
Foi por isso que se tornou símbolo da região Norte, onde se situa o Delta, a região agrícola por excelência.
Seu formato serviu de inspiração para as grandes colunas dos templos e palácios, que se apresentam nos capitéis sob duas formas: botão, ou fechado, e aberto, ou umbelas. As colunas nesses estilos são chamadas de tipo “papiriforme”.
Como que simbolizando a juventude ou estado de contentamento (e o desenho hieróglifo significa verde), o papiro era particularmente recomendado à apresentação á deusa Hathor e servia como um cetro mágico utilizado por várias divindades, inclusive a gata-deusa Bastet.
O talo do papiro colhido tinhas várias destinações: manufatura de roupas, calafetação de barcos (posteriormente substituído por um tipo de capim), construção de barcos ou canoas a remo, e, como finalidade mais nobre e tradicional, a confecção do papel que leva seu nome. A planta na fase de corte atinge de dois a quatro metros de altura.
O caule, de configuração triangular, é seccionado em pedaços de aproximadamente 45 centímetros de comprimento, a casca verde retirada e o material interior, muito branco e esponjoso, constituído por películas concêntricas, transformado em tiras de aproximadamente 5 centímetros de largura por 0,5 centímetro de espessura. Mergulhadas as tiras em água por aproximadamente uma semana, são, em seguida, marteladas para rompimento das fibras, trançadas vertical e horizontalmente e, a seguir, submetidas à prensagem por mais uma semana.
Ao final do período se obtém uma folha já seca, resistente e leve, que, com a finalidade de manterem-se inalteráveis, recebem um último tratamento à base de fricção com óleo de Cedro.
As folhas do papiro prontas, geralmente quadradas, eram emendadas e podiam ser transformadas em longas folhas, que, enroladas de forma tradicional, apresentavam o lado chamado de direito para ser escrito.
O verso do papiro, que, via de regra ficava em branco, foi, muito amiúde, utilizado pelos pobres que não tinham acesso ao papiro virgem. Isso foi detectado em algumas vilas de trabalhadores, como em Deir-el-Medina.
O uso do papiro continuou ao longo do período Greco-Romano e no Califado Islâmico, até a introdução do papel de pano, originário do Extremo Oriente, por volta do 8º. ao 9º. século d.C.
No Museu do Cairo, além dos da Europa, como os do Louvre, Britânico e de Turim, existem importantes coleções de papiro que versam sobre poesia, matemática, astronomia, história, geografia, etc.
O estudo sistemático desses textos fez surgir a papirologia, ciência especializada e de muita relevância para a paleografia e a filologia.
A Flor de Lótus
Trata-se de uma flor aquática muito utilizada na ornamentação de espelhos d’água e que encontra similares muito parecidos em lagoas de nosso país. No Egito, da mesma forma que o papiro, era abundantemente encontrada às margens do Nilo e de seus canais. Era, com certeza, muito cultivada nos lagos sagrados e nos jardins dos templos e palácios.
Além daquela utilização, Heródoto, historiador grego do século V a.C, legou-nos a informação de que a sua medula era utilizada como produto comestível.
Sua configuração foi inspiradora das colunas tipo “lotiforme”, muito freqüentes nas belas construções de Luxor e Carnac, a antiga e esplendorosa Tebas.
À época faraônica, eram encontrados dois tipos de Lótus: a “nymphaea branca”, ou Lótus branco, e a “nymphaea caerulea azul”. Tempos mais tarde surge um terceiro tipo, maior, a “nymphaea nelumbo”, que foi trazida da Índia.
O Lótus azul aparece muitas vezes retratado diante do nariz de pessoas e animais, sobretudo no Novo Império, demonstrando sua graça e beleza, além de fazer rescender sua agradável fragrância. Nas imagens das tumbas, onde o morto se apresenta aos deuses, é comum ver-se a flor do Lótus presente no altar das ofertas, ou na decoração do próprio ambiente.
Próxima artigo: A Religião dos egípcios
Flor de Lótus em espelho d’água no Museu do Cairo. Foto Ismael Gobbo
A Torre do Cairo, à margem do Rio Nilo. Executada em concreto, retratando a
Flor de Lótus. Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Plantação de papiro na região de Deir-el-Bahari, no Egito. Foto Ismael Gobbo
Descascando o Papiro para preparar as tiras. Demonstração em um museu de
papiro no Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
As tiras de Papiro sendo trançadas para serem colocadas numa prensa.
Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
O papiro na prensa. Museu do papiro, Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Folha de papel de papiro já pronta, confeccionada artesanalmente. Cairo, Egito.
Essas folhas as vezes eram emendadas para formar os extensos rolos dos “Livro dos Mortos”
Foto Ismael Gobbo
Papiro conservado no Museu Egipcio de Turim, Itália
Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Papiro_museo_egizio_di_Torino.jpg Acesso 4/9/2012.
Detalhe do Livro dos Mortos do escriba Nebqed, que viveu sob o reinado de Aménofis III (1391-1353 a.C.), durante a 18ª. Dinastia. Acompanhado pela mãe e pela esposa, Nebqed se apresenta diante de Osíris, o deus dos mortos. Museu do Louvre, Paris, França.
Imagem: http://pt.newikis.com/Ficheiro:Egypt_bookofthedead.jpg.html acessada em 4/9/2012.
Coluna “Papiriforme” em templo egipcio de Carnac. Foto Ismael Gobbo
Moderno monumento em forma de Flor-de-Lotus na represa de Assuã, Egito.
Foto Ismael Gobbo
A Caixa D’Água da cidade de Ilha Solteira, no estado de São Paulo, divulgada como em formato de taça, lembra as colunas papiriformes egípcias. Foto Ismael Gobbo
Postado por Gislaine às 06:54 0 comentários
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) IX– O fim do imperialismo egípcio
Com o Novo Império, o Egito vivenciou cinco séculos de progresso e esplendor.
Mas, ao final do governo de seu último representante, Ramsés XI, da XX dinastia, as notícias de Tebas assinalam um declínio generalizado, sobretudo pelo eclipsar da figura do faraó, pelo surgimento do desemprego em massa, pela corrupção entre os funcionários públicos, pelas greves, pela seca e fome, além de uma inusitada onde de saques, da qual nem os túmulos reais se livraram.
A anarquia e o desprestigio do supremo governante ensejaram às famílias provincianas ascenderem ao poder em bases diferentes e ainda que algumas mantivessem laços de parentesco, como realmente aconteceu, não se mostraram suficientemente desprendidas a ponto de fomentarem a unificação.
Em face disso, as dinastias se sucediam, de inicio, mostravam-se promissoras e com relativo vigor, mas ao cabo de certo tempo, feneciam inapelavelmente.
O Egito passou então a colecionar mais fracassos que vitórias e salvo alguns lapsos onde emergia a impressão de uma possível recuperação, o país nunca mais se viu a salvo do assédio estrangeiro e por vários séculos até a capitulação final sempre esteve às voltas com conquistadores e mercenários.
Terceiro período intermediário
A tendência desse período foi marcantemente direcionada à formação de cidades-estado independentes. Iniciou-se com Smendes, fundador da XXI dinastia, por volta de 1069 aC., num governo que já se evidenciava dividido. Com efeito, enquanto este administrava o Baixo Egito, sediado em Tânis, no Delta, uma grande porção do Egito compreendida entre El-Hiba (sul de Faium) até Assua, ao sul, era governada pelos altos sacerdotes de Amon, com sede em Tebas.
Psusenes I, provavelmente o mais importante da dinastia, também esteve estabelecido em Tânis, local onde foi encontrado seu túmulo por Pierre Montet, em 1940, enquanto o Alto Egito continuava sendo dirigido por generais líbios, com sede em solo tebano.
Algumas das linhagens, pelo que se sabe, toleravam-se, registrando-se até uniões matrimoniais entre as famílias dos respectivos mandatários. Assim, por exemplo, Psusenes I parece ter sido filho de um dos altos sacerdotes tebanos, e uma de suas filhas, igualmente, teria se casado com um sacerdote de Tebas.
Contudo, essas relações foram insuficientes para que o regime de governo fosse unificado, como nos séculos precedentes.
Dentre os governantes de origem líbia, destacou-se o rei Sesonquis I, que se notabilizou pela invasão da Palestina e por ter arrebatado os ricos tesouros do templo de Salomão, utilizados por algum tempo para amenizar as agruras por que passavam os egípcios.
A ascensão de Sesonquis I coincidiu com o declínio do poder dos sacerdotes de Amon, circunstância que lhe permitiria nomear o filho em Tebas e, destarte, acenar para a unificação dos dois reinos.
Todavia, a objeção dos tebanos contra a indicação de Osorcon enseja à proliferação de guerras e, com isso, perduram os governos rivais.
Sucederam-se outras dinastias e, quando na XXV, o rei etíope Pianqui parecia ter restabelecido parcialmente a unidade, sofre duas invasões sucessivas dos assírios, com Assaradão ocupando Mênfis e, posteriormente, Assurbanipal tomando e saqueando Tebas.
As circunstâncias levaram o Egito a experimentar o estigma da ruína, em meio a derrotas avassaladoras.
O Período Saíta
Coube a Psamético I, de Saís, no Delta, repelir, com a ajuda de mercenários gregos, os invasores assírios do Egito, perseguindo-os até a Palestina. Esse período, conhecido como o do renascimento saítico, iniciado na XXVI dinastia, foi alentador para o Egito.
Ainda que fugaz, permitiu um relativo brilho às hostes egípcias, os exércitos voltaram,, ainda que pela derradeira vez, a marchar em terras asiáticas e núbias; as tradições religiosas reascenderam-se e voltaram às suas origens, assim como o prestígio dos Textos das Pirâmides foi restabelecido.
Com sua morte, assume Nekao, que intervém com seus exércitos na Palestina e na Síria, os quais submete ao seu controle; inicia um canal do Nilo ao Mar Vermelho e encarrega os fenícios de procederem à circunavegação da África.
Apriés retoma a conquista asiática, mas é derrubado por seu general Amasis, que enfrenta os ataques do rei da Babilônia, o famoso Nabucodonosor.
O fim do período Saíta ocorre com a morte de Psamético III, o último soberano nacional egípcio, após derrotado pelas tropas de Cambises, rei dos persas, em Pelusa.
Os Persas
Com Cambises, que incorpora o Egito ao seu império na condição de satrapia, inicia-se o período da primeira dominação persa e a XXVII dinastia, onde os governantes procuram manter a organização social anterior e desenvolver a economia.
Em 404 a.C., o Egito liberta-se da dominação persa subindo ao poder um aristocrata do Delta, Amirteu, único faraó da XXVIII dinastia, permitindo um revigorar das suas instituições e cultura.
Porém, a segunda dominação persa acontece com Artaxerxes III, que saqueia o Egito e só se encerra em 332 a.C., quando Alexandre, o Grande, entra vitorioso no país.
O Período Ptolomaico e a dominação romana
Alexandre, o famoso rei macedônio, que já enfrentara e batera os Persas anteriormente, derrota Dario III, sendo recebido pelos egípcios como libertador e lídimo representante dos faraós.
Busca respeitar as instituições e procura restabelecer a paz, a ordem e a economia.
Funda a cidade de Alexandria, na costa mediterrânea, tornando-a um dos centros culturais mais importantes do mundo.
Morre ainda jovem, em 323 a.C., sendo sepultado em Alexandria, onde, em 1977, foi encontrado seu esplêndido sarcófago de alabastro.
Sucede-lhe um de seus generais, Ptolomeu, iniciador da dinastia dos Lágidas, lançadora das bases do processo de helenização do país.
Destacaram-se Ptolomeu Filadelfo, que expandiu o comércio, construiu cidades, criou uma biblioteca e um museu em Alexandria; Ptolomeu Evérgetes, que enalteceu as letras e a arquitetura, e Ptolomeu Epífano, que, coroado em 196 a.C., teve como homenagem a redação do decreto inscrito na célebre Pedra de Roseta (*).
Celebrizou-se nesse período Cleópatra VII, filha de Ptolomeu Auletes, última representante dos Ptolomeus, que, embora estrangeira de origem, foi muito respeitada no Egito e tida como uma verdadeira faraó.
Entretanto, foi em seu governo que o Egito se entregou de vez. Apoiou-se inicialmente em Júlio César, que a ajudou a vencer o irmão Ptolomeu XII numa guerra civil e subir ao trono com o irmão menor Ptolomeu XIII.
Quando o irmão reclamou sua parcela de autoridade, Cleópatra o mata e associa ao trono seu filho Cesarion, que nascera de seu romance com Júlio César. Morou com César em Roma até este ser assassinado em 44 a.C.
Hostilizada pelos romanos, acabou retornando ao Egito, onde acabou amante do general romano Marco Antônio, a ele se associando na luta contra os Partas. Cleópatra recebem muitos territórios como doação e isso a fez muito impopular em Roma.
Otávio, aproveitando o ensejo, declara guerra contra eles e acaba por aniquilar a esquadra egípcia na famosa batalha de Actium, em 30 a.C.
Cleópatra foge para Alexandria, onde Marco Antonio se suicidara ao receber a falsa notícia de seu suicídio.
A famosa rainha tenta seduzir Otávio que, além de não cair em seus encantos, determina a morte do filho que ela tivera com César.
Na iminência de ser feita prisioneira e assim ser levada a Roma, prefere a morte, deixando-se picar por uma áspide.
Com o desaparecimento da última representante da dinastia dos Ptolomeus, o poderoso Egito de outrora passa a ser uma mera província romana.
(*) Vide artigos II e III
Próxima artigo: O Papiro e a Flor de Lótus
Templo de Ísis, em Filé, próximo de Assuã, no Alto Egito. Foto Ismael Gobbo
Rara escultura que traz Hórus protegendo aquele que seria o faraó Ramsés II
ainda criança, com o dedo na boca. Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Máscara mortuária de Psusenes I. Descoberta em Tânis por Pierre Montet no ano de 1940
Pingente em ouro sólido e lápis-lazúli trazendo o nome de Osorkon II.
A jóia representa a sagrada tríade da família de Osíris, que tem o filho Hórus, à esquerda, e Ísis, a mãe deste, à direita.
Museu do Louvre, Paris. Imagem http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_066.jpg
Esfinge de Apriés. Museu do Louvre
Alexandre, o Grande. Cópia em mármore segundo original de Lisipo.
Museu Arqueológico de Istambul, Turquia. Foto Ismael Gobbo.
Moeda com esfinge de Cleópatra
Representação de Cleópatra e seu filho Cesarion no Templo de Dendera. Egito.
Amuleto em forma de pingente com o hieróglifo de Dario I. Museu do Louvre. Paris
Grupo tocando e dançando para turistas em rua de Luxor, Egito. Foto Ismael Gobbo
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sábado, 1 de setembro de 2012
Focalizando o Trabalhador Espírita (157) Milcíades Lezcano
Milcíades Lezcano
Nosso entrevistado Milciades Lezcano é nascido e reside na
cidade de Assunção, no Paraguai. Filho de pais espíritas, desde
muito jovem Milciades vem trabalhando no movimento espirita
do país vizinho, tanto na casa espírita que freqüenta como no
movimento de unificação. Muito próximo a Divaldo P. Franco,
o tem acompanhado em vários eventos realizados no Brasil.
Nesta entrevista Milciades nos oferece uma boa visão da traje-
tória do Espiritismo no Paraguai desde seu inicio e até nossos
dias.
Carissimo Milciades pode nos fazer sua auto apresentação?
Nacimos el 4 de octubre de 1969, en Asunción, Paraguay. Nuestros padres se llaman Santiago Lezcano y Laudelina Torres de Lezcano; ambos son espíritas. Somos 7 hermanos: Isis, Santiago, Mercedes, Nelson, Iván y Karina, también trabajadores espíritas. Estamos casados con Valentina Contrera y tenemos 4 hijos: Iris, Jazmín, Gabriel y Jaime.
Qual a sua formação acadêmica e profissional?
Cursamos hasta el 4to. curso de Administración de Empresas, pero luego los compromisos laborales y la familia ya no nos dieron la posibilidad de continuar nuestros estudios. Siempre quedó como una tarea pendiente, pero luego, cuando nos interiorizamos completamente en la Doctrina, esas ansias se calmaron.
Trabajamos actualmente en la Editorial Gráfica Arami.
Como você conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
Conocimos la Doctrina Espírita en la familia, ya que mis padres son espíritas. Desde niño admiramos el Espiritismo –aún cuando en ese entonces no había cursos de infancia y juventud en nuestro país– por la conducta de nuestros padres. Ellos nunca discutían frente a nosotros, era como si vivieran siempre en total armonía, a pesar de las dificultades que hoy comprendemos que siempre existe. Se preocupaban por nuestra educación moral, que seamos respetuosos, honestos, estudiosos. Hoy sentimos por ellos infinita gratitud, profunda admiración y respeto.
Qual a casa espirita que você freqüenta presentemente?
Actualmente nuestras actividades son en el Centro Espírita Paraguayo “Joanna de Angelis”, fundada el 7 de setiembre de 1962 y que este año conmemora su 50° aniversario. Es el primer Centro Espírita del país. Casualmente, coincide con la independencia del Brasil, Patria del Evangelio y de la Fundación del Centro Espírita Camino de la Redención.
Pode nos fazer uma descrição de sua trajetória pelo movimento espirita durante esses anos?
A partir del año 2000, sentimos como una gran necesidad o deuda con la Doctrina y nos inquietaba la idea de qué más podíamos hacer para difundir el espiritismo, fue ahí que, invitados por los hermanos Ramón Insfrán y su esposa Gloria Ávalos para participar, en el año 2001, en Brasilia, en la Reunión del CEI, pudimos contactarnos con varios hermanos de otros países y, principalmente, con Divaldo Pereira Franco. A partir de allí, varias veces visitamos Sao Paulo, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, entre otras ciudades del Brasil, para participar en diversos eventos y congresos, principalmente cuando estaba Divaldo.
En el año 2003 integramos la comisión directiva para organizar el 1er. Congreso Espírita Paraguayo y la 1ª. Semana Espírita.
2004 – 1er. Encuentro Espírita Paraguayo.
2005 – Participación en la Reunión CEI Sudamericana, en Bolivia.
2006 – Participación en la Reunión CEI General, en Asunción, Paraguay.
Coordinación para la venida de Divaldo Pereira Franco a Paraguay, después de 10 años, y a partir de allí en forma consecutiva en los años 2008-2009-2010-2011 y 2012.
2007 – Se inicia el 1er. Movimiento Voce e a Paz en Asunción, Paraguay. (2012, el 6to.).
Conferencista en el 5to. Congreso Espírita Mundial en Cartagena de Indias, Colombia.
2008 – Coordinación para la venida de los Conferencista Raul Teixeira, Alirio de Cerqueira, Jorge Berrio Bustillo y Carlos Augusto Abranches.
Conferencias Espíritas en diversas Universidades del Paraguay.
2009 – Coordinación de Encuentros de Jóvenes Espíritas.
Conferencista en el 1er. Congreso Interreligioso en Asunción, Paraguay, organizado por el Viceministerio de Culto.
2010 – Participación en el 6° Congreso Espírita Mundial en Valencia, España.
2011 – Conferencista en el 1er. Congreso Espírita Sudamericano promovido por el CEI en Punta del Este, Uruguay.
Participación en el Movimiento Voce e a Paz en Salvador, Bahia, en los años 2007, 2009, 2010 y 2011.
Tem algum livro publicado, espírita e não espírita? Do que eles tratam?
No tenemos publicado ningún libro de nuestra autoría.
Como trabajamos en la Editorial de la Gráfica Arami, hemos tenido la oportunidad, de introducir Términos y Vocablos Espíritas, Biografías de espíritas y los Principios de la Doctrina Espírita, en los libros de Cultura General.
Además, publicamos obras espíritas, como: Padre Nuestro de Chico Xavier - Meimei, El Sembrador y el Vencedor de Divaldo Franco-Amelia Rodrigues, Un Amigo Llamado Kardec de Ana Martins Luz y Ricardo da Silva, Aprendiendo a orar de Elsa Rossi, Estudio Sistematizado de la Doctrina Espírita en Español FEB, Doctrina Espírita para Principiantes Luis Hu, Breve Diccionario de la lengua española y el espiritismo, Revista Vida Feliz, entro otros.
Milciades, você pode nos fazer uma descrição da história do Espiritismo no Paraguai?
El espiritismo en Paraguay tiene sus antecedentes hacia el año 1900 aproximadamente, según las documentaciones que poseemos, con la presencia del Dr. Ovidio Rebaudi en la región del Río de la Plata. Él frecuentaba las reuniones en las sociedades espiritas Constancia, Fraternidad y la Confederación Espiritista Argentina, todas ellas en Buenos Aires. Pero, aun así él se declaraba bajo la corriente del Espiritualismo Moderno. Ya en Paraguay, frecuentaba la Sociedad de Estudios Magnetológico y posteriormente pasó a dirigir la Revista Magnetológica.
Más adelante, en el mismo escenario de Buenos Aires se fundó, en el año 1917, la Escuela Espiritista Científica Basilio que tiene como base de sus enseñanzas la comunicación espiritual. Allí también estudiaban las obras de Allan Kardec entre otras. Esta escuela fundó en Paraguay su filial en el año 1952, donde frecuentaron el Señor Itsmio Veneroso y otros amigos, quienes cuando tuvieron la oportunidad de conocer El libro de los Espíritus y El Evangelio según el Espiritismo, comprendieron que las enseñanzas recibidas en esa Escuela no concordaban con las propuestas de Allan Kardec. Decidieron entonces, retirarse para fundar el Centro Espírita Paraguayo el 7 de setiembre de 1962. A partir de allí se fundaron los otros centros espíritas, como: el Centro de Filosofía Espiritista Paraguayo (1967); Centro de Fraternidad Espírita (1976); el Hogar Espírita “Gregorio Anzoategui”, en la Ciudad de Luque; y el Centro Espírita del Este “Joanna de Angelis”(2012), en Ciudad del Este; Centro Espiritista Paraguayo, en la ciudad de Villa Elisa; y el Centro Espírita Paraguayo, en la ciudad de Costa Fleitas, Areguá.
Y a partir del año 1992, ya se empezó a sentir la influencia espiritual de Brasil, Patria del evangelio, Corazón del Mundo, cuando Joao Ravelo y su familia se radican en Paraguay, dando inicio al Estudio Sistematizado de la Doctrina Espírita (ESDE) en base al manual de la Feb, en el Centro de Filosofía Espiritista Paraguayo (CEFEP). Cabe destacar el trabajo incansable de los esposos Ramón Insfrán y Gloria Ávalos para instalar el estudio sistematizado en los diferentes centros.
Divaldo vino al Paraguay en el año 1993, y en el 1996 por tercera vez, ya que la primera vez lo hizo en el año 1968. Raúl Teixeira también viene a Paraguay en el año 1994. En el año 2004 se inició, con Carlos Campetti, el Estudio Sistematizado de la Mediumnidad y la formación de otros grupos de trabajos mediúmnicos. En el año 2006, se realizó en el país la reunión general del CEI. El departamento de asistencia y promoción social se realiza en todos los centros. Se cuenta además con una participación activa de los niños y jóvenes.
Hoy, el Espiritismo en el Paraguay podemos decir que avanza con pasos firmes, gracias al trabajo abnegado de compañeros conscientes del momento que vivimos y, sobre todo, al amor de Jesús por todos nosotros.
Quantas casas espíritas funcionam no pais?
Actualmente funcionan 7 Casas Espíritas, 4 con Personería Jurídica; Centro Espírita Paraguayo “Joanna de Angelis” (1962), Centro de Filosofía Espiritista Paraguayo (1967), Centro de Fraternidad Espírita (1976) y Centro Espírita del Este “Joanna de Angelis”(2012); 2 con gestiones de Personería Jurídica; Hogar Espírita “Gregorio Anzoategui” en la ciudad de Luque; y Centro Espiritista Paraguayo, en la ciudad de Villa Elisa; y otro en vías de formación en la ciudad de Costa Fleitas, Areguá.
Existe algum trabalho de unificação?
Existe una Comisión Directiva de la Federación Espírita Paraguaya que trabaja para organizar todas las actividades del movimiento espírita y la gestión de su Personería Jurídica. Ya aglutina a las siete casas Espíritas.
El Centro de Filosofía Espiritista Paraguayo representa actualmente a nuestro movimiento en el CEI.
Sabemos que vocês tem laços estreitos com Divaldo Pereira Franco. Qual a importância do trabalho de Divaldo para vocês do Paraguai?
Querido hermano Ismael, antes que nada podríamos decir, sin fanatismo, sin ánimo de competencia ni de crear comparaciones, de que Divaldo Pereira Franco es en la actualidad uno de los emisarios más importantes de Jesús en la Tierra.
Es imposible concebir cómo un hombre de carne y hueso -conforme lo expresó Albert Einstein refiriéndose a Gandhi- pueda mantener una institución de tal envergadura como es la Mansión del Camino; psicografiar tantos libros con cristalina fidelidad a los postulados espíritas; y realizar tantos viajes de divulgación doctrinaria con total equilibrio y armonía. Tuvimos la oportunidad de estar en algunas de sus giras, y pudimos observar la disciplina austera que se impone, y esto no le hace perder la jovialidad, ternura y bondad para con aquellas personas que lo buscan. Con todo esto queremos decir que la presencia de Divaldo no sólo es importante en el Paraguay, sino para toda la humanidad.
Divaldo es un marco divisor para el Espiritismo en Paraguay. Todas las contribuciones y esfuerzos son valiosos, pero la solvencia moral de su vida y la Obra ejemplar de la Mansión del Camino permitió que el Espiritismo salga del concepto de oscurantismo, ocultismo, brujería y tantas otras cosas. Muchos Espíritas, después de su venida, ya no tienen miedo ni vergüenza de ser Espíritas. Además de su oratoria lúcida y clara, en el contacto, en la convivencia y en los diálogos francos y amenos con Divaldo hacen que podamos decir que el Espiritismo sí es El Consolador Prometido por Jesús.
Otro detalle que vale la pena destacar es que, después de que él se marcha, en las reuniones mediúmnicas, tropas enteras de los ejércitos: paraguayo, brasileño, argentino y uruguayo, que aún están en guerra en el mundo espiritual desde los remotos años de 1870, son atraídos por fuerzas irresistibles, que no pueden explicar qué trae consigo este Embajador de la Paz. Relatan, además, que arrojan sus armas, cansados y con llantos, envueltos todos en las vibraciones de amor y paz que se viven en esas jornadas. Al decir de Suely Caldas Shubert, la presencia de Divaldo no solo alcanza a la platea de los encarnados sino también a la otra platea;la de los desencarnados.
Quais os atividades desenvolvidas pelos Centros?
Las actividades que realizamos en los Centros son: Conferencias Públicas, Trabajo de Asistencia y Promoción Social, Estudio Sistematizado de la Doctrina Espírita (Manual FEB), Estudio Sistematizado de la Mediumnidad (Manual FEB), Estudios de Infancia y Juventud (Manual FEB), Reuniones Mediúmnicas.
Pode nos adiantar as atividades programadas e em programação?
El día 7 de setiembre de 2012, el Centro Espírita Paraguayo “Joanna de Angelis” conmemora su 50 aniversario, motivo por el cual se están desarrollando diversas actividades.
Los días 6 y 7 de octubre de 2012, Divaldo Pereira Franco estará en Asunción, en el desarrollo del 6° Movimiento Tú y la Paz y la Conferencia “Transición Planetaria”.
Febrero de 2013, el 4° Encuentro Paraguayo de Jóvenes Espíritas.
Abril de 2013, la 10ª Semana Espírita.
Octubre de 2013, en Asunción-Paraguay, se desarrollará el 2° Congreso Espírita Sudamericano promovido por el CEI. Además, en el mismo evento, el 2° Congreso Espírita Paraguayo.
Como a sociedade, as autoridades e a mídia paraguaia encaram o Espiritismo?
En la actualidad, con mucho respeto y tolerancia. Desde el año 2008 participamos del Encuentro interreligioso promovido por el Vice-Ministerio de Culto, junto con las religiones tradicionales como: el judaísmo, catolicismo, protestantismo, entre otros.
A los docentes que participan en las actividades de Divaldo, el Ministerio de Educación y Cultura les otorga certificado que sirve para su categorización y, además, con salario pago. El año pasado también participó, en el Movimiento Tú y la Paz, la Primera Dama de la Nación, la hermana del -ex obispo- en ese entonces Presidente Fernando Lugo.
Existe alguma restrição ou mesmo preconceito em relação ao Espiritismo e aos Espíritas?
En general no, muchos aún por desconocimiento tienen una idea errada de lo que es el espiritismo, pero justamente esa es la tarea que a nosotros, los espíritas, nos corresponde esclarecer. Ahora bien, mucho se simplifica esta tarea, cuando nuestro ejemplo acompaña a lo que pregonamos. Algunas veces nos dicen que el espiritismo es satánico o diabólico, y les comentamos que no vemos que sea así, ya que gracias al esclarecimiento que recibimos en él no bebemos alcohol, no fumamos, no utilizamos ni comerciamos con drogas que destruyen al ser humano, respetamos a nuestras familia, trabajamos con libros educativos, pagamos nuestros impuestos, etc., entonces nos miran y no dicen nada, y a partir de allí conversamos acerca de los principios de la Doctrina Espírita y se quedan tranquilos. Ahora bien, esto se tornaría difícil cuando nosotros nos dejamos arrastrar por los vicios y las pasiones del mundo. Nuestras palabras no tienen la fuerza necesaria y deberemos rendir cuentas por ello, ante nuestra conciencia y las leyes divinas.
Como vocês divulgam a doutrina?
La divulgación del Espiritismo lo realizamos a través de Conferencias Públicas en los distintos Centros del país, también en instituciones educativas, entre otros. Además, cabe destacar que por tercer año consecutivo estuvimos en la Feria del Libro en Asunción, que se desarrolla cada año en lugares con mucha concurrencia de gente. Allí participamos con la venta de libros, revistas, cd´s, dvd´s y conferencias espíritas. Fueron obsequiados a todos los interesados en conocer la Doctrina Espírita libros como, El Evangelio según el Espiritismo, El Libro de los Espíritus y la revista Vida Feliz.
Participamos en varias oportunidades en programas de TV y radio, como invitados y en otras para divulgar algunas actividades que realizamos.
Por 6 años consecutivos estuvimos con el programa radial “Vida Feliz”, emitido por una importante radio de FM de Paraguay, por el espacio de una hora semanal.
Algo mais que queira acrescentar?
La importancia del Evangelio en el Hogar, la educación moral en la familia, porque si leemos la pregunta 582 de El Libro de los Espíritus, en donde Allan Kardec pregunta a los guías de la humanidad si la paternidad es una misión, la respuesta que ellos dan, nos muestra que la realidad es mucho más grave de lo que imaginamos. Cuando pudimos leer esto, en el 2003, de común acuerdo con mi esposa reunimos a nuestros hijos, pequeños aún en ese entonces, para estudiar todos los días a la noche, por 30 minutos, El Libro de los Espíritus y las otras obras de la Codificación.
Hoy, ellos son jóvenes saludables, no tenemos inconvenientes de fiestas, ni bebidas y ya realizan conferencias, invitados por los Centros Espíritas.
La Doctrina Espírita es de Educación -es por ello que Dios nos entregó como modelo y guía a un Maestro: Jesús; y a un Profesor para explicarnos aquello que no comprendimos bien: Allan Kardec- y esta tarea comienza en el hogar.
Milciades, as suas despedidas dos nossos leitores.
Querido hermano Ismael, gracias por esta oportunidad de participar en este bello, noble e importante trabajo que Usted realiza en favor de la Doctrina Espírita.
Para los hermanos lectores fraternales abrazos, gratitud, votos de paz y felicidad.
Foto familiar de Milciades Lezcano: con pais e irmãos: Iván, Nelson, Mercedes, Karina, Milciades, Santiago (pai), Laudelina (mãe) e Santiago; Milciades diploma do Ensino Médio, no ano de 1987; d. Laudelina, mãe de Milciades, Divaldo Franco; Santiago, pai de Milciades, a irmã Mercedes e mais atrás Valentina, esposa de Milciades.
Familia: Milciades (E), Jazmin, Divaldo, Jaime, Iris, Valentina e Gabriel
Milciades Lezcano no 3º. Movimento “Você e a Paz”, no Paraguai, em 2007.
Visitando a penitenciária nacional, em Assunção, no ano de 2011.
Itsmio Veneroso
Uma das lideranças do movimento espírita paraguaio
desencarnado em janeiro de 1994.
Milciades (E) ao lado do conferencista José Raul Teixeira; Divaldo Pereira Franco ladeado por Regina Zanella
e Milciades Lezcano em Forum na cidade de Florianópolis, no ano de 2011; No centro da foto o conferencista Divaldo Pereira Franco,
de crachá, com Milciades Lezcano ao seu lado e Divaldo com Milciades, em Assunção, Paraguai.
Divaldo na extrema esquerda tendo Milciades Lezcano a seu lado. Colombia, 9/1/2012; Milciades no Encontro
Fraterno em 2011. Salvador, Bahia, Brasil, Divaldo Pereira Franco e Milciades Lezcano junto com os
cadetes da Policía Nacional que participaram da conferência.
Libro en español de “El Vencedor” de Divaldo Pereira Franco y Amélia Rodrigues; Libro en español de “El Sembrador”,
psicografía de Divaldo Pereira Franco, dictado por el Espíritu Amélia Rodrigues;
Libro en español del “Estudio Sistematizado de la Doctrina Espírita” de la FEB.
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
Postado por Gislaine às 13:04 0 comentários
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) VIII– Segundo Período Intermediário e Novo Império
Segundo
Período Intermediário
O
Segundo Período Intermediário tem se mostrado extremamente obscuro, suscitando
inúmeras dúvidas e controvérsias entre os estudiosos. O principal motivo é a
falta de informações precisas.
Dentre
os fatos conhecidos, emergem a debilidade política dos últimos reis do Médio
Império e a invasão do Egito por povos estrangeiros, que o sacerdote Manethon
chamou de hicsos, terminologia originária de uma deformação da palavra egípcia
“Hekakhasut”, significando povos estrangeiros.
Os
invasores, identificados como de origem semítica e procedentes do Oriente,
teriam atingido o Egito com a finalidade de buscar trabalho. Depois de certo
tempo, estabeleceram-se com ânimo definitivo e, mercê de seu poderio militar,
suplantaram os anfitriões, que acabaram por dominar.
A
infiltração dos hicsos acorreu pelo norte. Apoderaram-se das férteis terras do
Delta e fortificaram a cidade de Ávaris, da qual fizeram capital.
Posteriormente, avançaram por todo o país, instituíram as suas próprias
dinastias (XV e XVI), elegeram seus faraós, cujos nomes inscreveram em
“cartouche”, edificaram templos, monumentos e palácios, cobrindo-os de
inscrições com caracteres egípcios; adoraram a Rá, de Heliópolis, e a Sete, que
equivalia ao deus Baal.
Nos
quase dois séculos em que permaneceram no Egito, os hicsos absorveram a cultura
e tradição local e, de sua parte, legaram expressivos avanços ao país, como a
introdução dos usos do cavalo, carros de combate e carroças, o aperfeiçoamento
das técnicas de trabalho com o cobre, especialmente utilizado na confecção de
armas e instrumentos e o aprimoramento dos processos de fiação e tecelagem.
Trouxeram novos instrumentos musicais, como a lira, o oboé e o pandeiro, além de
promoverem a importação de novos gêneros alimentícios.
Os
hicsos foram combatidos por Ames, ou Amósis I, um príncipe de Tebas que os
rechaçou do Alto Egito, retomou a cidade de Mênfis e os encurralou na região do
norte.
Em
posteriores investidas, o tebano os expulsou definitivamente do Egito,
perseguindo-os até a Palestina e a Síria, e reconquista a Núbia, que havia se
tornado independente durante o domínio estrangeiro.
A
capital é transferida para Tebas, que pela segunda vez na história do Egito
torna-se responsável pelo renascimento do país.
Com a
ascensão da XVIII dinastia, o Egito passa a conhecer uma nova era, o conhecido
Novo Império, que, por cinco séculos, faria o pais preponderar sobre todo o
mundo oriental e lançaria nos seus anais vultos célebres, como os faraós Tutmés,
Ramsés, Aquenáton e Tutancâmon.
O
esplendor
Amósis
e seus sucessores inauguraram um período de grandes operações militares,
voltadas não só à preservação do território, mas, sobretudo a uma política
expansionista, que não conheceu limites e lançaram as bases de um império de
domínio universal.
Amenófis I figurou como pacificador da Núbia, onde construiu um templo. Teria
subido ao trono muito novo e provavelmente teve sua mãe como regente nos
primeiros anos de reinado. É conhecido como o faraó que construiu o primeiro
templo mortuário isolado de sua tumba em Deir-el-Bahari, templo que acabou
destruído pelo que Hatshepsute construiu para si naquele local.
Tutmés
I teve um governo significativo em termos de política externa.
Inscrições encontradas nas proximidades da 3ª. e 4ª. cataratas do Nilo registram
seus feitos na expansão e controle do Egito sobre a Núbia. Também há informações
atestando sua chegada à região do Eufrates.
A
motivação principal para as investidas egípcias em direção á Núbia e à Ásia era
a de garantir rotas comerciais que ensejassem a obtenção de matérias-primas,
como óleos, madeiras, cobre, prata e mão-de-obra escrava.
Tutmés
II prosseguiu com a política externa agressiva do pai, como a documentada
vitória em Assuã, onde promoveu um massacre para conter uma rebelião
Núbia.
Hatshepsute proclamou-se regente e alijou temporariamente o sobrinho Tutmés III
na linha sucessória. Rainha por 22 anos, ao que parece usando barba e
vestindo-se com trajes masculinos, teve uma administração caracterizada tanto
pela tranqüilidade no campo militar como expressiva prodigalidade no campo
artístico. Com efeito, foi quem mandou edificar, sob a direção do arquiteto
Senemute, uma das mais esplendorosas obras da arquitetura funerária egípcia, o
seu conjunto de Deir-el-Bahari.
Tutmés
III assumiu o poder com a morte de Hatshepsute. Mandou apagar todas as
inscrições que levaram o nome da “usurpadora”. Reinando por 34 anos, ficou
conhecido pelo cognome de “Conquistador” e, segundo a tradição, foi eleito faraó
pelo próprio deus Amon. Sob sua tutela o Egito viveu a fase de maior esplendor.
Com dezessete expedições militares à Ásia, derrotou definitivamente os Mitânios.
Inscreveram-se como célebres na história as suas vitórias em Kadesh, Megido e
Karkemish. À época o império egípcio compreendia também as ilhas de Creta,
Chipre e o grupo das Cíclades. Ao término de seu reinado, Tutmés III chegou até
a quarta catarata, atingindo assim os confins desde Napata, na Núbia, até o Rio
Eufrates.
O
Egito transformado em potência militar, instituiu largas zonas de protetorado,
prevenindo-se contra novos movimentos de povos. Passa a cobrar tributos
regulares dos seus “protegidos” e, não raramente, o tesouro foi enriquecido
pelos espólios e prisioneiros de guerra.
Os
templos receberam seu quinhão, particularmente aqueles que cultuavam o deus
eleito da dinastia, o deus Amon, que legara as vitórias aos seus filhos, os
faraós. Dignos de menção foram Amenófis III, que mandou edificar o maravilhoso
templo de Luxor e os Colossos de Mémnon, e Amenófis IV, o faraó notabilizado
como rei-poeta, herético e cismático.
Assustado com o clero de Amon, que havia criado um verdadeiro estado dentro do
próprio estado, o faraó Amenófis IV substituiu a religião de Amon pela de Áton,
o disco solar, paara cuja adoração já não se faziam necessários os simulacros.
Fechou os templos e dispersou os sacerdotes, abandonando Tebas. Fundou uma nova
capital, Aquetáton (O horizonte de Áton), a atual Tell-el-Amarna, além de exigir
que o chamassem de Aquenáton, ou seja, “isto agrada a Áton”, como homenagem ao
sol, o qual chamou de Áton.
As
artes egípcias evoluíram e ganharam com Aquenáton os mais expressivos requintes
de beleza, como atestam os célebres bustos de sua esposa Nefertite, “a formosa
que aqui vem”, admirados em todo o mundo, apesar dos séculos que se
sucedem.
Porém
o cisma não sobreviveu. Com a morte de Aquenáton o clero de Tebas recuperou o
seu poder e foi reinstaurado o culto a Amon. A coroa foi passada a um jovem
príncipe, que, por influência daquele clero de Amon foi denominado Tutancâmon,
como quisera seu antecessor.
Relativamente a Tutancâmon, morto misteriosamente aos dezoito anos, além do
retorno do culto religioso a Amon, registra-se o encontro de sua tumba quase
intacta no Vale dos Reis, através do obstinado arqueólogo Howard Carter, em
1922. Esse imenso e rico tesouro, dos principais até hoje encontrados, lota um
dos setores do Museu do Cairo e é, sem dúvida, a maior atração para os turistas
que o visitam.
A XIX
dinastia prima pelo militarismo. São ressaltados Ramsés I (um militar de
profissão), posteriormente Seti I, que reassumiu a política de conquistas no
Oriente, e, por fim, Ramsés II, o mais famoso.
Ramsés
II, cognominado “o Grande” empenhou-se em guerrear com os hititas. Deteve-os em
Kadesh em uma batalha histórica, cujo êxito é incerto. Nos sessenta e sete anos
de seu reinado, Ramsés II quis demonstrar toda sua potência pelas construções,
como demonstram as de Abu Simbel, Carnaque, Luxor, e um sem número de outras
espalhadas por todo o país.
Nova
decadência
A
dinastia seguinte, a XX, foi governada pelos “Ramsés” (Ramsés III a XI), em
cujos reinados o Egito começou a sentir os efeitos de grande recessão econômica,
além da invasão dos chamados “Povos do Mar”, repelidos duramente por Ramsés III.
Em
face do assédio desses invasores, a capital do país foi transferida inicialmente
para a região do Delta, em PI-Ramsés, cidade fundada por Ramsés II, e
posteriormente para Tanis, mais a Nordeste.
Com a
XXI dinastia o declínio se acentua. Surge outro período conturbado na história
egípcia, sobretudo por problemas políticos; o poder passa às mãos de dinastias
estrangeiras e brota outra fase complicada, conhecido como Terceiro Período
Intermediário.
Próximo
artigo, na próxima semana: IX– O fim do imperialismo egípcio
Templo de Hatshepsute em
Deir-el-Bahari, Egito. Projeto concebido pelo arquiteto Senemute em dois pisos e escavado na rocha. foto Ismael
Gobbo
Grande e famosa estátua do faraó
Ramsés II no
Museu Egípcio de Turim, Itália.
Foto do museu. Arquivo Ismael Gobbo
Nefertiti, esposa de Aquenáton.
Museu Egípcio de Berlim, Alemanha.
Nefertiti e Akhenáton. Museu do
Louvre, Paris.
Trono de madeira revestido em ouro e
outros materiais preciosos
pertencente ao faraó Tutancâmon.
Exposto no
Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael
Gobbo
Sala Hipostila do templo de
Carnac
É considerada uma das coisas mais
belas que a arte egípcia legou à posteridade.
Destacam-se as belas colunas
“papiriformes” com altura de 23 metros
e que podem abrigar em seu topo
cinqüenta pessoas. A sala mede 102x53 metros.
Foto Ismael Gobbo
Templo de Luxor, na região da antiga
Tebas, no Egito. A obra foi iniciada por Amenófis II, ampliada por Tutmés
III
e concluída por Ramsés II. Era
ligada ao templo de Carnac por uma avenida adornada de esfinges com cabeça de
carneiro da qual apenas um trecho é
hoje visível. O obelisco que ficava à direita da porta de ingresso foi doado à
França e
colocado no centro da Praça da
Concórdia, em Paris, a 25 de outubro de 1836, homenageando Champollion. Fotos
Ismael Gobbo
Colossos de Memnon. É tudo o que
resta do templo funerário de Amenófis III, em Tebas,
atual Luxor. As estátuas de vinte
metros de altura guarneciam a entrada do templo que não mais existe. Foto Ismael
Gobbo
Rio Nilo e o porto em Assuã, Egito.
Foto Ismael Gobbo
Tecelões egípcios confeccionando
tapetes na região do Cairo. Foto Ismael Gobbo
Postado por Gislaine às 11:01 0 comentários
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