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terça-feira, 18 de setembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo). XI– A Religião dos Egípcios
Alguns estudiosos contestam a tese dos que afirmam terem os antigos egípcios professado o politeísmo puro.
Para suporte desse entendimento, valem-se das informações que existem fazendo referência a uma entidade superior que reinaria sobre todas as demais. Assim, inobstante a abundância dos chamados deuses que faziam parte do panteão egípcio, na realidade estes não passariam de agentes daquele ao qual se subordinavam para realizar suas atribuições especificas.
O costume de associar os acontecimentos do dia-a-dia aos objetos, animais, plantas, pessoas ou agentes da natureza foi uma marca indelével nos rituais religiosos dos egípcios.
Assim, por exemplo, Osíris, um dos mais cultuados, é associado à figura de um rei, provavelmente legendário, que governara o Egito. Diz a tradição que Osíris, rei civilizador, assassinado pelo seu invejoso irmão Set, teria recebido da fiel esposa Ísis, com o concurso de Anúbis, as técnicas da mumificação com a finalidade precípua de ser mantido vivo e continuar reinando no mundo dos mortos.
A vida pregressa do rei Osíris teria sido analisada e tida como exemplar, motivo pelo qual, a partir de então, os egípcios passaram a cultuá-lo como o mais popular dos deuses funerários, que presidiria o tribunal de julgamento de tantos quantos deixassem a Terra.
Com isso, Osíris é visto frequentemente retratado no tribunal na condição de rei, e Anúbis, com sua cabeça de cachorro, guardando os sepulcros, uma das maiores preocupações dos egípcios.
Da mesma forma que o cão foi associado à função de guardião, tarefa que esse animal desempenha com soberba eficiência, outros agentes, segundo suas potencialidades, foram obtendo correspondências que facilitassem a associação, ensejando, nos cultos, conforme pensavam, uma melhor concentração, fosse para louvar, pedir ou agradecer.
O Sol é a representação mais freqüente daquele ser supremo em quem acreditavam, aparecendo em muitas cenas espargindo seus raios diretamente sobre a Terra; noutras, está postado entre os chifres das deusas Hathor ou Ísis. Essa fase está muito documentada no Novo Império, sobretudo sob o reinado de Aquenáton ou Amenhotep IV, considerado um faraó monoteísta. O Sol, Áton, inspirou belíssimos poemas que aparecem sob a forma de hinos ou orações, sempre lhes sendo externadas as mais expressivas reverências.
Também por intermédio das informações que os egípcios legaram á posteridade é possível apreciar uma evolução nas suas concepções religiosas ao longo do tempo. Começaram com as cerimônias primitivas, de inicio marcadas por cultos restritos a objetos. Posteriormente, palmilharam pelas formas animais, humanas e híbridas; exercitaram o embalsamamento dos corpos e, como corolário, introduziram o chamado Livro dos Mortos, um belo repositório de informações ilustradas, verdadeira resenha a retratar o que os egípcios faziam no seu dia-a-dia e o que pensavam encontrar depois da morte.
A Religião
As práticas religiosas sempre foram objeto de grande preocupação por parte dos egípcios e eram constituídas de normas disciplinadoras e obrigatórias controlada pelo Estado. Nesse contexto a figura do faraó, difundido como verdadeiro deus e merecedor da reverência irrestrita dos súditos, assumiu no campo religioso uma relevância tal que, provavelmente, essa tarefa exigisse do rei atenção maior que todas as outras atribuições do cargo, inclusive as dos campos político e econômico.
Entre outras obrigações religiosas, o mandatário supremo devia fazer construir as suas moradas neste mundo e edificar os templos, para os quais devia canalizar atenção e zelo diários, através dos banquetes de ofertas, toalete, libação ou fumigação dos incensos. Na impossibilidade de estar simultaneamente em todos os templos que se espalhavam pelo país, se utilizava dos altos sacerdotes, que passaram a ser conhecidos como “servidores de deus”.
O faraó é muitas vezes retratado sozinho dialogando com os deuses, recebendo pelos seus bons préstimos as bênçãos da aprovação em forma de prosperidade, vida, força e saúde, condições indispensáveis para manter a segurança e boa ordem no mundo, sua responsabilidade principal. Nos recônditos dos templos e nas cerimônias secretas cultuam a imagem do deus que não podiam expor ao vulgo, senão nas grande cerimônias, quando, então, é puxada por um barco que desliza pela turba em regozijo.
Esse sentimento religioso de crença em um ser superior se difundiu pelo Egito. Em Mênfis era chamado de Ftá; em Heliópolis, de Rá; em Tebas, Amon; em Elefantina, Khnoum. Outra constatação é a do agrupamento desses deuses em famílias, como se verifica nas famosas tríades: em Tebas, formada por Amon, a esposa Mut e o filho Khonsu; a de Abidos, considerada a principal, com Osíris, Ísis e Hórus; a de Mênfis com Ftá, Sekhmet e Nefertum. O costume foi adotado pelos gregos e romanos, povos que assimilaram muitas tradições religiosas do Egito e que acabaram por adotar suas tríades, em Roma cultuadas nas figuras de Júpiter, Juno e Minerva.
Os dogmas dos egípcios
O Livro dos Mortos e os rituais ligados à mumificação dão provas insofismáveis de que o dogma da ressurreição era um dos pilares sustentadores do arcabouço religioso dos egípcios. Acreditavam que a alma voltaria e, para tanto, deveria encontrar em ordem o corpo e seus pertences. Tinham perfeita noção de justiça, das penas e recompensas, motivo pelo qual pregavam a necessidade de uma vida pautada pela retidão.
Nas cenas pictóricas da psicostasia, onde o coração do morto é pesado, deixam registradas a certeza de que todos haveriam de passar pelo tribunal de Osíris, que avaliaria as condutas e definiria os merecedores dos Campos Elíseos.
Os egípcios acreditavam nos oráculos, ou seja, na possibilidade do recebimento de revelações dos mortos, prática freqüente também na Grécia e em Roma. Esse exercício era tão comum que o abuso teria ensejado a Moisés proibi-lo aos hebreus que se encontravam cativos no Egito. Admitiam que a Alma, comportando várias partes, uma delas o “Ba”, tinha como sair do túmulo para freqüentar os diversos locais da vida terrena, inclusive rever o seu lar, na forma de um pássaro com cabeça humana.
Não resta dúvida de que, embora as tradições egípcias mantivessem uma extensa lista de deuses, terem se utilizado sobejamente de cerimônias que não dispensavam comidas, bebidas, incensos, amuletos e suas fórmulas mágicas, as suas manifestações mais sutis, sobejamente retratadas nos seus textos sagrados, levam especialistas a esposarem a tese de que a crença monoteísta já era uma realidade na terra dos faraós.
Próxima artigo: A Mumificação e os Funerais
Entrada de sepultura subterrânea no Vale dos Reis, região da antiga Tebas, Egito.
Foto Ismael Gobbo
O disco solar entre os chifres da deusa Ísis, ou Hathor.
Templo de Isis em Filé, Egito. Foto Ismael Gobbo
Peça egípcia no Museu do Louvre mostra um humano servindo a Rá
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1 Acessada em 11/9/2012
Tríade Osíris, Ísis e Hórus
Coleção egícpia do Museu Hermitage. St. Petersburg, Rússia.
Livro dos mortos de Ani, pesagem do coração
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:BD_Weighing_of_the_Heart.jpg acesso em 4/9/2012
Templo de Ramsés em Abu Simbel. Egito.
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Abu_Simbel,_Ramesses_Temple,_front,_Egypt,_Oct_2004.jpg
Acessada em 11/9/2012
Uma Mesa de oferendas do Antigo Egito. Museu do Cairo.
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:GD-EG-Caire-Mus%C3%A9e092.JPG Acesso em 11/9/2012
Figuras funerárias do Antigo Egito. Museu do Louvre Paris.
Acessada em 11/9/2012
A familia real com Aquenáton, Nefertiti e seus filhos.
Novo Império, 18ª. Dinastia. Staatliche Museen zu Berlin
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Akhenaten,_Nefertiti_and_their_children.jpg acesso em 13/9/2012.
O faraó Aquenáton e sua familia adorando a Áton.
O famoso faraó da 18ª. dinastia é tido como cultuador do monoteísmo
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Aten_disk.jpg acessada em 13/9/2012
A cidade de Luxor, à esquerda, vista da margem em cujas proximidades se encontra o Vale dos Reis
com as famosas necrópoles da época faraônica. Foto Ismael Gobbo
Howard Carter. Arqueólogo e egiptologista inglês que descobriu a tumba
do Faraó Tutancâmon, no Vale dos Reis, da antiga Tebas, no ano de 1922.
Cidadãos egipcios em uma rua de Luxor. Foto Ismael Gobbo
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domingo, 16 de setembro de 2012
Focalizando o Trabalhador Espírita (159) Miltes Apparecida Soares de Carvalho Bonna
Miltes Apparecida S. de Carvalho Bonna
Nossa entrevistada deste sábado é Miltes
Apparecida Soares de Carvalho Bonna,
médium, escritora, oradora e dirigente es-
pirita da cidade de São Bernardo do Campo.
Miltes conheceu o Espiritismo ainda na in-
fância, em Santa Adélia, cidade da Arara-
quarense, e está vinculada ao CEOS –
Centro Espírita Obreiros do Senhor, desde
a sua fundação em 15 de novembro de 1962.
Estimada Miltes, pode nos fazer sua auto apresentação?
Ismael, nasci na cidade de Santa Adélia (SP), no dia 03 de março de 1939. Está localizada na Estrada de Ferro Araraquarense e na Rodovia Washington Luis. É uma cidade pequena, com a denominação de “Cidade Amizade”, tal é a forma carinhosa de serem recebidas todas as pessoas. Catanduva me recebeu na Escola Barão do Rio Branco, onde me formei professora. Depois transferi residência para a cidade de São Bernardo do Campo, no ano de 1957, permanecendo até hoje. Complementei o curso de Pedagogia Plena/ Magistério/Administração/ e Supervisão Escolar/Orientação Educacional, na Faculdade de Ciências e Letras de São Bernardo do Campo. Entre outras especializações para o terceiro setor, complementei recentemente dois cursos à distância pela SENAD -Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Universidade Federal de Santa Catarina/Universidade Federal de São Paulo), sendo o último, Fé na Prevenção, para líderes religiosos e movimentos afins (UNIFESP). Nossa casa espírita tem um trabalho especializado para dependentes psicoativos, há 36 anos. Daí a necessidade de uma especialização técnica científica para conhecer como auxiliar melhor.
Sou a quinta filha do casal querido: Izaura Custodio de Carvalho e Ezequiel Soares de Carvalho. Pais adorados que nos ofertaram um lar com muito amor e respeito. Papai era só doçura. Mamãe, amiga e amorosa, mas com uma energia que nos colocava na linha desde pequena. Na nossa casa ninguém falava palavras de baixo calão. Éramos pobres, mas nunca nos faltou o que comer. Mamãe muito trabalhadeira e dedicada. Sua devoção era total à família. Papai providenciava tudo com fartura, e repartia com todos, com muita alegria. Fraternidade foi contextualizada no nosso lar, para que a solidariedade fosse hábito no dia a dia.
Somos ao todo nove irmãos: Olavo, Osvaldo, Manoel, Alzira, eu, Otavio, Nilço, Nelson e Terezinha, que desencarnou com uma semana de vida na Terra. Fomos e somos muito unidos, apesar de sentir muita falta dos que nos antecederam na GRANDE VIAGEM À VIDA ALÉM DA VIDA (Olavo, Osvaldo, Manoel e Nilço)
A casinha simples que nos serviu de morada foi doada ao CEHA - Centro Espírita Humildade e Amor, da nossa querida Santa Adélia, pela nossa querida mãezinha Izaura, ainda em vida, para transformar-se no atendimento de irmãos carentes do corpo e da alma. Nela foi implantada a IASE - Instituição de Assistência Social Ezequiel.
Neste ano, no dia 31 de março, os meus queridos: filhos Siomara, Rosemara e Dario Junior, juntamente com meus genros Luis Carlos, Rubens, a norinha Francine e os adoráveis netos Bruno Luis, Gustavo, Danilo, Stephanie, Lucas, Rubinho e Kauan, ofertaram ao meu esposo querido Dario Bonna e a mim, uma homenagem especial, marcando as nossas BODAS de OURO. Foi uma verdadeira festa de casamento que marcou novamente a nossa perene união. Para surpresa de alguns corações ainda passeamos de mãos dadas pelas ruas do nosso bairro, nos raros momentos do tempo que nos sobra.
Minha vida profissional foi desempenhada como um verdadeiro sacerdócio. Aposentei-me como professora primária como era assim chamada quem se dedicasse ao ensino até a quarta serie. Meus alunos saiam para o antigo ginasial, com uma bagagem de conhecimento, que atualmente, não observo nos que completam o ensino fundamental. A qualidade do ensino era excelente na escola pública, onde fiz carreira, sempre em busca de especialização continuada para transmitir o melhor para os queridos alunos. Os que hoje revejo, e tenho a oportunidade de abraçar, o faço com a consciência tranquila de ter cumprido bem o meu dever. Educação com Espiritualidade Ecumênica sempre foi a minha proposta educacional. Infelizmente a conotação de escola laica é tida de forma equivocada. O Estado brasileiro deve ser laico, mas a educação deve ser baseada na espiritualização do ser humano, sem uma conotação religiosa. O desenvolvimento de valores éticos, morais e espirituais com liberdade e dignidade estão inseridos nas nossas leis, principalmente no artigo terceiro do ECA- Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente.
O Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita, coordenada pelo mestre lionês Allan Kardec, é responsável pela felicidade possível aqui na Terra. Em nosso lar ele foi o alicerce da nossa família. E nós podemos agradecer a Deus, pois somos imensamente felizes, pois assim decidimos, aceitando resignadamente aquilo que não podemos mudar. Sacrifício e renúncia de meu querido esposo e da família possibilitaram a minha dedicação à casa espírita CEOS - Centro Espírita Obreiros do Senhor, cujo braço social é a Ciranda de Amor da nossa querida Meimei, a IAM - Instituição Assistencial Meimei, que poderá ser conhecida nas atividades do esforço de mãos unidas, através dos sites: www.ceos.org.br e www.iam.org.br
Meimei nos deu uma frase que é norma de conduta para todos os trabalhadores da nossa casa: ”MÃOS UNIDAS, SOLUÇÕES ENCONTRADAS.”.
Ela nos magnetiza sempre com suas mensagens semanais de gratidão a Deus e de convocação para o trabalho, conscientizando-nos de que ninguém realiza algo sem o apoio de alguém.
Tenho grande emoção de constatar no JUBILEU DE OURO DO CEOS, O QUANTO AS MÃOS ANÔNIMAS SÃO ABENÇOADAS POR NÓS, pois temos absoluta certeza que nada fizemos sozinhos. Com que carinho, envolvemos cada trabalhador, que mesmo vencendo suas angústias continuam a postos na semeadura da esperança aos corações sofridos.
Daí a nossa súplica a todos os agrupamentos espíritas que socorrem a dor sem perguntar a origem. Coloquem em primeiro lugar o atendimento aos companheiros de tarefa que, sofridos, continuam a postos, ou se afastaram por problemas de enfermidade, ou outros. A contextualização do amor começa com o próximo mais próximo, começando pela família consanguínea. A Espiritualidade Maior necessita de trabalhadores cujo amor é fortalecido pelo amor que se dá e pelo amor que recebe, para se fortalecerem também.
Como tive a felicidade de participar desde pequena das aulas de moral cristã, naquela época denominada de catecismo espírita, posso dizer que nasci espírita. Acompanhava mamãe às reuniões, e nos socorros que ela fazia, quando o médico da cidade mandava chamá-la. Quando os medicamentos fortíssimos não conseguiam afastar os desequilíbrios das pessoas, ele assim aconselhava à família... Eu orava a Deus suplicando ajuda para mamãe e a acompanhava na Prece de Cáritas que orava com muita devoção.
Passei por quatro convulsões: aos dez anos, aos catorze, aos dezoitos e aos vinte e três anos, diagnosticadas como epilepsia.
Numa orientação no Colegiado de Médiuns da FEESP - Federação Espírita do Estado de São Paulo, Dr. Bezerra de Menezes informou-me que a escolha era minha. Poderia continuar tomando os remédios fortíssimos a vida toda, seguindo a orientação dos médicos que me tratavam. Mas tinha a opção do contextualizar os ensinamentos de Jesus à luz da doutrina espírita, no exercício consciente da mediunidade, no socorro dos aflitos.
Como já amava esses ensinos com dedicação quase diária, não foi difícil descobrir que fé sem obras é morta. Consegui me libertar dos medicamentos, fazendo também opção pela alimentação vegetariana, sem sacrifício algum, o que me garantiu até hoje uma ótima saúde e excelente disposição para o trabalho aos setenta e três anos de idade, sob a proteção generosa de Jesus e dos mentores amigos, que jamais interferem nas decisões que a mim cabem.
Como você conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
Sou espírita desde pequena. Participei das aulas de moral cristã, no Centro Espírita Humildade e Amor, na cidade de Santa Adélia.
A qual casa espírita está vinculada presentemente?
Continuo vinculada ao CEOS - Centro Espírita Obreiros do Senhor, desde a sua fundação em 15 de novembro de 1962.
Poderia nos fazer uma descrição de sua trajetória pelo movimento espírita durante esses anos?
- Ao chegar na cidade de São Bernardo do Campo, integrei a Mocidade Espírita, no Centro Espírita Emmanuel, com o direcionamento seguro do Sr. Manoel Romeiro, fundador daquele agrupamento.
Tive o apoio do presidente do Centro Espírita Irmã Renata (Brás/São Paulo), Sr José Damore, que muito me orientou, estimulando-me ao estudo e direcionando-me às entrevistas com o Comandante Edgar Armond, para os testes mediúnicos na FEESP/SP.
O Sr José Damore, orientador amigo hoje na espiritualidade, esteve presente ao meu enlace matrimonial fazendo com muito enlevo uma prece para que Jesus abençoasse a nossa união. Naquele dia, informara que no momento da prece uma luz desceu do Alto nos abençoando. Para a nossa surpresa, essa luz saiu na foto tirada no momento da oração em família (foto anexada).
- No mesmo ano, fiz parte da equipe fundadora do CEOS- Centro Espírita Obreiros do Senhor. Desde então, dedico-me ininterruptamente participando da diretoria, das tarefas espirituais e assistenciais.
- Em 25 de agosto de 1979, fundamos a IAM- Instituição Assistencial MEIMEI, o braço social do CEOS, criado para dar continuidade ao socorro e ao amparo às famílias, crianças e adolescentes, realizados desde 1967. Sua proposta educacional está alicerçada no Evangelho de Jesus à luz da doutrina espírita. Seus princípios e valores são baseados no respeito ao próximo, sem violentar consciências, visando sempre a construção de um mundo melhor começando no coração da pessoa. Tem, no mestre lionês Allan Kardec, a definição de educação como um conjunto de hábitos adquiridos; a que consiste na arte de formar caracteres, capaz de construir o homem de bem.
- Diante da problemática dolorosa da dependência, a partir de 2008 mãos se posicionaram na implantação de uma força tarefa, onde nos reunimos: Associação Médico Espírita do ABC (AME/ABC); Centro de Tratamento Bezerra de Menezes; Conselho Espírita de São Bernardo do Campo e CEOS/IAM – Centro Espírita Obreiros do Senhor e Instituição Assistencial Meimei. Com capacitação continuada das equipes de profissionais realizamos na IAM a culminância de nossas ações pela paz, por meio de encontros periódicos. Tem a denominação de PROGRAMA UM CONVITE À VIDA. SEM ARMAS. SEM VIOLÊNCIA. SEM ABORTO. SEM ALCOÓLICOS. SEM TABACO. SEM DROGAS.
Neste programa, estão inseridos projetos pontuais, com temáticas abrangentes, em várias etapas, onde se trabalha carinhosamente a família e a prevenção, por meio de oficinas psicopedagógicas. Na IAM estaremos realizando o X ENCONTRO UM CONVITE À VIDA / FÉ NA PREVENÇÃO ( DIA 29 DE SETEMBRO / das 8h às 13h) Vários encontros externos em Escolas da região também foram realizados, com mais duas programações agendadas.
- Participamos diariamente das atividades no CEOS/IAM
- Em tarefas espirituais. Como dirigente às segundas, quartas e sextas-feiras, à noite. Como diretora do Departamento de Desobsessão, acompanhamos com o apoio de Dr. Bezerra de Menezes e Yvonne os casos graves diretamente. Entre eles encaminhamos as fotos de um atendido, autorizado pela mãe, para análise, estudo e divulgação doutrinária.
- Existe uma programação de palestras ao público nas quais participo também. O CEOS possui 17 reuniões semanais para o público, além do Departamento de Escolas e Cursos; do Departamento de Infância e Juventude e do Departamento de Escola de Pais.
- Na manhã de terça–feira dedico-me à psicografia, na reunião denominada Diálogo Fraterno, aos que perderam a presença material dos entes queridos. É um trabalho de equipe.
- Como integrante da diretoria da IAM, tenho os plantões na entidade às segundas, quartas e quintas-feiras, no período da manhã, e quando necessitarem de mim.
- Como palestrante empreendi algumas viagens, Congresso na Argentina (Buenos Ayres e Mar Del Plata); dentro e fora do Estado de São Paulo, em Congressos, Seminários, Semanas Espíritas etc.
Quantos livros você escreveu, espíritas e não espíritas e do que eles tratam?
A Espiritualidade amiga tem sido condescendente para comigo, espírito imperfeito, mas de boa vontade. Suplico sempre a Jesus que me direcione, mostrando caminhos através de corações que me alertam diante das fragilidades de espírito em aprendizado, mas desejoso de aprender e servir.
Meimei, patronesse espiritual da nossa IAM- Instituição Assistencial Meimei, nos brindou com os livros:
1-A vida futura - A historia de Sheillinha e Joaquim (infantil) - já esgotado.
2-Evangelho no Lar, Para Crianças de Oito a Oitenta anos - volume I - Petit Editora
3-Evangelho no Lar Para Crianças de Oito a Oitenta Anos - Volume II (gravado, a ser editado como áudio book)
4-Lindas Mensagens de Meimei – Petit Editora.
Nosso orientador espiritual Rossi nos oferta mensagens semanais que esperamos colocá-las em livro, tal o teor evangélico que tem servido de base para as nossas tarefas.
De uma média de setecentas mensagens, já foram selecionadas as que comporão o futuro livro:-
5- De Rossi para você.
Da nossa querida Yvonne do Amaral Pereira: a serem lançados
6-Relato de Yvonne - Romance em revisão - Petit Editora
7-Yvonne Continua - Mensagens e Vivências na Desobsessão.
8-Nos rastros de um tropeiro / O amor é o caminho da redenção - Romance.
Pela Instituição Assistencial Meimei também foi editado em duas edições, já há algum tempo, visando à prevenção às drogas:
-Peripécias de Quatro Jovens - espíritos Walter Sílvio, Nivaldo, Bráulio e José.
Este livro traz na segunda edição um planejamento de trabalho como sugestão às casas espíritas que desejam implantar o atendimento especializado aos nossos irmãos dependentes de drogas psicoativos. Nele, duas mensagens de Dr. Bezerra de Menezes orientam a atividade realizada pelo CEOS, já há trinta e seis anos, baseada na doutrina espírita.
Os livros são mediúnicos?
Sim, todos são mediúnicos.
Pode nos falar um pouco de sua trajetória mediúnica, das faculdades de que é dotada e como elas se manifestam?
Na condição de médium posso afirmar que estou engatinhando. Tenho absoluta certeza de que escrevo direcionada pelos abnegados mensageiros, pois a rapidez é grande. Confesso que para eu conseguir escrever por mim mesma demoro muito mais tempo.
Posso dizer que a mediunidade desabrochou sem lágrimas, com muita alegria no meu coração.
Trabalho na desobsessão desde a fundação do CEOS.
Sou também médium de incorporação, psicofonia e passista.
Exercito a clarividência e às vezes vidência espontânea.
Miltes poderia nos falar um pouco da história do Espiritismo do seu tempo de Santa Adélia e Catanduva, os seus vultos e o que mais a marcou?
Época muito difícil. No ginásio éramos convidadas, eu e minha irmã Alzira, a deixar a sala na aula de religião. Os colegas saiam todos também, pois não se conformavam com a forma que se tratava o assunto religioso.
No centro Espírita Humildade e Amor a frequência era pequena. Havia uma médium inconsciente Dona Ana que ficava envolvida por um espírito que era sacerdote, que só aceitava se afastar após rezar a missa em Latim. Naquela época (nos meus doze, treze anos) estudávamos muito o Latim e ficávamos embevecidos. Como uma humilde senhora analfabeta poderia falar uma língua desconhecida tão bem?
Ao estudar na Escola Barão do Rio Branco, em Catanduva, participava, aos domingos, de algumas aulas da Tia Aparecida, no centro Espírita Bezerra de Menezes, juntamente com Anadyr Custodio, meu primo.
Passei pela Experiência de QUASE MORTE no ano de 1998, durante uma intervenção cirúrgica de cateterismo, muito enriquecedora, pois me trouxe a certeza, a plena convicção da continuidade da vida além da vida, em nova dimensão.
Como vai o Espiritismo em São Bernardo do Campo?
Vai indo muito bem. Segundo uma pesquisa feita pela Área de Comunicação da Universidade Metodista é uma das cidades em que mais se estuda Espiritismo. O Conselho Espírita é muito atuante e já temos mais de sessenta Centros Espíritas, onde o carinho de Celina Bueno lidera uma equipe muito consciente e dedicada, de trabalhadores.
Há respeito e valorização das entidades espíritas que realizam o atendimento social. O trabalho da nossa IAM tem sido reconhecido publicamente, através de títulos, troféus, medalhas, os quais endereçamos à Doutrina Espírita, à luz do Evangelho de Jesus.
E o movimento espírita em geral?
O Espírito Yvonne tem uma preocupação a respeito. O caminhar é muito lento, diante de tanto sofrimento ocasionado pela descrença da imortalidade. Nossa casa espírita está sempre lotada de necessitados. O amor cura a alma enferma, que reflete a saúde no corpo físico. Estudo e prática. Pensar no bem. Viver em função do bem, para que o bem permaneça em nossa vida. A contextualização da fé nas obras é ponto primordial para o trabalhador. Jesus aguarda trabalhadores diligentes com quem Ele possa contar sempre. Não apenas uma vez por semana. A dor não tem feriado, nem férias. As equipes podem revezar-se numa semana de descanso com a família, mas o pronto socorro espiritual ter férias e emenda de feriados é algo que requer reflexão profunda.
Tem trabalhado muito na tribuna?
Sim, com muita alegria tenho me esforçado, estudado, pesquisando sempre para atualizar-me. É inesgotável o conhecimento espírita. Os que comentam que a doutrina espírita está superada não conhecem o Espiritismo. Somente colocando em prática os ensinamentos é que conseguimos perceber a grande mudança que se processa em nós e no nosso lar. A nossa maior responsabilidade é a nossa mudança individual e não a dos outros. Ela realiza verdadeira revolução interior e os valores éticos, morais e espirituais trazem equilíbrio e felicidade possível ainda na Terra. A calma que se conquista é um retrato dela. Aceitar resignadamente tudo aquilo que não se pode mudar. Procurar compreender os que caminham ao nosso lado sem tentar transformá-los, valorizando sua presença e treinando a capacidade de esperar o resultado do nosso exemplo é excelente treinamento de evangelização em serviço prático.
Sem contar ainda o imenso carinho da Espiritualidade que compadecendo da nossa pequenez se fazem adoráveis orientadores, pacientes e generosos, sempre pronto a nos socorrer para que socorramos os necessitados.
Quais os temas mais requisitados?
Evangelho / Família e Doutrina Espírita.
O socorro divino às nossas necessidades.
A auto-obsessão / Como se livrar dos obsessores, nossos grandes reveladores.
Como fazer o agendamento?
Devido a saúde de meu esposo tenho restringido para palestras na nossa região. Uma vez por ano, nas minhas queridas cidades Santa Adélia e Catanduva.
As suas despedidas dos nossos leitores
Almas queridas, que Jesus nos abençoe para podermos abençoar em Seu nome. Que Ele pacifique o nosso coração para pacificarmos também. E que possamos ser a grande mudança que sonhamos para o mundo.
Vibrações de carinho, com o abraço fraterno da menor de todos os aprendizes de mediunidade
Miltes
“AMA SEMPRE. E, QUANDO ESTIVERES A PONTO DE DESCRER DO PODER DO AMOR, LEMBRA-TE DO CRISTO”. (CHICO XAVIER)
Casamento de Miltes com Dario Bonna (na foto o facho de luz); com José Damore, do Centro Espírita Irmã Renata (Brás/São Paulo) - orientador de Miltes no início de sua trajetória no movimento espírita em São Bernardo do Campo; Uberaba – 29/8/86 – Miltes na casa de Chico Xavier; Nos primórdios da Creche Meimei, em 1977.
Almoço com Divaldo, ladeado pela mãe de Miltes, Dona Izaura, e pela sua irmã Alzira; em 23/4/1989, na Instituição Assistencial Meimei, com Dra. Marlene Rossi Severino Nobre; Araçatuba - 13/8/88 - Miltes e Antonio Cesar Perri de Carvalho – Entrevista na Radio de Araçatuba por Libero Bezerra de Lima (já desencarnado); em 2009, Miltes e o esposo Dario Bonna, ladeando a vice-presidente Adília do Carmo Nesi Latuff no Chá de Outono, um dos eventos mais tradicionais da Instituição Assistencial Meimei.
Em atividade, na sala da Diretoria da IAM – 2006. Em 03/12/2010 – com as crianças da Creche Meimei no aniversário do Projeto Vovó Hilária (recuperação de brinquedos). Em 16/8/2008 foi visitada na Bienal do Livro em São Paulo, no estande da Petit Editora, pela Prefeitura Mirim da Instituição Assistencial Meimei, no relançamento do livro Evangelho no Lar para Crianças de 8 a 80 - Volume I. E com as crianças da Creche Meimei, em 2006.
Em 2008, em Santa Adélia, sua terra natal, Miltes pousa em frente à Instituição de Assistência Social Ezequiel
(IASE), fundada em terreno doado ao Centro Espírita Humildade e Amor, pela sua mãe Izaura. Na frente do
terreno foi preservada a casa em que ela viveu na infância. Em 2012, na IASE, Miltes foi homenageada com o
quadro de sua antiga residência.
Catanduva - 28/5/2009 - com a Tia Aparecida (já desencarnada), professora de moral cristã do Centro Espírita Bezerra de Menezes; Em 01/10/2011 – no lançamento do livro Lindas Mensagens de Meimei, em Jacareí. Miltes, ladeada à esquerda pelo Secretário de Educação de Jacarei, João Roberto Costa de Souza e, à direita, pelo Sr. Carlos Monteoliva, proprietário da Livraria Espírita Emmanuel; Em 2012 Miltes e Afonso Moreira Jr., do programa Consciência Espírita, sendo entrevistados na Rádio Boa Nova por Adriano Marques; Miltes com Celina Galvão, presidente do Conselho Espírita de São Bernardo do Campo e Pedro Camilo, do Núcleo Espírita Teles de Menezes – Salvador – Bahia
Com os amigos, no encerramento da Semana Espírita de 2012 em Santa Adélia, após palestra proferida no Centro Espírita Humildade e Amor; a partir da direita, Orson Peter Carrara e esposa, Miltes, Ismael Batista da Silva e outros amigos, na cidade de Matão, após palestra proferida no Centro Espírita Allan Kardec, em 01/6/2008, com o tema: Confia sempre! A Vida continua (relato de experiência da Reunião Diálogo Fraterno – Perda da presença material de entes queridos)
OBS: AS FOTOS DESTA ENTREVISTA SÓ PODERÃO SER UTILIZADAS EM OUTRAS PUBLICAÇÕES MEDIANTE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO ENTREVISTADO.
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sábado, 15 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Gislaine fez um passo-a-passo de Artesanato no Artnet
Nossa irmã espírita Gislaine Pascoal Yokomizo, residente em Jacareí, SP, é uma das colaboradoras na edição e envio deste email Noticias do Movimento Espírita. Além disso trabalha com artesanato, cuja renda liquida ela doa para entidade espírita da cidade onde mora. Por indicação de internautas ela foi convidada para participar do programa Artnet, onde faz um quadro passo-a-passo de artesanato, logo após especialistas falarem de Terapia Ocupacional. Assista a interessante participação dos convidados no link abaixo:
A apresentadora Ane Matos
Gislaine Pascoal Yokomizo
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) X – O Papiro e a Flor-de-Lótus
Duas plantas símbolos
Os antigos egípcios, sem dúvida, não economizaram palavras e ilustrações que possibilitassem conhecer, com riqueza de detalhes, seu quotidiano sob os mais variados e interessantes aspectos.
Com efeito, quem visita os seus sítios arqueológicos, fica impressionado com a gama de escritos e pinturas que cobrem as superfícies dos seus monumentos, demonstrando toda sua técnica e apurado bom gosto.
Para facilitar ainda mais esse belo e rico trabalho informativo, o gênio egípcio encontrou uma outra forma, muito cômoda, para transmitir sua cultura à posteridade: a escrita sobre papiros, muitos dos quais, felizmente, chegaram intactos até nossos dias.
Tão importante foi para eles a descoberta daquele tipo de papel que a planta do qual provém a matéria-prima necessária ao seu fabrico tornou-se sagrada e cultuada, transformando-se em símbolo da antiga civilização do Baixo Egito.
Também consagrada foi a flor de lótus, que passou a ser símbolo do Alto Egito.
Nos momentos do Egito unificado, quando sob a tutela de governante único, o valor atribuído a essas duas plantas torna-se de evidência insofismável.
Com efeito, além do mandatário ostentar as duas coroas, é comum o papiro e o lótus aparecerem retratados lado a lado nas pinturas, desenhos e obras de arte. Esse zelo bem demonstra o valor e o respeito que os egípcios devotavam ás plantas, particularmente para essas duas que tão de perto lhes falavam.
O Papiro
É a planta da qual os egípcios retiravam as fibras necessárias à produção do papel utilizado para as suas escritas.
Ainda hoje, embora em menor escala, o papiro continua a ser cultivado em algumas áreas com o objetivo de abastecer de matéria-prima os fabricantes de papiro turístico nos chamados “museus do papiro”. (*)
Essas casas, além de confeccioná-los e vendê-los, fazem aos turistas demonstrações de sua fabricação e executam trabalhos artísticos sobre suas belas superfícies.
Trata-se de uma planta que se desenvolve com muita facilidade em áreas alagadas.
Foi por isso que se tornou símbolo da região Norte, onde se situa o Delta, a região agrícola por excelência.
Seu formato serviu de inspiração para as grandes colunas dos templos e palácios, que se apresentam nos capitéis sob duas formas: botão, ou fechado, e aberto, ou umbelas. As colunas nesses estilos são chamadas de tipo “papiriforme”.
Como que simbolizando a juventude ou estado de contentamento (e o desenho hieróglifo significa verde), o papiro era particularmente recomendado à apresentação á deusa Hathor e servia como um cetro mágico utilizado por várias divindades, inclusive a gata-deusa Bastet.
O talo do papiro colhido tinhas várias destinações: manufatura de roupas, calafetação de barcos (posteriormente substituído por um tipo de capim), construção de barcos ou canoas a remo, e, como finalidade mais nobre e tradicional, a confecção do papel que leva seu nome. A planta na fase de corte atinge de dois a quatro metros de altura.
O caule, de configuração triangular, é seccionado em pedaços de aproximadamente 45 centímetros de comprimento, a casca verde retirada e o material interior, muito branco e esponjoso, constituído por películas concêntricas, transformado em tiras de aproximadamente 5 centímetros de largura por 0,5 centímetro de espessura. Mergulhadas as tiras em água por aproximadamente uma semana, são, em seguida, marteladas para rompimento das fibras, trançadas vertical e horizontalmente e, a seguir, submetidas à prensagem por mais uma semana.
Ao final do período se obtém uma folha já seca, resistente e leve, que, com a finalidade de manterem-se inalteráveis, recebem um último tratamento à base de fricção com óleo de Cedro.
As folhas do papiro prontas, geralmente quadradas, eram emendadas e podiam ser transformadas em longas folhas, que, enroladas de forma tradicional, apresentavam o lado chamado de direito para ser escrito.
O verso do papiro, que, via de regra ficava em branco, foi, muito amiúde, utilizado pelos pobres que não tinham acesso ao papiro virgem. Isso foi detectado em algumas vilas de trabalhadores, como em Deir-el-Medina.
O uso do papiro continuou ao longo do período Greco-Romano e no Califado Islâmico, até a introdução do papel de pano, originário do Extremo Oriente, por volta do 8º. ao 9º. século d.C.
No Museu do Cairo, além dos da Europa, como os do Louvre, Britânico e de Turim, existem importantes coleções de papiro que versam sobre poesia, matemática, astronomia, história, geografia, etc.
O estudo sistemático desses textos fez surgir a papirologia, ciência especializada e de muita relevância para a paleografia e a filologia.
A Flor de Lótus
Trata-se de uma flor aquática muito utilizada na ornamentação de espelhos d’água e que encontra similares muito parecidos em lagoas de nosso país. No Egito, da mesma forma que o papiro, era abundantemente encontrada às margens do Nilo e de seus canais. Era, com certeza, muito cultivada nos lagos sagrados e nos jardins dos templos e palácios.
Além daquela utilização, Heródoto, historiador grego do século V a.C, legou-nos a informação de que a sua medula era utilizada como produto comestível.
Sua configuração foi inspiradora das colunas tipo “lotiforme”, muito freqüentes nas belas construções de Luxor e Carnac, a antiga e esplendorosa Tebas.
À época faraônica, eram encontrados dois tipos de Lótus: a “nymphaea branca”, ou Lótus branco, e a “nymphaea caerulea azul”. Tempos mais tarde surge um terceiro tipo, maior, a “nymphaea nelumbo”, que foi trazida da Índia.
O Lótus azul aparece muitas vezes retratado diante do nariz de pessoas e animais, sobretudo no Novo Império, demonstrando sua graça e beleza, além de fazer rescender sua agradável fragrância. Nas imagens das tumbas, onde o morto se apresenta aos deuses, é comum ver-se a flor do Lótus presente no altar das ofertas, ou na decoração do próprio ambiente.
Próxima artigo: A Religião dos egípcios
Flor de Lótus em espelho d’água no Museu do Cairo. Foto Ismael Gobbo
A Torre do Cairo, à margem do Rio Nilo. Executada em concreto, retratando a
Flor de Lótus. Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Plantação de papiro na região de Deir-el-Bahari, no Egito. Foto Ismael Gobbo
Descascando o Papiro para preparar as tiras. Demonstração em um museu de
papiro no Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
As tiras de Papiro sendo trançadas para serem colocadas numa prensa.
Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
O papiro na prensa. Museu do papiro, Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Folha de papel de papiro já pronta, confeccionada artesanalmente. Cairo, Egito.
Essas folhas as vezes eram emendadas para formar os extensos rolos dos “Livro dos Mortos”
Foto Ismael Gobbo
Papiro conservado no Museu Egipcio de Turim, Itália
Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Papiro_museo_egizio_di_Torino.jpg Acesso 4/9/2012.
Detalhe do Livro dos Mortos do escriba Nebqed, que viveu sob o reinado de Aménofis III (1391-1353 a.C.), durante a 18ª. Dinastia. Acompanhado pela mãe e pela esposa, Nebqed se apresenta diante de Osíris, o deus dos mortos. Museu do Louvre, Paris, França.
Imagem: http://pt.newikis.com/Ficheiro:Egypt_bookofthedead.jpg.html acessada em 4/9/2012.
Coluna “Papiriforme” em templo egipcio de Carnac. Foto Ismael Gobbo
Moderno monumento em forma de Flor-de-Lotus na represa de Assuã, Egito.
Foto Ismael Gobbo
A Caixa D’Água da cidade de Ilha Solteira, no estado de São Paulo, divulgada como em formato de taça, lembra as colunas papiriformes egípcias. Foto Ismael Gobbo
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
O Antigo Egito (Ismael Gobbo) IX– O fim do imperialismo egípcio
Com o Novo Império, o Egito vivenciou cinco séculos de progresso e esplendor.
Mas, ao final do governo de seu último representante, Ramsés XI, da XX dinastia, as notícias de Tebas assinalam um declínio generalizado, sobretudo pelo eclipsar da figura do faraó, pelo surgimento do desemprego em massa, pela corrupção entre os funcionários públicos, pelas greves, pela seca e fome, além de uma inusitada onde de saques, da qual nem os túmulos reais se livraram.
A anarquia e o desprestigio do supremo governante ensejaram às famílias provincianas ascenderem ao poder em bases diferentes e ainda que algumas mantivessem laços de parentesco, como realmente aconteceu, não se mostraram suficientemente desprendidas a ponto de fomentarem a unificação.
Em face disso, as dinastias se sucediam, de inicio, mostravam-se promissoras e com relativo vigor, mas ao cabo de certo tempo, feneciam inapelavelmente.
O Egito passou então a colecionar mais fracassos que vitórias e salvo alguns lapsos onde emergia a impressão de uma possível recuperação, o país nunca mais se viu a salvo do assédio estrangeiro e por vários séculos até a capitulação final sempre esteve às voltas com conquistadores e mercenários.
Terceiro período intermediário
A tendência desse período foi marcantemente direcionada à formação de cidades-estado independentes. Iniciou-se com Smendes, fundador da XXI dinastia, por volta de 1069 aC., num governo que já se evidenciava dividido. Com efeito, enquanto este administrava o Baixo Egito, sediado em Tânis, no Delta, uma grande porção do Egito compreendida entre El-Hiba (sul de Faium) até Assua, ao sul, era governada pelos altos sacerdotes de Amon, com sede em Tebas.
Psusenes I, provavelmente o mais importante da dinastia, também esteve estabelecido em Tânis, local onde foi encontrado seu túmulo por Pierre Montet, em 1940, enquanto o Alto Egito continuava sendo dirigido por generais líbios, com sede em solo tebano.
Algumas das linhagens, pelo que se sabe, toleravam-se, registrando-se até uniões matrimoniais entre as famílias dos respectivos mandatários. Assim, por exemplo, Psusenes I parece ter sido filho de um dos altos sacerdotes tebanos, e uma de suas filhas, igualmente, teria se casado com um sacerdote de Tebas.
Contudo, essas relações foram insuficientes para que o regime de governo fosse unificado, como nos séculos precedentes.
Dentre os governantes de origem líbia, destacou-se o rei Sesonquis I, que se notabilizou pela invasão da Palestina e por ter arrebatado os ricos tesouros do templo de Salomão, utilizados por algum tempo para amenizar as agruras por que passavam os egípcios.
A ascensão de Sesonquis I coincidiu com o declínio do poder dos sacerdotes de Amon, circunstância que lhe permitiria nomear o filho em Tebas e, destarte, acenar para a unificação dos dois reinos.
Todavia, a objeção dos tebanos contra a indicação de Osorcon enseja à proliferação de guerras e, com isso, perduram os governos rivais.
Sucederam-se outras dinastias e, quando na XXV, o rei etíope Pianqui parecia ter restabelecido parcialmente a unidade, sofre duas invasões sucessivas dos assírios, com Assaradão ocupando Mênfis e, posteriormente, Assurbanipal tomando e saqueando Tebas.
As circunstâncias levaram o Egito a experimentar o estigma da ruína, em meio a derrotas avassaladoras.
O Período Saíta
Coube a Psamético I, de Saís, no Delta, repelir, com a ajuda de mercenários gregos, os invasores assírios do Egito, perseguindo-os até a Palestina. Esse período, conhecido como o do renascimento saítico, iniciado na XXVI dinastia, foi alentador para o Egito.
Ainda que fugaz, permitiu um relativo brilho às hostes egípcias, os exércitos voltaram,, ainda que pela derradeira vez, a marchar em terras asiáticas e núbias; as tradições religiosas reascenderam-se e voltaram às suas origens, assim como o prestígio dos Textos das Pirâmides foi restabelecido.
Com sua morte, assume Nekao, que intervém com seus exércitos na Palestina e na Síria, os quais submete ao seu controle; inicia um canal do Nilo ao Mar Vermelho e encarrega os fenícios de procederem à circunavegação da África.
Apriés retoma a conquista asiática, mas é derrubado por seu general Amasis, que enfrenta os ataques do rei da Babilônia, o famoso Nabucodonosor.
O fim do período Saíta ocorre com a morte de Psamético III, o último soberano nacional egípcio, após derrotado pelas tropas de Cambises, rei dos persas, em Pelusa.
Os Persas
Com Cambises, que incorpora o Egito ao seu império na condição de satrapia, inicia-se o período da primeira dominação persa e a XXVII dinastia, onde os governantes procuram manter a organização social anterior e desenvolver a economia.
Em 404 a.C., o Egito liberta-se da dominação persa subindo ao poder um aristocrata do Delta, Amirteu, único faraó da XXVIII dinastia, permitindo um revigorar das suas instituições e cultura.
Porém, a segunda dominação persa acontece com Artaxerxes III, que saqueia o Egito e só se encerra em 332 a.C., quando Alexandre, o Grande, entra vitorioso no país.
O Período Ptolomaico e a dominação romana
Alexandre, o famoso rei macedônio, que já enfrentara e batera os Persas anteriormente, derrota Dario III, sendo recebido pelos egípcios como libertador e lídimo representante dos faraós.
Busca respeitar as instituições e procura restabelecer a paz, a ordem e a economia.
Funda a cidade de Alexandria, na costa mediterrânea, tornando-a um dos centros culturais mais importantes do mundo.
Morre ainda jovem, em 323 a.C., sendo sepultado em Alexandria, onde, em 1977, foi encontrado seu esplêndido sarcófago de alabastro.
Sucede-lhe um de seus generais, Ptolomeu, iniciador da dinastia dos Lágidas, lançadora das bases do processo de helenização do país.
Destacaram-se Ptolomeu Filadelfo, que expandiu o comércio, construiu cidades, criou uma biblioteca e um museu em Alexandria; Ptolomeu Evérgetes, que enalteceu as letras e a arquitetura, e Ptolomeu Epífano, que, coroado em 196 a.C., teve como homenagem a redação do decreto inscrito na célebre Pedra de Roseta (*).
Celebrizou-se nesse período Cleópatra VII, filha de Ptolomeu Auletes, última representante dos Ptolomeus, que, embora estrangeira de origem, foi muito respeitada no Egito e tida como uma verdadeira faraó.
Entretanto, foi em seu governo que o Egito se entregou de vez. Apoiou-se inicialmente em Júlio César, que a ajudou a vencer o irmão Ptolomeu XII numa guerra civil e subir ao trono com o irmão menor Ptolomeu XIII.
Quando o irmão reclamou sua parcela de autoridade, Cleópatra o mata e associa ao trono seu filho Cesarion, que nascera de seu romance com Júlio César. Morou com César em Roma até este ser assassinado em 44 a.C.
Hostilizada pelos romanos, acabou retornando ao Egito, onde acabou amante do general romano Marco Antônio, a ele se associando na luta contra os Partas. Cleópatra recebem muitos territórios como doação e isso a fez muito impopular em Roma.
Otávio, aproveitando o ensejo, declara guerra contra eles e acaba por aniquilar a esquadra egípcia na famosa batalha de Actium, em 30 a.C.
Cleópatra foge para Alexandria, onde Marco Antonio se suicidara ao receber a falsa notícia de seu suicídio.
A famosa rainha tenta seduzir Otávio que, além de não cair em seus encantos, determina a morte do filho que ela tivera com César.
Na iminência de ser feita prisioneira e assim ser levada a Roma, prefere a morte, deixando-se picar por uma áspide.
Com o desaparecimento da última representante da dinastia dos Ptolomeus, o poderoso Egito de outrora passa a ser uma mera província romana.
(*) Vide artigos II e III
Próxima artigo: O Papiro e a Flor de Lótus
Templo de Ísis, em Filé, próximo de Assuã, no Alto Egito. Foto Ismael Gobbo
Rara escultura que traz Hórus protegendo aquele que seria o faraó Ramsés II
ainda criança, com o dedo na boca. Museu do Cairo, Egito. Foto Ismael Gobbo
Máscara mortuária de Psusenes I. Descoberta em Tânis por Pierre Montet no ano de 1940
Pingente em ouro sólido e lápis-lazúli trazendo o nome de Osorkon II.
A jóia representa a sagrada tríade da família de Osíris, que tem o filho Hórus, à esquerda, e Ísis, a mãe deste, à direita.
Museu do Louvre, Paris. Imagem http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_066.jpg
Esfinge de Apriés. Museu do Louvre
Alexandre, o Grande. Cópia em mármore segundo original de Lisipo.
Museu Arqueológico de Istambul, Turquia. Foto Ismael Gobbo.
Moeda com esfinge de Cleópatra
Representação de Cleópatra e seu filho Cesarion no Templo de Dendera. Egito.
Amuleto em forma de pingente com o hieróglifo de Dario I. Museu do Louvre. Paris
Grupo tocando e dançando para turistas em rua de Luxor, Egito. Foto Ismael Gobbo
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