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domingo, 4 de maio de 2014

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 03-05-2014.

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sábado, 3 de maio de 2014

Artigo especial. O Evangelho Segundo o Espiritismo- 150 anos de seu lançamento


Alfredo Zavatte
Botucatu, SP

Mais importante do que lembrar as  datas  históricas do Espiritismo, é  a nossa  conscientização do que a doutrina Espirita proporcionou nesses  anos todos.
Nestes  150 anos da obra “ O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que trás à  todos a moral de Jesus,  vez que, lembrando a  questão 625 do Livro dos Espíritos, em que o Espirito Verdade responde à Kardec que o “tipo mais perfeito que Deus deu ao homem para lhe servir de guia e modelo foi Jesus” (1)
Estamos vivendo um acontecimento impar, pois o roteiro moral de Jesus está à nossa  disposição e todos aqueles que optaram adotá-lo não se arrependeram dessa opção, não é a toa que um roteiro tenha o êxito que tem esse Evangelho, esteve e estará por muito tempo norteando nossos atos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo foi publicado pela primeira vez com o nome de “Imitação dos Evangelhos Segundo o Espiritismo” em 15 de abril de 1864, e a seguir o mesmo livro foi publicado em 1865 com o Titulo “ O Evangelho Segundo o Espiritismo”, portanto há 150 anos atrás. 
Publicado naquela data em língua francesa (L´Évangile Selon le Spiritisme, é uma das obras básicas do espiritismo, e dentre elas a que dá maior enfoque as questões éticas e comportamentais do ser humano. A abordagem dos Evangelhos canônicos sob a ótica da Doutrina Espirita, trabalhando com atenção especial a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosas como a prece e a caridade.
É irrecusável não admitir que não atingimos um estágio do amadurecimento humano e da  doutrina espirita, onde estamos mais preparados, pois esses 150 anos que se passaram parece-nos que foi um trabalho de solidificação, de preparo e aprendizado, pois  estamos enxergando além das letras contidas nesse livro, percebendo mesmo que palidamente a importância da aplicação desses  ensinamentos.
Essa obra que há 150 anos, vem ensinando o importante exercício da caridade, obra tão atual que nós ainda dentro de nossas limitações coloca-las a bem do próximo.
Observe-se que quando falamos de  Evangelho, não há como não falar de Jesus e ele é o modelo que o Criador deu aos homens, os Evangelhos, a moral de Jesus é tão perfeita que ele cabe em todas as  religiões, os Evangelhos se encaixam em todos os credos  religiosos que professam o amor ao próximo.
Allan Kardec, expos nos vinte e oito capítulos os feitos morais de Jesus á luz da doutrina Espirita, acrescido das  mensagens de vários espíritos que complementam cada texto.
O seres estão vivendo atualmente  transtornos de toda ordem e o Evangelho  mostra o consolo de que necessitamos para nossas horas de aflições, norteando para o bem e para a evolução espiritual todos aqueles que desejam, sejam espiritas ou simpatizantes da Doutrina Espirita, norteando com a segurança  moral com a  envergadura que possui essa obra.
É uma obra que trás acima de tudo uma simplicidade de palavras e carecendo pela sua simplicidade de  profundas perquirições nos escaninhos da mente a fim de entendermos essa  simplicidade e objetividade. Os homens tem o hábito de desconsiderar as coisas  simples, no entanto é nelas que estão os grandes ensinamentos.
É no Sermão da Montanha, Cap. V , que podemos encontrar com propriedade nas  “Bem Aventuranças os Aflitos”, (2) que traz o grande resumo do Cristianismo e a base para toda e qualquer  religião, disposta ao “Ide e pregai as  minhas palavras” (3)
È o Evangelho que da o suporte a todos que desejam uma luz para as noites escuras, uma esperança para os desesperados, a fé para os desvalidos,
É ele que dá o “Reino dos Céus aos pobres de espirito.
É ele que consola aqueles que choram.
É ele que faz justiça àqueles que tem fome e sede de justiça.
É ele que dá a mostra da face de Deus aos que tem puro seus corações.
É ele que dá o Reino dos Céus aos que foram perseguidos e foram injuriados.
É ele que dá o endereço correto para o bem, a todos aqueles que desejam uma vida melhor e que já conseguiram entender que é “dando que se recebe”, que “ é perdoando que seremos perdoados” “que é morrendo que nascemos para a vida eterna.” ( 4 )
Só aquele que tem no coração, o Evangelho, conseguira matar o homem velho para que o homem novo renasça, como se referia o apóstolo Paulo
Um ser  que tem o Evangelho como guia, como seu alento, como sua felicidade, estará preparado para renascer para a nova vida, assim estará habilitando -se aos planos mais altos do infinito, onde gozará a vida em plenitude, tornando-se definitivamente o homem integral.
Bibliografia
1-      KARDEC, Allan. O Livro  dos Espíritos – Editora FEB- 45ª Edição – 1978
2-      KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – Editora FEB – 9ª Edição- 1974
3-      Marcos. 16:15
4-      Disponível no Sitehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_de_S%C3%A3o_Francisco_de_Assis – Acessado em 30.03.2014
Jesus e Kardec. Imagem internet
Capa de edição brasileira de O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec inseriu na Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo
um resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, precursores da idéia cristã e do Espiritismo.
Bustos no Museu do Louvre, Paris, França. Fotos Ismael Gobbo
File:Bloch-SermonOnTheMount.jpg

Sermão da Montanha. Óleo sobre tela de Carl Bloch.

Acesso em 01/05/2014- 9 hs.
Igreja  “Domini Quo Vadis”  na Via Apia,  Roma, Itália. Foto Ismael Gobbo

Artigo especial. O Evangelho Segundo o Espiritismo e o Evangelho no Lar


Regina Zanella
Milão, Itália

Jesus instituiu a pratica do Evangelho no Lar à partir dos encontros de ensinamento/aprendizagem junto aos “apóstolos” e “demais companheiros de viagem”, em particular na casa de Pedro.
A verdade trazida pelo Cristo illuminava os corações, transformando o homem velho no homem novo. Portanto,  a sua proposta era,  e é, de renovação!
Proposta esta que o Cristo continua a nos endereçar quotidianamente.
A pratica do Evangelho no Lar, traz esclarecimentos sobre a vida futura, a causa das aflições, a necessidade de perdoar e, dentre outros, a grande necessidade do amor, que como dizia o Apostolo Pedro*, cobre uma multidão de pecados.
Hoje sabemos do poder das palavras e dos pensamentos  que impregnam os ambientes.
Praticar o Evangelho portanto, além de nos proporcionar reflexões, em vista das atitudes a serem tomadas, é como se renovasse o nosso ambiente familiar, trazendo maior equilibrio e harmonia em nós mesmos e na “memoria” que deixamos no ambiente familiar.
Concluímos assim a fundamental importância de manter a sintonia e a vibração no nosso ambiente doméstico. O Evangelho constitui uma cura para as enfermidades da alma,  assumida em doses homeopáticas, por assim dizer, por nós e por quem conosco convive. A sua potência revitaliza a nossa casa, e a tudo e a todos que ali dentro se encontram.
O templo do Espirito é o corpo, e o templo do corpo é o lugar que o abriga para o refazimento das próprias energias.
Se os espíritas sao conscientes dessa necessidade, maior a responsabilidade em transmitir tais conhecimentos aos companheiros de caminho, independente da pratica religiosa por eles adotada.
O código moral do Evangelho é Universal.
Até mesmo a Igreja Católica começa a considera-lo mais profundamente.
O papa Francisco, no dia 6 de abril deste ano fez um gesto importante nessa direção: colocou postos de distribuição do Evangelho, formato de bolso, para ser ofertado gratuitamente a todos os fiéis que viessem para o “Angelus” e recomendou que todos os fieis o levassem sempre consigo, para ler durante o dia, em qualquer ocasião, pois seria como escutar diretamente as palavras de Jesus.
Certamente nao se trata do Evangelho Segundo o Espiritismo, mas é sempre um primeiro passo, pois o Evangelho que todos conhecemos levou mais de 2000 anos para ser recomendado em maneira capilar aos católicos, enquanto que o Evangelho Segundo o Espiritismo, que está completando 150 anos, ja faz parte da pratica espírita e, quem sabe, se torne pratica comum nos próximos anos, corroborando o que  disse Léon Denis, que o Espiritismo seria o futuro das religiões.

* 1ª.  Epístola de Pedro (I Pedro, 4:8)
***************

Jesus no Lar
O culto do Evangelho no Lar aperfeiçoa o homem.
O homem aperfeiçoado ilumina a família.
A família iluminada melhora a comunidade.
A comunidade melhorada eleva a nação.
O homem evangelizado adquire compreensão e amor.
A família iluminada conquista entendimento e harmonia.
A comunidade melhorada produz trabalho e fraternidade.
A nação elevada orienta-se no direito, na justiça e no bem.
Espiritismo sem Evangelho é fenômeno ou raciocínio.
O fenômeno deslumbra. O raciocínio indaga.
Descobrir novos campos de luta e pensar em torno deles não expressa tudo.
Imprescindível conhecer o próprio destino.
Não basta, pois, a certeza de que a vida continua infinita, além da morte.
É necessário clarear o caminho.
Do Evangelho no lar, depende o aprimoramento do homem.
Do homem edificado em Jesus Cristo depende a melhoria e a redenção do mundo.
* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Nosso Livro.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
LAKE.

Gesù in Casa

Il culto del Vangelo in Casa perfeziona l’uomo.
L’uomo perfezionato illumina la famiglia.
La famiglia illuminata migliora la comunità.
La comunità resa migliore eleva la nazione.
L’uomo evangelizzato acquisisci comprensione ed amore.
La famiglia illuminata conquista comprensione ed armonia.
La comunità resa migliore produce lavoro e fraternità.
La nazione elevata si orienta nel diritto, nella giustizia e nel bene.
Lo Spiritismo senza il Vangelo è fenomeno o raziocinio.
Il fenomeno abbaglia. Il raziocinio indaga.
E scoprire nuovi campi di lotta e pensare su di loro non esprimi tutto.
È indispensabile conoscere il proprio destino.
Non basta, poi, la certezza che la vita continua infinita, al di là della morte.
È necessario schiarire il cammino.
Dal Vangelo in casa, dipende la miglioria dell’uomo.
Dall’uomo edificato in Gesù Cristo dipende la miglioria e la redenzione del mondo.

Xavier, Francisco Cândido. Dal libro: “Nosso Livro.
Dettato dallo Spirito Emmanuel.
LAKE.

Chico Xavier/Emmanuel, libro “Nosso Livro”.
 
Capa de O Evangelho Segundo o Espiritismo na edição italiana mais recente.
Jesus curando a sogra de Pedro por Jhon Bridges. Séc. XIX.
Acessado dia 01/05/2014- 8hs
Mosaico com a representação de Jesus no museu  de Óstia Antica (Roma) Itália.
Final do século IV. Arquivo de  Ismael Gobbo

Campanha Evangelho no Lar e no Coração da USE/SP. Foto Ismael Gobbo
Corredor  no Coliseu, Roma, Itália. Foto Ismael Gobbo

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA 02-05-2014.

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Artigo especial. Allan Kardec nunca morou em Lyon!


Eliseu Mota Júnior. Franca, SP

Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde seria consagrado com o pseudônimo de Allan Kardec, nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Rua Sala, nº 76, em Lyon, filho do juiz Jean-Baptiste-Antoine Rivail e de Dª Jeanne Louise Duhamel. Mas essa certeza quanto ao seu nascimento naquela histórica cidade francesa não autoriza a ilação de que  ele residiu ali, em qualquer fase da sua vida.
Esse equívoco parece ter raiz na assertiva de Henri Sausse, talvez o seu primeiro biógrafo francês, o qual afirmou que “Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado”[1], erro que foi repetido pela maioria dos biógrafos do codificador do Espiritismo.
Acontece que, na Revista Espírita de junho de 1862, o próprio Allan Kardec, ao refutar uma série de inverdades acerca de sua vida lançadas por um padre, afirma que jamais morou em Lyon. Vejamos suas palavras:
Eis como se escreve a história!
Os milhões do Sr. Allan Kardec.

Estamos informados que, numa grande cidade comercial, onde o Espiritismo conta numerosos adeptos, e onde faz o maior bem entre a classe laboriosa, um padre tornou-se propagandista de certos ruídos, que almas caridosas se apressaram em vender pela rua e certamente amplificar. Conforme tais ditos, nós possuímos milhões; em nossa casa tudo brilha e nós só pisamos os mais belos tapetes d’Aubusson. Conheceram-nos pobre em Lyon; hoje temos carruagem de quatro cavalos e arrastamos em Paris um trem principesco. Toda essa fortuna nos vem da Inglaterra, desde que nos ocupamos do Espiritismo e pagamos largamente os nossos agentes na província. Vendemos caríssimo os manuscritos de nossas obras, sobre os quais ainda temos um “royalty”, o que não nos impede de os vender a preços malucos, etc.
Eis a resposta que demos à pessoa que nos envia estes detalhes:
"Meu caro senhor, ri muito dos milhões com os que, tão generosamente, me gratifica o Sr. padre V..., tanto mais quanto estava longe de suspeitar de tanta fortuna. O relatório feito à Sociedade de Paris, antes da recepção de vossa carta, e que vai aqui publicado, vem reduzir essa ilusão a uma realidade muito menos dourada. Aliás, não é a única inexatidão desse relato fantástico; para começar, jamais morei em Lyon, e, pois, não vejo como lá me tivesse conhecido pobre; quanto à minha equipagem de quatro cavalos, sinto dizer que se reduz aos sendeiros que tomo apenas cinco ou seis vezes por ano, por economia”[2].
Mas, se não foi em Lyon, onde Allan Kardec morou em sua infância, antes de ir para a Suiça, estudar com Pestalozzi?
André Moreil, outro de seus prestigiados biógrafos, oferece ótima pista, ao informar o seguinte, acerca de seu batismo: 
A 15 de junho de 1805, o pequeno Hippolyte-Léon foi batizado na igreja de Saint-Denis de la Croix Rousse. Nessa época, a igreja não pertencia à cidade de Lião, mas Bresse, embora dependente da diocese lionesa.
Eis o extrato do registro de batismo:
‘Aos quinze dias do mês de junho do ano de mil oitocentos e cinco, foi batizadonesta paróquia Hippolyte Léon Denizard, nascido em Lião em três de outubro de mil oitocentos e quatro, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, magistrado, e de Jeanne Louise Duhamel, sendo padrinho Pierre Louis Perrin e madrinha Suzanne Gabrielle Marie Vernier,domiciliado na Vila de Bourg”[3].
Quem era domiciliado na Vila de Bourg, em Bresse? Certamente não eram os padrinhos, porque nesse caso a informação sobre o endereço estaria no plural: “domiciliados na Vila de Bourg”; nem apenas o padrinho ou a madrinha, última a ser referida, pois haveria manifesto erro de gênero.
 Entretanto, mais acima, no mesmo documento, tudo que se refere ao garoto está no singular: “foi batizado nesta paróquia Hippolyte Léon Denizard, nascido em”, “filho de”, de modo que a informação sobre o endereço —  “domiciliado na Vila de Bourg” —, logicamente se refere a ele, o batizando!
Nesse caso, por que a rua Sala, nº 76, em Lyon, apareceu como seu endereço, no assento de nascimento?
A conclusão a que chegamos é que Madame Jeanne Louise Duhamel, residente na Vila de Bourg, em Bresse, em gestação adiantada e por alguma razão de saúde, esteve na estação de águas minerais da rua Sala, nº 76, em Lyon, situada a poucos quilômetros de distância, onde, no dia 03 de outubro de 1804, deu à luz um menino que, registrado nesta última cidade, tendo por testemunhas do assento de nascimento o diretor e o funcionário do referido estabelecimento, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Como a criança realmente nasceu em Lyon e não em Bresse, e como o assento do registro civil tem de ser lavrado no local do nascimento, era preciso informar um endereço, que, no caso, foi o local do parto, à requisição do médico Pierre Radamel, residente à rua Saint-Dominique n° 78, o qual certamente foi o profissional que acompanhou o procedimento.
A propósito, Henri Sausse, no sobredito ensaio biográfico, relata o seguinte:
Eis aqui a esse respeito um documento positivo e oficial:
"Aos 12 do vindemiário do ano XIII, auto do nascimento de Denizard Hippolyte-Léon Rivail, nascido ontem às 7 horas da noite, filho de Jean Baptiste-Antoine Rivail, magistrado, juiz, e Jeanne Duhamel, sua esposa, residentes em Lião, rua Sala n° 76.
"O sexo da criança foi reconhecido como masculino.
"Testemunhas maiores:
"Syriaque-Frédéric Dittmar, diretor do estabelecimento das águas minerais da rua Sala, e Jean-François Targe, mesma rua Sala, à requisição do médico Pierre Radamel, rua Saint-Dominique n° 78[4].
Outra hipótese é a de que os pais de Kardec já morassem em Château-du-Loir desde 1804, porque eles ali residiam, com absoluta certeza, na época do casamento dele com Amélie Gabrielle Boudet, ocorrido no dia 6 de fevereiro de 1832. Sobre isso, Henri Sausse informa o seguinte:
A senhorita Amélia Boudet tinha, pois, mais nove anos que o Sr. Rivail, mas na aparência dir-se-ia ter menos dez que ele, quando, em 6 de fevereiro de 1832, se firmou em Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, diretor do Instituto Técnico à rua de Sèvres (Método de Pestalozzi), filho de Jean-Baptiste Antoine e senhora, Jeanne Duhamel, residentes em Château-du-Loir, com Amélie-Gabrielle Boudet, filha de Julien Louis e senhora Julie Louise Seigneat de Lacombe, residentes em Paris, 35 rua de Sèvres[5].
Encerrando, ainda que não haja informação precisa acerca do local em que sua família residia, a verdade inapelável é que, segundo suas próprias palavras, Allan Kardec jamais morou em Lyon, onde, após o seu nascimento, só retornou a partir de 1862, durante suas viagens espíritas.
Quem sabe futuras pesquisas biográficas, mais detalhadas, possam trazer novas luzes sobre a vida familiar de Hippolyte Léon Denizard Rivail, desde o seu nascimento, no dia 03 de outubro de 1804, em Lyon, até o dia 18 de abril de 1857, em Paris, quando ele saiu da história para entrar Allan Kardec?
Henri Sausse. Principal biógrafo de Allan Kardec
Imagem internet
File:Lyon la Saone et fourviere.JPG

Cartão postal do Séc. XVIII,  retratando o Rio Saône e a Colina de Fourviére. Lião, França.
Lião, a cidade onde nasceu  Hippolyte Léon Denizar Rivail (Allan Kardec)
Ficheiro:Bourg-en-Bresse.JPG
Rua de Bourg-en-Bresse, França,  cidade onde moravam os pais de Allan Kardec  por ocasião
 de seu nascimento que ocorreu em Lião. Imagem : http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bourg-en-Bresse.JPG
Mapa com as cidades de Lião e Bourg-em-Bresse. Google.
Certidão da nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec),
ocorrido em  Lião, França, aos 3 de outubro de 1804.
Rua Sala, no alto, em Lião, França.  A casa de  no. 76 da rua Sala, onde Kardec teria nascido, não mais existe.
Talvez tenha sido demolida para dar lugar  á larga avenida Quai Docteur Gailleton às margens do Rhône, em primeiro plano.
Pela foto a casa ficaria do lado esquerdo,  logo depois do semáforo,  no cruzamento da Rua Sala com a avenida.
Os espíritas franceses colocaram a placa que se vê, homenageando a Kardec e assinalando aquele  local.  Foto Ismael Gobbo
File:Picswiss VD-47-01.jpg
Castelo de Yverdon onde Allan Kardec estudou sob orientação de  Pestalozzi dos 11 aos 18 anos.
Yverdon-les-Bains, Suíça. Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Picswiss_VD-47-01.jpg
Allan Kardec em idade de 15 anos. Imagem desenvolvida em computador por Marisa Cajado
  (Guarujá, SP) a partir de imagens conhecidas de  Kardec em idade mais avançada.
Amélie Gabrielle Boudet. (23-11-1795/ 21-01-1883)
Esposa de Allan Kardec, cujo casamento se deu aos  09-02-1832
Ficheiro:Allan Kardec portrait001.jpg
Capa de edição histórica de  O Evangelho Segundo o Espiritismo comemorativa de 150 anos.


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NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 01-05-2014.

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Artigo especial. Evangelho – Caminho de Libertação


Carlos Campetti
Brasília, DF

Na essência, nenhum dos grandes reveladores registrados pela história teve o propósito de criar seitas e religiões que dividissem as pessoas e as colocassem umas contra as outras. Evidente que surgiram e têm surgido falsos profetas, mas preferimos nos referir aos enviados para o estabelecimento, nos diversos povos, das bases da fraternidade e do amor que transcendem as fronteiras de raça, cultura, condição social ou intelectual.
Jesus foi o maior de todos eles, pois, governador do Planeta, com uma plêiade imensa de colaboradores, é o Espírito puro que sustenta a Terra e guia os destinos de seus habitantes, Espíritos em processo de evolução, irmãos menores, destinados à felicidade que é conquista individual pelo esforço próprio.
Na tentativa de registrar o ensinamento de Jesus, cada um dos quatro Evangelhos, escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, contém ensinamentos para o autoconhecimento, a harmonia com a Lei Divina e a plena integração nos propósitos da criação. Em outras palavras, são caminhos de libertação das peias da ignorância para que o ser alcance o Reino de Deus, que, conforme orienta Jesus, está dentro de cada um de nós, e, portanto, somente pode ser encontrado pela jornada interior que promove a concretização de todas as potencialidades depositadas pelo Criador na criatura.
Em muitos pontos os evangelistas coincidem, mas há evidentes diferenças que indicam haver muitas maneiras de alcançar a meta. Ao identificar e descrever o “caminho” é comum que, homens falíveis e sujeitos aos costumes, cultura e preconceitos de sua época, se deixassem influenciar na forma de descrever as vias para o grande encontro, a “festa das bodas” descrita na conhecida parábola de Jesus.
Impossível ignorar também as interpolações e acréscimos que o texto “original” ganhou ao longo do tempo, constituindo auxílios ou ruídos para o entendimento do grande processo do autodescobrimento e da realização plena do “amor pelo próximo”.
Evidente ainda o surgimento das diversas religiões, fruto das interpretações que pessoas e grupos fizeram dos ensinamentos dos grandes reveladores, promovendo as divisões e cultivando os preconceitos alimentados pelo egoísmo que considera a “sua” a “melhor religião” em detrimento de todas as “outras”, consideradas inimigas e merecedoras de combate “em nome de Deus” ou “de Jesus”, todas elas baseadas em um ponto comum: a imposição de dogmas pela fé cega que findou por gerar uma onda imensa de ateísmo nas camadas mais ilustradas da sociedade do tempo de Allan Kardec e que já alcançava a população menos favorecida no campo socioeconômico e da cultura.
Não há registro de que Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869) fizesse opção por uma ou outra religião. Naturalmente as conhecia como homem culto que era e pelo fato de pertencer a uma família católica por tradição e por ter sido educado em um colégio de orientação protestante – o de Yverdon (1805-1825), administrado por Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827). Seus escritos evidenciam que era consciente da dificuldade de sua época antes de conhecer o fenômeno da comunicação dos Espíritos. Aliás, esse fato surgiu para ele como uma resposta às suas preocupações e inquietações referentes ao grande crescimento do materialismo em sua época. Como educador sabia das consequências da ausência de uma base moral apoiada em uma fé consciente que pudesse guiar os passos da criatura na realização de sua potencialidade de filha de Deus.
Iniciou o trabalho com a mesma dedicação que sempre aplicou a todas as suas atividades. Não tinha ideia, inicialmente, do tamanho da obra. Mas ela foi-se desenhando progressivamente à medida que publicava O livro dos espíritosO livro dos médiuns... até o momento em que ele se deparou com a necessidade de reapresentar o caminho de libertação para seus irmãos em humanidade, livre dos preconceitos que prevaleciam sobre a essência do ensino cristão.
Isolou-se e concentrou seus esforços na organização da obra monumental que resume a essência dos quatro evangelhos e de todo o Antigo e o Novo Testamentos, revelando a verdadeira Lei de Deus que é o amor; a certeza na vida futura como eixo fundamental do ensino de Jesus; as muitas moradas da casa do Pai; a reencarnação como evidência da justiça divina e da lei de evolução que preside nossos destinos; as bem-aventuranças tendo como fonte o discurso mais completo de Jesus, o sermão da montanha, verdadeiro roteiro para o Reino de Deus, começando pelo “bem aventurados os aflitos” e seguindo com os pobres de espírito, os puros de coração, os pacificadores, os misericordiosos, o amor ao próximo e aos inimigos, honrar pai e mãe. Merece destaque especial o Cristo Consolador, o retorno do Mestre com seus ensinos apresentados na mesma simplicidade e profundidade da origem. O papel da riqueza é examinado com maestria pelo Codificador com o auxílio da espiritualidade superior. Ainda podem ser destacados, entre muitos outros, a caridade como condição única da salvação; o convite para sermos perfeitos como perfeito é nosso Pai celestial; a importância da fé raciocinada, da crença em Deus, mas sabendo por quê; os trabalhadores da última hora; o cuidado com os falsos profetas; não separar o que Deus juntou e a estranha moral; a lâmpada que precisa brilhar. E finalmente, encaminhando o candidato para a culminância de sua preparação, a importância de cumprir a parte que lhe cabe no “ajuda-te que o céu te ajudará”; o dar de graça...; o significado da oração e o exercício da conversa com o Criador como corolário de todo o processo do autoconhecimento e integração na obra divina para o cumprimento do seu papel de filho do Pai.
O evangelho segundo o espiritismo é o caminho de libertação da ignorância e do egoísmo que nos leva a viajar para dentro de nós mesmos no processo do autodescobrimento, passando pelo conhecimento da Lei Divina; pela conscientização de nosso papel na vida; da fraternidade que nos deve unir a todos, irmãos que somos, pois filhos do mesmo Pai; de como exercitar o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos e de tudo o que necessitamos para sermos discípulos seus: que nos amemos uns aos outros como Ele nos tem amado.
Finalmente, O evangelho segundo o espiritismo, coerente com a proposta de todos os grandes reveladores registrados pela história, muito especialmente o Cristo, nos liberta do preconceito religioso que divide os filhos do mesmo Pai, pois propõe e orienta para o exercício da fraternidade e da caridade de uns em relação aos outros.
Estátuas dos quatro Evangelistas na Catedral de Brasília
Brasília, DF. Foto Ismael Gobbo
Ópera de Lião, França. Foto Ismael Gobbo
Em Lião,  Allan Kardec, codificador do Espiritismo,  nasceu aos 3 de outubro de 1804.
Ficheiro:Blaise Pascal 2.jpg
Blaise Pascal (1623- 1662)  Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal
Pascal esta presente em O Evangelho Segundo o  Espiritismo nos capítulos
 XI -12 (O egoísmo)   e  XVI- 09 (A verdadeira propriedade)
Allan Kardec, codificador do Espiritismo. Imagem internet
Jesus. Pintura em parede na Casa da Caridade, por Maria Tereza Braga, Araçatuba, SP

Artigo especial. O Evangelho segundo o Espiritismo daqui a 150 anos


Simoni Privato Goidanich
Montevidéu, Uruguai

Estamos celebrando em 2014, específicamente no mês de abril, os 150 anos de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, publicado originalmente comoImitation de l´Évangile selon le Spiritisme.
O Evangelho segundo o Espiritismo chegou até nós e se mantém nestes 150 anos devido evidentemente a seu conteúdo incomparável, que resgata o Cristianismo Primitivo explicando, de maneira clara, os ensinamentos morais do Mestre Jesus a fim de que possam ser cada vez mais aplicados em nossa conduta.
No entanto, há outro fator fundamental para a transmissão fiel dessa obra de geração em geração nestes 150 anos: o exemplo de vivência cristã dos espíritas pioneiros, começando pelo próprio autor, que aplicou os ensinamentos de O Evangelho segundo o Espiritismo em sua própria vida. Também poderíamos recordar o exemplo de verdadeiro espírita do primeiro tradutor para o idioma espanhol, José María Fernández Colavida, e de tantos outros espíritas pioneiros, que, como os cristãos primitivos, foram fiéis até o fim legando-nos, desse modo, os ensinamentos do Mestre Jesus.
Portanto, que a celebração destes 150 anos de O Evangelho segundo o Espiritismo possa servir para que reflitamos sobre o papel de cada um de nós na transmissão fiel dessa obra às futuras gerações.
Podemos – e devemos – continuar imprimindo suas páginas luminosas, traduzi-las mais vezes, difundi-las amplamente aproveitando as novas oportunidades tecnológicas, como os formatos digitais, especialmente os gratuitos. Entretanto, jamais devemos esquecer que será o nosso exemplo diário o que as fará chegar, de maneira mais efetiva, aos corações alheios a fim de que estes procurem conhecer, estudar e aplicar em suas vidas os ensinamentos de O Evangelho segundo o Espiritismo.
Recordemos, a propósito, as recomendações da benfeitora Joanna de Ângelis na “Carta aos Cristãos Modernos”, transcrita na obra Entrega-te a Deus:
“Cabe aos cristãos novos proceder de maneira compatível com os ensinamentos do Mestre de Nazaré, revividos e atualizados pelos embaixadores espirituais (…).
Mais do que nunca, o senhor necessita de mulheres e homens dispostos a dar-lhe, se necessário, a vida, em holocausto de amor e de silencioso sacrificio.
Nao mais existem os circos, as praças para as execuções dos hereges e infiéis, as fogueiras e os cárceres sombríos para aqueles que são dedicados a Jesus. Pelo menos na forma, no entanto permanecem no conteúdo, pela maneira como são vistos e considerados os seus servidores auténticos, sorvendo os amargos frutos da intriga e da insensatez, da perseguição por inveja e das tribulações morais…
É indispensável viver o evangelho em toda a sua magnitude”.
Que valorizemos o exemplo dos espíritas pioneiros para que hoje, 150 anos depois, possamos   herdar O Evangelho segundo o Espiritismo, em sua pureza, e que, inspirados por essa obra e essas vidas,  assumamos a responsabilidade que corresponde a cada um de nós de ter O Evangelho segundo o Espiritismo presente em nossas ações diárias para que possamos, por nossa vez, o transmitir fielmente às futuras gerações.
Representação de Allan Kardec e sua esposa Amélie Gabrielle Boudet.
Kardec foi o codificador do Espiritismo.

Capa de edição histórica de  O Evangelho Segundo o Espiritismo comemorativa de 150 anos.
José Maria Fernandes Colavida. O Kardec espanhol . 1819 - 1888
Vídeo com Simoni Privato Goidanich abordando a vida e a obra de José Maria Fernandes Colavida
Ópera de Paris. Foto Ismael Gobbo
Paris é a cidade berço do Espiritismo codificado por Allan Kardec

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 30-04-2014.

Clicar aqui:
http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/30-04-2014.htm

NOTICIAS DO MOVIMENTO ESPIRITA. 29-04-2014.

Clicar aqui:
http://www.noticiasespiritas.com.br/2014/ABRIL/29-04-2014.htm

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Artigo especial. O Evangelho, Allan Kardec e Espíritos Superiores

ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO
ANUÁRIO ESPIRITA – 2014 PELO IDE
INSTITUTO DE DIFUSÃO ESPÍRITA- ARARAS,SP
Walter Barcelos

“...reunimos, nesta obra, os artigos que podem compor, a bem dizer, um código de moral universal, sem distinção de culto”.    – Allan Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº 1 – “Objetivo desta Obra” – Página 24 – 129ª edição – FEB)                                                      


“Para os homens, em particular, constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa parte é que será objeto exclusivo desta obra.” – Allan Kardec(O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº I – “Objetivo desta Obra” – página 23 – 129ª edição – FEB)
O Movimento Espírita Brasileiro comemora, no ano de 2014, os cento e cinquenta anos de existência cintilante e êxito espiritual e editorial de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
A primeira edição aconteceu em abril de 1864, em Paris, na França. É a terceira obra de Allan Kardec, após o lançamento de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. É fruto da competência evangélico-doutrinária do Codificador, de conteúdo profundamente moral e excelente orientador da conduta humana.
A obra evangélica nasceu do esforço e devotamento, ideia e raciocínio, meditação e inspiração, planejamento e detalhamento, amor e abnegação do sábio pensador Allan Kardec – um dos mais lúcidos Apóstolos de Jesus.
Jesus é o Divino Mestre da Verdade e do Amor,  assim como Kardec é o fiel discípulo incumbido de apresentar, nas dissertações doutrinárias, a Fé Raciocinada,  Verdade Divina e Amor Incondicional de Jesus Cristo, preparando a Nova Era de regeneração da Humanidade.

Novo Testamento

Os Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João redigiram, nos pergaminhos e tecidos de escrita da época, o que viram e sentiram, ouviram e aprenderam com as palavras, as ações e os exemplos de Jesus. Escreveram o que puderam assimilar e memorizar, o que conseguiram apreender e entender, através de seus raciocínios e sensíveis corações. O Apóstolo Lucas escreveu, além de seu Evangelho, os textos “Atos dos Apóstolos”, onde descreve a saga dos Discípulos e de Paulo de Tarso, recebendo importantíssimas revelações oriundas da lúcida memória de Maria, mãe de Jesus.
Surgiram nas páginas manuscritas as inspiradas cartas de Paulo de Tarso às diversas comunidades cristãs e,  para completar o Novo Testamento, as breves epístolas de Pedro e João, Tiago e Judas. E, por fim, João Evangelista escreveu, no final de sua existência, a obra “Apocalipse”.
Seleção de versículos

Quando o Codificador foi pesquisar o Novo Testamento a fim de selecionar os versículos mais importantes para inseri-los na próxima obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, as Sagradas Escrituras já vinham, de longa data, sofrendo lamentáveis e graves intromissões em seus textos, no decorrer de muitos séculos, por diversas inteligências, inumeráveis interpretações estranhas, diversificados raciocínios e inúmeros pensadores, ferindo, mutilando  e interferindo na essência dos textos sagrados que traziam a palavra clara, límpida e pura  de Jesus Cristo. As Escrituras Sagradas são terrenos intelectuais da Fé muito complexos, bastante confusos e grandemente problemáticos. É aí que o competente pensador Kardec deveria trabalhar, a fim de trazer, para o mundo moderno, limpo, puro e claro, o texto da palavra esclarecedora, iluminada e libertadora do Excelso Senhor Jesus Cristo.
O Codificador do Espiritismo, empreendendo grande acuidade intelectual, extremado cuidado interpretativo, comprovada sabedoria espiritual e poderosa fé divina,  lidou e vasculhou, na seleção rigorosa para filtragem e apuramento dos textos mais importantes e necessários destinados às explicações da Terceira Revelação.
As Santas Escrituras, como é muito compreensível, no longo processo histórico da tradição cristã, sofreram modificações, mutilações e deformações em seus diversos livros, capítulos e versículos. Era urgente e indispensável selecionar o melhor das traduções, o essencial dos preceitos do Novo Testamento, os versículos mais necessários, para criar-se uma obra evangélica espírita bem objetiva, trazendo o genuíno conteúdo da moral do Cristo. Esmerou-se em estudar e observar com atenção redobrada para separar, catalogar e selecionar as sentenças bíblicas que melhor traduzem os esplendorosos ensinamentos do Divino Mestre e Senhor Jesus.
A finalidade maior no pensamento do Codificador com sua terceira obra  é dar interpretação e explicação límpida e segura, metódica e didática  aos ensinos de JESUS CRISTO. Todas as sentenças escolhidas do Novo Testamento foram interpretadas mediante o crivo insuperável da FÉ RACIOCINADA de Allan Kardec e sempre sob a orientação e inspiração dos Espíritos Superiores.

Dissertações evangélicas

Na primeira parte de cada capítulo, todos os comentários são da autoria de Kardec. Estão consubstanciados de verdade, amor, caridade e educação, esperança e consolação, originaram-se dos conhecimentos elevados, seculares experiências cristianizadas, profunda sabedoria espiritual e convicção da fé divina de Allan Kardec.
Dos variados textos dos quatro Evangelhos e Epístolas que fazem parte do Novo Testamento, Kardec retirou e destacou o mais essencial do ENSINO MORAL para montar a terceira obra básica do Espiritismo. De seu raciocínio extremamente sério, sutil e perspicaz nasceu o apurado cotejamento das diversas sentenças e máximas neotestamentárias. Com suas extraordinárias qualidades de convicção inquebrantável, sólida fé raciocinada, inteligência iluminada e interpretação requintada, soube, com apurado bom gosto intelectual e finíssima sensibilidade moral, formatar a primeira obra evangélico-espírita, que inicialmente recebeu o título de capa “Imitação do Evangelho”.
Kardec, com pensamento sempre elevado, grandemente responsável, livre de injunções humanas e religiosas, trabalhou em uníssono com a mente do Cristo e a falange dos Sábios Espíritos. Deu acabamento à belíssima obra evangélica de cunho lítero-bíblico, filosófico e científico, repleto do ensino moral do Cristo, grande beleza espiritual, inigualável conteúdo de consolação e esperança. Após hercúleo trabalho intelectual e espiritual, surgiu a primeira edição da terceira obra de Kardec que atendia plenamente às necessidades mais profundas dos corações dos homens, com o título definitivo “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

A trindade da fé

O Evangelho espírita, produzido pela dedicação, amor e coragem do Apóstolo da Fé Raciocinada, Allan Kardec, no século XIX, veio atender às mais profundas necessidades do homem moderno, de raciocínio avançado, bafejado pela Ciência em ritmo alucinante de progressos em todas as direções, tecnologias sempre mais novas e sofisticadas.
O Evangelho dos espíritas, em seu conteúdo doutrinário extremamente harmonioso, o pensador Kardec soube muito bem fundir em uma só LUZ ESPIRITUAL, apresentando a trindade inseparável, unificada e imbatível que são: a Ciência, a Filosofia e a Religião. A Ciência é a verdade pesquisada e comprovada; a Filosofia é a capacidade do ser humano de raciocinar e refletir, indagar e responder; a Religião é a prática do Amor, da Caridade e a Educação do coração e do caráter do homem, transformando para o Bem e oferecendo a ele a Felicidade Imorredoura.
O Evangelho dos espíritas, mesmo sendo obra eminentemente de aspecto moral, ainda carregou, em seus conteúdos, o aspecto científico em alguns capítulos:
Capítulo nº III – “Há muitas moradas da Casa de meu Pai” - (trata da Pluralidade dos Mundos Habitados, visão espírita do Universo),
Capítulo nº IV – “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo” - (Estuda a Lei Divina da Reencarnação),
Capítulo nº XXVI – “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes” - (Explica as potências psíquicas da mediunidade),
Capítulo nº XXVII – “Pedi e Obtereis” - (Esclarece o Poder Mental da Prece).
Melhor interpretação

O Evangelho produzido por Kardec não nasceu para competir, nem desrespeitar as Sagradas Escrituras, nem desprezar jamais os extraordinários ensinos da Bíblia Sagrada.  
O Evangelho dos espíritas foi pensado, analisado, meditado, interpretado, trabalhado e elaborado por Allan Kardec, em comunhão mental superior com os Sábios Espíritos da Codificação.
O Evangelho elaborado por Kardec veio desfraldar, no mais alto patamar da cultura espiritual da Humanidade, a melhor e mais límpida interpretação da Doutrina de Jesus, o Amor de Jesus, as ideias de Jesus, a doutrina moral de Jesus, a crença de Jesus em Deus, a sintonia com o Pai Criador, a fé divina de Jesus, a proposta libertadora de Jesus, as lições de amor ao próximo, os exemplos de Jesus, a pedagogia do amor de Jesus, a simplicidade e humildade comovedoras de Jesus, as regras educativas do espírito por Jesus, a felicidade futura prometida por Jesus e o sacrifício supremo de Jesus a envolver exemplar aceitação.

Obra popular

O pensador Kardec não queria produzir obra interpretativa à feição da Bíblia, apresentar obra teológica repleta de inumeráveis dados dos textos evangélicos, extremamente carregada de referências a versículos complicados. Poderia produzir uma bela obra, mas obra carregada com milhares de sentenças bíblicas seguidas de pequenas e breves explicações. Grande obra, porém, trazendo um emaranhado de ideias que mais complica que facilita o entendimento dos leitores. Isto, Kardec não queria para o Evangelho dos espíritas.
O Espiritismo não veio para confundir o pensamento dos homens: veio com  objetividade educacional, a fim de descomplicar, simplificar e agilizar o entendimento da verdade divina. O codificador sabia muito bem que, se produzisse uma obra grande e complexa, iria prestar grande desserviço à evangelização das almas, pois dificultaria em muito o estudo e a assimilação, o aprendizado e o entendimento verdadeiro do grande público ainda não acostumado a análises detalhadas e pormenorizadas das referências evangélicas. Pensava o sábio professor Hippolyte Rivail em concretizar obra doutrinária simples, direta e bastante popular.
Pronunciou o sábio Codificador a respeito: “O essencial era pô-lo ao alcance de TODOS, mediante a explicação das passagens obscuras e o desdobramento de todas as consequências, tendo em vista a aplicação dos ensinos a todas as condições da vida. Foi o que tentamos fazer com a ajuda dos Bons Espíritos.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº 1 – “Objetivo desta Obra” – Página 25 – 129ª edição – FEB)
O aprendizado moral deveria ser bem claro, muito objetivo, bastante direto, alcançando, com facilidade expositiva e interpretativa, a capacidade de raciocínio e análise, estimulando a elevação da emoção e o fortalecimento da vontade das pessoas para não somente seu aprendizado evangélico,  mas muito especialmente a sua renovação mental, transformação moral, reforma íntima, iluminação da fé, crescimento interior, aperfeiçoamento dos sentimentos, engrandecimento da personalidade imortal, formação verdadeira  do sentimento cristão.

Estrutura da obra

O Evangelho espírita está formado de 28 capítulos, dividido em duas partes: a primeira, de autoria de Kardec; a segunda, de autoria dos Espíritos. Em cada um deles, o Codificador inseriu transcrições de versículos do Novo Testamento. Não obedeceu a nenhuma ordem cronológica dentro dos Evangelhos.  Reuniu diversos versículos pela semelhança das ideias e conteúdos em cada capítulo na sua terceira obra. O Codificador desejava produzir e realmente produziu  uma obra resumida, unificada e sintética, que facilitasse em muito a leitura e o estudo, promovendo a assimilação das ideias e o entendimento dos diversos aspectos dos ensinamentos do Cristo.
Em cada capítulo criou a secção “Instruções dos Espíritos”. Nestas, o Codificador inseriu encantadoras mensagens psicografadas, de autoria dos Sábios Espíritos, selecionadas pelo seu próprio critério de análise, cotejamento e seleção, entre centenas e centenas de dissertações  provenientes de toda a França e doutros países europeus. O sábio pensador da  Codificação explicou: “Como complemento de cada preceito, acrescentamos algumas instruções escolhidas, dentre as que os Espíritos ditaram em vários países e por diferentes médiuns.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº 1 – “Objetivo desta Obra” – Página 25 – 129ª edição – FEB)
O mestre Kardec fez questão de selecionar e inserir o maior número possível de mensagens de autoria dos Espíritos, a fim de ficar patenteado que a terceira obra do Espiritismo não é produto exclusivamente seu, pois é também dos Espíritos elevados [as grandes Vozes do Céu] que trabalharam profundamente unidos de mente, ideia e coração, sob o comando sábio, orientador e amoroso de Jesus Cristo.
Do Codificador selecionamos as palavras que demonstram o caráter cristão genuíno do formidável trabalho coletivo, quando afirmou: “Se elas fossem tiradas de uma fonte única, teriam talvez sofrido uma influência pessoal ou do meio, enquanto a diversidade de origens prova que os Espíritos dão indistintamente seus ensinos e que ninguém a este respeito goza de qualquer privilégio.” Allan Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº 1 – “Objetivo desta Obra” – Páginas 25-26 – 129ª edição – FEB)
O Evangelho, para ser obra genuína do CRISTO, é o resultado esplendoroso do esforço intelecto-moral de Kardec e dos Espíritos Superiores, no trabalho unido e unificado, sintonizado e fundido no mais alto grau de amor fraternal, humildade vivida, fraternidade universal, desprendimento completo e objetivos sagrados de promover o progresso moral e espiritual da Humanidade. 

Números e componentes 

Se, trabalhando sozinho, Allan Kardec – o grande pesquisador e intérprete da Verdade – poderia realizar monumental trabalho doutrinário, o que pensar na grandeza de sua obra filosófico-doutrinária por operar em perfeita simbiose espiritual, mente a mente, coração a coração com os Sábios Espíritos da Codificação e o Excelso Senhor Jesus Cristo.
Com a finalidade grandiosa de trazer excelente obra de interpretação do Evangelho que retratasse da melhor maneira possível, de forma resumida e concentrada, as ideias libertadoras, lições de amor e pensamentos esplendorosos extraídos dos Evangelhos do Novo Testamento.
A estrutura do Evangelho elaborado por Kardec contém perfeita síntese da Doutrina do Cristo, sendo muito bem planejada, organizada e ordenada.
Do Novo Testamento, o Codificador selecionou grande número de referências dos Evangelistas, a saber: de Mateus, 78 versículos; de Marcos,  21 versículos; de Lucas, 30 versículos; de João, 7 versículos, e variados somam 11 versículos. Destaca-se a predominância das referências do Evangelho de Mateus.
O Codificador Rivail, espírito altamente competente das Letras Sagradas, dominava com sabedoria e discernimento os textos bíblicos. Soube muito bem distribuir os diversos versículos selecionados nos diferentes temas doutrinários, com os quais formatou os 28 capítulos desta Obra Básica –  imensamente encantadora ao raciocínio sequioso da Verdade e muito mais penetrante ao coração sedento de Amor e Paz.
Organizou todos os capítulos, distribuindo as diversas dissertações, colocando ordem numérica a seus comentários e dissertações dos Espíritos. Cada capítulo possui determinado número de itens sequenciados, sendo o seu número total 370 itens, os comentados por Kardec vão ao total de 260 itens e dos Espíritos Superiores são da ordem de 110 itens. O Codificador foi autor de 70% dos itens, enquanto os Espíritos Sábios ficaram com 30% deles. Cada capítulo possui diversos subtemas, inseridos numa sequência lógica pela competência doutrinária e conhecimentos aprofundados do Codificador. Em contexto total da obra, Kardec escreveu 128 temas, na primeira parte de cada capítulo, enquanto os Espíritos elevados foram responsáveis por 71 temas na secção “Instruções dos Espíritos”.
A produção intelectual de Kardec foi maior, porque se responsabilizou por 65% dos textos dissertados, enquanto os Espíritos escreveram 35% dos temas do Evangelho.
Foi de quarenta e nove (49) o número total de Espíritos iluminados que colaboraram na redação dos diversos temas que compõem a estrutura doutrinária inseridas na magnífica secção “Instruções dos Espíritos”.
A seguir, apresentamos relação completa, em ordem alfabética, de nomes ou criptônimos dos Espíritos elevados, sendo que, na segunda coluna, temos os números de capítulos, do item ou itens, onde se encontram as dissertações de cada autor espiritual, psicografadas por diversos médiuns, na França e outros países da Europa.
Relação dos Espíritos elevados que colaboraram com dissertações evangélico-doutrinárias em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Espíritos Superiores
Capítulos e itens em
O Evangelho Segundo o Espiritismo


Adolfo, bispo de Argel
7:12, 12:11, 13:11.
Bernardine, Espírito protetor
5.27
Cáritas
13:13-14.
Cheverus
16:11.
Constantino
20:2.
Delfina de Girardin
5:24
Dufêtre, bispo de Nevers
10:18.
Emmanuel
11:11.
Erasto, discípulo de Paulo
1:11, 20:4, 21:9, 21:10.
Espírito protetor
11:13.
Fénelon
1:l0, 5:22-23, 11:9, 12:10, 16:13. 
Ferdinando, Espírito protetor
7:13
Francisco Xavier
12:14.
François de Genève
5:25
François, Nicolas-Madeleine
5:20, 17:8-9.
Guia protetor
13:19.
Hahnemann
9:10.
Henri Heine
20:3.
Irmã Rosália
13:09.
Isabel de França
11:14.
João
13:16.
João Batista Vianney, Cura d’Ars
8:20.
João Evangelista
8:18.
João, bispo de Bordeaux
10:17.
Jorge, Espírito protetor
17:11.
José, Espírito protetor
10:16, 19:11.
Júlio Olivier
12:09.
Lacordaire
5:18, 7:11, 16:14.
Lamennais
11:15.
Lázaro
9:6, 9:8, 11:8,17:7.
Luís
21:8.
Luís, Espírito protetor
21:11.
M., Espírito protetor
16:10.
Miguel
13:17.
O Espírito de Verdade
6:5-6-7-8, 20:5.
Pascal
11:12, 16:09.
Paulo, apóstolo
10:15, 15:10.
Sanson
5:21, 11:10.
Santo Agostinho
3:13-14-15, 3:18-19, 5:19, 12:12,12:15, 14:9, 27:23.
São Luís
4:24-25, 5:28-29-30-31, 10:19-20-21, 13:20, 16:15.
São Vicente de Paulo
13:12.
Simeão
10:14, 18:16.
Um Anjo guardião
5:26
Um Espírito amigo
9:7, 18:15.
Um Espírito familiar
13:18.
Um Espírito israelita
1:9
Um Espírito protetor
8:19, 9:19, 12:13, 13:10, 13:15, 16:12; 17:10, 19:12.
Uma Rainha de França
2:8






Leitores da Obra
O Codificador Allan Kardec, excelente intérprete das Sagradas Escrituras, preocupou-se muito com o entendimento e o aproveitamento dos leitores desta obra – leitores que seriam bem diversificados em seus níveis intelectuais, línguas diversas, costumes variados e tradições religiosas. No grande futuro, ele sabia que  os leitores viriam aos milhões, provenientes dos diversos povos e variadas classes sociais. A obra evangélica seria consagrada a beneficiar o espírito de todos os seres humanos!
Sabia muito bem o Codificador que a maioria das pessoas era possuidora de pouca experiência bíblica e distanciada das leituras complicadas. Para ele, esta obra não poderia ser eminentemente teológica, limitada a atender somente alguns especialistas, tornando-se embaraço para a grande massa de leitores que viriam das almas simples do povo. Não era para satisfazer somente o gosto intelectual apurado de Kardec, mas especialmente cumprir o luminoso programa pedagógico de Jesus Cristo para a Humanidade inteira. Obra espírita de conteúdo extremamente evangélico para esclarecer e iluminar todos os espíritos, todas as mentes, todos os raciocínios e todos os corações. E não somente para ser objeto de pesquisas de alguns estudiosos especializados em textos bíblicos.   
Kardec não estava criando “nova Bíblia” para atender especificamente uma elite de leitores intelectuais espíritas. Obra genuinamente evangélica que pudesse estudar, de forma sucinta e de forma bem concentrada, boa percentagem das ideias, ensinos e projetos educativos de Jesus Cristo. Obra espírita que pudesse interpretar com lucidez e explicar com clareza a estrutura filosófica fundamental contida nos Evangelhos da Bíblia Sagrada.
O pensador Allan Kardec é o exímio organizador do pensamento cristão para atender o imaturo homem tecnológico do Terceiro Milênio. Conseguiu efetivar, com elevados méritos, ao formar e formatar os 28 capítulos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.     

Dificuldade de entendimento

Kardec teceu breve, porém, sincera e verdadeira análise a respeito dos leitores dos Textos Sagrados, os quais manuseiam muito pouco ou quase nada. Sendo que poucos leem e menos ainda estudam com seriedade os Evangelhos. Esmagadora maioria sente enorme e invencível dificuldade em ler, interpretar e entender os variados capítulos e versículos da Obra Sagrada. Pronunciou-se, pois, a respeito: “Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as consequências. A razão está, por muito, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho, que, para o maior número dos seus leitores, é ininteligível”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, nº 1 – “Objetivo desta Obra” – Página 24 – 129ª edição – FEB)
Dos simples religiosos, em sua generalidade, poucos conhecem a fundo os Evangelhos, e menor ainda é o número dos que o compreendem em espírito e verdade. A maioria dos crentes, na grande massa da população, não está afeita à leitura complicada, dificultosa e confusa como se depara com a maioria das sentenças dentro dos versículos do Antigo e do Novo Testamento.
O Codificador descreveu o retrato intelectual e psicológico dos religiosos em geral a respeito de sua capacidade de leitura e aproveitamento do estudo individual dos textos da Bíblia Sagrada:
“A forma alegórica [forma figurada] e o intencional misticismo da linguagem fazem com que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como leem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito”.
“Passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas”.
“Impossível, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações especiais.” Allan Kardec  (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, n.º 1 – “Objetivo desta Obra” – Página 24 – 129ª edição – FEB)
Com sua perspicácia, Kardec observou que a maioria dos crentes das religiões tradicionais lia os textos das Escrituras, e pouco entendia, muito menos assimilava, menos ainda compreendia. Bom número de adeptos lê as páginas complicadas da Bíblia por simples dever, sem vontade e intenção em aprender os ensinos morais e muito menos ainda em praticá-los. Lamentável a condição de ignorância espiritual da maioria dos religiosos em geral, quanto ao aprendizado dos preceitos morais do Cristo!

Espíritas esclarecidos

O Mestre Kardec percebeu a necessidade de produzir obra doutrinário-evangélica que facilitasse bastante o entendimento para a maioria das pessoas que fossem manusear e estudar o Evangelho espírita. Este, o objetivo maior do lúcido Codificador para a obra espírita da Boa Nova que interpretou com profundidade e explicou à LUZ DA FÉ RACIOCINADA o pensamento, a ideia e o ensino da Verdade Eterna contidos no Evangelho de Jesus Cristo.
A intenção grandiosa do Codificador era elaborar obras que aumentassem o número de leitores estudiosos a realmente aprender com clareza os ensinamentos de Jesus Cristo e vivê-los com alma e coração. Esses leitores seriam os espíritos decididos, os alunos estudiosos, os espíritas esclarecidos, os que pensam a Fé Racional, os que se esforçam em corrigirem-se, os que se arrependem de suas faltas e crimes, os que aprendem a amar, os alunos sinceros da renovação, os aprendizes da boa vontade, os espíritas da fé raciocinada, os que trabalham com desprendimento por uma Humanidade mais feliz. Esses são os leitores modernos que Kardec desejava seduzir e arrebanhar, preparar e formar com o lançamento da obra eminentemente didática  - O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Obra-prima de Kardec

O excelente intérprete das Escrituras Sagradas – o Codificador Allan Kardec – organizou uma obra que pudesse penetrar com leveza e grandeza na alma humana. Adentrando as provações, os dramas, as tragédias e os grandes  sofrimentos dos leitores de todo o mundo e, oferecendo, com  caridade moral, o caminho da luz espiritual. Para Kardec, a vitória do espírito sobre as experiências da vida corpórea e sua efetiva melhoria moral seriam sempre mais importantes para o feliz destino futuro das almas humanas.
Cativar o máximo de leitores pela racionalidade da fé, bem como emotividade do amor fraternal, simplicidade na linguagem e objetividade nas explicações. Tudo para beneficiar verdadeiramente os leitores espíritas que iriam aprender a aplicar simultaneamente na leitura as ferramentas do espírito: inteligência e sentimento, raciocínio e coração, pensamento e emoção, ideação e afetividade, inspiração e espiritualidade.
O Evangelho dos espíritas em todas dissertações de suas abençoadas páginas, tanto de autoria de Allan Kardec como dos Espíritos Superiores, foram redigidas e comentadas, interpretadas e explicadas, obedecendo à clareza da fé raciocinada, à luz poderosa da fé divina, a força imbatível do amor universal e a eficiência educativa da caridade moral. O Evangelho elaborado por Kardec é obra bastante humilde em sua confecção material: contém poucos capítulos, sem ostentação de vaidade literária, contudo, traz, em seu conteúdo, todas as lições e princípios, normas e regras para o esclarecimento, educação, aperfeiçoamento moral e espiritual das criaturas humanas.
O Codificador não ansiava por agradar aos leitores simplesmente pelo altíssimo número de versículos selecionados e catalogados, estudados e explicados. O insigne Kardec desejava verdadeiramente encantar os leitores da Fé Espírita com dissertações repletas de ideias claras, explicações bem articuladas, beleza imortal da Verdade Divina, Amor profundo a Deus,  amor fraternal ao próximo, Amor universal a tudo e a todos, pregação da Caridade prestadora de serviços, Fé divina, amorosa, misericordiosa e racional.
O abnegado pensador Kardec – verdadeiro sábio das sagradas escrituras – soube, através desta esplendorosa obra, cativar e conquistar milhões e milhões de leitores sequiosos da Verdade Espiritual pela simplicidade e objetividade das dissertações, exposição clara, amena e didática das interpretações à luz poderosa da Fé Raciocinada.
O Evangelho elaborado por Kardec é obra de brilho espiritual sem igual, celeiro de fé raciocinada, amor fraternal e caridade moral.
O Evangelho dos espíritas é a mais excelente, a mais exuberante, a mais encantadora, a mais rica de esperanças e consolações, a que mais multiplica as alegrias intraduzíveis nos corações!
O Evangelho Segundo o Espiritismo é a obra-prima de Kardec por excelência; fulgura acima de todas as suas outras obras extraordinárias por trazer a beleza cristalina e a grandeza imortal das lições do Senhor e Mestre Jesus Cristo. 
Podemos perguntar ao coração de cada companheiro espírita: Quem de nós, nas horas das grandes lutas e incertezas, dores e sofrimentos, tragédias e obsessões, angústias e solidão, dispensa o manuseio do Evangelho de Kardec?
Quais de nós não abraçamos o Evangelho organizado por Kardec, fechamos os olhos, concentramo-nos, proferimos uma prece, depois, abrimos suas páginas luminosas, lemos e meditamos com respeito às suas lições imortais e não nos vemos de um momento para outro, mais fortalecidos e mais calmos, renovados na fé, na confiança, na esperança e no amor ao próximo! É a influência imensamente benfazeja desta obra admirável e abençoada de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores sob a orientação magnânima do amorável Mestre e Senhor Jesus! 
O Evangelho dos espíritas interpreta e descreve, com o máximo de lucidez de raciocínio e magnificência esplendorosa de amor, os ensinamentos mais importantes de Jesus selecionados nos quatro Evangelhos do Novo Testamento e nas Epístolas do Apóstolo Paulo.
O Evangelho dos espíritas é obra organizada pelo raciocínio refinado de Allan Kardec. Através dela, Jesus retorna ao mundo, esclarecendo o povo. O Senhor volta ao cenário triste, descrente e sombrio do mundo moderno, conversando e orientando homens e mulheres infelizes, inseguros e frágeis.
O Evangelho elaborado por Kardec espalha e semeia, ensina e ilumina, esclarecendo o raciocínio e fecundando o coração que fará produzir  a verdadeira felicidade do ser humano dentro de si mesmo, na família e na sociedade!
 
Capa do Anuário Espírita 2014 traz Kardec e fac-simile de edição francesa
de O Evangelho Segundo o Espiritismo

(Texto recebido em email do IDE, Araras, SP)
Ide

Representação dos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João.
Fachada da Catedral da Sé, São Paulo, Brasil
Foto Ismael Gobbo

Página do Novo Testamento publicada por Louis-Isaac Lemaistre de Sacy em 1667. Allan Kardec se utilizou da
tradução de Sacy no trabalho de elaboração de  “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Louis-Isaac Lemaistre de Sacy
Hahnemann, Pai da Homeopatia, está presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo
No cap. 9, item 10, dando instrução sobre a Cólera.
Túmulo de Hahnemann, o criador  da Homeopatia,  no Cemitério do Père Lachaise,  em Paris, França.
Foto: Ismael Gobbo
Ficheiro:Hugues Felicité Robert de Lamennais.PNG
Hughes Félicité Robert de Lamennais (19-06-1782 / 27-02-1854)
Lamennais,  espírito, está presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 11, item 15)
dando instrução sobre “Deve-se expor a vida por um malfeitor?”
Estampa em bronze representando  o apóstolo São Paulo. Autor não identificado; sem data.
Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foto Ismael Gobbo
O  Rio Sena e a Ponte de Bercy, Paris, França. Foto Ismael Gobbo
Em Paris Allan Kardec codificou o Espiritismo.